O projeto contemplou a concepção, desenvolvimento da engenharia executiva e implantação de Sistema de Vigilância Eletrônica estruturado para atendimento às demandas de monitoramento operacional da Subestação Londrina Sul, com ênfase na supervisão das chaves seccionadoras para fins de teleassistência.

A solução foi concebida como instrumento de suporte direto à operação do ativo de transmissão, permitindo a realização de inspeções visuais remotas, acompanhamento de estados operacionais e apoio às rotinas de liberação de linhas, com consequente mitigação de deslocamentos presenciais e incremento da confiabilidade sistêmica.

A implementação foi conduzida em estrita conformidade com os Termos de Referência aplicáveis à Eletrobras, observando igualmente as Resoluções Normativas da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL e os Procedimentos de Rede do Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS, no que concerne aos requisitos técnicos, operacionais e de segurança aplicáveis a ativos integrantes do sistema de transmissão de energia elétrica.

Considerando a natureza crítica da instalação e sua inserção em ambiente energizado de alta complexidade operacional, a execução demandou planejamento técnico detalhado, elaboração de metodologia executiva compatível com as condições do sítio, qualificação específica da equipe de campo e adoção rigorosa de protocolos de segurança, conformidade normativa e rastreabilidade técnica.

A engenharia do sistema foi estruturada para assegurar desempenho, disponibilidade e aderência às exigências regulatórias do setor elétrico, preservando a continuidade operacional da subestação durante todas as fases de implantação.

Principais Desafios

A implantação do Sistema de Vigilância Eletrônica na Subestação Londrina Sul apresentou desafios técnicos, operacionais e normativos intrínsecos à execução de serviços em infraestrutura crítica integrante do sistema de transmissão de energia elétrica.

As condições do ambiente, associadas à necessidade de preservação da continuidade operacional do ativo, demandaram abordagem metodológica específica, compatibilização de soluções técnicas com as restrições existentes e observância rigorosa das normas aplicáveis ao setor elétrico.

Ambiente Energizado e Criticidade Operacional

A execução ocorreu em subestação em plena operação, inserida em contexto de alta criticidade sistêmica. Tal condição impôs a necessidade de:

  • Planejamento executivo compatível com ambiente energizado
  • Controle rigoroso de riscos elétricos
  • Preservação integral da infraestrutura existente
  • Execução das atividades sem interferência na continuidade do serviço público de transmissão

A metodologia adotada foi estruturada para mitigar riscos operacionais, evitar impactos à disponibilidade do ativo e assegurar conformidade com os procedimentos de segurança aplicáveis.

Interferência Eletromagnética

O ambiente de subestação caracteriza-se por elevado nível de interferência eletromagnética decorrente da operação de equipamentos de alta tensão.

Tal condição exigiu a adoção de soluções técnicas destinadas a garantir:

  • Integridade dos sinais de transmissão
  • Estabilidade dos enlaces ópticos
  • Confiabilidade dos equipamentos ativos
  • Preservação do desempenho dos dispositivos de monitoramento

A engenharia do sistema foi concebida para mitigar efeitos de ruídos e perturbações eletromagnéticas típicas desse tipo de instalação.

Execução em Altura

A instalação das câmeras Speed Dome em pórticos metálicos com alturas aproximadas de 16 metros configurou atividade de risco elevado, demandando:

  • Planejamento logístico detalhado
  • Mobilização de equipamentos apropriados
  • Equipe tecnicamente habilitada
  • Observância integral das normas aplicáveis a trabalho em altura

As atividades foram conduzidas com procedimentos específicos de segurança, garantindo integridade física da equipe e conformidade normativa.

Condições Ambientais Severas

A exposição contínua a variações térmicas, níveis elevados de umidade e agentes potencialmente corrosivos impôs a especificação de componentes e invólucros compatíveis com ambientes classificados como severos.

A seleção de materiais e equipamentos considerou critérios de:

  • Resistência mecânica
  • Proteção contra ingresso de partículas e umidade
  • Durabilidade operacional
  • Confiabilidade de longo prazo

Tais premissas foram fundamentais para assegurar a estabilidade e vida útil do sistema implantado.

Proteção Contra Surtos e Transitórios

A natureza da instalação, sujeita a descargas atmosféricas e transitórios de tensão decorrentes de manobras e eventos sistêmicos, exigiu dimensionamento criterioso de dispositivos de proteção contra surtos e implementação de medidas de proteção elétrica compatíveis com o grau de exposição do ativo.

A engenharia do sistema contemplou soluções destinadas a mitigar riscos associados a sobretensões, preservando a integridade dos equipamentos e a continuidade operacional do sistema de monitoramento.

Solução Implementada

A implantação compreendeu a execução de infraestrutura tecnológica dedicada ao monitoramento operacional e à teleassistência da Subestação Londrina Sul, abrangendo fornecimento e instalação de equipamentos, implementação de rede de telecomunicações, sistemas de proteção elétrica e integração estruturada com a sala de controle.

A solução foi concebida de forma sistêmica, assegurando desempenho, confiabilidade e aderência aos requisitos técnicos aplicáveis a ambientes de transmissão de energia elétrica.

Sistema de Videomonitoramento

Foram instaladas 14 câmeras, distribuídas conforme a arquitetura técnica definida na engenharia executiva do projeto:

  • 8 câmeras Speed Dome (PTZ) instaladas em pórticos metálicos a aproximadamente 16 metros de altura, destinadas ao monitoramento do pátio energizado e das chaves seccionadoras, viabilizando a teleassistência operacional;
  • 6 câmeras internas, instaladas nas salas de comando, sendo 3 unidades no Setor Eletrosul e 3 unidades no Setor Guaíra, destinadas ao monitoramento interno e apoio às rotinas operacionais.

Os dispositivos foram integrados à infraestrutura central por meio da instalação de gravadores de vídeo em rede (NVRs), organizados em rack dedicado, possibilitando centralização, gerenciamento e retenção estruturada das imagens, com disponibilidade para consulta remota e suporte às atividades de operação e liberação de linhas.

Infraestrutura de Rede e Telecomunicações

A infraestrutura de telecomunicações foi projetada e executada para assegurar estabilidade, integridade de transmissão e compatibilidade com o ambiente eletromagneticamente severo da subestação.

O escopo contemplou:

  • Implantação de backbone em fibra óptica single-mode 6 vias, dimensionado para garantir desempenho e margem operacional;
  • Encaminhamento protegido por meio de canaletas existentes, com complementação em eletrodutos PEAD, assegurando proteção mecânica e organização dos enlaces;
  • Montagem de caixas de proteção e terminação para consolidação dos pontos de campo;
  • Execução de fusões ópticas, com organização e acomodação das fibras em DIOs (Distribuidores Internos Ópticos);
  • Integração óptica por meio de conversores de mídia, assegurando compatibilização entre enlaces ópticos e equipamentos de rede;
  • Alimentação dos dispositivos de campo por meio de tecnologia PoE (Power over Ethernet), permitindo racionalização da infraestrutura elétrica e simplificação das interligações.

A solução foi estruturada para oferecer redundância lógica, organização técnica e rastreabilidade dos enlaces implantados.

Proteção Elétrica e Confiabilidade

Considerando a criticidade do ambiente de subestação e sua elevada exposição a descargas atmosféricas, surtos induzidos e transitórios elétricos decorrentes de manobras e eventos sistêmicos, a solução foi concebida com abordagem integrada de proteção elétrica e estrutural, compatível com ativos de transmissão de energia.

Foram instaladas caixas de proteção confeccionadas em aço inox com grau de proteção IP54, destinadas ao abrigo dos equipamentos de campo e à consolidação dos enlaces ópticos e elétricos, contendo:

  • Proteção elétrica dedicada;
  • Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS) com capacidade nominal de 30kA (8/20 µs), dimensionados para ambiente de subestação;
  • Elementos de organização, segregação e terminação compatíveis com operação contínua em condições severas.

A infraestrutura foi estruturada com Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) incorporado às estruturas metálicas de suporte, contemplando:

  • Captores instalados nos postes;
  • Condutores de descida adequadamente dimensionados;
  • Integração ao sistema de aterramento existente da subestação, assegurando equipotencialização das massas metálicas e escoamento seguro das correntes de descarga.

A coordenação entre SPDA e DPS foi dimensionada de forma a estabelecer proteção em múltiplos níveis, mitigando sobretensões atmosféricas e induzidas, preservando a integridade dos equipamentos ativos, da infraestrutura óptica e dos sistemas eletrônicos associados.

Engenharia, Certificação e Comissionamento

A execução foi conduzida sob coordenação integrada do Departamento de Engenharia e equipe técnica de campo, com aplicação de metodologia estruturada e rastreável.

O escopo compreendeu:

  • Seleção técnica e parametrização dos ativos implantados;
  • Ensaios de funcionamento e validação operacional;
  • Comissionamento completo do sistema;
  • Certificação da infraestrutura implantada;
  • Habilitação formal do sistema para teleassistência operacional;
  • Garantia de rastreabilidade técnica e conformidade contratual.

Todas as etapas foram conduzidas com controle documental, responsabilidade técnica formal e observância às exigências regulatórias aplicáveis ao setor elétrico.

Resultados Alcançados

A implantação do Sistema de Vigilância Eletrônica na Subestação Londrina Sul resultou na entrega de infraestrutura tecnológica de alta performance em conformidade com as especificações técnicas e exigências normativas aplicáveis a ativos do sistema de transmissão de energia elétrica.

O sistema implementado passou a integrar a rotina operacional do empreendimento, disponibilizando solução estruturada de monitoramento com capacidade efetiva de teleassistência, conferindo maior previsibilidade, rastreabilidade e suporte técnico às atividades operacionais.

Com a entrada em operação da solução, a Subestação passou a contar com:

  • Redução de deslocamentos presenciais para verificação visual em campo;
  • Supervisão remota e contínua das chaves seccionadoras;
  • Suporte visual estruturado às rotinas de inspeção, manobra e liberação de linhas;
  • Monitoramento integral do pátio energizado com imagens em alta definição;
  • Incremento na disponibilidade operacional e na confiabilidade sistêmica do ativo.

A solução implantada contribuiu para otimização dos processos operacionais, mitigação de riscos associados a intervenções desnecessárias e melhoria do tempo de resposta em situações que demandam verificação visual.

O sistema final atende integralmente aos objetivos estabelecidos na fase de concepção, permitindo operação contínua com elevada disponibilidade, estabilidade de transmissão de dados e conformidade regulatória, consolidando modelo de monitoramento alinhado às melhores práticas aplicáveis ao setor elétrico e à gestão de ativos de infraestrutura crítica.