Entenda Icw, Ipk e Icc em QGBT, as diferenças para Icu e Ics dos disjuntores e como especificar a suportabilidade ao curto-circuito do conjunto.

Confira!

Icw, Ipk e Icc são parâmetros de curto-circuito aplicáveis ao QGBT e a outros conjuntos de baixa tensão. A resposta direta é: Icw representa a corrente eficaz suportável por um tempo declarado, Ipk representa o pico de corrente suportável e Icc representa a corrente condicional suportável quando o desempenho depende de um dispositivo de proteção especificado.

Essas grandezas descrevem o comportamento do conjunto completo e não devem ser confundidas com Icu e Ics, que caracterizam a capacidade de interrupção do disjuntor. Um disjuntor capaz de interromper a falta não comprova, sozinho, que barramentos, suportes, conexões, invólucro e circuito de proteção suportarão seus efeitos.

Compreender esses valores é essencial para verificar se o conjunto suporta os esforços térmicos e eletrodinâmicos associados a uma falta no ponto onde será instalado.

Por que o curto-circuito é crítico em um QGBT?

O QGBT costuma estar localizado próximo à origem da instalação, muitas vezes logo após um transformador ou uma entrada de energia. Nessa posição, a impedância entre a fonte e o quadro pode ser baixa e a corrente de curto-circuito disponível pode ser elevada.

Durante uma falta, o conjunto é submetido a:

  • aquecimento intenso em curto intervalo;
  • forças eletrodinâmicas entre condutores e barramentos;
  • esforços sobre suportes e conexões;
  • formação de arco elétrico;
  • pressão interna sobre o invólucro;
  • solicitação dos dispositivos de proteção.

A avaliação não pode se limitar ao disjuntor geral. Barramentos, conexões, suportes, condutores internos, circuito de proteção e invólucro também precisam apresentar desempenho compatível.

O que é corrente de curto-circuito presumida?

A corrente de curto-circuito presumida é a corrente que poderia circular em determinado ponto se ocorresse uma falta com impedância desprezível.

Na entrada do QGBT, essa corrente pode ser representada por Icp. O valor depende de fatores como:

  • potência e impedância do transformador;
  • características da rede de alimentação;
  • comprimento e seção dos cabos;
  • impedância de barramentos e conexões;
  • quantidade de fontes operando em paralelo;
  • contribuição de motores e outras cargas rotativas.

O projetista deve fornecer ao montador o valor aplicável ao ponto de conexão do conjunto e registrar as condições de cálculo, as fontes consideradas, a tensão, a impedância equivalente e o tempo esperado de eliminação da falta.

O que é Icw?

Icw é a corrente nominal de curta duração suportável pelo conjunto durante um tempo especificado.

Ela representa a capacidade do conjunto de suportar os efeitos térmicos e dinâmicos de uma corrente de curto-circuito durante o intervalo declarado, como 0,2 s, 1 s ou 3 s.

Um valor isolado de Icw é incompleto sem o tempo associado. Informar apenas “Icw de 50 kA” não permite compreender por quanto tempo essa corrente pode ser suportada. O esforço térmico está relacionado à corrente e ao tempo de duração da falta.

A Icw é especialmente relevante quando a estratégia de proteção permite temporização no disjuntor geral para obter seletividade com dispositivos a jusante.

O que é Ipk?

Ipk é a corrente nominal de pico suportável.

Enquanto a Icw está relacionada ao valor eficaz da corrente durante determinado tempo, a Ipk representa o pico instantâneo que produz os maiores esforços eletrodinâmicos sobre barramentos, suportes e conexões.

A corrente de pico pode ser significativamente maior que o valor eficaz porque inclui a componente assimétrica da falta. Seu valor depende da relação entre resistência e reatância do circuito e não deve ser estimado apenas multiplicando a corrente eficaz por √2.

Por isso, o projeto mecânico do conjunto precisa suportar as forças resultantes sem deslocamentos, deformações, redução de distâncias de isolação ou falha dos suportes. A verificação envolve o arranjo dos barramentos, o espaçamento entre fases, a geometria, os pontos de fixação e a resistência mecânica das conexões.

O que é Icc?

Icc é a corrente nominal de curto-circuito condicional do conjunto.

Esse parâmetro é usado quando a suportabilidade do conjunto depende da atuação de um dispositivo de proteção contra curto-circuito definido, como um disjuntor ou fusível a montante ou incorporado à unidade de entrada.

Nesse caso, o desempenho declarado está condicionado ao uso do dispositivo especificado e às suas características de limitação e atuação.

Não é correto substituir livremente o dispositivo de proteção sem verificar se a condição que sustenta o valor de Icc continua válida.

Diferenças entre Icw, Ipk e Icc

ParâmetroGrandeza representadaCritério principal
Icwcorrente eficaz suportada por tempo declaradoesforço térmico e dinâmico durante curta duração
Ipkvalor de pico suportávelesforço eletrodinâmico máximo
Icccorrente condicional suportáveldesempenho associado a dispositivo de proteção definido

Os parâmetros podem aparecer em combinações diferentes conforme o projeto do conjunto e a estratégia de proteção.

Icw é a mesma coisa que Icu?

Não. Icw é uma característica do conjunto. Icu é uma característica do disjuntor conforme a norma de produto aplicável.

ParâmetroObjeto avaliadoFunção
IcwQGBT ou conjuntosuportar corrente de curta duração
IpkQGBT ou conjuntosuportar pico de corrente
IccQGBT ou conjunto condicionado à proteçãosuportar curto com dispositivo especificado
Icudisjuntorcapacidade última de interrupção
Icsdisjuntorcapacidade de interrupção em serviço

Um disjuntor com Icu superior à corrente de curto-circuito não comprova, sozinho, que os barramentos e a estrutura do QGBT suportam a falta.

A especificação deve separar capacidade do disjuntor e suportabilidade do conjunto

O whitepaper técnico sobre QGBT organiza Icp, Icw, Ipk, Icc, proteção associada e documentação necessária para o aceite do conjunto.

Como selecionar o requisito de curto-circuito do QGBT?

A sequência técnica pode ser organizada em cinco passos.

1. Determinar a corrente disponível

O projeto calcula ou obtém a corrente de curto-circuito presumida na entrada do conjunto.

2. Definir a estratégia de proteção

É necessário identificar se o QGBT possui disjuntor geral, fusível, proteção externa, temporização, limitação de corrente ou combinação de dispositivos.

3. Verificar a continuidade requerida

A seletividade pode exigir atraso na atuação do dispositivo geral. Esse atraso aumenta o tempo durante o qual o conjunto precisa suportar a corrente de falta.

4. Especificar os parâmetros do conjunto

O projetista define os requisitos de Icw, Ipk ou Icc compatíveis com o sistema e fornece os dados ao montador.

5. Conferir a documentação

O fornecimento deve registrar os valores declarados, os tempos associados, os dispositivos condicionantes e as referências de verificação do projeto.

Qual é a relação entre seletividade e Icw?

A seletividade busca limitar o desligamento ao circuito onde ocorreu a falta. Em um sistema com disjuntores em cascata, o disjuntor geral pode receber temporização para permitir que o dispositivo do circuito defeituoso atue primeiro.

Durante esse intervalo, o barramento principal e os demais elementos do QGBT continuam submetidos à corrente de curto-circuito.

Por isso, não é coerente especificar temporização sem verificar a suportabilidade de curta duração do conjunto.

O dispositivo a montante pode reduzir o requisito do conjunto?

Sim, quando existe uma coordenação comprovada e o conjunto possui corrente condicional declarada para o dispositivo de proteção especificado.

Disjuntores limitadores e fusíveis podem reduzir o pico e a energia passante. Entretanto, o benefício depende de combinação, modelo, ajuste, tensão e condição de aplicação definidos.

A simples existência de um disjuntor a montante não permite assumir que o QGBT está protegido para qualquer corrente de curto-circuito.

Coordenação exige dados do disjuntor, do conjunto e do aterramento

O whitepaper sobre dimensionamento de disjuntores detalha capacidade de interrupção, ajustes e seletividade. O eBook Aterramento Elétrico aprofunda o circuito PE e a equipotencialização associados às correntes de falta.

Quais dados devem constar na especificação?

Para tratar adequadamente o curto-circuito, a especificação deve indicar:

  • corrente de curto-circuito presumida na entrada;
  • configuração das fontes;
  • dispositivo de proteção a montante ou na entrada;
  • ajustes e temporizações relevantes;
  • necessidade de seletividade;
  • valor de Icw e tempo associado, quando aplicável;
  • valor de Ipk;
  • valor de Icc e dispositivo condicionante, quando utilizado;
  • contribuições de motores ou fontes paralelas;
  • documentação e registros exigidos do montador.

Como verificar esses parâmetros no aceite?

O aceite deve comparar os dados do projeto com a documentação do conjunto. Devem ser conferidos:

1. valores declarados na documentação ou placa; 2. tempo associado à Icw; 3. dispositivo relacionado à Icc; 4. ajustes do disjuntor geral; 5. correspondência com o diagrama unifilar; 6. referências da verificação de projeto; 7. relatório de verificação de rotina; 8. eventuais alterações de componentes durante a fabricação.

Substituições de disjuntores, barramentos, suportes ou invólucros podem afetar a condição verificada e precisam ser analisadas tecnicamente.

O valor de curto-circuito precisa chegar ao projeto e ao aceite

O Projeto Elétrico de Baixa Tensão determina as correntes presumidas e os requisitos do QGBT. A Inspeção de Instalações Elétricas verifica ajustes, documentação e condições instaladas.

Erros comuns

Os erros mais frequentes incluem:

  • usar Icu do disjuntor como se fosse Icw do conjunto;
  • informar Icw sem o tempo correspondente;
  • adotar Icc sem identificar o dispositivo de proteção condicionante;
  • ignorar a corrente de pico Ipk;
  • aplicar seletividade temporizada sem verificar suportabilidade;
  • não considerar fontes paralelas ou contribuição de motores;
  • alterar componentes sem revisar a condição de verificação;
  • aceitar o QGBT sem documentação dos parâmetros de curto-circuito.

Conclusão

Icw, Ipk e Icc descrevem diferentes aspectos da capacidade do QGBT de suportar curtos-circuitos. Esses valores precisam ser relacionados à corrente presumida, à estratégia de proteção e à continuidade operacional desejada.

A capacidade de interrupção do disjuntor é apenas uma parte da análise. A especificação correta avalia o conjunto completo e registra as condições que sustentam seu desempenho.

Referências técnicas

[1] ABNT IEC/TR 61439-0:2017 — Diretrizes para especificação de conjuntos de manobra e comando de baixa tensão.

[2] ABNT NBR IEC 61439-1 — Regras gerais para conjuntos de manobra e comando de baixa tensão.

[3] ABNT NBR IEC 61439-2 — Conjuntos de manobra e comando de potência.

[4] ABNT NBR IEC 60947-2 — Disjuntores de baixa tensão.

Perguntas frequentes
O que significa Icw em um QGBT?

Icw é a corrente de curta duração que o conjunto pode suportar durante um tempo declarado, considerando esforços térmicos e dinâmicos.

O que significa Ipk?

Ipk é a corrente de pico suportável pelo conjunto e está relacionada aos maiores esforços eletrodinâmicos sobre barramentos e suportes.

O que é Icc?

Icc é a corrente condicional suportável pelo conjunto quando seu desempenho depende de um dispositivo de proteção contra curto-circuito especificado.

Icw e Icu são iguais?

Não. Icw é uma característica do conjunto. Icu é a capacidade última de interrupção de um disjuntor.

A temporização do disjuntor geral afeta a especificação do QGBT?

Sim. Quanto maior o tempo de atuação, maior o período durante o qual o conjunto precisa suportar os efeitos da corrente de curto-circuito.

Materiais técnicos complementares

Serviços de engenharia

QGBT, proteção e aterramento