Entenda as formas de separação interna em QGBT, diferenças entre Forma 1, 2, 3 e 4 e como escolher a compartimentação adequada.

Confira!

As formas de separação interna em QGBT classificam como barramentos, unidades funcionais, terminais e condutores externos são segregados dentro do conjunto. A resposta direta é: a Forma 1 não possui separação interna; a Forma 2 separa os barramentos das unidades funcionais; a Forma 3 também separa as unidades entre si; e a Forma 4 acrescenta segregação dos terminais associados a cada unidade.

A forma não representa uma escala automática de qualidade. Ela é uma característica funcional do conjunto e deve ser escolhida conforme continuidade operacional, manutenção, acesso, risco, dimensões, ventilação, entradas de cabos e estratégia de seccionamento.

A escolha não deve ser feita apenas com base na ideia de que “quanto maior a forma, melhor”. Cada nível possui implicações de custo, dimensões, acessibilidade, manutenção e continuidade operacional.

O que é separação interna em um QGBT?

A separação interna é obtida por barreiras, divisórias, compartimentos ou pela própria construção dos componentes. Seu objetivo é criar segregação entre partes internas do conjunto.

Ela pode contribuir para:

  • reduzir o contato acidental com partes perigosas;
  • limitar o acesso a barramentos energizados;
  • separar unidades funcionais;
  • organizar terminais e condutores;
  • facilitar inspeção e manutenção;
  • reduzir a propagação de falhas entre compartimentos;
  • permitir intervenção em parte do conjunto com outras partes em serviço, quando o projeto possibilitar.

A separação interna não elimina a necessidade de procedimentos de segurança, seccionamento e análise de risco. A NBR 5410 exige que dispositivos e conjuntos sejam selecionados de acordo com as condições de serviço, influências externas, acessibilidade e necessidade de seccionamento. A série NBR IEC 61439 trata a forma de separação como uma característica do projeto do conjunto, vinculada à operação e à manutenção.

A forma de separação precisa estar vinculada à necessidade operacional

O whitepaper técnico sobre QGBT mostra como definir forma, acessibilidade, tipo de unidade funcional, expansão e critérios de aceite sem tratar a compartimentação como requisito isolado.

Quais elementos são considerados na classificação?

A classificação observa a relação entre quatro grupos principais:

1. barramentos principais e de distribuição; 2. unidades funcionais, como disjuntores e partidas; 3. terminais para condutores externos; 4. condutores externos associados às unidades funcionais.

As formas representam níveis progressivos de segregação entre esses elementos.

Forma 1: sem separação interna

Na Forma 1, não existe separação interna entre barramentos, unidades funcionais e terminais.

É a solução mais simples e compacta. Pode ser adequada quando:

  • o conjunto possui baixa complexidade;
  • a manutenção ocorre com o painel totalmente desenergizado;
  • não existe necessidade de continuidade parcial;
  • as dimensões e o custo precisam ser reduzidos;
  • o acesso é restrito a pessoas qualificadas.

A principal limitação é que a abertura do conjunto pode expor diferentes partes internas simultaneamente.

Forma 2: barramentos separados das unidades funcionais

Na Forma 2, os barramentos são separados das unidades funcionais. Os terminais podem permanecer próximos dos barramentos ou ser separados, conforme a configuração adotada.

Forma 2a

Os barramentos são separados das unidades funcionais, mas os terminais dos condutores externos não ficam separados dos barramentos.

Forma 2b

Os barramentos são separados das unidades funcionais e os terminais externos também ficam segregados dos barramentos.

A Forma 2 pode ser utilizada quando se deseja reduzir o acesso aos barramentos principais sem exigir compartimentação individual completa das unidades funcionais.

Forma 3: unidades funcionais separadas entre si

Na Forma 3, os barramentos são separados das unidades funcionais e as unidades funcionais são segregadas umas das outras.

Essa configuração melhora a organização e pode limitar a interferência de uma unidade sobre as demais durante inspeção ou manutenção.

Forma 3a

As unidades funcionais são separadas entre si e dos barramentos, mas os terminais externos não ficam segregados dos barramentos.

Forma 3b

Além da separação entre barramentos e unidades funcionais, os terminais externos ficam separados dos barramentos.

A Forma 3 pode ser adequada para instalações que exigem maior continuidade operacional e melhor isolamento entre circuitos, sem chegar ao nível de segregação dos terminais associado à Forma 4.

Forma 4: segregação das unidades e dos terminais

Na Forma 4, existe separação entre barramentos, unidades funcionais e terminais associados a cada unidade.

Essa é a forma com maior compartimentação entre as classificações usuais.

Forma 4a

Os terminais externos permanecem no mesmo compartimento da unidade funcional associada.

Forma 4b

Os terminais externos ficam em compartimentos ou espaços separados da unidade funcional correspondente.

A Forma 4 pode facilitar intervenções seletivas e reduzir a exposição a partes de outros circuitos. Porém, aumenta dimensões, complexidade construtiva e custo.

Comparativo entre as formas de separação

FormaBarramentos separadosUnidades separadas entre siTerminais segregados
Forma 1nãonãonão
Forma 2simnãoparcialmente, conforme 2a ou 2b
Forma 3simsimsegregação em relação aos barramentos conforme 3a ou 3b
Forma 4simsimsegregação por unidade funcional conforme 4a ou 4b

A tabela resume a lógica geral. O detalhamento construtivo precisa ser definido nos desenhos e na documentação do conjunto.

A forma declarada deve ser analisada junto com o grau de proteção aplicável durante operação, inspeção e manutenção. A retirada de uma tampa, barreira ou unidade pode reduzir a proteção existente; por isso, desenhos, instruções e procedimentos precisam indicar quais partes permanecem energizadas e quais acessos são permitidos em cada condição.

A compartimentação também altera ventilação, dissipação térmica, espaço para cabos, raios de curvatura, acesso a terminais e compatibilidade eletromagnética. Uma forma mais elevada pode exigir maior volume interno ou desclassificação térmica se a circulação de ar for reduzida.

A forma de separação aumenta a segurança?

A separação interna pode reduzir a exposição a partes energizadas e organizar melhor as intervenções. Entretanto, a forma declarada não garante, sozinha, segurança para trabalho energizado.

Também devem ser considerados:

  • grau de proteção durante operação e manutenção;
  • intertravamentos;
  • dispositivos de seccionamento;
  • acessibilidade aos componentes;
  • identificação dos circuitos;
  • procedimentos de bloqueio;
  • qualificação das pessoas;
  • risco de arco elétrico;
  • instruções do montador.

A compartimentação deve fazer parte de uma estratégia mais ampla de segurança e manutenção. Ela não substitui proteção contra choques, continuidade do PE, coordenação de disjuntores, estudo de curto-circuito, análise de arco elétrico ou procedimentos de bloqueio.

Separação interna não substitui proteção e aterramento

O whitepaper sobre dimensionamento de disjuntores aprofunda coordenação, seletividade e curto-circuito. O eBook Aterramento Elétrico detalha o circuito PE e a equipotencialização do conjunto.

Como escolher a forma de separação adequada?

A escolha deve considerar a finalidade do QGBT e as condições reais de operação.

Continuidade operacional

Se a instalação precisa manter parte dos circuitos em serviço durante manutenção, pode ser necessária maior segregação entre unidades funcionais.

Frequência de manutenção

Conjuntos com ajustes, medições ou substituições frequentes podem exigir melhor acessibilidade e separação.

Competência dos operadores

O projeto deve considerar se o conjunto será operado apenas por pessoas qualificadas ou se determinados dispositivos serão acessíveis a pessoas comuns ou advertidas.

Criticidade das cargas

Hospitais, centros de dados, processos industriais e infraestruturas críticas podem exigir maior continuidade e limitação dos impactos de uma falha.

Espaço disponível

Formas mais elevadas normalmente exigem maior volume interno e podem aumentar as dimensões do conjunto.

Custo total

A análise deve considerar não apenas o custo inicial, mas também os impactos sobre manutenção, paradas, expansão e segurança ao longo da vida útil.

Forma de separação e unidades fixas, removíveis ou extraíveis

A forma de separação e o tipo de conexão das unidades funcionais são decisões relacionadas, mas diferentes.

Uma unidade pode ser:

  • fixa;
  • desconectável;
  • extraível.

A possibilidade de remover ou extrair uma unidade depende da construção do conjunto, das conexões e dos intertravamentos. A classificação da forma não deve ser usada como substituto da definição do tipo de unidade funcional.

Forma de separação e manutenção energizada

A existência de compartimentos não autoriza automaticamente manutenção com o conjunto energizado.

Quando a operação exige inspeção ou manutenção com partes adjacentes em serviço, o usuário deve especificar essa necessidade. O montador precisa prever barreiras, distâncias, intertravamentos, acessos e instruções compatíveis.

A avaliação também deve considerar requisitos legais, procedimentos de segurança e análise de risco da instalação.

Como documentar a forma de separação?

A especificação e os desenhos devem indicar:

  • forma requerida;
  • localização dos barramentos;
  • compartimentos das unidades funcionais;
  • posição dos terminais externos;
  • encaminhamento dos condutores;
  • graus de proteção aplicáveis durante operação e manutenção;
  • tipo de conexão das unidades;
  • condições para acesso e intervenção;
  • áreas reservadas para expansão.

No aceite, a classificação declarada deve ser comparada com a construção real do conjunto. Também devem ser conferidos acesso aos terminais, continuidade do PE, fixação das barreiras, identificação, correspondência com desenhos e operação de intertravamentos.

A forma declarada precisa ser comprovada no conjunto fornecido

O Projeto Elétrico de Baixa Tensão define a necessidade funcional. A Inspeção de Instalações Elétricas verifica construção, documentação e condições reais de acesso e manutenção.

Erros comuns na especificação

Entre os erros frequentes estão:

  • exigir Forma 4 sem necessidade operacional definida;
  • escolher a forma apenas por tradição ou padrão interno;
  • não diferenciar as subdivisões a e b;
  • confundir forma de separação com proteção contra arco interno;
  • assumir que a forma permite trabalho energizado;
  • ignorar impacto sobre dimensões e ventilação;
  • não representar a compartimentação nos desenhos;
  • não verificar a construção durante o recebimento.

Conclusão

As formas de separação interna definem como os principais elementos do QGBT são segregados. A escolha deve ser baseada em continuidade operacional, manutenção, acesso, criticidade e espaço disponível.

Uma forma mais elevada pode oferecer benefícios, mas não substitui projeto, procedimentos de segurança e verificação do conjunto. A especificação precisa explicar qual necessidade funcional a compartimentação deve atender.

Referências técnicas

[1] ABNT IEC/TR 61439-0:2017 — Diretrizes para especificação de conjuntos de manobra e comando de baixa tensão, incluindo formas de separação interna.

[2] ABNT NBR IEC 61439-1 — Regras gerais para conjuntos de manobra e comando de baixa tensão.

[3] ABNT NBR IEC 61439-2 — Conjuntos de manobra e comando de potência.

Perguntas frequentes
O que é Forma 1 em um QGBT?

É a configuração sem separação interna entre barramentos, unidades funcionais e terminais.

Qual é a diferença entre Forma 2 e Forma 3?

Na Forma 2, os barramentos são separados das unidades funcionais. Na Forma 3, as unidades funcionais também são separadas entre si.

Qual é a diferença entre Forma 4a e Forma 4b?

Na Forma 4a, os terminais ficam no mesmo compartimento da unidade funcional. Na Forma 4b, ficam em compartimento separado.

Forma 4 permite manutenção energizada?

Não automaticamente. A manutenção energizada depende de projeto, acessibilidade, barreiras, intertravamentos, procedimentos e análise de risco.

A maior forma de separação é sempre a melhor?

Não. A escolha deve considerar continuidade, manutenção, espaço, custo e necessidade operacional.

Materiais técnicos complementares

Serviços de engenharia

QGBT, painéis e NBR IEC 61439

Segurança, proteção e aterramento