Entenda a diferença entre verificação de projeto, verificação de rotina e FAT de QGBT, além dos documentos e critérios necessários para o aceite técnico.

Confira!

Verificação de projeto demonstra que a solução construtiva do QGBT atende aos requisitos aplicáveis da série ABNT NBR IEC 61439. Verificação de rotina é executada em cada conjunto montado para identificar falhas de materiais, montagem, conexões, isolação, proteção e funcionamento.

Componentes certificados e inspeção visual não bastam. O aceite precisa rastrear o conjunto fornecido até um projeto verificado, confirmar a rotina executada naquela unidade e verificar sua integração com a instalação conforme a NBR 5410.

Compreender essa diferença permite estruturar contratos, diligenciamento, inspeção e aceite técnico com critérios objetivos.

O que é verificação de projeto?

A verificação de projeto demonstra que o projeto do conjunto atende aos requisitos da norma pertinente da série 61439.

Ela é normalmente realizada durante o desenvolvimento de uma família ou sistema de conjuntos. O objetivo é comprovar que a solução construtiva apresenta desempenho adequado em aspectos como:

  • resistência dos materiais e componentes;
  • grau de proteção do invólucro;
  • distâncias de isolamento e escoamento;
  • proteção contra choques elétricos;
  • incorporação de dispositivos;
  • circuitos e conexões internas;
  • bornes para condutores externos;
  • propriedades dielétricas;
  • elevação de temperatura;
  • suportabilidade ao curto-circuito;
  • compatibilidade eletromagnética;
  • operação mecânica.

A verificação é responsabilidade do montador do conjunto ou do fabricante original do sistema utilizado.

A verificação de projeto exige ensaio de cada QGBT?

Não. A norma admite diferentes métodos de verificação conforme o requisito e as condições permitidas.

Os métodos podem incluir:

1. ensaio; 2. comparação estruturada com um projeto de referência ensaiado; 3. avaliação por cálculo; 4. aplicação de regras de projeto previstas.

Um QGBT fabricado para entrega não precisa ser submetido a todos os ensaios destrutivos ou severos usados no desenvolvimento do projeto. Alguns ensaios podem comprometer o próprio conjunto e, por isso, são realizados em amostras ou projetos de referência.

O ponto central é que o montador deve demonstrar que o conjunto fornecido está dentro dos limites e instruções da solução verificada.

O aceite precisa rastrear o conjunto até a solução verificada

O whitepaper técnico sobre QGBT organiza responsabilidades, características de interface, registros de verificação e documentos necessários para comparar projeto, fabricação e fornecimento.

O que é fabricante original e montador do conjunto?

O fabricante original desenvolve o sistema do conjunto e realiza ou coordena as verificações do projeto de referência.

Outro montador pode fabricar um QGBT com base nesse sistema. Quando segue as regras, limitações, componentes e instruções do fabricante original, não é necessário repetir as verificações originais.

Entretanto, alterações fora das condições previstas podem exigir nova avaliação. Exemplos incluem:

  • troca de dispositivos por modelos diferentes;
  • mudança de barramentos ou suportes;
  • alteração das dimensões do invólucro;
  • modificação da ventilação;
  • mudança da disposição interna;
  • aumento de corrente;
  • alteração de compartimentação;
  • uso de componentes não previstos no sistema.

A substituição comercial de um componente não deve ser tratada como equivalente automática.

O que é verificação de rotina?

A verificação de rotina é realizada em cada conjunto montado. Seu objetivo é detectar falhas em materiais e mão de obra e confirmar que o QGBT foi produzido conforme o projeto e funciona corretamente.

Diferentemente da verificação de projeto, a rotina está diretamente ligada ao quadro que será entregue ao cliente.

O que pode ser verificado na rotina?

A verificação pode combinar ensaios, inspeção visual e conferência de instruções de montagem.

GrupoExemplos de verificação
Construçãograu de proteção, acabamento, barreiras e compartimentos
Isolaçãodistâncias, propriedades dielétricas e separações
Proteçãocontinuidade do circuito PE e proteção contra contato
Componentesincorporação conforme instruções e especificação
Conexõescircuitos internos, barramentos, bornes e aperto
Operaçãofuncionamento mecânico, manobras e intertravamentos
Identificaçãocircuitos, dispositivos, bornes, placas e avisos
Funçõescomando, medição, sinalização e lógica aplicável

O escopo exato depende da norma pertinente e da configuração do conjunto. A verificação de rotina não repete os ensaios de elevação de temperatura ou curto-circuito do projeto de referência; ela confirma que a unidade fabricada preserva a construção verificada e não apresenta falhas de montagem, isolação, continuidade, identificação ou funcionamento.

Os registros devem identificar o conjunto, a revisão dos desenhos, os instrumentos usados, os resultados, as não conformidades encontradas e a liberação final. Sem rastreabilidade, um relatório genérico não comprova o que foi efetivamente verificado naquela unidade.

O cliente tem direito aos registros completos da verificação de projeto?

Os registros detalhados de desenvolvimento podem fazer parte da propriedade intelectual do montador ou do fabricante original. Por isso, eles nem sempre são entregues integralmente ao usuário.

Isso não impede o contratante de exigir evidências adequadas de que o conjunto fornecido está associado a um projeto verificado.

Podem ser solicitados, conforme o contrato:

  • declaração de conformidade aplicável;
  • identificação do sistema construtivo;
  • relação entre o conjunto fornecido e o projeto de referência;
  • características nominais verificadas;
  • limites de aplicação;
  • registros ou certificados disponibilizados pelo montador;
  • relatório da verificação de rotina do QGBT entregue.

O contrato deve definir previamente o nível de documentação esperado.

O que exigir na especificação de compra?

Uma especificação adequada deve estabelecer:

1. norma e parte aplicável; 2. características elétricas e ambientais; 3. requisitos de verificação de projeto; 4. verificação de rotina em cada conjunto; 5. conteúdo mínimo dos relatórios; 6. identificação dos instrumentos utilizados; 7. critérios de aprovação e rejeição; 8. tratamento de não conformidades; 9. necessidade de inspeção em fábrica; 10. documentação final para aceite.

A frase “fornecer QGBT conforme NBR IEC 61439” é insuficiente se não houver definição das características de interface e dos documentos comprobatórios.

Proteção e aterramento também precisam ser verificados

Consulte o whitepaper de disjuntores e o eBook Aterramento Elétrico.

FAT, verificação de rotina e inspeção em fábrica são a mesma coisa?

Não necessariamente.

A verificação de rotina atende aos requisitos aplicáveis ao conjunto fabricado.

O FAT, ou teste de aceitação em fábrica, é um processo contratual que pode incluir a verificação de rotina e outras conferências definidas pelo cliente, como:

  • comparação com desenhos aprovados;
  • conferência da lista de componentes;
  • simulação de comandos e intertravamentos;
  • testes de comunicação;
  • conferência de ajustes;
  • inspeção dimensional;
  • verificação de identificação;
  • análise de documentação;
  • registro de pendências.

A inspeção testemunhada pelo cliente não substitui as responsabilidades do montador, mas adiciona um ponto de controle antes do transporte.

O que verificar antes do FAT?

Antes da inspeção, devem estar disponíveis:

  • desenhos aprovados;
  • diagrama unifilar;
  • diagramas de comando;
  • lista de componentes;
  • características nominais;
  • plano de inspeção e testes;
  • procedimentos de ensaio;
  • critérios de aprovação;
  • certificados de calibração aplicáveis;
  • relação de documentos que serão entregues.

Sem essa preparação, o FAT pode se transformar em inspeção visual sem critérios claros.

Checklist técnico para o aceite em fábrica

Documentação

  • desenhos correspondem à revisão aprovada;
  • componentes estão identificados;
  • alterações foram registradas;
  • características nominais estão declaradas;
  • ajustes de proteção estão documentados;
  • relatórios de rotina estão disponíveis.

Construção

  • dimensões e acessos atendem ao projeto;
  • entradas de cabos estão corretas;
  • barramentos e compartimentos correspondem aos desenhos;
  • grau de proteção e vedações estão coerentes;
  • portas, fechaduras e intertravamentos funcionam;
  • espaços de reserva foram fornecidos conforme contratado.

Circuitos e componentes

  • dispositivos correspondem à lista aprovada;
  • terminais e conexões são compatíveis com os cabos;
  • neutro e PE estão corretamente identificados;
  • circuitos auxiliares estão protegidos;
  • fiação e bornes possuem identificação rastreável;
  • ajustes e acessórios estão presentes.

Funções

  • comandos e sinalizações funcionam;
  • intertravamentos impedem operações indevidas;
  • medição apresenta leituras e comunicação previstas;
  • sequência de transferência ou lógica opera conforme diagramas;
  • alarmes e contatos auxiliares respondem corretamente.

O que deve ser verificado no local de instalação?

O QGBT pode sair da fábrica em conformidade e ser comprometido durante transporte, montagem ou conexão.

No local, é necessário verificar:

  • danos de transporte;
  • nivelamento e fixação;
  • acoplamento entre seções;
  • continuidade do circuito de proteção;
  • conexão dos cabos e barramentos externos;
  • torque e terminação conforme instruções;
  • preservação do grau de proteção;
  • limpeza e ausência de objetos internos;
  • correspondência entre cabos, bornes e circuitos;
  • ajustes finais e integração com a instalação;
  • atualização de desenhos e registros.

Essas verificações não são uma repetição automática do projeto do conjunto. Elas confirmam a integração correta do QGBT ao sistema elétrico e devem ser relacionadas aos requisitos de inspeção e verificação da instalação previstos na NBR 5410.

Fábrica e campo precisam fechar a mesma cadeia documental

O Projeto Elétrico de Baixa Tensão define os critérios. A Inspeção de Instalações Elétricas verifica a integração no local, e o Laudo Circunstanciado formaliza evidências e pendências.

Como tratar não conformidades no aceite?

As pendências devem ser registradas com:

  • identificação do item;
  • requisito de referência;
  • evidência observada;
  • classificação de criticidade;
  • responsável pela correção;
  • prazo;
  • forma de reinspeção;
  • situação de fechamento.

Não conformidades que afetam segurança, curto-circuito, isolação, proteção, intertravamento ou características verificadas não devem ser tratadas como ajustes estéticos.

Erros comuns no processo de verificação

Entre os erros frequentes estão:

  • confundir componentes certificados com conjunto verificado;
  • exigir apenas certificado genérico sem rastrear o QGBT fornecido;
  • dispensar relatório de rotina;
  • realizar FAT sem desenhos aprovados;
  • aceitar alterações não documentadas;
  • substituir componentes sem avaliar o projeto verificado;
  • não conferir ajustes dos dispositivos;
  • não realizar inspeção após transporte e instalação;
  • encerrar pendências sem evidência de correção.

Conclusão

A verificação de projeto comprova o desempenho da solução construtiva. A verificação de rotina confirma a qualidade e o funcionamento de cada QGBT montado. O FAT e a inspeção no local adicionam controles contratuais e de integração.

Um aceite técnico consistente conecta esses níveis de verificação, utiliza critérios previamente definidos e mantém rastreabilidade entre projeto, fabricação, testes, instalação e documentação final.

Referências técnicas

[1] ABNT IEC/TR 61439-0:2017 — Diretrizes para especificação de conjuntos de manobra e comando de baixa tensão.

[2] ABNT NBR IEC 61439-1 — Regras gerais para conjuntos de manobra e comando de baixa tensão.

[3] ABNT NBR IEC 61439-2 — Conjuntos de manobra e comando de potência.

[4] ABNT NBR 5410 — Instalações elétricas de baixa tensão.

Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre verificação de projeto e verificação de rotina?

A verificação de projeto demonstra o desempenho do projeto do conjunto. A verificação de rotina é realizada em cada QGBT montado para identificar falhas de materiais, montagem e funcionamento.

Todo QGBT precisa passar por ensaio de curto-circuito?

Não. A verificação de projeto pode utilizar métodos permitidos pela norma, como ensaio, comparação com referência e avaliação por regras específicas.

O que é FAT de QGBT?

É o teste de aceitação em fábrica definido contratualmente, que pode incluir verificações de rotina, funções, componentes, desenhos, ajustes e documentação.

O cliente deve receber o relatório de rotina?

O conteúdo documental esperado deve ser definido na especificação e no contrato. Para aceite rastreável, é recomendável exigir o registro da verificação realizada no conjunto entregue.

A troca de um componente pode afetar a verificação do projeto?

Sim. Alterações fora das condições previstas pelo fabricante original podem modificar desempenho térmico, curto-circuito, isolação ou outras características verificadas.

Materiais técnicos complementares

Serviços de engenharia

QGBT, NBR IEC 61439 e aceite

Proteção elétrica e aterramento