Aprenda a calcular o balanceamento de fases, distribuir cargas entre L1, L2 e L3 e verificar correntes, neutro e harmônicas conforme a NBR 5410.
Confira!
O balanceamento de fases consiste em distribuir as cargas monofásicas e bifásicas de uma instalação entre os condutores de fase para reduzir diferenças excessivas de corrente, potência e queda de tensão. Em sistemas trifásicos, essa distribuição influencia o aproveitamento de transformadores, alimentadores, quadros, geradores e nobreaks, além da corrente no neutro e das perdas elétricas.
A ABNT NBR 5410 estabelece, no item 4.2.5.6, que as cargas devem ser distribuídas entre as fases de modo a obter o maior equilíbrio possível. A norma não define um único percentual geral de desequilíbrio aplicável a todas as instalações. O projeto deve buscar a melhor distribuição tecnicamente possível e confirmar o resultado nas condições reais de funcionamento.
Balancear não significa apenas colocar o mesmo número de circuitos em L1, L2 e L3. É necessário considerar potência, tensão, fator de potência, simultaneidade, perfil de operação, correntes harmônicas e a forma de ligação de cada carga.
O que é balanceamento de fases?
Em uma instalação trifásica, as cargas podem ser:
- trifásicas, ligadas às três fases;
- monofásicas fase-neutro;
- monofásicas fase-fase, frequentemente chamadas de bifásicas no uso corrente;
- alimentadas por conversores, UPS, inversores ou fontes eletrônicas;
- permanentes, intermitentes, cíclicas ou variáveis.
Uma carga trifásica equilibrada solicita correntes semelhantes das três fases. Já as cargas monofásicas precisam ser distribuídas pelo projetista entre L1, L2 e L3 ou entre os pares L1-L2, L2-L3 e L3-L1.
O objetivo é evitar que uma fase fique próxima do limite térmico enquanto outra permaneça pouco utilizada. Um bom balanceamento também reduz a componente fundamental da corrente no neutro em circuitos trifásicos a quatro condutores.
O que a NBR 5410 exige?
O item 4.2.5.6 da NBR 5410 determina que as cargas sejam distribuídas entre as fases de modo a obter o maior equilíbrio possível.
Essa exigência deve ser lida em conjunto com outros pontos da norma:
- 4.2.1: determinação das cargas, potências e demanda;
- 4.2.2.1: identificação do esquema de condutores vivos;
- 4.2.5: divisão da instalação em circuitos;
- 4.2.6.1.10: consideração do desequilíbrio de tensão como influência eletromagnética;
- 4.2.7: compatibilidade, incluindo correntes de partida e harmônicas;
- 6.2.6.2: dimensionamento do condutor neutro e efeitos das harmônicas.
Portanto, o balanceamento começa na concepção do quadro de cargas elétricas e deve permanecer coerente com o diagrama unifilar, os circuitos executados e a documentação as-built.
A NBR 5410 estabelece um percentual máximo?
A NBR 5410 não apresenta, no item 4.2.5.6, um percentual geral único para dizer que uma instalação está “balanceada” ou “desbalanceada”. Ela exige o maior equilíbrio possível.
Percentuais podem ser definidos por:
- critérios internos de projeto;
- requisitos da concessionária;
- especificações do proprietário;
- fabricante do transformador, gerador, UPS ou equipamento;
- estudos de qualidade de energia;
- requisitos particulares de continuidade e desempenho.
Por isso, um índice percentual pode ser usado como ferramenta de comparação, mas não deve ser apresentado como limite universal da NBR 5410.
O requisito normativo é obter o maior equilíbrio possível. Percentuais devem ser tratados como critérios de projeto, operação ou diagnóstico, e não atribuídos genericamente à norma.
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Balanceamento de potência e balanceamento de corrente
No projeto, é comum distribuir as cargas com base em potência aparente, expressa em volt-ampères ou quilovoltampères. Em campo, o resultado normalmente é avaliado por correntes medidas em cada fase.
As duas análises não são necessariamente idênticas.
Uma distribuição equilibrada em potência instalada pode produzir correntes diferentes quando:
- os fatores de potência são diferentes;
- os rendimentos dos equipamentos variam;
- as cargas não funcionam simultaneamente;
- existem correntes harmônicas;
- as tensões de fase são diferentes;
- os ciclos operacionais são distintos;
- parte das cargas foi ampliada ou removida após o projeto.
O projeto deve equilibrar a potência e a demanda prevista. O comissionamento e a operação devem verificar as correntes reais.
Balanceamento de fases e demanda elétrica
A potência instalada representa a soma das cargas previstas. A demanda representa a parcela esperada em funcionamento simultâneo.
Uma distribuição feita somente pela potência nominal pode ser enganosa. Considere dois circuitos de mesma potência:
- um servidor que opera continuamente;
- um aquecedor utilizado durante poucos minutos por dia.
Colocar cada um em uma fase diferente não significa que essas fases terão carregamento semelhante durante o período crítico.
O balanceamento deve considerar, quando disponível:
- demanda por circuito ou grupo de cargas;
- horário de funcionamento;
- duração do ciclo;
- sazonalidade;
- partidas e picos;
- cargas permanentes;
- cargas de reserva;
- cenários de expansão.
O artigo sobre fator de demanda e simultaneidade explica como essas premissas devem ser aplicadas sem reduzir indevidamente a corrente de circuitos terminais.
Como calcular o balanceamento de fases
1. Identifique o tipo de ligação de cada carga
Antes de somar potências, classifique cada circuito como:
- fase-neutro;
- fase-fase;
- trifásico sem neutro;
- trifásico com neutro;
- carga eletrônica não linear;
- circuito com corrente de partida relevante.
Essa classificação determina como a carga afeta cada condutor de fase e o neutro.
2. Calcule a corrente de cada circuito
Para uma carga monofásica fase-neutro:
I = S / VFN
ou, quando são conhecidos potência ativa, fator de potência e rendimento:
I = P / (VFN × cos φ × η)
Para uma carga monofásica fase-fase:
I = S / VFF
Essa corrente percorre os dois condutores de fase envolvidos.
Para uma carga trifásica equilibrada:
I = S / (√3 × VFF)
ou:
I = P / (√3 × VFF × cos φ × η)
Onde:
Ié a corrente de projeto;Sé a potência aparente;Pé a potência ativa;VFNé a tensão fase-neutro;VFFé a tensão fase-fase;cos φé o fator de potência;ηé o rendimento.
3. Some as cargas atribuídas a cada fase
Para circuitos fase-neutro com fatores de potência semelhantes, uma primeira aproximação pode ser feita somando a potência aparente:
SL1 = ΣS dos circuitos ligados em L1
SL2 = ΣS dos circuitos ligados em L2
SL3 = ΣS dos circuitos ligados em L3
Quando existem fatores de potência muito diferentes, cargas fase-fase e equipamentos não lineares, a análise deve considerar potência complexa e correntes fasoriais. Softwares de projeto podem realizar essa composição com maior precisão.
4. Calcule a média
Smédia = (SL1 + SL2 + SL3) / 3
Para correntes medidas:
Imédia = (IL1 + IL2 + IL3) / 3
5. Compare os desvios
Um índice prático de comparação pode ser calculado por:
Desvio máximo (%) = maior |Sfase − Smédia| / Smédia × 100
ou, para corrente:
Desvio máximo de corrente (%) = maior |Ifase − Imédia| / Imédia × 100
Esse índice é útil para comparar alternativas antes e depois da redistribuição. Ele não representa um limite geral estabelecido pela NBR 5410.
O cálculo percentual ajuda a comparar a distribuição original e a revisada. A decisão final deve considerar também demanda, perfil de operação, neutro, harmônicas e critérios específicos do empreendimento.
Veja como organizar circuitos, potências e fases no Quadro de Cargas Elétricas.
Exemplo de balanceamento de um quadro trifásico
Considere um quadro 380/220 V com 12 circuitos monofásicos fase-neutro. Para simplificar, todos são representados pela potência aparente prevista no período analisado.
| Circuito | Potência | Distribuição inicial | Distribuição revisada |
| C1 | 5,0 kVA | L1 | L1 |
| C2 | 4,5 kVA | L1 | L2 |
| C3 | 4,0 kVA | L1 | L3 |
| C4 | 3,5 kVA | L2 | L1 |
| C5 | 3,0 kVA | L2 | L2 |
| C6 | 2,5 kVA | L2 | L3 |
| C7 | 2,0 kVA | L2 | L2 |
| C8 | 2,0 kVA | L3 | L3 |
| C9 | 1,5 kVA | L3 | L1 |
| C10 | 1,5 kVA | L3 | L2 |
| C11 | 1,5 kVA | L3 | L3 |
| C12 | 1,0 kVA | L3 | L1 |
Situação inicial
- L1: 13,5 kVA;
- L2: 11,0 kVA;
- L3: 7,5 kVA;
- média: 10,67 kVA.
Correntes aproximadas em 220 V:
- L1: 61,4 A;
- L2: 50,0 A;
- L3: 34,1 A;
- média: 48,5 A.
O maior desvio em relação à média é aproximadamente 29,7%.
Distribuição revisada
- L1: 11,0 kVA;
- L2: 11,0 kVA;
- L3: 10,0 kVA;
- média: 10,67 kVA.
Correntes aproximadas:
- L1: 50,0 A;
- L2: 50,0 A;
- L3: 45,5 A.
O maior desvio em relação à média cai para aproximadamente 6,3%.
O exemplo não define um limite normativo. Ele demonstra como a redistribuição dos mesmos circuitos melhora o aproveitamento do quadro e do alimentador.
Uma distribuição aparentemente equilibrada no quadro de cargas pode se tornar desequilibrada no horário crítico. Sempre que possível, use perfis de funcionamento e medições para representar a demanda real de cada fase.
Entenda como aplicar fator de demanda e simultaneidade no cálculo elétrico.
Não balanceie pelo número de disjuntores
Três fases podem possuir quatro circuitos cada e ainda estar fortemente desbalanceadas.
Por exemplo:
- quatro circuitos de 5 kVA em L1;
- quatro circuitos de 2 kVA em L2;
- quatro circuitos de 1 kVA em L3.
O número de circuitos é igual, mas as potências são muito diferentes. A análise deve usar potência, corrente e perfil de operação.
Como tratar cargas fase-fase
Uma carga ligada entre L1 e L2 solicita corrente dos dois condutores. Portanto, não deve ser contabilizada como se estivesse exclusivamente em uma fase.
Em sistemas com várias cargas fase-fase, convém distribuí-las entre os pares:
- L1-L2;
- L2-L3;
- L3-L1.
A potência por par pode ser inicialmente equilibrada, mas a verificação final deve ser feita pelas correntes de linha. Quando existem diferenças relevantes de fator de potência ou ângulo entre cargas, a soma deve ser fasorial.
Como tratar cargas trifásicas
Uma carga trifásica equilibrada adiciona, em princípio, correntes semelhantes às três fases. Ela não corrige o desbalanceamento causado pelas cargas monofásicas; apenas eleva o carregamento comum das fases.
Motores, transformadores e equipamentos trifásicos também podem apresentar correntes diferentes por causa de:
- desequilíbrio da tensão de alimentação;
- defeitos internos;
- conexões inadequadas;
- impedâncias diferentes nos condutores;
- harmônicas;
- condições mecânicas desiguais.
Por isso, a análise de cargas trifásicas não deve se limitar à potência de placa.
Balanceamento de fases e corrente no neutro
Em um sistema trifásico a quatro condutores com cargas lineares perfeitamente equilibradas, as correntes fundamentais das três fases se somam vetorialmente e a corrente no neutro tende a ser reduzida.
Quando as cargas fase-neutro estão desbalanceadas, a corrente no neutro aumenta. Porém, o balanceamento das correntes fundamentais não elimina necessariamente a corrente de neutro causada por harmônicas.
As harmônicas de terceira ordem e seus múltiplos são componentes de sequência zero. Em vez de se cancelarem, podem se somar no neutro.
A NBR 5410 estabelece requisitos específicos em 6.2.6.2:
- em circuitos monofásicos, o neutro deve ter a mesma seção da fase;
- em circuitos trifásicos com neutro, taxas relevantes de terceira harmônica impedem a redução arbitrária do neutro;
- acima dos níveis indicados pela norma, pode ser necessário neutro com seção igual ou até superior à das fases;
- a redução prevista na tabela 48 só é admissível quando o circuito é presumivelmente equilibrado e as demais condições normativas são atendidas.
O artigo sobre seção mínima dos condutores detalha esses critérios.
Em cargas não lineares, as componentes de terceira harmônica podem se somar no neutro mesmo quando as correntes fundamentais das fases estão próximas. O neutro deve ser verificado por cálculo e medição.
Consulte os critérios da NBR 5410 para dimensionar o condutor neutro.
Balanceamento de fases e harmônicas
Cargas não lineares incluem, entre outras:
- computadores;
- fontes chaveadas;
- luminárias eletrônicas;
- UPS;
- carregadores;
- inversores;
- acionamentos eletrônicos.
Essas cargas podem produzir correntes com formas de onda não senoidais. Nessa situação, duas instalações com correntes eficazes semelhantes nas fases podem apresentar comportamentos diferentes no neutro e nas perdas.
A ABNT NBR 16819 recomenda considerar o perfil das cargas, as perdas nos condutores, a redução dos efeitos das harmônicas e a medição da instalação ao longo de sua operação.
Balanceamento de corrente não é o mesmo que desequilíbrio de tensão
O desbalanceamento de fases normalmente descreve a diferença de carregamento ou corrente entre L1, L2 e L3.
O desequilíbrio de tensão descreve diferenças entre os módulos e ângulos das tensões trifásicas. Ele pode ser causado por:
- assimetria da rede da concessionária;
- impedâncias diferentes;
- conexões defeituosas;
- condutores ou terminais degradados;
- cargas monofásicas concentradas;
- falhas em transformadores;
- problemas em bancos de capacitores;
- geração distribuída assimétrica.
Uma redistribuição de cargas pode melhorar as tensões quando a causa está na instalação, mas não corrige todos os problemas de qualidade de energia. Casos persistentes devem ser tratados por análise e diagnóstico da qualidade de energia.
Consequências do desbalanceamento de fases
Sobrecarga de uma fase
Uma fase pode atingir o limite do cabo, barramento ou disjuntor antes de a potência total do quadro alcançar a capacidade aparentemente disponível.
Maior queda de tensão
A fase mais carregada apresenta maior queda de tensão. Circuitos semelhantes podem receber tensões diferentes dependendo da fase de conexão.
Aumento de perdas
As perdas resistivas variam aproximadamente com o quadrado da corrente. Concentrar carga em uma fase aumenta as perdas nessa fase e pode aumentar perdas no neutro.
Aquecimento de conexões e barramentos
Terminais, barramentos, contatos e condutores da fase mais carregada ficam submetidos a maior esforço térmico.
Atuação de proteções
Disjuntores podem atuar em uma fase ou circuito enquanto outras fases permanecem pouco carregadas. A redistribuição não substitui a verificação da coordenação entre Ib, In e Iz tratada no dimensionamento de disjuntores.
Redução da capacidade útil de transformadores e geradores
A capacidade trifásica não pode ser plenamente aproveitada quando uma fase atinge seu limite antes das demais.
Efeitos em motores
Motores trifásicos são particularmente sensíveis ao desequilíbrio de tensão, que produz componentes de sequência negativa, aquecimento e redução de desempenho.
Como balancear um quadro elétrico no projeto
- Levante todas as cargas e identifique sua forma de ligação.
- Calcule potência ativa, aparente e corrente de projeto.
- Classifique cargas permanentes, intermitentes e variáveis.
- Aplique demanda e simultaneidade no nível adequado.
- Distribua inicialmente as cargas fase-neutro entre L1, L2 e L3.
- Distribua cargas fase-fase entre L1-L2, L2-L3 e L3-L1.
- Calcule potência e corrente resultantes em cada fase.
- Realoque circuitos até obter a melhor aproximação possível.
- Verifique neutro, harmônicas, queda de tensão, cabos e proteções.
- Registre a fase de cada circuito no quadro de cargas e no diagrama.
- Considere diferentes modos de operação e expansão futura.
- Confirme o resultado por medição após a execução.
Como verificar o balanceamento em campo
A medição deve ser executada por profissional qualificado, com procedimentos de segurança e instrumentos adequados. Não se deve abrir ou intervir em quadros energizados apenas para “testar” uma redistribuição.
Para uma avaliação representativa, registre simultaneamente ou no mesmo intervalo:
- corrente em L1, L2 e L3;
- corrente no neutro;
- tensões fase-neutro e fase-fase;
- potência ativa e aparente;
- fator de potência;
- distorção harmônica de corrente e tensão, quando relevante;
- horário e condição operacional;
- cargas em funcionamento;
- partidas e eventos transitórios.
Uma leitura instantânea fora do horário de maior utilização pode ocultar o problema. Em instalações comerciais e industriais, é preferível usar analisador ou monitoramento durante um período que represente os ciclos da operação.
A NBR 16819 trata a medição como parâmetro-chave para avaliar a eficiência e recomenda estruturar o monitoramento nos diferentes níveis da distribuição.
Uma leitura instantânea pode registrar um quadro aparentemente equilibrado fora do horário crítico. Para diagnóstico, compare as fases durante os períodos que realmente representam a operação.
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Balanceamento no projeto e no as-built
A fase atribuída a cada circuito deve ser identificada no projeto. Durante a execução, alterações de encaminhamento, ocupação ou equipamento podem mudar a distribuição planejada.
O as-built deve registrar:
- circuito;
- carga alimentada;
- fase ou par de fases;
- tensão;
- potência prevista;
- corrente de projeto;
- disjuntor;
- seção dos condutores;
- neutro e PE;
- quadro de origem;
- observações de operação.
Sem essa informação, futuras ampliações podem concentrar novas cargas na fase errada.
Balanceamento em instalações residenciais
Em residências com alimentação trifásica, cargas relevantes podem incluir:
- chuveiros;
- aquecedores;
- fornos;
- cooktops;
- ar-condicionado;
- bombas;
- carregadores de veículos;
- tomadas de cozinha e lavanderia.
Circuitos de grande potência devem ser distribuídos considerando a tensão e a forma de ligação. Também é necessário avaliar o uso simultâneo: dois equipamentos de mesma potência podem operar em horários completamente diferentes.
Balanceamento em edifícios comerciais
Edificações comerciais possuem grande quantidade de cargas monofásicas, como iluminação, tomadas, computadores e equipamentos de climatização.
O projeto deve considerar:
- ocupação por pavimento;
- locatários e áreas comuns;
- horários diferentes;
- expansão de TI;
- UPS e fontes eletrônicas;
- elevadores e bombas;
- cozinhas e áreas de apoio;
- sistemas de recarga.
Quadros inicialmente equilibrados podem se desbalancear após mudanças de layout ou ocupação.
Balanceamento em instalações industriais
Em indústrias, motores trifásicos podem representar grande parte da potência, mas serviços auxiliares e cargas monofásicas ainda podem produzir diferenças importantes.
Devem ser avaliados:
- painéis de processo;
- tomadas industriais;
- aquecimento elétrico;
- iluminação;
- instrumentos e controles;
- UPS e retificadores;
- soldagem;
- cargas cíclicas;
- partidas simultâneas;
- linhas em diferentes turnos.
O balanceamento deve ser analisado por cenário operacional, não somente pela soma nominal dos equipamentos.
Geradores, UPS e fontes alternativas
A instalação pode estar equilibrada na operação normal e desbalanceada durante uma contingência.
Isso ocorre quando:
- o gerador alimenta apenas cargas prioritárias;
- o sistema de transferência remove grupos específicos;
- UPS monofásicas são ligadas de forma desigual na entrada;
- inversores fotovoltaicos monofásicos injetam em uma única fase;
- carregadores e sistemas de armazenamento mudam de modo operacional.
Cada modo de alimentação deve ser verificado separadamente. A distribuição precisa permanecer aceitável na rede, no gerador, na UPS, no bypass e nas demais configurações previstas.
Veículos elétricos e cargas variáveis
Carregadores monofásicos de potência elevada podem alterar significativamente o balanceamento. Em instalações com vários pontos, a alocação fixa de fases pode ser insuficiente quando os carregadores operam de forma aleatória.
Soluções possíveis incluem:
- distribuição planejada dos carregadores entre fases;
- carregadores trifásicos;
- gestão dinâmica de potência;
- medição por fase;
- limitação de corrente;
- controle coordenado com a demanda da edificação.
A solução deve ser integrada ao projeto e às proteções, e não aplicada apenas como ajuste posterior.
Como corrigir uma instalação desbalanceada
A correção normalmente segue estas etapas:
- Medir as correntes e tensões em condições representativas.
- Identificar os circuitos e as cargas responsáveis pelo pico de cada fase.
- Verificar a fase indicada no projeto e a fase realmente utilizada.
- Simular alternativas de redistribuição.
- Verificar se o circuito pode ser transferido sem violar neutro, DR, seccionamento, cabos ou proteção.
- Programar a intervenção desenergizada por profissional qualificado.
- Atualizar identificação, quadro de cargas, diagramas e as-built.
- Repetir as medições após a alteração.
Não se deve simplesmente mover o condutor de fase de um circuito e manter neutros compartilhados ou associados ao dispositivo DR errado. Todos os condutores vivos e dispositivos do circuito devem permanecer corretamente coordenados.
Quando a redistribuição não resolve
O problema pode exigir investigação adicional quando existem:
- corrente elevada no neutro mesmo com fases semelhantes;
- desequilíbrio de tensão persistente;
- aquecimento localizado em conexões;
- correntes muito diferentes em motor trifásico;
- transformador assimetricamente carregado;
- oscilações rápidas de carga;
- harmônicas elevadas;
- geração distribuída monofásica;
- alterações frequentes de processo.
Nesses casos, podem ser necessários monitoramento prolongado, termografia, análise de harmônicas, inspeção de conexões e estudo da qualidade de energia.
Erros comuns
Dividir apenas o número de circuitos
Circuitos possuem potências e perfis de funcionamento diferentes.
Usar somente a potência instalada
A potência instalada não representa necessariamente a demanda simultânea por fase.
Ignorar cargas fase-fase
Essas cargas afetam dois condutores e precisam ser distribuídas entre os pares de fases.
Considerar a carga trifásica como correção automática
Uma carga trifásica equilibrada adiciona corrente às três fases, mas não elimina a diferença absoluta causada pelas cargas monofásicas.
Reduzir o neutro porque o quadro parece equilibrado
A redução do neutro depende das condições específicas da NBR 5410 e do conteúdo harmônico.
Medir em apenas um instante
A instalação pode mudar completamente entre horário de pico, produção reduzida, noite e fim de semana.
Confundir corrente desbalanceada com tensão desbalanceada
Os fenômenos estão relacionados, mas não são equivalentes e podem ter causas diferentes.
Alterar circuitos sem atualizar documentos
A correção perde rastreabilidade e pode ser desfeita em uma futura manutenção.
Checklist de projeto e inspeção
- Todas as cargas possuem potência e forma de ligação identificadas?
- As cargas fase-neutro estão distribuídas entre L1, L2 e L3?
- As cargas fase-fase estão distribuídas entre os três pares?
- Foram considerados demanda e horário de operação?
- As cargas permanentes estão distribuídas?
- Correntes de partida e cargas cíclicas foram avaliadas?
- O neutro foi dimensionado considerando desequilíbrio e harmônicas?
- Cabos, barramentos e disjuntores atendem à fase mais carregada?
- A queda de tensão foi calculada para o cenário crítico?
- Gerador, UPS e fontes alternativas foram verificados?
- A fase de cada circuito consta no quadro de cargas e no diagrama?
- O resultado foi confirmado por medições representativas?
- O as-built foi atualizado após alterações?
Conclusão
O balanceamento de fases é uma etapa de projeto e uma condição que precisa ser confirmada durante a operação. A NBR 5410 exige que as cargas sejam distribuídas de modo a obter o maior equilíbrio possível, mas não fornece um único percentual universal para todas as instalações.
O cálculo deve considerar potência, corrente, demanda, forma de ligação, fator de potência, harmônicas e perfil de utilização. Em campo, as correntes das fases e do neutro devem ser medidas em condições representativas.
Um quadro bem balanceado aproveita melhor alimentadores, transformadores e fontes, reduz perdas e queda de tensão e facilita futuras ampliações. A redistribuição, porém, deve preservar a associação correta entre fase, neutro, DR, proteção e documentação técnica.
Referências técnicas
[1] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5410:2004 — Instalações elétricas de baixa tensão. Itens consultados: 4.2.1; 4.2.2.1; 4.2.5.6; 4.2.6.1.10; 4.2.7; 6.2.6.2. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.
[2] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 16819:2020 — Instalações elétricas de baixa tensão — Eficiência energética. Itens consultados: 6.2; 6.5.4; 8.3; 8.5 e 8.6. Rio de Janeiro: ABNT, 2020.
[3] Consulte o Catálogo oficial da ABNT para confirmar as edições vigentes, emendas e documentos complementares.
Perguntas frequentes
É a distribuição das cargas monofásicas e fase-fase entre L1, L2 e L3 para reduzir diferenças excessivas de potência e corrente.
O item 4.2.5.6 determina que as cargas sejam distribuídas entre as fases de modo a obter o maior equilíbrio possível.
Não existe, nesse item, um percentual geral único aplicável a todas as instalações. Critérios adicionais podem ser definidos pelo projeto, concessionária ou fabricantes.
Some a potência ou corrente atribuída a cada fase, calcule a média e compare os desvios. Para cargas com fatores de potência distintos ou ligações fase-fase, pode ser necessária análise fasorial.
Não. Os circuitos possuem potências, fatores de potência e horários de funcionamento diferentes.
Não automaticamente. Uma carga trifásica equilibrada adiciona corrente semelhante às três fases, mas não elimina a diferença provocada por cargas monofásicas.
Ele reduz a corrente fundamental causada pelo desequilíbrio das cargas, mas não elimina necessariamente as correntes de terceira harmônica e seus múltiplos.
Distribua-as entre os pares L1-L2, L2-L3 e L3-L1 e verifique as correntes finais em cada condutor de linha.
O primeiro descreve diferenças de carregamento entre fases. O segundo descreve assimetria nas tensões e pode ter causas na instalação ou na rede de alimentação.
Devem ser medidas correntes, tensões, potência, fator de potência e corrente no neutro em condições representativas, por profissional qualificado e com procedimento seguro.
Somente quando todas as condições da NBR 5410 forem atendidas, incluindo circuito presumivelmente equilibrado, limites de harmônicas e proteção adequada.
Sim. Cada modo de operação pode alimentar grupos diferentes e produzir uma distribuição distinta entre as fases.
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