Entenda como determinar a capacidade de condução de corrente dos cabos pela NBR 5410, considerando método, temperatura, agrupamento e isolação.

Confira!

A capacidade de condução de corrente é a corrente máxima que um condutor pode transportar continuamente, nas condições de instalação consideradas, sem ultrapassar a temperatura admissível de sua isolação.

Ela não é um valor fixo associado apenas à seção do cabo. Um condutor de 10 mm² pode admitir correntes diferentes quando instalado em eletroduto embutido, diretamente sobre uma parede, em bandeja ventilada, ao ar livre ou enterrado no solo.

Na ABNT NBR 5410, a determinação começa pela identificação do método de instalação, do método de referência, do material e da isolação do cabo, do número de condutores carregados e das condições reais de temperatura e agrupamento.

O que é capacidade de condução de corrente?

Capacidade de condução de corrente é o valor de corrente permanente que mantém o condutor dentro da temperatura máxima prevista para serviço contínuo.

A circulação de corrente produz perdas por efeito Joule. O calor gerado precisa ser transferido para o ambiente. Quanto mais difícil for essa dissipação, menor será a corrente admissível para uma mesma seção.

Por isso, a capacidade depende simultaneamente de:

  • material do condutor;
  • seção nominal;
  • tipo de isolação;
  • método de instalação;
  • quantidade de condutores carregados;
  • temperatura do ar ou do solo;
  • agrupamento com outros circuitos;
  • resistividade térmica do solo;
  • exposição à radiação solar;
  • presença de harmônicas;
  • disposição dos cabos;
  • condições de ventilação.

O valor final costuma ser representado por Iz e precisa ser compatibilizado com a corrente de projeto e com o dispositivo de proteção.

Capacidade de corrente não é um valor universal por bitola

Tabelas simplificadas que informam apenas “quantos ampères suporta um cabo de 2,5 mm², 4 mm² ou 10 mm²” omitem variáveis essenciais.

Considere um condutor de cobre, isolação PVC, seção de 10 mm² e três condutores carregados. Na tabela 36 da NBR 5410, os valores de referência variam conforme o método:

Método de referênciaCapacidade tabelada aproximada
A142 A
A239 A
B150 A
B246 A
C57 A
D52 A

Esses valores ainda pressupõem as condições de referência da tabela. Temperatura diferente, agrupamento ou condições desfavoráveis exigem correções.

Portanto, uma tabela que não informa método, isolação, material, quantidade de condutores carregados e condições ambientais não é suficiente para dimensionar uma instalação.

A bitola, sozinha, não define quantos ampères o cabo suporta

O valor correto depende da forma como o calor é dissipado. Por isso, o método de instalação deve ser definido antes da consulta às tabelas e integrado ao dimensionamento completo dos cabos elétricos.

O que significa Iz?

Iz é a capacidade de condução de corrente do condutor nas condições efetivas de instalação.

É importante distinguir:

  • Itab: capacidade obtida inicialmente na tabela normativa;
  • Iz: capacidade após a aplicação dos fatores de correção pertinentes;
  • Ib: corrente de projeto do circuito;
  • In: corrente nominal ou ajuste do dispositivo de proteção.

De forma simplificada:

Iz = Itab × Ft × Fg × Fs × Fn × ...

Onde:

  • Ft é o fator de temperatura;
  • Fg é o fator de agrupamento;
  • Fs representa a correção de resistividade térmica do solo, quando aplicável;
  • Fn representa a correção pelo carregamento do neutro, quando aplicável.

A coordenação básica contra sobrecarga exige:

Ib ≤ In ≤ Iz

A seleção completa também precisa verificar a corrente convencional de atuação do dispositivo, curto-circuito, queda de tensão, seccionamento automático e seção mínima. Esses critérios são detalhados em Dimensionamento de Cabos Elétricos.

Método de instalação e método de referência são a mesma coisa?

Não exatamente.

A tabela 33 da NBR 5410 apresenta diversos métodos de instalação numerados, representando situações construtivas reais. Cada situação é associada a um método de referência usado para consultar as tabelas de capacidade de corrente.

Por exemplo:

  • método de instalação 7: condutores isolados ou cabos unipolares em eletroduto circular embutido em alvenaria;
  • método de referência correspondente: B1.

O número identifica a maneira de instalar descrita pela norma. A letra identifica o modelo térmico de referência utilizado para determinar a capacidade.

Quais são os métodos de referência da NBR 5410?

Método A1

Condutores isolados instalados em eletroduto circular embutido em parede termicamente isolante.

É uma condição desfavorável para dissipação de calor. O isolamento térmico ao redor da linha dificulta a transferência de calor para o ambiente.

Método A2

Cabo multipolar em eletroduto circular embutido em parede termicamente isolante.

A diferença em relação ao A1 está principalmente na construção da linha: A1 considera condutores isolados ou cabos unipolares; A2, cabo multipolar.

Método B1

Condutores isolados ou cabos unipolares em eletroduto sobre parede ou em situações equivalentes, incluindo eletroduto circular embutido em alvenaria conforme a tabela 33.

É frequente em instalações prediais com fios ou cabos unipolares dentro de eletrodutos.

Método B2

Cabo multipolar em eletroduto sobre parede ou em situações equivalentes.

B1 e B2 não representam níveis de qualidade. A escolha depende de o circuito ser constituído por condutores isolados ou cabos unipolares, no primeiro caso, ou por cabo multipolar, no segundo.

Método C

Cabos unipolares ou cabo multipolar instalados diretamente sobre uma superfície, fixados em parede ou teto, ou em situação termicamente equivalente.

Como o cabo não está confinado em eletroduto, a dissipação tende a ser mais favorável que nos métodos A e B.

Método D

Cabo multipolar em eletroduto enterrado no solo. As tabelas adotam condições de referência específicas de profundidade e resistividade térmica.

A instalação enterrada não deve ser analisada apenas pela temperatura do ar. As propriedades térmicas e a umidade do solo afetam diretamente o resultado.

Método E

Cabo multipolar ao ar livre, com afastamento suficiente das superfícies adjacentes.

É aplicado em bandejas perfuradas, leitos, suportes e outras instalações ventiladas, conforme o enquadramento da tabela 33.

Método F

Cabos unipolares justapostos ao ar livre, em disposição horizontal, vertical ou em trifólio.

A disposição relativa dos cabos influencia o aquecimento e a capacidade indicada nas tabelas.

Método G

Cabos unipolares espaçados ao ar livre.

O espaçamento melhora a dissipação e geralmente permite capacidades superiores às de cabos justapostos, desde que a instalação real mantenha as distâncias previstas.

Como identificar corretamente o método de referência?

O procedimento recomendado é:

  1. descrever a instalação real, sem começar pela letra desejada;
  2. localizar na tabela 33 a situação mais representativa;
  3. conferir as notas e relações dimensionais indicadas;
  4. identificar o método de referência correspondente;
  5. verificar se o cabo é unipolar, multipolar ou condutor isolado;
  6. confirmar se o trecho possui diferentes condições de instalação;
  7. adotar a condição termicamente mais desfavorável quando necessário.

Não é correto selecionar B1, B2 ou C apenas porque esse método produz um valor mais conveniente.

O método deve representar a instalação real

A letra de referência não é escolhida pelo resultado desejado. Ela decorre da situação construtiva identificada na tabela 33. Consulte também o artigo sobre a NBR 5410 para entender como esse critério se integra à documentação e às demais verificações da instalação.

Quais tabelas da NBR 5410 devem ser usadas?

A escolha depende da isolação e do método de referência.

TabelaIsolaçãoMétodos principais
36PVC, 70 °CA1, A2, B1, B2, C e D
37EPR ou XLPE, 90 °CA1, A2, B1, B2, C e D
38PVC, 70 °CE, F e G
39EPR ou XLPE, 90 °CE, F e G

As tabelas abrangem condutores de cobre e alumínio e possuem colunas diferentes conforme a quantidade de condutores carregados e a disposição dos cabos.

PVC, EPR e XLPE possuem a mesma capacidade?

Não.

A NBR 5410 considera as seguintes temperaturas máximas no condutor em serviço contínuo:

IsolaçãoTemperatura máxima contínua
PVC70 °C
EPR90 °C
XLPE90 °C

Como EPR e XLPE admitem temperatura contínua mais elevada, suas tabelas normalmente apresentam capacidades superiores às do PVC para a mesma seção e método.

Isso não significa que substituir PVC por XLPE resolva qualquer problema. Terminais, dispositivos, conexões e equipamentos também possuem limites térmicos. A temperatura mais elevada do condutor pode aumentar perdas, aquecimento do ambiente e solicitações sobre componentes próximos.

Como contar os condutores carregados?

A quantidade de condutores carregados não é necessariamente igual à quantidade física de condutores no eletroduto ou cabo.

A tabela 46 da NBR 5410 estabelece, em linhas gerais:

CircuitoCondutores carregados considerados
Monofásico a dois condutores2
Monofásico a três condutores2
Duas fases sem neutro2
Duas fases com neutro3
Trifásico sem neutro3
Trifásico com neutro3 ou 4

O condutor de proteção usado exclusivamente como PE não é considerado carregado, embora ocupe espaço no dimensionamento do eletroduto.

O neutro pode precisar ser considerado carregado em circuitos com desequilíbrio ou harmônicas de terceira ordem e seus múltiplos.

Quando o neutro deve ser considerado o quarto condutor carregado?

Em circuito trifásico com neutro, quando a corrente no neutro não for acompanhada de redução correspondente nas fases, o neutro deve ser computado como carregado.

A NBR 5410 destaca a situação em que as correntes de fase possuem componentes harmônicas de terceira ordem e múltiplos superiores a 15%. Nesse caso, o circuito pode ser tratado como constituído por quatro condutores carregados.

Como as tabelas principais apresentam colunas para dois ou três condutores carregados, a norma prevê, em caráter geral, a aplicação do fator 0,86 sobre o valor válido para três condutores, sem prejuízo das demais correções.

Cargas de TI, UPS, iluminação eletrônica e fontes chaveadas exigem atenção especial. O quadro de cargas deve identificar a natureza dessas cargas.

O neutro não deve ser reduzido automaticamente

Em circuitos com cargas não lineares, as harmônicas de terceira ordem podem se somar no neutro. A capacidade do circuito deve considerar esse carregamento antes de definir a seção, a proteção e a distribuição das cargas.

Temperatura ambiente de referência

As capacidades das tabelas 36 a 39 são referidas a:

  • 30 °C para linhas não subterrâneas;
  • 20 °C para linhas subterrâneas.

Quando a temperatura real difere desses valores, é necessário aplicar o fator da tabela 40.

Para cabos com isolação PVC instalados no ar, alguns fatores são:

Temperatura ambienteFator para PVC
35 °C0,94
40 °C0,87
45 °C0,79
50 °C0,71
55 °C0,61
60 °C0,50

Um cabo que possui capacidade tabelada de 80 A passa a ter, antes de outras correções, aproximadamente 69,6 A a 40 °C:

80 × 0,87 = 69,6 A

A radiação solar não está incorporada automaticamente nesses fatores. Linhas expostas ao sol podem demandar cálculo específico ou medidas de proteção.

Como o agrupamento reduz a capacidade de corrente?

Circuitos próximos aquecem uns aos outros. A NBR 5410 fornece fatores de agrupamento para diferentes disposições:

  • feixe em linha aberta ou fechada;
  • condutores em conduto fechado;
  • camada única sobre parede ou bandeja;
  • camada única no teto;
  • bandeja perfurada;
  • leito ou suportes;
  • múltiplas camadas;
  • cabos diretamente enterrados;
  • eletrodutos enterrados.

Para circuitos em feixe ou em conduto fechado, a tabela 42 apresenta, por exemplo:

Número de circuitosFator de agrupamento
11,00
20,80
30,70
40,65
50,60
60,57

O fator correto depende da disposição real. Não se deve aplicar automaticamente a primeira linha da tabela 42 a cabos em bandeja perfurada ou leito.

Circuitos pouco carregados podem ser desconsiderados?

A NBR 5410 admite que condutores cuja corrente de projeto não seja superior a 30% de sua capacidade, já determinada considerando o agrupamento, possam ser desconsiderados no cálculo do fator aplicável ao restante do grupo.

A aplicação é iterativa: primeiro é necessário avaliar a capacidade com o agrupamento e demonstrar que o circuito atende ao critério. Não basta declarar que uma reserva ou circuito “quase não é usado”.

Exemplo completo de cálculo de Iz

Considere um circuito trifásico com:

  • corrente de projeto Ib = 42 A;
  • disjuntor previsto de 50 A;
  • condutores de cobre com isolação PVC;
  • três condutores carregados;
  • método de referência B2;
  • temperatura ambiente de 40 °C;
  • três circuitos agrupados no mesmo conduto fechado.

Para três circuitos em feixe ou conduto fechado, o fator de agrupamento é 0,70. Para PVC a 40 °C, o fator de temperatura é 0,87.

Tentativa com 16 mm²

Na tabela 36, método B2 e três condutores carregados:

Itab = 62 A

Capacidade corrigida:

Iz = 62 × 0,87 × 0,70 = 37,8 A

O cabo não atende porque Iz < Ib.

Tentativa com 25 mm²

Itab = 80 A

Iz = 80 × 0,87 × 0,70 = 48,7 A

O condutor atende à corrente de projeto de 42 A, mas não permite a coordenação com o disjuntor de 50 A, porque In > Iz.

Tentativa com 35 mm²

Itab = 99 A

Iz = 99 × 0,87 × 0,70 = 60,3 A

A relação preliminar fica:

42 A ≤ 50 A ≤ 60,3 A

Nesse critério, a seção de 35 mm² atende. A seleção final ainda depende de queda de tensão, curto-circuito, seção mínima, terminais, atuação do disjuntor e demais verificações.

O exemplo demonstra por que consultar apenas a coluna da tabela sem aplicar correções pode resultar em subdimensionamento.

Itab não é a capacidade final do circuito

O valor tabelado deve ser corrigido antes da comparação com o disjuntor. Depois disso, ainda permanecem as verificações de queda de tensão, curto-circuito e compatibilidade dos terminais.

Como tratar linhas enterradas?

Nos métodos subterrâneos, a capacidade depende da temperatura e da resistividade térmica do solo.

As tabelas 36 e 37 adotam como referência:

  • temperatura do solo de 20 °C;
  • resistividade térmica de 2,5 K·m/W;
  • condições de instalação definidas pelo método D.

Solos secos ou materiais com baixa capacidade de dissipação podem reduzir a corrente admissível. A tabela 41 apresenta fatores para resistividades diferentes, mas casos de maior complexidade podem exigir cálculo específico.

Também devem ser considerados:

  • profundidade real;
  • espaçamento entre circuitos;
  • quantidade de eletrodutos;
  • proximidade de fontes de calor;
  • reaterro empregado;
  • trechos em concreto;
  • variações sazonais de umidade;
  • transições entre solo e ambiente aéreo.

Os fatores de agrupamento de linhas subterrâneas são tratados nas tabelas 44 e 45.

Cabos em bandejas, leitos e eletrocalhas

A classificação depende da ventilação, perfuração, afastamento e disposição dos cabos.

Na tabela 33, uma bandeja é considerada perfurada para esse enquadramento quando os furos ocupam pelo menos 30% de sua área. Abaixo desse valor, ela deve ser tratada como não perfurada.

Também importa saber se os cabos estão:

  • em uma única camada;
  • sobrepostos em várias camadas;
  • justapostos;
  • espaçados;
  • em trifólio;
  • em formação plana;
  • encostados em parede ou teto;
  • efetivamente ao ar livre.

Cabos lançados em várias camadas não podem ser tratados como se estivessem plenamente ventilados. A tabela 43 traz fatores específicos para agrupamentos com mais de uma camada.

Eletroduto maior aumenta a capacidade de corrente?

Nem sempre.

Aumentar o diâmetro do eletroduto facilita a passagem dos cabos e reduz a taxa de ocupação, mas não altera automaticamente o método de referência ou elimina o fator de agrupamento.

Quando vários circuitos continuam reunidos dentro do mesmo conduto fechado, o aquecimento mútuo permanece relevante. Para melhorar termicamente a instalação, pode ser necessário:

  • separar circuitos em eletrodutos distintos;
  • aumentar o espaçamento entre linhas;
  • reduzir a quantidade de circuitos agrupados;
  • alterar a maneira de instalar;
  • utilizar seção maior;
  • revisar a isolação e os componentes;
  • melhorar ventilação e proteção solar.

A diferença entre ocupação geométrica e agrupamento térmico é detalhada em Dimensionamento de Eletrodutos.

O método mais ventilado é sempre a melhor solução?

Não necessariamente.

Métodos E, F e G podem apresentar maior capacidade de corrente, mas a escolha da infraestrutura também precisa considerar:

  • proteção mecânica;
  • presença de água, poeira ou agentes corrosivos;
  • risco de incêndio;
  • acesso de pessoas;
  • manutenção;
  • compatibilidade eletromagnética;
  • sustentação e esforço mecânico;
  • propagação de chama;
  • estética e arquitetura;
  • custo de implantação;
  • continuidade de serviço.

A solução deve equilibrar desempenho térmico, segurança, proteção ambiental e viabilidade executiva.

Trechos com métodos diferentes

Um mesmo circuito pode atravessar eletroduto embutido, bandeja, shaft, área externa e trecho enterrado.

Quando existem condições diferentes de resfriamento ao longo do percurso, a NBR 5410 determina que a capacidade seja baseada nas condições mais desfavoráveis encontradas.

Trechos muito curtos ou configurações específicas podem exigir análise de transferência térmica mais detalhada. Como regra de projeto, não se deve calcular todo o circuito pelo trecho mais favorável e ignorar um segmento confinado ou aquecido.

Condutores em paralelo

Condutores em paralelo precisam compartilhar a corrente de maneira equilibrada.

A NBR 5410 exige, entre outros aspectos, mesma constituição, mesma seção nominal, comprimentos aproximadamente iguais, ausência de derivações e disposições que mantenham impedâncias semelhantes.

A capacidade não deve ser calculada simplesmente multiplicando o valor de um cabo pela quantidade instalada. É necessário considerar:

  • divisão efetiva da corrente;
  • disposição física;
  • agrupamento;
  • impedâncias;
  • terminais e conexões;
  • proteção de cada conjunto;
  • desequilíbrio entre fases;
  • harmônicas;
  • curto-circuito.

Para cabos unipolares de grandes seções, a configuração geométrica possui influência significativa.

Capacidade térmica e seção econômica

A seção mínima que atende termicamente não é necessariamente a seção de menor custo ao longo da vida útil.

A ABNT NBR 16819 destaca que o aumento da seção pode reduzir as perdas de energia e que a escolha pode considerar o custo das perdas durante a vida útil do cabo em comparação com o investimento inicial.

As perdas resistivas variam aproximadamente com I²R. Em alimentadores permanentemente carregados, uma seção superior pode reduzir:

  • perdas de energia;
  • queda de tensão;
  • aquecimento;
  • custo operacional;
  • carga térmica de salas e shafts;
  • limitações para expansão futura.

Esse critério econômico é complementar às verificações obrigatórias de segurança.

Relação com o disjuntor

O disjuntor não “dá capacidade” ao cabo. Ele deve limitar a corrente para proteger um condutor cuja capacidade já foi determinada conforme sua instalação.

A relação básica é:

Ib ≤ In ≤ Iz

Além disso, deve ser verificada a condição envolvendo a corrente convencional de atuação I2 e a capacidade do condutor.

Selecionar um disjuntor apenas pela potência da carga, sem determinar Iz, pode deixar o cabo sujeito a sobrecarga. Selecionar o cabo apenas pela corrente nominal do disjuntor, usando uma tabela genérica, também pode produzir erro.

Veja os demais critérios em Como dimensionar disjuntores em baixa tensão.

O disjuntor protege o cabo somente quando está coordenado com Iz

Corrente nominal e capacidade de interrupção são verificações diferentes. Além de respeitar Ib ≤ In ≤ Iz, o dispositivo deve suportar e interromper a corrente de falta prevista no ponto. Veja também Capacidade de Interrupção de Disjuntores.

Como registrar o cálculo no projeto?

A memória de cálculo ou o quadro de cargas deve permitir identificar:

  • circuito e finalidade;
  • corrente de projeto;
  • material e seção do condutor;
  • tipo de isolação;
  • método de instalação da tabela 33;
  • método de referência;
  • número de condutores carregados;
  • capacidade tabelada;
  • temperatura considerada;
  • fator de temperatura;
  • quantidade e disposição dos circuitos agrupados;
  • fator de agrupamento;
  • correção do solo, se aplicável;
  • correção do neutro, se aplicável;
  • capacidade corrigida Iz;
  • dispositivo de proteção;
  • verificação de queda de tensão;
  • verificação de curto-circuito.

A documentação precisa permanecer coerente com plantas, diagrama unifilar, especificações e situação executada.

Erros comuns na capacidade de condução de corrente

Consultar uma tabela sem identificar o método

A seção do cabo não determina sozinha a corrente admissível.

Confundir B1 com B2

B1 é associado a condutores isolados ou cabos unipolares; B2, a cabo multipolar nas situações correspondentes.

Ignorar a temperatura ambiente

As tabelas não partem automaticamente da temperatura real da obra.

Contar cabos, mas não circuitos

O fator de agrupamento depende da composição e da disposição do grupo, não apenas do número físico de condutores.

Aplicar o fator de bandeja a um feixe

Cada linha da tabela 42 corresponde a uma forma de agrupamento.

Desconsiderar o neutro com harmônicas

O neutro pode ser carregado e exigir fator adicional.

Tratar todo trecho pelo método mais favorável

A condição termicamente mais desfavorável pode controlar o circuito.

Considerar o PE como carregado

O PE ocupa espaço, mas não é contado como condutor carregado em serviço normal.

Ignorar o solo real

Solo seco, espaçamento e agrupamento afetam linhas subterrâneas.

Multiplicar cabos em paralelo sem analisar a divisão de corrente

A igualdade de corrente depende de constituição, comprimento, disposição e impedância.

Confundir capacidade térmica com dimensionamento completo

O cabo ainda precisa atender à queda de tensão, curto-circuito, proteção contra choques e seção mínima.

Quando é necessário um cálculo específico?

As tabelas da NBR 5410 atendem às situações usuais abrangidas por seus métodos de referência. Um cálculo específico pode ser necessário em casos como:

  • cabos armados;
  • grandes seções e circuitos em paralelo;
  • solo com propriedades conhecidas e diferentes da referência;
  • exposição intensa à radiação solar;
  • ventilação não convencional;
  • dutos ou galerias com aquecimento significativo;
  • agrupamentos heterogêneos;
  • regimes de carga especiais;
  • cabos próximos a fontes de calor;
  • condições não representadas pela tabela 33.

Nessas situações, a NBR 5410 remete a métodos de cálculo apropriados, como os previstos na ABNT NBR 11301.

Conclusão

A capacidade de condução de corrente dos cabos depende do equilíbrio térmico entre o calor gerado pela corrente e a dissipação proporcionada pela instalação.

O procedimento correto é identificar a maneira real de instalar, associá-la ao método de referência, escolher a tabela correspondente ao material e à isolação, contar os condutores carregados e aplicar todos os fatores pertinentes.

O valor tabelado não é automaticamente Iz. Somente após corrigir temperatura, agrupamento, solo, neutro e demais condições é possível coordenar o condutor com a corrente de projeto e o dispositivo de proteção.

Referências técnicas

[1] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5410:2004 — Instalações elétricas de baixa tensão. Seções consultadas: 6.2.2, tabela 33, 6.2.4, 6.2.5.1 a 6.2.5.8, tabelas 35 a 46. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.

[2] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 16819:2020 — Instalações elétricas de baixa tensão — Eficiência energética. Seções consultadas: 6.1 a 6.5. Rio de Janeiro: ABNT, 2020.

[3] Consulte o Catálogo oficial da ABNT para confirmar as edições vigentes, emendas e documentos complementares.

Perguntas frequentes
O que é capacidade de condução de corrente?

É a corrente máxima que um condutor pode transportar continuamente nas condições consideradas sem ultrapassar a temperatura admissível de sua isolação.

Quantos ampères suporta um cabo de 2,5 mm²?

Não existe um valor único. A capacidade depende do método de instalação, isolação, material, temperatura, quantidade de condutores carregados e agrupamento.

O que é Iz na instalação elétrica?

Iz é a capacidade de condução de corrente do condutor nas condições efetivas de instalação, após as correções aplicáveis.

Qual é a diferença entre Itab e Iz?

Itab é o valor inicial obtido na tabela normativa. Iz é o valor corrigido para temperatura, agrupamento, solo, neutro e outras condições reais.

O que são os métodos B1 e B2 da NBR 5410?

B1 se aplica, nas situações correspondentes da tabela 33, a condutores isolados ou cabos unipolares em eletroduto. B2 se aplica a cabo multipolar em eletroduto.

Qual método usar para cabo em eletroduto embutido em alvenaria?

Em geral, condutores isolados ou cabos unipolares correspondem ao método B1, enquanto cabo multipolar corresponde ao B2, conforme a tabela 33.

Qual método usar para cabos em bandeja perfurada?

Normalmente E para cabo multipolar e F para cabos unipolares, desde que a bandeja e a disposição atendam às condições da tabela 33.

Qual é a temperatura de referência das tabelas da NBR 5410?

As tabelas usam 30 °C para linhas não subterrâneas e 20 °C para linhas subterrâneas.

O agrupamento sempre reduz a corrente admissível?

Quando os circuitos próximos produzem aquecimento mútuo, deve ser aplicado o fator correspondente. O valor depende da quantidade e da disposição dos circuitos.

O condutor de proteção é considerado carregado?

Não, quando usado exclusivamente como PE. Porém, ele ocupa espaço físico e entra no cálculo da taxa de ocupação do eletroduto.

O neutro é considerado condutor carregado?

Depende do circuito. Em circuitos trifásicos com harmônicas de terceira ordem relevantes, ele pode ser considerado o quarto condutor carregado.

O que significa o fator 0,86 para o neutro?

É o fator geral aplicado à capacidade válida para três condutores quando um circuito trifásico com neutro precisa ser tratado como quatro condutores carregados.

Cabo XLPE suporta mais corrente que cabo PVC?

As tabelas de XLPE e EPR normalmente apresentam capacidades superiores, pois admitem 90 °C em serviço contínuo, contra 70 °C do PVC. Os limites dos terminais também devem ser respeitados.

Um eletroduto maior aumenta Iz?

Não automaticamente. Ele reduz a ocupação e facilita o puxamento, mas o método térmico e o agrupamento podem permanecer iguais.

Qual é a relação entre Ib, In e Iz?

Para a coordenação básica contra sobrecarga, a corrente de projeto deve atender a Ib ≤ In ≤ Iz.

Quando devo usar cálculo específico em vez das tabelas?

Em condições não representadas pelos métodos, cabos armados, grandes paralelos, exposição solar intensa, agrupamentos heterogêneos ou solos com condições especiais.

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