Entenda como aplicar o fator de agrupamento de cabos conforme a NBR 5410 em eletrodutos, bandejas, leitos e linhas enterradas.

Confira!

O fator de agrupamento de cabos é um coeficiente aplicado à capacidade de condução de corrente quando circuitos ou cabos instalados próximos aquecem uns aos outros e passam a dissipar menos calor do que dissipariam isoladamente.

Na prática, o fator reduz o valor tabelado de corrente admissível. Pela ABNT NBR 5410, ele depende da quantidade de circuitos ou cabos multipolares, da forma de agrupamento, do tipo de infraestrutura, do número de camadas e, em linhas enterradas, do espaçamento entre cabos ou eletrodutos.

A resposta não pode ser obtida apenas contando quantos fios existem no eletroduto. É necessário identificar quantos circuitos termicamente relevantes formam o grupo, como estão dispostos e qual tabela normativa representa a instalação real.

O que é o fator de agrupamento de cabos?

O fator de agrupamento, normalmente representado por Fg, corrige a capacidade de corrente dos condutores para considerar o aquecimento mútuo entre circuitos próximos.

Quando um único circuito opera sozinho, o calor produzido pelos condutores é transferido para o eletroduto, para a bandeja, para o ar, para a parede ou para o solo. Quando vários circuitos ocupam a mesma linha ou são instalados lado a lado, cada um recebe parte do calor produzido pelos demais.

A temperatura dos condutores aumenta mesmo que a corrente de cada circuito permaneça a mesma. Para manter a isolação abaixo de sua temperatura máxima de serviço, a corrente admissível precisa ser reduzida.

De forma simplificada:

Iz = Itab × Fg × Ft × Fs × Fn × ...

Onde:

  • Itab é a capacidade obtida na tabela básica;
  • Fg é o fator de agrupamento;
  • Ft é o fator de temperatura ambiente;
  • Fs é o fator relacionado à resistividade térmica do solo, quando aplicável;
  • Fn é a correção pelo carregamento do neutro, quando aplicável;
  • Iz é a capacidade corrigida nas condições efetivas de instalação.

O fator de agrupamento não substitui os demais fatores. Ele é apenas uma das correções necessárias para chegar ao valor final de Iz.

Quando o fator de agrupamento deve ser aplicado?

A correção deve ser avaliada quando dois ou mais circuitos ou cabos multipolares permanecem termicamente próximos durante um trecho relevante da instalação.

Entre as situações comuns estão:

  • vários circuitos dentro do mesmo eletroduto;
  • eletrodutos próximos e sem espaçamento suficiente;
  • cabos reunidos em feixe;
  • cabos lado a lado sobre parede ou piso;
  • vários cabos em bandeja não perfurada;
  • cabos em bandeja perfurada;
  • cabos instalados em leito ou suporte;
  • cabos dispostos em mais de uma camada;
  • circuitos em canaletas ou espaços de construção;
  • cabos diretamente enterrados lado a lado;
  • eletrodutos enterrados próximos;
  • alimentadores instalados em shafts com ventilação limitada.

A simples existência de vários circuitos em um projeto não exige um único fator global. O agrupamento deve ser analisado por trecho, conforme a infraestrutura e a proximidade térmica efetiva.

Fator de agrupamento não é taxa de ocupação

A taxa de ocupação é uma verificação geométrica. Ela avalia o espaço físico ocupado pelos cabos dentro do eletroduto.

O fator de agrupamento é uma verificação térmica. Ele avalia quanto a proximidade entre circuitos reduz a capacidade de dissipação de calor.

Um eletroduto pode atender ao limite de ocupação e, ainda assim, impor um fator de agrupamento severo. Por exemplo, três circuitos podem ocupar menos de 40% da área interna e exigir Fg = 0,70 quando reunidos em um conduto fechado.

Da mesma forma, aumentar o diâmetro do eletroduto não elimina automaticamente o agrupamento. Se os circuitos continuam reunidos dentro da mesma linha fechada, a correção térmica pode permanecer aplicável.

Os critérios geométricos são detalhados em Dimensionamento de Eletrodutos.

Ocupação e agrupamento devem ser verificados separadamente

O espaço interno pode estar dentro do limite e a linha ainda ser termicamente inadequada. O cálculo completo precisa coordenar a taxa de ocupação com a capacidade de condução de corrente.

O que deve ser contado: fios, cabos ou circuitos?

A tabela de agrupamento não é consultada pela quantidade total de fios físicos.

A contagem depende da composição do grupo. Em linhas gerais, a NBR 5410 considera:

  • cada grupo de dois ou três condutores isolados ou cabos unipolares que forme um circuito;
  • cada cabo multipolar;
  • combinações de circuitos formados por condutores isolados, cabos unipolares e cabos multipolares.

Um circuito trifásico formado por três cabos unipolares não deve ser contado como três circuitos. Os três cabos constituem um único circuito.

Dois cabos multipolares trifásicos instalados juntos representam dois cabos multipolares e, para a tabela de agrupamento, normalmente dois circuitos.

Quatro circuitos monofásicos, cada um com fase e neutro, reunidos no mesmo eletroduto representam quatro circuitos, embora existam oito condutores carregados, além dos condutores de proteção.

Condutores carregados e número de circuitos são conceitos diferentes

O número de condutores carregados é usado para escolher a coluna da tabela básica de capacidade de corrente.

O número de circuitos ou cabos multipolares é usado para obter o fator de agrupamento.

Considere três circuitos trifásicos sem neutro no mesmo eletroduto:

  • cada circuito possui três condutores carregados;
  • a tabela básica deve ser consultada na coluna de três condutores carregados;
  • o fator de agrupamento deve ser obtido para três circuitos.

Misturar essas duas contagens é um erro frequente. O procedimento correto é escolher primeiro a capacidade tabelada de cada circuito e, depois, aplicar o fator correspondente à quantidade e à disposição dos circuitos agrupados.

Qual tabela da NBR 5410 trata do agrupamento?

A ABNT NBR 5410 utiliza tabelas diferentes conforme a forma de instalação:

TabelaAplicação principal
Tabela 42Feixes, condutos fechados e agrupamentos em camada única
Tabela 43Agrupamentos com mais de uma camada
Tabela 44Cabos diretamente enterrados
Tabela 45Linhas em eletrodutos enterrados

Antes de escolher a tabela, deve-se identificar o método de instalação e a disposição real dos cabos. O artigo Capacidade de Condução de Corrente dos Cabos explica como associar a instalação aos métodos A1, A2, B1, B2, C, D, E, F e G.

Tabela de fator de agrupamento em feixe ou conduto fechado

Para circuitos reunidos em feixe, embutidos ou instalados em conduto fechado, a tabela 42 apresenta os seguintes fatores:

Número de circuitos ou cabos multipolaresFator de agrupamento
11,00
20,80
30,70
40,65
50,60
60,57
70,54
80,52
9 a 110,50
12 a 150,45
16 a 190,41
20 ou mais0,38

Essa linha é aplicável, entre outras situações, a circuitos agrupados dentro de um mesmo eletroduto ou reunidos em feixe em linha aberta.

Ela não deve ser usada automaticamente para qualquer grupo de cabos. Bandejas perfuradas, leitos, tetos e múltiplas camadas possuem condições próprias.

A tabela correta depende da disposição física, não apenas da quantidade de cabos

O mesmo número de circuitos pode produzir fatores diferentes em eletroduto, bandeja perfurada, leito, teto ou múltiplas camadas. O arranjo precisa estar definido no projeto e preservado na execução.

Fatores para cabos em camada única

A tabela 42 diferencia várias disposições em uma única camada.

Número de circuitosParede, piso ou bandeja não perfuradaTetoBandeja perfuradaLeito ou suporte
11,000,951,001,00
20,850,810,880,87
30,790,720,820,82
40,750,680,770,80
50,730,660,750,80
60,720,640,730,79
70,720,630,730,79
80,710,620,720,78
90,700,610,720,78

Os valores mostram que a infraestrutura interfere diretamente na capacidade final. Quatro circuitos em conduto fechado utilizam fator 0,65, enquanto quatro circuitos em uma única camada sobre leito podem utilizar 0,80, desde que a instalação corresponda às condições da tabela.

Não é correto adotar o fator mais favorável sem manter a disposição física que o justifica.

O que caracteriza uma bandeja perfurada?

Para o enquadramento da tabela 33 da NBR 5410, a capacidade referente à bandeja perfurada foi determinada considerando que as aberturas ocupem pelo menos 30% da área da bandeja.

Quando a área aberta é inferior a esse valor, a bandeja deve ser tratada como não perfurada para a determinação do método de referência e dos fatores aplicáveis.

Além da perfuração, a instalação precisa preservar:

  • disposição em uma única camada quando esse for o critério adotado;
  • ventilação ao redor dos cabos;
  • espaçamento e geometria previstos;
  • ausência de tampas ou barreiras que alterem significativamente a dissipação;
  • compatibilidade entre a quantidade de cabos e a largura útil da bandeja.

Uma bandeja comercialmente chamada de “perfurada” não garante, por si só, o enquadramento térmico correspondente.

Cabos no teto possuem fator diferente?

Sim. A tabela 42 apresenta uma linha específica para cabos agrupados em camada única no teto.

A condição térmica no teto pode ser mais desfavorável devido à acumulação de ar quente e à menor circulação ao redor dos cabos. Por isso, mesmo um único circuito pode receber fator 0,95 nessa disposição.

Em shafts e espaços verticais, também deve ser verificado o aumento de temperatura no topo. A temperatura ambiente real pode exigir um fator adicional além do agrupamento.

Quando não é necessário aplicar fator de agrupamento?

A nota da tabela 42 informa que, quando a distância horizontal entre cabos adjacentes for superior ao dobro do diâmetro externo do cabo, não é necessário aplicar fator de redução por agrupamento naquela condição.

Essa dispensa depende da manutenção efetiva do espaçamento ao longo do trecho analisado.

Não basta haver distância em um ponto e feixe em outro. Abraçadeiras, mudanças de direção, entradas em quadros, travessias e reduções de largura podem aproximar os cabos e criar trechos termicamente críticos.

A decisão deve ser registrada em planta, detalhe construtivo ou especificação para que o afastamento seja mantido na execução.

Como tratar cabos em mais de uma camada?

Quando os cabos são dispostos em duas ou mais camadas, devem ser utilizados os fatores da tabela 43, e não os valores de camada única da tabela 42.

Quantidade de camadas2 circuitos por camada3 por camada4 ou 5 por camada6 a 8 por camada9 ou mais por camada
20,680,620,600,580,56
30,620,570,550,530,51
4 ou 50,600,550,520,510,49
6 a 80,580,530,510,490,48
9 ou mais0,560,510,490,480,46

Esses fatores são válidos independentemente de as camadas estarem na horizontal ou na vertical.

Uma bandeja preenchida com cabos sobrepostos não pode ser calculada como camada única apenas porque possui perfurações. A perda de ventilação entre as camadas altera significativamente a capacidade.

Sobrepor cabos pode reduzir a capacidade quase pela metade

Em múltiplas camadas, os fatores da tabela 43 podem ser muito mais severos que os valores de camada única. A largura da infraestrutura e a organização dos cabos passam a ser variáveis de dimensionamento.

Exemplo com quatro circuitos no mesmo eletroduto

Considere quatro circuitos trifásicos, com condutores de cobre e isolação PVC, instalados no mesmo eletroduto.

Para cada circuito, a capacidade obtida na tabela básica é:

Itab = 80 A

Como existem quatro circuitos em conduto fechado:

Fg = 0,65

Se a temperatura ambiente for a condição de referência, sem outras correções:

Iz = 80 × 0,65 = 52 A

A capacidade efetiva de cada circuito passa de 80 A para 52 A.

Caso o disjuntor seja de 63 A, a coordenação In ≤ Iz não é atendida, embora o valor tabelado original fosse superior a 63 A.

As alternativas podem incluir aumentar a seção, separar os circuitos, alterar a infraestrutura ou revisar o carregamento e a proteção.

Exemplo combinando agrupamento e temperatura

Considere o mesmo grupo, agora em ambiente de 40 °C.

Para isolação PVC, o fator de temperatura é:

Ft = 0,87

O fator de agrupamento continua:

Fg = 0,65

A capacidade corrigida será:

Iz = 80 × 0,87 × 0,65

Iz ≈ 45,2 A

Os fatores são multiplicativos. Não se deve somar percentuais nem escolher apenas o menor fator.

O resultado mostra que uma condição aparentemente moderada de temperatura, combinada com agrupamento, pode reduzir a capacidade em mais de 40%.

Comparação entre eletroduto e bandeja perfurada

Considere quatro circuitos com Itab = 80 A e temperatura ambiente de 40 °C.

Quatro circuitos em conduto fechado

Fg = 0,65

Iz = 80 × 0,87 × 0,65 ≈ 45,2 A

Quatro circuitos em camada única sobre bandeja perfurada

Fg = 0,77

Iz = 80 × 0,87 × 0,77 ≈ 53,6 A

A diferença é de aproximadamente 8,4 A por circuito.

A comparação não significa que a bandeja é sempre superior. A solução precisa atender a proteção mecânica, ambiente, incêndio, compatibilidade eletromagnética, acessibilidade e requisitos construtivos. Ela demonstra apenas que a disposição física influencia o desempenho térmico.

Exemplo com três camadas de cabos

Considere uma bandeja com três camadas e quatro circuitos trifásicos por camada.

Pela tabela 43:

Fg = 0,55

Para uma capacidade tabelada de 100 A e temperatura de referência:

Iz = 100 × 0,55 = 55 A

Se o mesmo conjunto pudesse ser reorganizado em uma única camada sobre leito, o fator correspondente a quatro circuitos seria 0,80:

Iz = 100 × 0,80 = 80 A

O exemplo evidencia que a largura, a quantidade de camadas e a organização da infraestrutura podem evitar aumentos expressivos de seção.

Circuitos pouco carregados podem ser desconsiderados?

A NBR 5410 admite desconsiderar, para o cálculo do fator aplicável ao restante do grupo, condutores cuja corrente de projeto não seja superior a 30% de sua capacidade de condução de corrente já determinada considerando o agrupamento.

O critério precisa ser demonstrado. O processo é iterativo:

  1. Identifique inicialmente todos os circuitos do grupo.
  2. Aplique o fator correspondente à configuração completa.
  3. Calcule a capacidade corrigida do circuito candidato.
  4. Compare sua corrente de projeto com 30% dessa capacidade.
  5. Verifique se ele pode ser retirado da contagem.
  6. Refaça e documente o cálculo do grupo resultante.

Não é suficiente afirmar que um circuito é reserva, eventual ou pouco utilizado. A corrente de projeto e a condição de operação precisam sustentar a exclusão.

Cabos de reserva entram na contagem?

Depende da condição prevista para operação.

Um cabo instalado, conectado e disponível para energização pode influenciar o agrupamento quando sua operação simultânea for possível. Cabos totalmente desenergizados não geram calor, mas a estratégia de reserva precisa ser clara e controlada.

Algumas situações exigem atenção:

  • circuitos principal e reserva com transferência automática;
  • alimentadores redundantes que podem operar simultaneamente durante manutenção;
  • circuitos futuros já instalados;
  • cabos paralelos mantidos como reserva fria;
  • cargas sazonais;
  • circuitos de emergência e segurança.

O projeto deve registrar quais circuitos podem operar juntos e em quais estados operacionais. A análise não deve se limitar ao regime mais comum quando uma contingência previsível produz condição térmica mais severa.

Circuitos com seções diferentes podem usar a mesma tabela?

Os fatores das tabelas 42 a 45 foram estabelecidos para grupos de condutores semelhantes e igualmente carregados.

A NBR 5410 considera semelhantes os condutores que:

  • possuem a mesma temperatura máxima admissível em serviço contínuo;
  • apresentam seções nominais contidas em um intervalo de três seções normalizadas sucessivas.

Quando o grupo contém cabos muito diferentes, a distribuição térmica pode deixar de ser representada adequadamente pelos fatores tabelados.

Nessa situação, a norma orienta realizar cálculo específico. Quando isso não for viável, prevê uma alternativa conservadora baseada na quantidade de circuitos, que pode resultar em superdimensionamento dos cabos maiores.

Agrupar circuitos de iluminação com pequenos condutores junto de alimentadores de grande seção requer análise cuidadosa. O cabo de menor seção pode ser o elemento termicamente mais vulnerável.

Cabos com PVC e XLPE podem ser agrupados juntos?

Fisicamente, a instalação pode ocorrer, mas o cálculo não deve usar a maior temperatura admissível como referência para todo o grupo.

Quando existem condutores com diferentes temperaturas máximas de serviço contínuo, a capacidade do conjunto deve ser baseada na menor temperatura admissível presente no grupo, acompanhada do fator de agrupamento aplicável.

Um cabo XLPE capaz de operar a 90 °C não autoriza que um cabo PVC adjacente ultrapasse seu limite de 70 °C.

Além da isolação, devem ser verificados os limites térmicos de terminais, dispositivos e equipamentos conectados.

Como tratar cabos bipolares e tripolares no mesmo grupo?

Quando o agrupamento reúne cabos bipolares e tripolares, a NBR 5410 orienta considerar o número total de cabos como o número de circuitos para obtenção do fator.

Depois de obter o fator:

  • a capacidade dos cabos bipolares é consultada na coluna de dois condutores carregados;
  • a capacidade dos cabos tripolares é consultada na coluna de três condutores carregados;
  • o mesmo fator de agrupamento do conjunto é aplicado aos valores correspondentes.

Não se deve transformar todos os cabos em uma única quantidade de condutores carregados e consultar uma coluna inexistente.

O neutro altera o fator de agrupamento?

O neutro pode alterar a capacidade térmica do circuito, mas isso não significa necessariamente aumentar o número de circuitos usado na tabela de agrupamento.

Em circuito trifásico com neutro, quando as harmônicas de terceira ordem e seus múltiplos produzem corrente significativa no neutro, o circuito pode precisar ser tratado como quatro condutores carregados.

A NBR 5410 prevê, em caráter geral, fator 0,86 aplicado à capacidade válida para três condutores carregados, sem prejuízo do fator de agrupamento e das demais correções.

Exemplo:

Iz = Itab × Fg × Ft × 0,86

O fator de neutro e o fator de agrupamento tratam fenômenos diferentes:

  • Fg considera o aquecimento mútuo entre circuitos;
  • 0,86 considera o quarto condutor carregado dentro do circuito trifásico.

Instalações com UPS, servidores, iluminação eletrônica e fontes chaveadas devem avaliar o conteúdo harmônico e o carregamento do neutro.

O condutor de proteção entra na contagem?

O condutor de proteção utilizado exclusivamente como PE não é considerado condutor carregado para o cálculo térmico, porque não conduz corrente em regime normal.

Também não constitui um circuito adicional para a tabela de agrupamento.

Contudo, ele ocupa espaço físico e deve ser incluído na taxa de ocupação do eletroduto. Sua seção e continuidade precisam atender aos critérios de proteção aplicáveis.

Essa distinção evita dois erros:

  • excluir o PE da ocupação geométrica;
  • incluí-lo indevidamente como fonte permanente de aquecimento.

Como aplicar o fator em cabos diretamente enterrados?

A tabela 44 trata de circuitos com cabos diretamente enterrados e relaciona o fator ao espaçamento entre eles.

Número de circuitosSem espaçamento1 diâmetro de cabo0,125 m0,25 m0,50 m
20,750,800,850,900,90
30,650,700,750,800,85
40,600,600,700,750,80
50,550,550,650,700,80
60,500,550,600,700,80

Esses valores pressupõem condições de referência, incluindo profundidade de 0,7 m e resistividade térmica do solo de 2,5 K·m/W.

Temperatura do solo, resistividade térmica, reaterro, umidade, proximidade de fontes de calor e profundidade real podem exigir correções adicionais ou cálculo específico.

Como aplicar o fator em eletrodutos enterrados?

A tabela 45 possui valores distintos para cabos multipolares e para condutores isolados ou cabos unipolares instalados em eletrodutos.

Um cabo multipolar por eletroduto

Número de circuitosSem espaçamento0,25 m0,50 m1,00 m
20,850,900,950,95
30,750,850,900,95
40,700,800,850,90
50,650,800,850,90
60,600,800,800,80

Um condutor isolado ou cabo unipolar por eletroduto

Número de circuitosSem espaçamento0,25 m0,50 m1,00 m
20,800,900,900,95
30,700,800,850,90
40,650,750,800,90
50,600,700,800,90
60,600,700,800,90

Os valores demonstram que o espaçamento entre eletrodutos pode reduzir significativamente a penalização térmica.

A disposição precisa ser indicada em detalhes de vala, cortes e memoriais. Caso os eletrodutos sejam executados encostados, não é válido utilizar no cálculo o fator correspondente a 0,50 m ou 1,00 m.

Exemplo com três eletrodutos enterrados

Considere três circuitos, cada um formado por um cabo multipolar instalado em eletroduto próprio, com espaçamento de 0,25 m entre os eletrodutos.

Pela tabela 45:

Fg = 0,85

Se a capacidade tabelada pelo método D for 100 A:

Iz = 100 × 0,85 = 85 A

Se a temperatura do solo ou a resistividade térmica forem diferentes das condições de referência, os fatores correspondentes também devem ser aplicados.

Se os três eletrodutos forem executados sem espaçamento, o fator passará a 0,75:

Iz = 100 × 0,75 = 75 A

Uma diferença executiva de espaçamento pode alterar em 10 A a capacidade de cada circuito.

O fator é aplicado ao cabo ou ao grupo?

O fator é obtido a partir da configuração do grupo e aplicado à capacidade de cada circuito ou cabo multipolar que o compõe.

Cada circuito parte de sua própria capacidade tabelada, conforme:

  • seção;
  • material;
  • isolação;
  • método de referência;
  • número de condutores carregados;
  • disposição dos cabos.

Depois, aplica-se o fator comum do agrupamento quando os cabos atendem às condições de homogeneidade previstas.

Isso significa que dois circuitos podem usar o mesmo Fg, mas chegar a valores de Iz diferentes porque possuem seções ou capacidades tabeladas distintas.

Como combinar vários fatores de correção?

Os fatores aplicáveis são multiplicados.

Exemplo:

  • capacidade tabelada: 100 A;
  • agrupamento: 0,70;
  • temperatura ambiente: 0,87;
  • carregamento do neutro: 0,86.

Iz = 100 × 0,70 × 0,87 × 0,86

Iz ≈ 52,4 A

Não é correto:

  • somar as reduções percentuais;
  • aplicar apenas o menor fator;
  • usar a média dos fatores;
  • aplicar primeiro o disjuntor e depois escolher qualquer cabo que pareça suficiente;
  • ignorar um fator porque outro já produziu redução expressiva.

O resultado final deve atender à coordenação:

Ib ≤ In ≤ Iz

Os demais critérios de dimensionamento são desenvolvidos em Dimensionamento de Cabos Elétricos.

O valor da tabela não é automaticamente a capacidade final do cabo

Itab só se transforma em Iz depois da aplicação de temperatura, agrupamento, solo, neutro e demais correções pertinentes. A proteção deve ser coordenada com o valor corrigido.

A ordem de aplicação dos fatores altera o resultado?

Matematicamente, não. Como os fatores são multiplicativos, a ordem não altera o produto.

No procedimento de engenharia, porém, a sequência de identificação importa para evitar omissões:

  1. Determine a corrente de projeto.
  2. Identifique o método de instalação.
  3. Escolha a tabela básica.
  4. Conte os condutores carregados.
  5. Identifique a temperatura ambiente.
  6. Caracterize o agrupamento.
  7. Avalie solo, radiação e harmônicas.
  8. Calcule Iz.
  9. Coordene o disjuntor.
  10. Verifique queda de tensão, curto-circuito e seção mínima.

Essa sequência deve permanecer rastreável na memória de cálculo.

Como reduzir a penalização por agrupamento?

O fator não deve ser tratado apenas como uma obrigação de aumentar a seção. Muitas vezes, a infraestrutura pode ser otimizada.

Alternativas incluem:

  • separar circuitos em eletrodutos distintos;
  • aumentar o espaçamento entre eletrodutos;
  • distribuir cabos em uma única camada;
  • aumentar a largura da bandeja ou do leito;
  • evitar feixes compactos;
  • manter distância superior a dois diâmetros quando aplicável;
  • separar alimentadores fortemente carregados de circuitos leves;
  • criar rotas independentes para cargas críticas;
  • melhorar a ventilação do shaft;
  • evitar concentração de cabos próxima a fontes de calor;
  • prever infraestrutura reserva independente;
  • coordenar entradas de quadros e travessias para não recriar o feixe.

A melhor solução pode reduzir seções, perdas, peso, esforço de instalação e custo, mantendo margem para expansão.

A infraestrutura também é uma variável de cálculo

Separar circuitos, ampliar o espaçamento ou reorganizar os cabos em uma única camada pode ser mais eficiente do que apenas aumentar a seção. Essas decisões devem ser coordenadas no Projeto Elétrico de Baixa Tensão.

Aumentar a seção é sempre a melhor solução?

Não.

Aumentar a seção eleva a capacidade térmica e pode reduzir perdas e queda de tensão. Porém, também aumenta:

  • custo dos cabos;
  • peso sobre bandejas e suportes;
  • esforço de puxamento;
  • raio mínimo de curvatura;
  • dimensões de terminais;
  • dificuldade de conexão;
  • ocupação da infraestrutura;
  • corrente de curto-circuito passante e solicitações associadas.

Uma revisão do arranjo pode produzir resultado mais eficiente do que simplesmente elevar todas as seções.

A ABNT NBR 16819 recomenda considerar as perdas ao longo da vida útil e as possibilidades de expansão. Portanto, a decisão deve equilibrar segurança térmica, custo inicial, perdas energéticas e flexibilidade operacional.

Agrupamento em trechos curtos precisa ser considerado?

A avaliação depende do comprimento, da condição térmica, da localização do trecho e da capacidade de dissipação nas regiões adjacentes.

Entradas de quadros, travessias corta-fogo, passagens em mangas, curvas concentradas e pequenos segmentos em shafts podem reunir cabos em espaço reduzido.

Mesmo quando o restante da rota é ventilado, um trecho curto pode se tornar termicamente relevante se:

  • estiver cercado por material isolante;
  • tiver alta temperatura ambiente;
  • concentrar muitos cabos;
  • estiver próximo a conexões ou terminais;
  • possuir ventilação restrita;
  • operar continuamente com carga elevada.

A NBR 5410 prevê que condições diferentes ao longo do percurso sejam consideradas e que a condição mais desfavorável possa controlar a capacidade. Casos fronteiriços requerem análise específica, não uma dispensa automática.

Como tratar circuitos em paralelo?

Cada conjunto de condutores em paralelo precisa compartilhar a corrente de forma equilibrada.

No agrupamento, devem ser considerados:

  • quantidade de circuitos completos ou cabos multipolares;
  • disposição das fases;
  • grupos em trifólio ou formação plana;
  • proximidade entre os paralelos;
  • agrupamento com outros alimentadores;
  • número de camadas;
  • impedância e divisão de corrente;
  • comprimento e terminações.

Não é correto multiplicar a capacidade de um cabo pela quantidade de paralelos sem aplicar fatores e verificar a distribuição de corrente.

Para grandes alimentadores, a configuração física deve ser definida em planta, corte e detalhe executivo.

Relação entre fator de agrupamento e queda de tensão

O fator de agrupamento não entra diretamente na fórmula da queda de tensão. Ele pode, contudo, exigir uma seção maior, que reduz resistência e queda.

O procedimento deve verificar separadamente:

  • capacidade térmica corrigida;
  • coordenação com o disjuntor;
  • cálculo de queda de tensão;
  • suportabilidade ao curto-circuito;
  • proteção contra choques;
  • seções mínimas.

A seção final é aquela que atende simultaneamente a todos os critérios, e não apenas ao mais conhecido.

Como registrar o agrupamento no projeto?

A memória de cálculo ou o quadro de cargas deve indicar, conforme a complexidade:

  • identificação do circuito;
  • corrente de projeto Ib;
  • seção, material e isolação;
  • método de instalação;
  • método de referência;
  • capacidade tabelada Itab;
  • número de condutores carregados;
  • identificação do grupo térmico;
  • quantidade de circuitos ou cabos multipolares;
  • forma de agrupamento;
  • número de camadas;
  • espaçamento adotado;
  • tabela e linha normativa utilizadas;
  • fator Fg;
  • fator de temperatura;
  • fatores de solo e neutro, quando aplicáveis;
  • capacidade final Iz;
  • dispositivo de proteção;
  • hipótese de simultaneidade operacional;
  • observações sobre circuitos desconsiderados pelo critério de 30%.

Plantas e detalhes devem representar a disposição que sustenta o fator utilizado. O diagrama unifilar identifica os circuitos, mas normalmente precisa ser complementado por desenhos de rota e detalhes de infraestrutura.

Como fiscalizar o agrupamento durante a obra?

A conformidade não termina no cálculo. A execução precisa manter as condições previstas.

A inspeção deve verificar:

  • quantidade real de circuitos por eletroduto;
  • largura e perfuração das bandejas;
  • sobreposição de cabos;
  • espaçamento entre circuitos;
  • distância entre eletrodutos enterrados;
  • separação em travessias e entradas de quadros;
  • temperatura e ventilação dos shafts;
  • cabos adicionais não previstos;
  • mudanças de rota;
  • reservas futuras ocupadas durante a obra;
  • identificação e documentação as-built.

Alterações aparentemente pequenas podem invalidar o fator adotado. A Inspeção de Instalações Elétricas permite confrontar cálculo, projeto e situação executada.

Erros comuns no fator de agrupamento

Contar todos os fios como circuitos

As fases, o neutro e o PE de um circuito não são circuitos independentes.

Usar sempre a primeira linha da tabela 42

Bandejas perfuradas, leitos, tetos e múltiplas camadas possuem linhas ou tabelas próprias.

Aplicar fator de camada única a cabos sobrepostos

Mais de uma camada exige a tabela 43.

Considerar a bandeja perfurada apenas pelo nome comercial

A área aberta e a condição real de ventilação precisam atender ao critério normativo.

Ignorar o agrupamento porque a taxa de ocupação está abaixo de 40%

Ocupação e aquecimento são verificações diferentes.

Usar o espaçamento de projeto sem verificá-lo em obra

O fator mais favorável depende da manutenção da distância prevista.

Desconsiderar circuitos eventuais sem demonstrar o critério de 30%

A exclusão precisa ser calculada e documentada.

Misturar condutores muito diferentes como grupo homogêneo

Seções, isolação e carregamento distintos podem exigir cálculo específico.

Aplicar apenas o fator de agrupamento

Temperatura, solo, neutro e radiação podem exigir correções adicionais.

Somar fatores em vez de multiplicá-los

Os fatores são coeficientes multiplicativos.

Tratar cabos em paralelo como capacidade simplesmente duplicada

Divisão de corrente, geometria e agrupamento precisam ser verificados.

Não revisar o cálculo após alterações de rota

A infraestrutura executada pode ser termicamente diferente da projetada.

Quando contratar engenharia especializada?

A análise especializada é recomendada quando existem:

  • grande quantidade de circuitos agrupados;
  • alimentadores de alta corrente;
  • cabos em paralelo;
  • múltiplas camadas em bandejas;
  • shafts com ventilação restrita;
  • linhas enterradas extensas;
  • solo com resistividade conhecida ou desfavorável;
  • cargas não lineares e neutro carregado;
  • ambientes com temperatura elevada;
  • exposição solar;
  • circuitos críticos ou redundantes;
  • ampliações em infraestrutura existente;
  • divergência entre projeto e execução;
  • necessidade de otimização econômica das seções.

No Projeto Elétrico de Baixa Tensão, o agrupamento deve ser coordenado com cabos, eletrodutos, bandejas, proteção, queda de tensão, curto-circuito e reservas futuras.

Conclusão

O fator de agrupamento de cabos corrige a capacidade de corrente para representar o aquecimento mútuo entre circuitos instalados próximos.

A escolha correta depende de contar circuitos ou cabos multipolares, identificar a disposição real e selecionar a tabela correspondente: feixe ou camada única, múltiplas camadas, cabos diretamente enterrados ou eletrodutos enterrados.

O fator obtido deve ser multiplicado pelas demais correções aplicáveis. A condição executiva precisa manter o espaçamento, a ventilação e o número de camadas usados no cálculo.

Mais do que aumentar seções, um bom projeto organiza rotas e infraestrutura para reduzir a penalização térmica, preservar capacidade de expansão e garantir coordenação entre condutores e dispositivos de proteção.

Referências técnicas

[1] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5410:2004 — Instalações elétricas de baixa tensão. Seções consultadas: 6.2.5.1 a 6.2.5.7; tabelas 33 e 40 a 46. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.

[2] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 16819:2020 — Instalações elétricas de baixa tensão — Eficiência energética. Seções consultadas: 6.1 a 6.5. Rio de Janeiro: ABNT, 2020.

[3] Consulte o Catálogo oficial da ABNT para confirmar as edições vigentes, emendas e documentos complementares.

Perguntas frequentes
O que é fator de agrupamento de cabos?

É o coeficiente que reduz a capacidade de corrente para considerar o aquecimento mútuo entre circuitos ou cabos instalados próximos.

Qual é o fator para dois circuitos no mesmo eletroduto?

Para dois circuitos em feixe ou conduto fechado, a tabela 42 indica fator 0,80, desde que a instalação corresponda às condições da tabela.

Qual é o fator para três circuitos no mesmo eletroduto?

Para três circuitos em feixe ou conduto fechado, o fator indicado é 0,70.

Qual é o fator para quatro circuitos no mesmo eletroduto?

Para quatro circuitos em feixe ou conduto fechado, o fator é 0,65.

Devo contar fios ou circuitos?

A tabela de agrupamento considera circuitos ou cabos multipolares, não a quantidade total de fios físicos.

Um circuito trifásico com três cabos unipolares conta como quantos circuitos?

Conta como um circuito. Os três cabos unipolares formam as fases desse circuito.

Fator de agrupamento e taxa de ocupação são a mesma coisa?

Não. A ocupação é geométrica; o agrupamento é térmico. Um eletroduto pode atender à ocupação e ainda exigir redução por agrupamento.

Aumentar o eletroduto elimina o fator de agrupamento?

Não automaticamente. Se os circuitos continuam reunidos em um conduto fechado, a influência térmica pode permanecer.

Cabos em bandeja perfurada usam o mesmo fator do eletroduto?

Não. A tabela 42 possui linha própria para bandeja perfurada em camada única, desde que a instalação atenda às condições normativas.

Cabos em mais de uma camada usam qual tabela?

Agrupamentos com duas ou mais camadas são tratados pela tabela 43 da NBR 5410.

Quando não preciso aplicar fator de agrupamento?

Na condição prevista na tabela 42, quando a distância horizontal entre cabos adjacentes supera duas vezes o diâmetro externo, não é necessário o fator de redução por agrupamento.

Circuitos pouco carregados podem ser desconsiderados?

Podem, quando a corrente de projeto não supera 30% da capacidade já determinada considerando o agrupamento. O critério deve ser calculado e documentado.

O PE entra no fator de agrupamento?

Não como condutor carregado ou circuito adicional. Porém, ele ocupa espaço e entra no cálculo da taxa de ocupação do eletroduto.

O neutro altera o cálculo?

Pode alterar a capacidade quando é carregado por desequilíbrio ou harmônicas. Em certas condições, aplica-se o fator geral 0,86 além do fator de agrupamento.

Como combinar fator de temperatura e agrupamento?

Os fatores são multiplicados pela capacidade tabelada: Iz = Itab × Ft × Fg, acrescentando outros fatores aplicáveis.

Qual tabela usar para cabos enterrados?

A tabela 44 trata de cabos diretamente enterrados e a tabela 45 de linhas em eletrodutos enterrados.

O espaçamento entre eletrodutos enterrados muda o fator?

Sim. Quanto maior o espaçamento previsto nas condições da tabela 45, menor tende a ser a penalização térmica.

Posso usar o mesmo fator para cabos de seções muito diferentes?

Os fatores tabelados pressupõem grupos semelhantes. Grupos heterogêneos podem exigir cálculo específico ou abordagem conservadora.

O fator é aplicado antes ou depois de escolher o disjuntor?

A capacidade corrigida Iz deve ser determinada e depois coordenada com a corrente de projeto e o disjuntor, atendendo a Ib ≤ In ≤ Iz.

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