FAT e SAT na engenharia: entenda Factory Acceptance Test e Site Acceptance Test, diferenças, planejamento, evidências, retestes, testes integrados e critérios de aceite técnico.

Confira!

FAT e SAT são testes de aceitação usados para verificar se equipamentos, painéis, sistemas de automação, softwares e soluções de engenharia atendem aos requisitos definidos antes do aceite. FAT significa Factory Acceptance Test — teste de aceitação em fábrica — e SAT significa Site Acceptance Test — teste de aceitação no local de instalação.

A diferença principal é o momento e o ambiente da verificação. O FAT ocorre antes do envio ao campo, normalmente na fábrica ou em ambiente controlado, para demonstrar conformidade com especificações, funcionalidades, montagem, configuração e documentação. O SAT ocorre depois da instalação, no ambiente real, e verifica se a solução continua atendendo aos requisitos quando conectada à infraestrutura, energia, redes, instrumentação, interfaces e condições operacionais do empreendimento.

Em projetos críticos, FAT e SAT não devem ser tratados como simples demonstrações comerciais. São atividades de engenharia com escopo, pré-requisitos, procedimentos, critérios de aceite, responsabilidades, testemunhos, evidências, registro de desvios e retestes. A IEC 62381:2024 organiza especificamente FAT, FIT, SAT e SIT para sistemas de automação da indústria de processo, enquanto a ABNT NBR IEC 62337:2020 posiciona testes, registros, punch list, comissionamento, desempenho e aceitação dentro do ciclo de entrega.

Quando esses elementos são definidos antes da execução, o teste deixa de responder apenas “funcionou?” e passa a responder uma pergunta tecnicamente defensável: o requisito foi demonstrado, nas condições previstas, com evidência suficiente para permitir a próxima decisão de engenharia?

FAT e SAT: o que são e qual é a diferença?

No contexto de engenharia, FAT e SAT são dois gates de verificação diferentes. O FAT demonstra, antes do embarque, que o objeto fornecido foi construído, configurado e testado contra a especificação aplicável. O SAT demonstra, depois da instalação, que esse mesmo objeto funciona corretamente no ambiente definitivo e em suas interfaces reais.

AspectoFAT — Factory Acceptance TestSAT — Site Acceptance Test
Localfábrica, oficina, laboratório ou ambiente controladolocal definitivo de instalação
Momentoantes do embarque ou liberação para campodepois da montagem, conexão e preparação local
Objetivodemonstrar conformidade do fornecimento com especificações e funcionalidades acordadasdemonstrar funcionamento nas condições reais de infraestrutura e integração
Dependênciassimulações, bancadas, cargas e interfaces eventualmente emuladasenergia, redes, utilidades, instrumentos, sinais e sistemas reais
Saída típicarelatório FAT, desvios, punch list e liberação ou bloqueio do embarquerelatório SAT, desvios, retestes e recomendação para próxima etapa
Não comprova sozinhodesempenho no ambiente finaltoda a integração sistêmica ou desempenho global do empreendimento

A IEC 62381:2024 amplia essa lógica para quatro tipos de teste em sistemas de automação da indústria de processo: FAT (Factory Acceptance Test), FIT (Factory Integration Test), SAT (Site Acceptance Test) e SIT (Site Integration Test). A distinção é útil porque separa a aceitação do sistema individual da validação das integrações entre sistemas, primeiro em ambiente controlado e depois no campo.

Portanto, FAT não substitui SAT e SAT não substitui testes integrados. Cada teste reduz um grupo diferente de incertezas. Em sistemas críticos, um equipamento pode passar no FAT e ainda falhar no SAT por instalação, alimentação, rede, aterramento, endereçamento ou configuração local; da mesma forma, pode passar no SAT isolado e falhar quando submetido a cenários integrados com outros sistemas.

FAT e SAT só produzem aceite defensável quando os critérios são definidos antes do teste. Se o procedimento é criado depois que o equipamento já está pronto, o projeto corre o risco de adaptar o critério ao resultado obtido. Estruture requisitos, evidências e critérios de aceite antes da execução dos testes →

Por que esses testes são críticos antes do aceite técnico?

O aceite técnico representa uma decisão formal do contratante. Aceitar uma entrega sem testes adequados pode significar assumir riscos que só aparecerão durante a operação.

Sem testes estruturadosCom FAT, SAT e testes integrados
Entrega validada por percepçãoEntrega validada por evidências
Falhas aparecem na operaçãoFalhas são identificadas antes do aceite
Pendências sem rastreabilidadePendências registradas e classificadas
Aceite subjetivoAceite baseado em critérios
Conflito entre contratante e fornecedorResponsabilidades mais claras
Dificuldade de comprovar conformidadeRelatórios e registros de teste sustentam a decisão

Em ambientes críticos, testes incompletos podem gerar indisponibilidade, falha de segurança, perda de desempenho, risco operacional, dificuldade de manutenção e problemas de continuidade.

O que é FAT?

FAT significa Factory Acceptance Test, ou teste de aceitação em fábrica. Ele é realizado antes do envio de equipamentos, painéis, softwares, controladores ou soluções para o local de instalação.

O objetivo do FAT é verificar se a solução atende aos requisitos básicos, especificações técnicas, configuração contratada, funcionalidades e critérios definidos antes que ela seja enviada ao campo.

Quando usar FAT?

  • painéis elétricos ou de automação;
  • sistemas de controle;
  • softwares configurados em ambiente de fábrica;
  • equipamentos customizados;
  • soluções de segurança eletrônica integradas;
  • sistemas de supervisão, monitoramento ou automação;
  • equipamentos críticos cujo retrabalho em campo seria caro ou demorado.

O que verificar no FAT?

ItemExemplo de verificação
Conformidade com especificaçãoRequisitos técnicos, modelos, capacidades e configurações
Montagem e acabamentoIdentificação, organização interna, fixação e proteção
Funcionalidades básicasComandos, alarmes, telas, lógica e respostas esperadas
ConfiguraçãoParâmetros, endereços, firmware, licenças e versões
DocumentaçãoDesenhos, lista de materiais, manuais e certificados
Registro de pendênciasItens reprovados, correções e necessidade de reteste

O FAT não substitui o SAT. Ele reduz riscos antes do envio, mas não comprova que a solução funcionará nas condições reais de instalação. Em fornecimentos críticos, o procedimento deve definir também hold points, witness points, condições de liberação, tratamento de desvios e critérios para repetição parcial ou integral do teste.

O melhor momento para descobrir um erro de montagem, lógica ou configuração é antes do embarque. Um FAT bem especificado reduz retrabalho em campo e evita que o cronograma de instalação absorva problemas que poderiam ter sido resolvidos no fornecedor. Estruture o plano de ensaios e testemunhamento antes da liberação do fornecimento →

O que é SAT?

SAT significa Site Acceptance Test, ou teste de aceitação em campo. Ele é realizado no local de instalação, após montagem, energização, configuração, integração preliminar e preparação do sistema.

O SAT verifica se a solução funciona no ambiente real, considerando infraestrutura, rede, energia, interfaces, condições físicas, comunicação, instalação e operação local.

Quando usar SAT?

  • após instalação de equipamentos em campo;
  • após configuração de sistemas;
  • antes do aceite técnico;
  • antes da operação assistida;
  • antes da entrega definitiva;
  • quando há dependências de infraestrutura local;
  • quando o desempenho depende de integração com sistemas existentes.

O que verificar no SAT?

ItemExemplo de verificação
Instalação físicaFixação, identificação, infraestrutura e acabamento
Energia e aterramentoAlimentação, proteção, continuidade e condições de segurança
ComunicaçãoRede, endereçamento, latência, conectividade e protocolos
Funcionalidade localComandos, alarmes, sensores, atuadores e respostas
Integração preliminarTroca de sinais, eventos e dados com sistemas relacionados
Documentação de campoRelatórios, fotos, medições, checklists e pendências

O SAT é uma etapa essencial para evitar que o contratante aceite uma solução que funcionava em bancada, mas não nas condições reais do projeto. Para ser tecnicamente útil, o SAT deve partir de uma configuração controlada e registrar quais diferenças existem entre a condição aprovada no FAT e a condição efetivamente instalada.

Passar no FAT não autoriza presumir que o SAT será satisfatório. Transporte, montagem, parametrização, interfaces locais, energia, rede e alterações de campo podem mudar a condição do sistema. Conecte SAT, testes funcionais e comissionamento em uma sequência única de prontidão e aceite →

O que são testes integrados?

Testes integrados verificam a operação conjunta de sistemas, subsistemas, interfaces e cenários operacionais. Eles são especialmente importantes em ambientes onde uma falha de interface pode comprometer a operação mesmo que cada sistema isoladamente funcione.

Em sistemas críticos, o valor do teste integrado está em verificar a cadeia de eventos: uma condição ocorre, um sistema detecta, outro recebe informação, uma automação responde, um alarme é registrado, uma equipe é notificada e uma ação operacional é executada.

Sistema ou interfaceExemplo de teste integrado
CFTV e controle de acessoEvento de acesso gera chamada de câmera e gravação associada
Detecção e alarmeEvento crítico aciona alerta, notificação e procedimento operacional
Automação e supervisãoFalha de equipamento gera alarme e resposta programada
Energia crítica e climatizaçãoFalha de energia aciona contingência e valida manutenção de operação
Data centerInteração entre energia, climatização, monitoramento e alarmes
Segurança eletrônicaIntegração entre sensores, vídeo, controle de acesso e operação

FAT, SAT e testes integrados no comissionamento

O comissionamento é um processo sistemático de verificação, testes, documentação e validação. A ASHRAE Guideline 0 define o Commissioning Process como um processo focado em qualidade para verificar e documentar que sistemas planejados, projetados, instalados, testados, operados e mantidos atendem aos requisitos do proprietário.

A ACG Commissioning Guideline também reforça o papel da comunicação, coordenação, verificação de instalação, startup, testes funcionais, treinamento de operação e manutenção e documentação completa.

Dentro desse processo, FAT, SAT e testes integrados são instrumentos de verificação. Eles não são o comissionamento inteiro, mas compõem a base prática para demonstrar que a entrega atende aos requisitos.

EtapaRelação com comissionamento
FATReduz risco antes do envio ao campo
SATValida instalação e funcionamento no local
Testes funcionaisVerificam funções específicas previstas em projeto
Testes integradosValidam interfaces e cenários operacionais
Relatórios de testeDocumentam evidências para decisão de aceite
Punch listRegistra pendências e correções necessárias

Como esses testes apoiam o aceite técnico?

O aceite técnico deve ser baseado em critérios, evidências e rastreabilidade. FAT, SAT e testes integrados fornecem parte importante dessa base.

Um relatório de testes pode indicar se a entrega deve ser aceita, aceita com condicionantes, submetida a correções ou rejeitada tecnicamente.

Resultado dos testesPossível decisão de aceite
Todos os critérios atendidosAceite técnico integral
Pendências não críticasAceite condicionado com plano de ação
Pendências críticasRejeição técnica ou bloqueio do aceite
Testes incompletosSolicitação de complementação
Evidências insuficientesNão recomendar aceite até regularização

Por isso, os critérios de aceite devem ser definidos antes da execução dos testes, preferencialmente no Termo de Referência, projeto básico, contrato, plano de comissionamento ou matriz de requisitos. Um resultado “parcialmente satisfatório” só é gerenciável quando o projeto já definiu quais desvios bloqueiam o avanço, quais podem ser aceitos sob condicionante, quem aprova a exceção e em que prazo o reteste deve ocorrer.

Falha registrada não é falha encerrada. Desvio, ação corretiva, evidência da correção e reteste precisam permanecer vinculados até a decisão formal de aceite. Use o recebimento técnico para controlar pendências, evidências e a decisão de aceitar, condicionar ou rejeitar →

Quais evidências devem ser registradas?

Teste sem evidência tem valor limitado. Para apoiar decisão técnica, as evidências precisam ser rastreáveis, organizadas e vinculadas aos critérios de aceite.

Tipo de evidênciaExemplos
DocumentalProcedimento de teste, plano de teste, critérios de aceite e registros assinados
VisualFotos, vídeos, telas, etiquetas, instalações e medições em campo
SistêmicaLogs, alarmes, eventos, prints, relatórios de software e registros de supervisório
TécnicaMedições, ensaios, resultados funcionais, protocolos e certificados
OperacionalChecklists, treinamento, simulações e registros de operação assistida
ContratualEscopo, requisitos, garantias, responsabilidades e pendências aceitas

Como montar um plano de testes

Um plano de testes deve definir o que será testado, como será testado, quem participará, quais critérios serão usados e quais evidências serão aceitas.

Elemento do plano de testesFunção
ObjetivoExplica o que o teste pretende validar
EscopoDefine sistemas, subsistemas e interfaces testadas
Pré-requisitosIndica condições necessárias antes do início
ProcedimentoDescreve passo a passo do teste
Critérios de aceiteDefine o que será considerado aprovado
ResponsáveisIndica quem executa, acompanha, aprova e registra
EvidênciasDefine registros obrigatórios
PendênciasEstabelece forma de registro e classificação
RetesteDefine quando e como uma falha será reavaliada

Esse plano deve estar conectado à matriz RACI, à matriz de riscos, ao cronograma, ao contrato e ao plano de comissionamento.

Matriz RACI nos testes FAT, SAT e integrados

Os testes envolvem diferentes partes: contratante, fornecedor, integrador, operação, manutenção, projetista, consultoria técnica, comissionamento e Owner’s Engineering. A matriz RACI ajuda a definir quem executa, quem aprova, quem deve ser consultado e quem deve ser informado.

AtividadeContratanteFornecedorConsultoria TécnicaOperação
Definir critérios de testeACRC
Executar FATIRCI
Acompanhar SATARRC
Validar testes integradosARRC
Registrar evidênciasIRRI
Classificar pendênciasACRC

Matriz de riscos nos testes

A matriz de riscos ajuda a priorizar falhas, pendências e decisões após os testes. Nem toda falha tem o mesmo impacto. Algumas impedem o aceite; outras podem ser tratadas como pendência condicionada.

Falha identificadaRisco associadoCriticidadeAção recomendada
Integração não comunica evento críticoFalha operacional em emergênciaCríticaCorrigir e retestar antes do aceite
Ausência de relatório de SATFalta de evidência de conformidadeAltaExecutar teste documentado
Etiquetação incompletaDificuldade de manutençãoMédiaRegularizar antes da entrega final
Manual incompletoOperação prejudicadaAltaCompletar documentação
Falha de cenário integradoRisco de indisponibilidade ou resposta inadequadaCríticaRevisar configuração e retestar

Testes em sistemas críticos: exemplos de aplicação

Sistemas críticos exigem testes mais rigorosos porque falhas podem afetar segurança, continuidade, disponibilidade, operação ou conformidade.

Sistema críticoTestes recomendados
Controle de acessoSAT, teste funcional, teste de integração com CFTV e alarmes
CFTV/VMSTeste de gravação, visualização, busca, eventos e integração
Detecção e alarmeTeste funcional, cenário de alarme, notificação e resposta operacional
Data centerTestes integrados de energia, climatização, monitoramento e alarmes
Automação e supervisãoTeste de lógica, eventos, comunicação e falha simulada
Cabeamento e redesCertificação, conectividade, desempenho e documentação as built
Energia críticaTransferência, autonomia, contingência, alarmes e medição

Erros comuns em FAT, SAT e testes integrados

ErroConsequência
Testar sem critérios de aceiteDiscussão subjetiva sobre aprovação
Não registrar evidênciasDificuldade de sustentar aceite técnico
Fazer SAT incompletoFalhas aparecem na operação
Não testar integraçõesSistemas funcionam isolados, mas falham em conjunto
Não envolver operaçãoEntrega técnica pode ser impraticável de operar
Não classificar pendênciasItens críticos podem ser tratados como detalhes
Não prever retesteCorreções não são verificadas
Aceitar sem documentação finalManutenção e suporte ficam comprometidos

Como o PMBOK 8 apoia FAT, SAT e testes integrados

O PMBOK 8 apoia a gestão desses testes ao reforçar governança, escopo, qualidade, riscos, stakeholders, recursos, foco em valor, tailoring e procurement.

Elemento do PMBOK 8Aplicação nos testes
Governance Performance DomainDefine como decisões de aceite e escalonamento serão tomadas
Scope Performance DomainRelaciona testes a requisitos, entregáveis e critérios de aceite
Risk Performance DomainClassifica falhas, pendências e riscos de operação
Stakeholders Performance DomainDefine quem participa, aprova, consulta e informa
Resources Performance DomainOrganiza equipes, fornecedores, operação e especialistas
Procurement AppendixConecta testes a contratação, fornecedores e responsabilidades
TailoringAdapta nível de teste ao porte e criticidade do sistema

Como a engenharia consultiva apoia testes e aceite

A engenharia consultiva pode apoiar o contratante antes, durante e depois dos testes. Esse apoio é especialmente importante quando o contratante precisa de análise independente para validar entregas, classificar pendências e decidir sobre o aceite.

A atuação pode incluir:

  • definição de critérios de teste;
  • elaboração ou revisão do plano de testes;
  • acompanhamento de FAT e SAT;
  • validação de testes integrados;
  • análise de evidências;
  • classificação de pendências;
  • matriz de riscos pós-teste;
  • parecer técnico de aceite;
  • apoio à operação assistida;
  • recomendação de aceite, aceite condicionado ou rejeição técnica.

Em projetos complexos, esse apoio também pode ser prestado dentro de uma atuação de Owner’s Engineering. O valor da atuação independente está em preservar a rastreabilidade entre especificação, procedimento, testemunho, resultado, desvio, reteste e aceite sem substituir a responsabilidade do fabricante ou da empresa executora.

Testemunhar o teste não significa assumir a responsabilidade do fornecedor. A Engenharia do Proprietário atua para proteger os requisitos e os critérios de aceite do contratante, registrando tecnicamente o que foi demonstrado e o que permanece pendente. Estruture o testemunhamento independente de FAT, SAT e testes integrados pelo lado do proprietário →

Checklist prático para FAT, SAT e testes integrados

PerguntaStatusObservação
Os critérios de aceite foram definidos?Sim / Não / ParcialDevem estar vinculados ao escopo e requisitos
Existe plano de testes aprovado?Sim / Não / ParcialDeve definir procedimento, responsáveis e evidências
Os pré-requisitos foram atendidos?Sim / Não / ParcialInstalação, energia, rede, configuração e documentação
O FAT foi registrado quando aplicável?Sim / Não / ParcialReduz risco antes do envio ao campo
O SAT foi executado em campo?Sim / Não / ParcialValida funcionamento nas condições reais
Os testes integrados foram realizados?Sim / Não / ParcialValida interfaces e cenários operacionais
As evidências foram anexadas?Sim / Não / ParcialRelatórios, fotos, logs, medições e prints
As pendências foram classificadas?Sim / Não / ParcialSeparar críticas, altas, médias e baixas
Há plano de reteste?Sim / Não / ParcialCorreções precisam ser verificadas
A recomendação de aceite está clara?Sim / Não / ParcialAceitar, condicionar, complementar ou rejeitar

FAT e SAT como gates de engenharia, não como formalidade de entrega

FAT e SAT têm maior valor quando são tratados como gates de decisão. O FAT deve responder se o fornecimento pode ser liberado para embarque ou campo; o SAT deve responder se a condição instalada está suficientemente demonstrada para avançar aos testes funcionais, integrados, ao comissionamento ou ao aceite previsto no empreendimento.

Essa lógica exige uma cadeia contínua de rastreabilidade: requisito → procedimento → condição de teste → resultado → evidência → desvio → correção → reteste → decisão. O simples registro “aprovado” perde força quando não é possível reconstruir contra qual requisito o teste foi executado, qual configuração foi utilizada e quem possuía autoridade para testemunhar ou aceitar.

A IEC 62381:2024 reforça a necessidade de estabelecer de forma clara o escopo, as responsabilidades e as atividades de FAT, FIT, SAT e SIT para sistemas de automação. A ABNT NBR IEC 62337:2020, por sua vez, posiciona verificações, relatórios, listas de pendências, retestes, comissionamento, desempenho e aceitação dentro de uma sequência de marcos. Em conjunto, essas referências ajudam a evitar a redução do teste de aceitação a uma demonstração sem critérios.

Para o proprietário, a consequência prática é direta: aceitar um equipamento ou sistema deve ser resultado de evidência suficiente, e não de pressão de cronograma ou percepção de funcionamento. Quanto mais crítico o ativo, mais importante é definir previamente critérios, testemunhos, tolerâncias, documentação, exceções e condições de reteste.

Referências técnicas

[1] INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. IEC 62381:2024 — Automation systems in the process industry — Factory acceptance test (FAT), site acceptance test (SAT), and site integration test (SIT). A edição de 2024 define requisitos e checklists para FAT, FIT, SAT e SIT e a distribuição de responsabilidades entre as partes. Referência oficial: IEC 62381:2024 — IEC Webstore.

[2] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR IEC 62337:2020 — Comissionamento de sistemas elétricos, de instrumentação e de controle de processos industriais — Fases e marcos específicos. A norma brasileira adota a IEC 62337:2012 e estrutura completação, pré-comissionamento, comissionamento, testes de desempenho e aceitação. Referência internacional oficial: IEC 62337:2012 — IEC Webstore.

[3] INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. IEC 62382:2024 — Control systems in the process industry — Electrical and instrumentation loop check. Referência complementar para procedimentos e especificações de loop check entre a conclusão da construção da malha e o início do comissionamento a frio. Disponível em: IEC 62382:2024 — IEC Webstore.

[4] ASHRAE. Guideline 0-2019 — The Commissioning Process. Referência para processo de comissionamento orientado aos requisitos do proprietário, critérios de aceitação, documentação e treinamento ao longo do ciclo do empreendimento. Informações oficiais: ASHRAE — Standards and Guidelines.

Perguntas frequentes
O que é FAT na engenharia?

FAT significa Factory Acceptance Test. É o teste de aceitação realizado antes do envio ao campo, normalmente na fábrica ou em ambiente controlado, para verificar se o equipamento, painel, software ou sistema atende às especificações, funcionalidades e critérios definidos para o fornecimento.

O que é SAT na engenharia?

SAT significa Site Acceptance Test. É o teste de aceitação executado no local definitivo de instalação para verificar o funcionamento da solução nas condições reais de infraestrutura, alimentação, rede, interfaces, configuração e operação do empreendimento.

Qual é a diferença entre FAT e SAT?

O FAT ocorre antes do embarque e verifica o fornecimento em ambiente controlado. O SAT ocorre depois da instalação e verifica a solução no ambiente real. O FAT reduz riscos de fabricação e configuração; o SAT verifica efeitos de montagem, infraestrutura, interfaces e condições locais.

FAT substitui SAT?

Não. Um equipamento pode ser aprovado no FAT e apresentar problemas depois do transporte, instalação, conexão, parametrização ou integração. O SAT verifica justamente a condição instalada e, quando aplicável, deve ser complementado por testes funcionais e integrados.

O que significam FAT, FIT, SAT e SIT?

Na IEC 62381:2024, FAT é Factory Acceptance Test, FIT é Factory Integration Test, SAT é Site Acceptance Test e SIT é Site Integration Test. A sequência permite distinguir a aceitação de sistemas individuais da validação de integrações, primeiro em fábrica e depois no local de instalação.

O que deve constar em um plano de FAT ou SAT?

O plano deve definir escopo, objeto do teste, documentos e revisões de referência, pré-requisitos, procedimento, casos de teste, critérios de aceite, responsáveis, hold points e witness points quando aplicáveis, instrumentos, evidências, tratamento de desvios e regras de reteste.

O que fazer quando um FAT ou SAT reprova?

A falha deve ser registrada como desvio ou pendência, associada ao requisito e ao caso de teste, classificada quanto ao impacto, corrigida pelo responsável e submetida a reteste. A liberação para a próxima etapa deve respeitar os critérios previamente definidos para itens impeditivos e condicionantes.

Qual é a relação entre FAT, SAT e comissionamento?

FAT e SAT são instrumentos de verificação que podem integrar a estratégia de comissionamento, mas não constituem o processo inteiro. O comissionamento também trata de prontidão, funções, interfaces, operação, desempenho, documentação, pendências e critérios de passagem entre marcos do empreendimento.

Materiais técnicos complementares

Base do processo de comissionamento

Aceite, pendências e recebimento

Aplicações e métodos técnicos

Soluções e serviços para estruturar a entrega