A Engenharia de Custos transforma projetos, quantitativos, premissas de execução, produtividade, referências de preços e riscos em uma baseline econômica rastreável para planejar, contratar, comparar propostas, medir, controlar mudanças e tomar decisões de investimento.

Em obras e serviços de engenharia, orçamento não é apenas uma planilha de preços. O valor de referência precisa estar conectado ao escopo técnico, à maturidade do projeto, ao método executivo, às condições do local, ao cronograma, às interfaces entre disciplinas e aos critérios de medição. Uma planilha pode fechar matematicamente e ainda representar incorretamente a obra que será contratada.

O serviço pode abranger levantamento e validação de quantitativos, composições de custos unitários, produtividade, insumos, mão de obra, equipamentos, custos diretos e indiretos, administração local, mobilização, BDI, Encargos Sociais, Curva ABC, data-base, fontes referenciais, pesquisa de mercado, memórias de cálculo e integração com Procurement Técnico, licitação, análise de propostas e gestão contratual.

A A3A Engenharia trata o orçamento como produto de engenharia: cada valor relevante deve possuir origem, premissa e vínculo com uma decisão técnica. O objetivo não é apenas estimar “quanto custa”, mas explicar o que está sendo custeado, como foi quantificado, qual referência foi utilizada, quais riscos permanecem e como a baseline será usada ao longo do empreendimento.

Uma planilha pode estar correta na soma e errada na engenharia.

Quantitativo incompleto, composição inadequada, produtividade incompatível ou interface sem responsável podem distorcer o valor de referência antes mesmo da contratação. Solicite uma revisão da baseline de custos.

Quando contratar Engenharia de Custos

O serviço é indicado sempre que uma decisão econômica depender de informações técnicas cuja qualidade precisa ser verificada. Quanto maior a complexidade, o número de disciplinas, o grau de incerteza ou o impacto financeiro do empreendimento, maior a necessidade de estruturar a baseline de forma independente e auditável.

Situação observadaQuestão de Engenharia de Custos
Projeto evoluiu, mas a planilha não foi atualizadaRequantificar, revisar composições e reconstruir a baseline conforme a revisão vigente
Existem divergências entre projeto, memorial e orçamentoIdentificar qual documento governa cada item e eliminar lacunas, duplicidades e escopos órfãos
Será lançada licitação de obra ou serviço de engenhariaEstruturar orçamento de referência, BDI, data-base, fontes e critérios de aceitabilidade compatíveis com a contratação
Itens relevantes não possuem referência adequada em SINAPI ou SICRODefinir metodologia de composição própria, pesquisa de mercado ou outra fonte justificável
Empreendimento brownfield possui quantitativos incertosRelacionar levantamento, contingências, premissas e risco de quantificação
Propostas recebidas apresentam grande dispersão de preçosEqualizar escopo, composição, produtividade, logística, impostos, BDI e condições comerciais
O projeto está em FEL, FEED, Anteprojeto ou fase conceitualUsar estimativas paramétricas ou preliminares coerentes com a maturidade, sem criar falsa precisão
A obra entrou em fase de mudanças ou aditivosReconstruir a baseline original e separar variação de quantidade, escopo, preço e premissa
A organização precisa acompanhar CAPEX e forecastEstruturar custos por pacote, disciplina, etapa, centro de custo ou ativo e controlar variações

O que a Engenharia de Custos precisa resolver

O valor de uma obra ou serviço é consequência da engenharia que o sustenta. Cada item materialmente relevante precisa estar associado a um escopo real, um quantitativo verificável, uma unidade coerente, uma forma de execução e uma referência econômica compatível.

Quando orçamento e projeto são desenvolvidos separadamente, aparecem problemas recorrentes: serviços previstos sem item correspondente, itens sem escopo técnico, quantitativos incompatíveis com os desenhos, composições que não representam a produtividade esperada, custos indiretos apropriados em locais diferentes e interfaces que nenhuma disciplina assumiu.

A Engenharia de Custos organiza essas relações para que a baseline econômica tenha utilidade antes, durante e depois da contratação. Ela precisa servir simultaneamente ao planejamento, à comparação de propostas, à medição, ao controle de mudanças e à preservação da memória econômica do empreendimento.

Escopo do serviço

O escopo é definido conforme a maturidade do projeto, a finalidade da estimativa e o nível de confiabilidade requerido. Uma estimativa para análise de viabilidade não possui a mesma estrutura de um orçamento-base para licitação ou de uma revisão de custos durante a execução.

Análise da maturidade técnica e da finalidade do orçamento

Antes de quantificar, é necessário compreender qual decisão o orçamento deve suportar e quão definida está a engenharia. Estudos conceituais, Anteprojeto, Projeto Básico e Projeto Executivo possuem graus diferentes de informação e, portanto, permitem níveis distintos de precisão e detalhamento.

A metodologia deve ser compatível com esse estágio. Estimativas paramétricas e por indicadores podem ser adequadas nas fases iniciais; orçamentos sintéticos e analíticos exigem base de projeto mais madura. O erro ocorre quando um orçamento preliminar é apresentado com aparência de precisão executiva ou quando um projeto detalhado continua sendo precificado apenas por parâmetros genéricos.

Para aprofundar essa distinção, consulte Orçamento Estimativo, Preliminar e Detalhado: diferenças, precisão e quando usar.

Levantamento e validação de quantitativos

Quantitativo é a primeira camada de rastreabilidade do custo. A origem precisa ser identificável em plantas, modelos BIM, memoriais, diagramas, listas, levantamentos, detalhes construtivos ou memórias de cálculo.

A validação verifica unidade de medição, critérios de inclusão, perdas, fatores de aplicação, repetição de ambientes, extensão de rotas, áreas, volumes, equipamentos e demais grandezas que formam o orçamento. Alterações manuais sem memória prejudicam a capacidade de revisar e atualizar a planilha.

Em trabalhos multidisciplinares, também são verificadas interfaces que frequentemente ficam fora da quantificação: infraestrutura seca, suportação, alimentação, aterramento, obras civis associadas, mobilização, içamento, testes, documentação, treinamento, comissionamento, limpeza técnica e demais serviços auxiliares.

Estrutura Analítica do Orçamento e pacotes de custo

A organização da planilha precisa refletir a forma como o empreendimento será planejado, contratado e controlado. A Estrutura Analítica do Orçamento pode ser organizada por disciplina, sistema, pacote, etapa, área, ativo ou combinação desses critérios.

Uma estrutura adequada facilita associação com cronograma, procurement, medição e gestão de mudanças. Quando a planilha mistura serviços sem lógica de pacote ou sistema, torna-se mais difícil identificar responsabilidade, comparar propostas e acompanhar variações.

Composições de custos unitários

A composição unitária deve representar a execução prevista do serviço. Materiais, mão de obra, equipamentos, coeficientes e produtividade precisam ser coerentes com o método construtivo, as condições de campo e a unidade de medição.

Selecionar uma composição apenas porque sua descrição se parece com o serviço não garante aderência. A engenharia deve verificar o conteúdo real da composição e, quando necessário, adaptar ou desenvolver composição própria, registrando a justificativa técnica.

Produtividade, mão de obra e equipamentos

Produtividade influencia diretamente o custo e não deve ser tratada como constante universal. Condições de acesso, altura, interferências, repetitividade, turno, restrições operacionais, ambiente ocupado, distância de transporte, ferramentas e experiência da equipe alteram o desempenho esperado.

A análise busca coerência entre coeficientes de composição e realidade do empreendimento. Em obras brownfield, plantas em operação e ambientes de missão crítica, produtividades referenciais podem precisar de ajustes tecnicamente justificados.

SINAPI, SICRO e sistemas referenciais

Nas contratações públicas regidas pela Lei nº 14.133/2021, o art. 23, §2º estabelece ordem de parâmetros para o valor estimado de obras e serviços de engenharia, priorizando SICRO para infraestrutura de transportes e SINAPI para as demais obras e serviços, observadas as condições da contratação.

Isso não transforma a base referencial em substituto da engenharia. É necessário conferir código, composição, localidade, mês de referência, desoneração quando aplicável, especificação, unidade, produtividade e aderência ao serviço efetivamente projetado.

Quando a referência não representa o objeto, a metodologia precisa ser complementada de forma tecnicamente justificável. O aprofundamento sobre esse tema está em Preço SINAPI e SICRO: efeitos que podem distorcer o valor de mercado e em Orçamento SINAPI: como escolher composições e montar a planilha.

Itens sem referência direta e pesquisa de mercado

Equipamentos especiais, sistemas integrados, soluções proprietárias de engenharia, montagem industrial, componentes importados e serviços específicos podem não possuir composição pública diretamente aplicável. Nesses casos, a Engenharia de Custos estrutura a fonte alternativa de forma documentada.

A análise pode envolver composição própria, pesquisa de mercado, contratações similares, tabelas setoriais ou outras fontes compatíveis com o regime aplicável. O registro deve indicar data, origem, escopo considerado, impostos, frete, instalação, validade, moeda, condição comercial e ajustes realizados para tornar os valores comparáveis.

Veja também Pesquisa de Preços para Obras e Serviços de Engenharia.

Custos diretos, administração local, mobilização e canteiro

A apropriação econômica precisa refletir a natureza de cada custo. Serviços diretamente mensuráveis, administração local, mobilização, desmobilização, canteiro e demais componentes devem ser estruturados de forma que não haja duplicidade entre planilha e BDI.

A administração local merece atenção porque se relaciona à estrutura efetivamente necessária à obra e ao período de execução. Sua medição e comportamento em alterações de prazo ou escopo não devem ser tratados como se fossem automaticamente proporcionais a todos os serviços da planilha.

BDI e componentes indiretos

BDI não é uma taxa aplicada mecanicamente ao custo direto. Sua composição deve refletir o regime da contratação, tributos incidentes, administração central, riscos, seguros, garantias e remuneração, além de outros componentes pertinentes conforme o contexto.

O Decreto nº 7.983/2013, aplicável à elaboração de orçamentos de referência de obras e serviços de engenharia executados com recursos dos Orçamentos da União, explicita elementos mínimos da composição do BDI e trata situações específicas de fornecimento de equipamentos.

A Engenharia de Custos verifica também se despesas já apropriadas como custo direto estão sendo novamente remuneradas no BDI, ou se custos necessários à execução foram omitidos de ambos.

Encargos Sociais, tributos e data-base

Encargos Sociais, regime tributário, desoneração, convenções aplicáveis e data-base precisam ser compatíveis com a metodologia adotada. Misturar referências de meses, localidades ou regimes diferentes sem ajuste pode distorcer significativamente o resultado.

A data-base também precisa ser preservada para futura atualização, reajuste, comparação de propostas e análise de aditivos. Sem esse registro, valores de períodos distintos podem ser comparados como se fossem economicamente equivalentes.

Curva ABC de serviços e insumos

A Curva ABC direciona a revisão para os itens que concentram maior impacto econômico. Ela permite aplicar profundidade proporcional à materialidade em vez de tratar centenas ou milhares de itens como se possuíssem a mesma relevância.

Itens da faixa A normalmente merecem verificação mais rigorosa de quantidade, especificação, composição, preço, fonte, produtividade e risco. A mesma lógica pode ser aplicada a insumos para identificar materiais, mão de obra e equipamentos que mais influenciam o orçamento.

Para aprofundamento, consulte Curva ABC de Insumos em Obras.

Cronograma físico-financeiro e medição

A baseline econômica deve conversar com o cronograma e com o método de medição. Etapas de pagamento precisam representar avanço físico verificável e evitar concentrações financeiras desconectadas da produção real.

Quando planilha e cronograma usam estruturas incompatíveis, o controle contratual se torna frágil. A Engenharia de Custos pode apoiar a decomposição dos itens em marcos, eventos ou unidades de medição compatíveis com a execução e a fiscalização.

Preço unitário sem contexto não representa necessariamente custo de execução.

Local, método, produtividade, logística, data-base e escopo precisam acompanhar a referência. O objetivo da Engenharia de Custos é preservar essa rastreabilidade.

Etapas do serviço

1. Enquadramento da finalidade e da maturidade

A primeira etapa define para que o orçamento será utilizado: viabilidade, aprovação de investimento, licitação, procurement, revisão independente, controle de CAPEX, análise de proposta ou gestão de mudanças. Também é avaliado o nível de maturidade da documentação disponível.

2. Organização da documentação e critérios

Projetos, memoriais, listas, especificações, modelos, levantamentos, cronogramas e padrões de referência são organizados. São definidos unidade de medição, estrutura da planilha, data-base, fontes, premissas e critérios de quantificação.

3. Levantamento e validação de quantitativos

Os quantitativos são extraídos, conferidos e vinculados às suas fontes. Interfaces entre disciplinas e itens auxiliares são verificados para reduzir omissões e duplicidades.

4. Formação dos custos unitários

São selecionadas ou desenvolvidas composições, analisados insumos, produtividade, mão de obra e equipamentos, e identificados itens que exigem pesquisa de mercado ou tratamento específico.

5. Custos indiretos, BDI e consolidação econômica

A estrutura é revisada para separar apropriações diretas e indiretas, incorporar BDI, Encargos Sociais e demais componentes pertinentes sem duplicidade e consolidar o orçamento sintético.

6. Curva ABC e revisão de materialidade

Itens economicamente relevantes são submetidos a verificação aprofundada. Divergências entre projeto, quantitativo, composição e preço são registradas e tratadas antes do fechamento.

7. Compatibilização com cronograma, contratação e medição

A planilha é confrontada com pacotes de contratação, cronograma, critérios de medição, entregáveis e responsabilidades para garantir que a baseline econômica represente o objeto que efetivamente será contratado.

8. Emissão, revisão e congelamento da baseline

São consolidadas planilhas, memórias, fontes, data-base, premissas, exclusões e pendências. A revisão emitida passa a ser uma referência controlada para futuras comparações e alterações.

Entregáveis

Os produtos dependem da finalidade e do nível de detalhamento contratado. A documentação deve permitir que a baseline seja revisada por outro profissional sem depender da memória de quem a elaborou.

EntregávelFinalidade
Planilha orçamentária sintéticaConsolidar serviços, unidades, quantidades, custos unitários e valores totais
Composições analíticasDemonstrar insumos, coeficientes, produtividade e formação de custos unitários
Memória de quantitativosRelacionar quantidades aos documentos e critérios utilizados
Registro de fontes e data-basePreservar origem, localidade, mês, regime e ajustes das referências
Planilha de BDIDemonstrar os componentes indiretos e critérios adotados
Curva ABCIdentificar serviços e insumos de maior relevância econômica
Mapa de pesquisa de mercadoRegistrar itens sem referência direta, cotações, equalização e metodologia
Relatório de consistênciaRegistrar divergências entre projetos, memoriais, quantitativos e orçamento
Cronograma físico-financeiroRelacionar produção física, marcos, desembolso e critérios de medição quando incluído
Baseline de custosCongelar a referência econômica aprovada para contratação ou controle
Relatório técnicoApresentar premissas, riscos, exclusões, pendências e recomendações

Níveis de estimativa e maturidade do projeto

A Engenharia de Custos precisa reconhecer que a precisão econômica cresce com a definição da engenharia. Não é adequado exigir do estudo preliminar a mesma rastreabilidade de um orçamento executivo, nem manter metodologias genéricas quando o projeto já fornece quantidades detalhadas.

EstágioBase predominanteUso típico
Conceitual / viabilidadeparâmetros, capacidades, áreas, índices e comparáveisordem de grandeza, comparação de alternativas e decisão de avanço
Anteprojeto / FEEDarquiteturas, equipamentos principais, quantitativos preliminares e pacotesCAPEX, estratégia de contratação e análise de risco
Projeto Básicoquantitativos estruturados, especificações e composições compatíveis com o objetoorçamento-base e preparação da contratação
Projeto Executivodetalhamento, listas, desenhos, métodos e interfaces consolidadasrefinamento de quantidades, planejamento de execução e controle
Execuçãobaseline contratual, medições, revisões e mudanças aprovadasforecast, aditivos, pleitos, medição e controle de variações

A conexão com FEED, Projeto Básico e Projeto Executivo permite que o orçamento evolua junto com a engenharia, em vez de ser refeito de forma desconectada a cada etapa.

Engenharia de Custos em contratações públicas

Nas contratações públicas, a baseline econômica precisa estar coerente com os documentos técnicos da fase preparatória e com o regime jurídico aplicável. A Lei nº 14.133/2021 determina que o valor estimado considere preços de mercado, bancos públicos, quantidades e peculiaridades do local de execução e, para obras e serviços de engenharia, estabelece ordem específica de referências no art. 23, §2º.

Para Estados, Distrito Federal e Municípios sem recursos da União, a própria Lei admite a utilização de outros sistemas de custos adotados pelo ente. Quando existem recursos da União ou regulamentos específicos, devem ser observadas as regras correspondentes à fonte e ao regime da contratação.

O Decreto nº 7.983/2013 permanece referência para orçamento de obras e serviços de engenharia com recursos dos Orçamentos da União, incluindo SINAPI, SICRO, BDI, responsabilidade técnica, critérios de aceitabilidade e cronograma físico-financeiro.

Em setembro de 2026, o Tribunal de Contas da União publicou a Cartilha – Engenharia de Custos de Obras Públicas – Perguntas e Respostas, que integra o conjunto de referências atuais do TCU para o tema.

Engenharia de Custos em empreendimentos privados

Em empreendimentos privados, a disciplina é aplicada à decisão de CAPEX, orçamento de aprovação, controle de budget, comparação de alternativas, contratação de pacotes, procurement, forecast e gestão de mudanças.

A estrutura pode ser organizada por Work Breakdown Structure, pacote de contratação, disciplina, centro de custo, ativo ou sistema. O importante é permitir que decisões de projeto sejam rastreadas até seus impactos econômicos e que a gestão consiga explicar por que o forecast mudou.

Quando integrada ao Procurement Técnico, a baseline ajuda a interpretar diferenças entre estimativa e mercado: mudança de especificação, condição comercial, prazo, logística, produtividade, risco, moeda, quantidade ou preço efetivamente fora de referência.

A baseline não serve apenas para aprovar o investimento. Ela precisa sobreviver à contratação.

Quando orçamento, cronograma, medição e escopo compartilham a mesma estrutura, o controle de propostas, mudanças e aditivos se torna muito mais objetivo.

Análise de propostas e equalização econômica

Uma proposta deve ser comparada com a baseline considerando mais do que o valor total. Diferenças de quantidade, composição, produtividade, mobilização, logística, BDI, condições de fornecimento e escopo podem explicar dispersões relevantes entre licitantes.

A Engenharia de Custos apoia a identificação dos itens responsáveis pelo desvio, especialmente por Curva ABC, e permite direcionar diligências ou análises adicionais para os pontos materialmente relevantes.

Esse processo se conecta ao Apoio Técnico à Licitação e Análise de Propostas de Engenharia, no qual preço, escopo, metodologia, qualificação e solução técnica são avaliados de forma integrada.

Medição, mudanças, aditivos e pleitos

Depois da contratação, a baseline econômica passa a ser referência para medição, reajuste, forecast, alterações de quantidade, inclusão ou exclusão de serviços e avaliação de impacto financeiro de mudanças.

A qualidade da documentação original é determinante. Sem memória de quantitativos, composições, data-base, fontes e premissas, torna-se difícil distinguir erro de orçamento, alteração de projeto, mudança de escopo, condição imprevista ou simples variação de preço.

A análise de aditivos precisa preservar a coerência entre escopo alterado e preço resultante. Novos serviços exigem metodologia de formação de preço compatível com o contrato e com o regime aplicável, evitando transportar composições inadequadas para itens tecnicamente diferentes.

Considerações de Engenharia

Quantitativo errado não é corrigido por preço unitário correto

Um serviço pode utilizar composição e preço perfeitamente adequados e ainda produzir orçamento distorcido se a quantidade estiver errada. Por isso, a revisão econômica começa pela engenharia e pela origem do quantitativo.

SINAPI e SICRO são referências, não substitutos do julgamento técnico

Código semelhante não significa serviço equivalente. A composição precisa ser lida em relação à especificação, unidade, produtividade, condições de execução, localidade e data-base.

Mais detalhe não compensa premissa ruim

Uma planilha com milhares de itens pode transmitir falsa segurança quando o levantamento está incompleto ou o projeto ainda contém decisões críticas em aberto. Maturidade econômica depende de maturidade técnica, não de quantidade de linhas.

BDI não deve esconder custos que precisam ser medidos

Despesas diretamente relacionadas à execução e cuja evolução precisa ser controlada podem exigir tratamento próprio. Colocar todo custo “indireto” dentro de uma taxa única pode dificultar transparência, medição e análise de alterações.

Pesquisa de mercado precisa equalizar condições

Duas cotações só são comparáveis quando contemplam escopo, impostos, frete, instalação, moeda, prazo, garantia e condições equivalentes. Registrar apenas o valor final elimina informações necessárias à futura auditoria.

Curva ABC orienta esforço, mas não elimina riscos fora da faixa A

Materialidade econômica é um critério importante de priorização, mas itens de menor valor podem ser críticos para segurança, comissionamento, funcionamento ou integração. A revisão precisa combinar impacto financeiro e importância técnica.

O orçamento precisa representar a forma de contratar

Pacote EPC, empreitada por preço unitário, contratação integrada, fornecimento com instalação ou múltiplos contratos possuem alocações de risco e estruturas econômicas distintas. A planilha não deve ser separada da estratégia contratual.

A melhor baseline é aquela que pode ser reconstruída

Outro profissional deve conseguir identificar de onde vieram quantidades, preços, índices, composições e premissas. Rastreabilidade reduz dependência de pessoas e aumenta a qualidade de revisão, atualização e controle.

Metodologia

A metodologia da A3A Engenharia combina leitura do projeto, gestão de premissas, quantificação rastreável, análise de composições, referências econômicas, materialidade, compatibilização contratual e revisão técnica proporcional ao risco.

Baseline documental antes da baseline econômica

Antes de formar o valor, são definidos documentos de referência, revisões válidas, data-base, critérios de medição, unidades e premissas. Isso reduz o risco de orçar versões diferentes do mesmo empreendimento.

Quantificação com memória

Quantidades relevantes são associadas a fonte e regra de cálculo. Quando há hipóteses ou fatores de estimativa, eles são registrados para permitir atualização posterior.

Composição coerente com o método executivo

A escolha de composição considera forma real de execução, produtividade, recursos e condições locais. Adaptações são documentadas e itens especiais recebem metodologia própria quando necessário.

Revisão por materialidade e risco

Curva ABC, interfaces críticas, itens sem referência e serviços de alta incerteza recebem prioridade de verificação. O esforço de QA/QC é dirigido para onde um erro possui maior consequência.

Compatibilização com contratação e medição

A planilha é confrontada com escopo, pacotes, cronograma, critérios de pagamento e responsabilidades. O objetivo é evitar orçamento tecnicamente correto, mas contratualmente inutilizável.

Controle de revisão e atualização

Alterações posteriores devem ser comparadas à baseline aprovada, preservando histórico de quantidade, preço, data-base e premissa. Assim é possível explicar economicamente a evolução do empreendimento.

Modelos de contratação do serviço

ModeloAplicação
Elaboração completaConstrução da baseline de custos a partir da documentação técnica disponível
Revisão independenteValidação de orçamento desenvolvido por projetista, construtora ou terceiro
Gap assessmentIdentificação de lacunas antes de consolidar orçamento de contratação
Atualização de baselineRevisão de quantidades, data-base e custos após evolução do projeto
Engenharia de Custos para procurementReferência para consultas, equalização e negociação técnica
Apoio à análise de propostasComparação econômica de licitantes e investigação de desvios relevantes
Controle durante execuçãoForecast, medição, mudanças, aditivos e análise de impacto

Aplicações e ambientes

A Engenharia de Custos é aplicável a empreendimentos públicos e privados em diferentes escalas, desde serviços especializados até programas multidisciplinares de implantação e modernização.

  • obras civis e edificações;
  • instalações elétricas, subestações, SPDA e energia crítica;
  • Data Centers e infraestrutura de missão crítica;
  • telecomunicações, cabeamento, redes e sistemas de TI;
  • segurança eletrônica, automação e sistemas integrados;
  • infraestrutura industrial, utilidades e retrofit;
  • transportes, logística e infraestrutura urbana;
  • saneamento e instalações operacionais;
  • contratações públicas sob a Lei nº 14.133/2021;
  • empreendimentos privados com controle de CAPEX, procurement e forecast.

Normas, legislação e referências técnicas

A base aplicável varia conforme o empreendimento, a origem dos recursos e o regime da contratação. Entre as referências centrais para Engenharia de Custos no contexto brasileiro estão:

A utilização de uma referência deve considerar sua aplicabilidade ao caso concreto. Sistema de custos, tabela ou jurisprudência não deve ser reproduzido de forma automática sem verificar regime, localidade, data, escopo, fonte de recursos e condições reais de execução.

O que precisamos para dimensionar o trabalho

O esforço depende do estágio da engenharia, quantidade de disciplinas, volume de documentos, número de itens, existência de modelos BIM ou levantamentos, fontes requeridas, necessidade de pesquisa de mercado e prazo disponível.

  • projetos, memoriais e especificações vigentes;
  • listas de materiais e equipamentos;
  • modelos BIM, quando existentes;
  • levantamentos cadastrais e documentação de campo;
  • planilha orçamentária existente, quando houver;
  • cronograma e estratégia de contratação;
  • critérios de medição e condições contratuais conhecidas;
  • data-base e sistemas referenciais requeridos;
  • informação sobre finalidade da estimativa e nível de precisão esperado.

Custo confiável nasce da conexão entre projeto, quantidade, método, referência e rastreabilidade.

A A3A Engenharia pode estruturar, revisar ou atualizar a baseline de custos e conectá-la ao planejamento da contratação, Procurement Técnico, análise de propostas e controle da execução. Converse com o Departamento de Engenharia.