Entenda como estruturar a pesquisa de preços e o orçamento estimado de obras e serviços de engenharia pela Lei 14.133, com SINAPI, SICRO e referências de mercado.

Confira!

A pesquisa de preços para obras e serviços de engenharia na Lei 14.133 não deve ser tratada como uma simples coleta de três cotações de fornecedores. Para objetos de engenharia, o valor estimado precisa nascer da definição técnica do objeto, dos quantitativos, das composições de custos e dos sistemas referenciais aplicáveis, especialmente SINAPI para a maior parte das obras e serviços de engenharia e SICRO para infraestrutura de transportes. Quando determinados itens não puderem ser adequadamente representados por esses sistemas, outras fontes admitidas podem complementar a formação do orçamento, desde que haja rastreabilidade, comparabilidade e justificativa técnica.

Essa distinção é decisiva. Uma cotação comercial pode ajudar a precificar um equipamento específico, uma solução proprietária ou um item sem composição aderente. Ela não substitui, porém, a engenharia de custos necessária para demonstrar como o valor estimado do empreendimento foi formado. Em contratação pública, o orçamento precisa permitir controle de preço, análise de exequibilidade, avaliação de propostas, gestão de aditivos e acompanhamento da execução.

Pesquisa de preços e orçamento estimado não são sinônimos de pedir cotações

O art. 23 da Lei 14.133 estabelece que o valor previamente estimado da contratação deve ser compatível com os valores praticados pelo mercado. Para obras e serviços de engenharia, o § 2º organiza parâmetros específicos de formação desse valor, começando por sistemas referenciais de custos.

Na prática, a expressão “pesquisa de preços” costuma ser usada de forma ampla para todo o processo de obtenção de referências. Tecnicamente, porém, uma contratação de engenharia exige mais do que coletar números: é necessário vincular cada referência a uma descrição de serviço, unidade de medida, quantitativo, produtividade, especificação, local, data-base e condição de fornecimento ou execução.

É por isso que um orçamento tecnicamente defensável depende da maturidade do projeto. O artigo sobre Projeto Básico de Engenharia mostra como quantitativos e definições incompletas se transformam diretamente em incerteza orçamentária.

Quando o objeto ainda está pouco definido, a Administração pode ter um número aparente, mas não necessariamente um orçamento confiável. A qualidade da estimativa depende da qualidade da informação de engenharia que a sustenta.

O que a Lei 14.133 determina para obras e serviços de engenharia

Para obras e serviços de engenharia, a Lei 14.133 estabelece uma lógica própria. O parâmetro primário é a composição de custos unitários menores ou iguais à mediana do item correspondente no SICRO, para infraestrutura de transportes, ou no SINAPI, para as demais obras e serviços de engenharia.

A legislação também admite, na sequência, outras fontes:

  • dados de pesquisa publicada em mídia especializada;
  • tabela de referência formalmente aprovada pelo Poder Executivo federal;
  • sítios eletrônicos especializados ou de domínio amplo, com registro de data e hora de acesso;
  • contratações similares realizadas pela Administração Pública, observada a atualização correspondente;
  • base nacional de notas fiscais eletrônicas, na forma regulamentada.

Isso não significa que todas as fontes tenham de ser usadas em todos os itens. Significa que a equipe deve selecionar a fonte tecnicamente aderente, documentar o método e explicar exceções relevantes.

Para a Administração Pública federal, a Instrução Normativa SEGES/ME nº 91/2022 autorizou a aplicação do Decreto nº 7.983/2013, no que couber, à definição do valor estimado de obras e serviços de engenharia sob a Lei 14.133.

SINAPI: referência principal para grande parte das obras e serviços de engenharia

O SINAPI estrutura composições de custos e insumos utilizados como referência para construção civil. Seu emprego permite que a Administração parta de uma base padronizada, atualizada e auditável.

Isso não elimina a necessidade de engenharia. Uma composição SINAPI só é adequada quando o serviço orçado é tecnicamente comparável ao serviço previsto no projeto. O código correto não deve ser escolhido por similaridade de nome, mas pela correspondência de escopo, materiais, mão de obra, equipamentos, produtividade e unidade de medição.

Em um orçamento real, a equipe precisa verificar pelo menos:

  • descrição e abrangência da composição;
  • unidade de medição;
  • premissas de produtividade;
  • materiais e equipamentos incluídos;
  • encargos sociais aplicáveis;
  • data-base;
  • localização ou referência regional;
  • itens não contemplados pela composição;
  • necessidade de composição própria ou adaptada.

Um erro comum é tratar o SINAPI como tabela de preços pronta. Ele é, na realidade, um sistema de referência de custos que precisa ser aplicado ao projeto concreto.

SICRO: referência para infraestrutura de transportes

O SICRO cumpre função equivalente para serviços e obras de infraestrutura de transportes. O sistema é particularmente relevante em rodovias e outras intervenções cuja estrutura de custos depende intensamente de equipamentos, transporte, produção, distâncias e condições operacionais.

Em projetos dessa natureza, utilizar uma referência genérica de construção civil quando existe composição SICRO aplicável pode distorcer produtividades, custos de equipamentos e parâmetros logísticos.

A seleção entre SINAPI, SICRO e outras referências deve, portanto, decorrer da natureza do serviço, não da conveniência de um determinado preço.

Quando é necessário realizar pesquisa de mercado

Nem todo item de engenharia possui composição plenamente aderente nos sistemas referenciais. Isso ocorre com frequência em:

  • equipamentos especiais;
  • sistemas proprietários;
  • automação e integração;
  • componentes de segurança eletrônica;
  • equipamentos eletromecânicos específicos;
  • licenças de software associadas a sistemas;
  • soluções importadas;
  • materiais de aplicação muito específica;
  • serviços especializados com baixa padronização.

Nessas situações, a pesquisa de mercado passa a ser uma fonte importante. O ponto crítico é assegurar comparabilidade.

Três propostas de itens diferentes não formam uma referência válida apenas porque apresentam três valores. É necessário equalizar escopo, especificação, acessórios, instalação, frete, impostos, garantia, comissionamento, licenças, treinamento e demais condições que afetem o preço.

Essa equalização é uma atividade de engenharia e procurement técnico, não apenas de coleta administrativa.

Como tratar equipamentos e sistemas especiais no orçamento

Itens especiais e sistemas tecnológicos exigem equalização técnica de propostas. Comparar valores sem equalizar escopo, acessórios, licenças, instalação e garantia produz uma falsa referência de mercado.

Veja como estruturamos requisitos de engenharia

Contratações de sistemas tecnológicos apresentam um problema recorrente: parte do objeto é formada por serviços de instalação e infraestrutura, enquanto outra parte depende de equipamentos de mercado com elevada variação de configuração.

Uma câmera IP, um switch industrial, um UPS, um servidor, um painel de automação ou um equipamento de proteção pode variar significativamente de preço conforme desempenho, acessórios, redundância, suporte e licenciamento.

Nesses casos, a especificação de engenharia precisa anteceder a cotação. A sequência tecnicamente adequada é:

  1. definir requisitos funcionais e de desempenho;
  2. identificar características mínimas verificáveis;
  3. definir acessórios e componentes necessários à operação;
  4. separar fornecimento, instalação, configuração e serviços associados;
  5. buscar referências de mercado comparáveis;
  6. equalizar comercial e tecnicamente as referências;
  7. documentar premissas, data-base e condições de aquisição.

Sem essa sequência, o orçamento corre o risco de comparar soluções incomparáveis.

O orçamento deve ser compatível com o projeto

O orçamento estimado é tão confiável quanto o projeto, os quantitativos e as premissas que o sustentam. Antes de ampliar a pesquisa de preços, vale verificar se o objeto já está suficientemente definido para ser precificado.

Conheça o serviço de Projeto Básico de Engenharia

O orçamento não é um documento independente do projeto. Ele representa economicamente uma solução técnica.

Se a planilha possui serviços que não aparecem nos desenhos ou memoriais, existe desalinhamento. Se o projeto prevê equipamentos que não aparecem no orçamento, também existe uma lacuna. Se os quantitativos do orçamento não correspondem ao levantamento e aos documentos técnicos, o valor global perde confiabilidade.

Por isso, uma revisão de orçamento deve cruzar:

Documento técnicoVerificação orçamentária
Programa de Necessidadesse o orçamento cobre os resultados e capacidades requeridos
Projeto Básicose todos os sistemas e serviços definidos foram quantificados
Memoriaisse materiais, métodos e padrões estão representados
Plantas e diagramasse os quantitativos correspondem ao projeto
Especificaçõesse as referências de preço são tecnicamente equivalentes
Cronogramase mobilização, etapas e custos indiretos são coerentes
Matriz de riscosse riscos relevantes afetam preço ou contingência

A Matriz de Alocação de Riscos também influencia a formação econômica do contrato porque responsabilidades transferidas ao contratado podem produzir custos de contingência e prêmio de risco.

Orçamento sintético e orçamento analítico

O orçamento sintético apresenta os serviços, unidades, quantitativos, preços unitários e totais. O analítico detalha as composições que formam esses preços.

A diferença é explorada em profundidade no conteúdo sobre orçamento sintético e orçamento analítico.

Para controle técnico, não basta conhecer o preço global. É necessário entender a estrutura que o produziu. Essa estrutura é o que permite identificar:

  • itens relevantes;
  • produtividades incompatíveis;
  • insumos fora da realidade;
  • duplicidades;
  • omissões;
  • BDI inadequado;
  • preços unitários materialmente elevados ou reduzidos;
  • riscos de jogo de planilha.

BDI e encargos não podem ser tratados como ajuste residual

O BDI em obras e serviços de engenharia deve refletir componentes indiretos coerentes com o empreendimento e com o regime de contratação.

Aplicar um percentual sem memória de composição prejudica a transparência do orçamento. Administração central, riscos, seguros, garantias, tributos e lucro possuem natureza distinta e precisam ser tratados de forma compatível com a contratação.

Equipamentos de fornecimento relevante também podem exigir tratamento diferente de BDI quando a legislação e a estrutura do contrato assim indicarem.

Curva ABC ajuda a concentrar a diligência onde o risco financeiro é maior

Nem todos os itens da planilha possuem o mesmo impacto. A Curva ABC permite identificar parcelas que concentram a maior parte do custo total.

Na revisão do orçamento, essa classificação ajuda a direcionar diligência para itens que podem alterar materialmente o valor estimado. Itens de classe A merecem verificação aprofundada de quantitativos, composições, especificações, produtividade e referências de preço.

Isso não significa ignorar itens menores. Significa aplicar esforço de engenharia proporcional ao impacto econômico.

O que fazer quando SINAPI ou SICRO não representam corretamente o serviço

A ausência de composição aderente não autoriza escolher qualquer referência. A equipe deve construir uma trilha documental que explique por que o sistema principal não atende e como o novo valor foi obtido.

Uma composição própria pode ser necessária quando o serviço combina recursos de modo específico. Nesse caso, a memória deve identificar:

  • mão de obra;
  • materiais;
  • equipamentos;
  • produtividade;
  • perdas;
  • transportes;
  • encargos;
  • premissas de execução.

Para equipamentos, a pesquisa de mercado deve registrar modelos ou requisitos comparáveis e condições comerciais.

O resultado deve permitir que outro profissional revise o cálculo e reproduza o raciocínio.

Pesquisa de preços não corrige escopo mal definido

Quando a contratação ainda está em fase de definição da solução, a estimativa precisa ser coerente com o ETP e com o nível real de maturidade técnica do objeto.

Estudo Técnico Preliminar de Engenharia

Um processo pode reunir muitas cotações e ainda assim produzir um orçamento ruim. Isso ocorre quando o objeto permanece indefinido.

Se cada fornecedor recebe uma interpretação diferente do escopo, cada preço representa um objeto distinto. A média desses valores não produz precisão; apenas combina diferenças técnicas dentro de um único número.

Antes da pesquisa, é necessário consolidar requisitos. O Programa de Necessidades em Engenharia ajuda a transformar expectativas em requisitos rastreáveis, enquanto o ETP para obras e serviços de engenharia organiza a análise da solução e sua viabilidade.

Contratação integrada e semi-integrada exigem atenção adicional

Na contratação integrada e semi-integrada, o nível de desenvolvimento do projeto pode ser diferente daquele encontrado em uma contratação convencional. A Lei 14.133 admite, em determinadas parcelas, metodologias expeditas ou paramétricas quando o anteprojeto ainda não permite detalhamento suficiente.

Isso não deve ser interpretado como autorização para estimativas arbitrárias. A metodologia precisa ser compatível com o nível de informação disponível e separar parcelas detalhadas de parcelas ainda paramétricas.

O conteúdo sobre Contratação Integrada e Semi-integrada detalha essa relação entre anteprojeto, Projeto Básico, orçamento e risco.

Como estruturar uma memória de pesquisa de preços de engenharia

Uma memória robusta deve permitir compreender não apenas quanto custa, mas por que aquele valor foi adotado.

Uma estrutura prática inclui:

  1. identificação do objeto e documentos de projeto utilizados;
  2. data-base do orçamento;
  3. localização e condições de execução;
  4. sistemas referenciais adotados;
  5. composições utilizadas e eventuais adaptações;
  6. itens sem referência direta e justificativa da metodologia alternativa;
  7. pesquisas de mercado e critérios de equalização;
  8. quantitativos e memória de levantamento;
  9. BDI, encargos sociais e demais fatores econômicos;
  10. Curva ABC e análise dos itens materialmente relevantes;
  11. premissas, exclusões e contingências;
  12. responsabilidade técnica e revisão.

O objetivo é deixar uma cadeia verificável entre projeto, quantidade, referência e preço.

Um exemplo de fluxo técnico

Considere a contratação de modernização de uma infraestrutura predial com elétrica, cabeamento, segurança eletrônica, automação e adequações civis.

Os serviços civis e parte das instalações podem ser orçados com composições SINAPI. Equipamentos de segurança, switches, servidores, controladores e licenças podem exigir pesquisa de mercado. Serviços de integração podem demandar composição própria ou referência especializada.

A equipe não deve misturar essas fontes sem método. Primeiro classifica os itens; depois define a fonte adequada; por fim consolida tudo em uma mesma data-base e estrutura orçamentária.

Fluxo técnico para formação do orçamento estimado de engenharia

SINAPI

SICRO

Não

Objeto e projeto definidos

Quantitativos e serviços

Há referência aderente?

Aplicar composição SINAPI

Aplicar composição SICRO

Composição própria ou pesquisa de mercado

Equalizar data-base e condições

BDI e encargos

Curva ABC e revisão

Orçamento estimado rastreável

Fluxo técnico para formação do orçamento estimado de engenharia

Erros frequentes na pesquisa de preços de engenharia

Solicitar três cotações antes de definir o objeto

Esse procedimento produz propostas heterogêneas e impede comparação adequada.

Usar um item semelhante do SINAPI apenas pelo nome

A composição precisa representar tecnicamente o serviço, não apenas possuir descrição parecida.

Ignorar diferenças de data-base e região

Comparar preços de períodos e localidades diferentes sem tratamento produz distorções.

Orçar equipamento sem acessórios e serviços necessários

O preço do equipamento isolado pode representar apenas parte do custo de implantação.

Aplicar BDI sem memória

O percentual deve ser tecnicamente justificado e compatível com o objeto.

Não revisar quantitativos

Um preço unitário correto multiplicado por um quantitativo incorreto continua produzindo um orçamento incorreto.

Confundir pesquisa de mercado com levantamento de mercado do ETP

No ETP, o levantamento de mercado serve para avaliar alternativas e soluções disponíveis. Na formação do orçamento, a pesquisa busca referências econômicas para um objeto tecnicamente definido.

Como a Engenharia Consultiva apoia a formação do valor estimado

A participação da Engenharia Consultiva agrega valor quando o contratante precisa transformar documentos dispersos, projetos em diferentes níveis de maturidade e referências heterogêneas em um orçamento auditável.

O trabalho pode envolver:

  • revisão de escopo;
  • verificação de quantitativos;
  • análise de composições;
  • equalização técnica de cotações;
  • construção de composições próprias;
  • análise de BDI;
  • Curva ABC;
  • verificação de coerência com cronograma e matriz de riscos;
  • revisão da documentação que integrará a contratação.

Isso é especialmente relevante em objetos multidisciplinares e sistemas tecnológicos, onde grande parte dos itens não se comporta como construção civil convencional.

O que exigir de uma pesquisa de preços tecnicamente defensável

Ao revisar o processo, algumas perguntas ajudam a testar a qualidade da estimativa:

  • O escopo está definido em nível suficiente para ser precificado?
  • Os quantitativos possuem memória verificável?
  • Cada preço está associado a uma fonte compatível com o serviço?
  • SINAPI ou SICRO foram usados quando aplicáveis?
  • As exceções estão justificadas?
  • Cotações de mercado foram equalizadas tecnicamente?
  • Data-base e localização foram consideradas?
  • BDI e encargos possuem memória?
  • Itens de maior impacto foram revisados com maior profundidade?
  • O orçamento conversa com projeto, cronograma e riscos?

Se essas respostas não puderem ser demonstradas documentalmente, existe fragilidade na estimativa.

Considerações finais

Pesquisa de preços em Engenharia não deve ser reduzida a uma formalidade de instrução do processo. O valor estimado é um produto técnico que depende do projeto, dos quantitativos, das composições, das referências de mercado e da análise das condições reais de execução.

A Lei 14.133 estabelece uma hierarquia e parâmetros próprios para obras e serviços de engenharia. Aplicá-los corretamente exige integrar Engenharia de Custos, planejamento da contratação e documentação técnica.

Quando esse trabalho é bem executado, o orçamento deixa de ser apenas um valor de referência e passa a funcionar como instrumento de governança: melhora a qualidade da licitação, apoia a avaliação das propostas, reduz assimetrias e cria uma base mais consistente para medição, controle e eventuais alterações contratuais.

Uma revisão independente do orçamento ajuda a identificar quantitativos frágeis, composições inadequadas e itens materialmente relevantes antes da licitação.

Guia Completo sobre Engenharia Consultiva

Referências técnicas

[1] BRASIL. Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021. Lei de Licitações e Contratos Administrativos. Art. 23 e dispositivos correlatos. Disponível em: https://planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14133.htm

[2] BRASIL. Ministério da Economia. Instrução Normativa SEGES/ME nº 91, de 16 de dezembro de 2022. Estabelece regras para definição do valor estimado de obras e serviços de engenharia. Disponível em: https://www.gov.br/compras/pt-br/acesso-a-informacao/legislacao/instrucoes-normativas/instrucao-normativa-seges-me-no-91-de-16-de-dezembro-de-2022

[3] BRASIL. Decreto nº 7.983, de 8 de abril de 2013. Estabelece regras e critérios para elaboração do orçamento de referência de obras e serviços de engenharia. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/decreto/d7983.htm

[4] CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. SINAPI — Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil. Disponível em: https://www.caixa.gov.br/poder-publico/modernizacao-gestao/sinapi/Paginas/default.aspx

Perguntas frequentes
Pesquisa de preços para obras pode ser feita apenas com três cotações?

Não como regra técnica. Para obras e serviços de engenharia, a Lei 14.133 estabelece parâmetros específicos de formação do valor estimado, com destaque para SICRO e SINAPI. Cotações de mercado podem complementar a estimativa em itens sem referência adequada, desde que sejam tecnicamente comparáveis e documentadas.

Quando usar SINAPI e quando usar SICRO?

O SICRO é a referência legal prioritária para serviços e obras de infraestrutura de transportes. O SINAPI é a referência prioritária para as demais obras e serviços de engenharia, sem prejuízo de justificativas e fontes complementares quando não houver composição aderente.

É possível usar pesquisa de mercado para equipamentos especiais?

Sim. Equipamentos, sistemas proprietários e itens sem composição referencial aderente podem exigir pesquisa de mercado. A equipe deve equalizar especificações, acessórios, frete, garantia, instalação, licenças e demais condições que afetem o preço.

O orçamento de engenharia precisa ter responsabilidade técnica?

A formação e revisão de orçamento de referência envolve conteúdo técnico de engenharia. O Decreto 7.983/2013 prevê responsabilidade técnica pelas planilhas orçamentárias no âmbito de sua aplicação, além da necessidade geral de que quantitativos, composições e premissas sejam elaborados e revisados por profissionais competentes.

Qual a diferença entre pesquisa de preços e levantamento de mercado do ETP?

O levantamento de mercado do ETP compara alternativas e soluções possíveis para atender à necessidade. A pesquisa de preços e a formação do orçamento estimado buscam referências econômicas para precificar um objeto ou solução já suficientemente definido.

Como saber se uma pesquisa de preços está bem documentada?

Ela deve permitir rastrear cada parcela relevante do valor até o projeto, quantitativo, composição ou fonte de mercado correspondente, com data-base, condições de execução, BDI, encargos, justificativas de exceções e memória de cálculo.

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