Entenda o que é o SICRO, como o sistema do DNIT forma custos referenciais, como funcionam composições, FIC, FIT, transportes e quando utilizá-lo em orçamentos de infraestrutura.

Confira!

O SICRO — Sistema de Custos Referenciais de Obras é o sistema mantido pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para estabelecer referências de custos aplicáveis, principalmente, a obras e serviços de infraestrutura de transportes. Ele reúne composições de custos, preços referenciais de insumos, parâmetros de mão de obra e equipamentos, produtividades e metodologias próprias para elementos como transporte, influência de chuvas, interferência de tráfego, canteiro, administração local, mobilização e desmobilização.

Por isso, o SICRO não deve ser entendido apenas como uma tabela de preços. Um relatório com códigos e custos unitários é somente uma das saídas de um sistema metodológico mais amplo. Para utilizar uma composição de forma tecnicamente consistente, é necessário compreender o serviço que ela representa, o procedimento executivo considerado, a produtividade da equipe, os insumos, a localização, a data-base, as condições logísticas e as particularidades do projeto.

Em orçamentos de obras públicas, o SICRO também possui papel normativo relevante. Para obras e serviços de infraestrutura de transportes contratados com recursos da União, a legislação federal o estabelece como referência para a definição dos custos unitários. Mesmo nesses casos, porém, utilizar o sistema não significa copiar custos sem análise: o próprio Manual de Custos do DNIT trata o sistema de referência como ponto de partida para decisões de Engenharia de Custos e ressalta a necessidade de incorporar as condições reais do empreendimento.

O que é o SICRO

SICRO significa Sistema de Custos Referenciais de Obras. O sistema é desenvolvido e mantido pelo DNIT e consolida décadas de evolução metodológica na formação de custos para infraestrutura de transportes.

Sua finalidade não se restringe a informar quanto custa determinado material ou serviço. O SICRO busca representar como um serviço é executado e quais recursos são necessários para produzi-lo, permitindo que o custo seja modelado a partir de equipamentos, mão de obra, materiais, atividades auxiliares, transportes e produtividade.

O que significa Sistema de Custos Referenciais de Obras

A palavra referencial é central para compreender o SICRO. Os valores publicados constituem parâmetros estruturados segundo premissas e metodologias próprias do sistema. Eles não representam, por definição, o preço comercial final que será necessariamente praticado em qualquer obra.

O custo real de uma contratação pode ser influenciado por localização, escala, logística, disponibilidade de fornecedores, método executivo, condições de pagamento, produtividade, especificações e condições específicas do projeto. Portanto, a referência técnica precisa ser confrontada com o caso concreto.

Essa lógica é a mesma que orienta uma boa prática de Engenharia de Custos: um número somente é útil quando se conhece sua origem, sua data-base, sua abrangência e as premissas utilizadas em sua formação.

Quem mantém o SICRO

O SICRO é mantido pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes — DNIT, por meio da estrutura responsável pelos custos referenciais de infraestrutura de transportes.

O DNIT publica os relatórios do sistema, mantém os manuais metodológicos, divulga notas revisionais e atualizações e disponibiliza Cadernos Técnicos e Produções de Equipes Mecânicas — PEMs para apoiar a interpretação das composições.

Para que o sistema foi criado

A necessidade de referências de custos para infraestrutura de transportes decorre de um problema de engenharia particularmente complexo: obras rodoviárias, ferroviárias e aquaviárias podem ocorrer em regiões muito distintas, com diferenças relevantes de logística, clima, disponibilidade de insumos, produtividade, distâncias de transporte e condições de execução.

Um sistema nacional de custos precisa, portanto, fornecer um paradigma comum, mas ao mesmo tempo permitir que o orçamento incorpore as singularidades do empreendimento.

Por que o SICRO é mais do que uma tabela de preços

A tabela é apenas a camada visível de um conjunto mais amplo. Por trás de um custo unitário SICRO existem premissas relacionadas a:

  • equipamentos e seus custos horários;
  • categorias profissionais e encargos;
  • materiais;
  • atividades auxiliares;
  • produtividade da equipe;
  • transporte;
  • procedimento executivo;
  • fatores climáticos e operacionais;
  • critérios de canteiro, administração local e mobilização;
  • BDI e formação do preço de referência.

A leitura isolada do valor final da composição elimina justamente as informações que explicam por que aquele custo existe.

Um sistema de custos deve funcionar como ponto de partida para decisões de engenharia. Aplicar uma referência sem verificar projeto, logística, produtividade e condições locais pode produzir um orçamento formalmente organizado, mas tecnicamente pouco aderente.

Guia Completo sobre Engenharia de Custos e Orçamentação

Como surgiu o SICRO

A evolução histórica do SICRO ajuda a compreender por que o sistema atual possui uma estrutura metodológica tão ampla. O Manual de Custos de 2025 registra que a formação de referências de custos no antigo DNER antecede em muitas décadas o sistema atual.

As primeiras referências de custos do antigo DNER

Segundo o histórico consolidado pelo DNIT, as primeiras tabelas referenciais remontam à década de 1940. Na década de 1970, a utilização de composições de custos para modelar serviços de engenharia representou um avanço importante, porque permitiu deixar de observar apenas preços agregados e passar a estruturar o custo a partir dos recursos necessários à execução.

Sicro 1 e a regionalização dos custos

Com o desenvolvimento do Sistema de Custos Rodoviários, a pesquisa de preços passou por processo de regionalização. Essa evolução era necessária porque uma referência nacional única teria baixa capacidade de representar as diferenças econômicas e logísticas entre as Unidades da Federação.

Sicro 2 e a modernização da metodologia

O Sicro 2 marcou nova etapa de desenvolvimento das referências rodoviárias, incorporando melhorias metodológicas e acompanhando mudanças tecnológicas nos equipamentos, na construção e nos próprios processos de orçamento.

Desenvolvimento do atual SICRO

A expansão da atuação do DNIT e a necessidade de tratar outros modos de transporte, além do aumento da complexidade das obras, impulsionaram o desenvolvimento de um sistema mais abrangente. O projeto que originaria o SICRO atual começou ainda nos anos 2000 e passou por processos de revisão e validação antes da implantação definitiva.

Implantação do SICRO em 2017

O SICRO atual foi implantado em 2017, acompanhado da primeira edição do Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes e da divulgação estruturada de relatórios sintéticos, analíticos e produções de equipes.

Segunda edição do Manual de Custos em 2025

Em 2025, o DNIT publicou a segunda edição do Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes, consolidando as melhorias implementadas ao longo dos anos seguintes à implantação. A nova edição reorganizou a documentação em oito volumes e atualizou metodologias, incluindo FIC, FIT, canteiro e administração local.

MarcoEvolução principal
Primeiras tabelas referenciaisformação de parâmetros de preços para obras rodoviárias
Manual de composiçõesestruturação dos serviços por recursos e produtividade
Sicro 1ampliação e regionalização das referências
Sicro 2modernização dos modelos de custos rodoviários
SICRO — 2017sistema ampliado de custos referenciais de infraestrutura
Manual — 2025segunda edição e consolidação das metodologias atuais

Qual é o papel legal do SICRO nos orçamentos públicos

Além de sua função técnica, o SICRO possui papel formal na elaboração de orçamentos públicos. Essa função precisa ser entendida com precisão para evitar duas interpretações equivocadas: a de que o SICRO pode ser ignorado em qualquer contratação de infraestrutura de transportes e a de que sua adoção elimina a necessidade de Engenharia de Custos.

SICRO na Lei 14.133/2021

A Lei nº 14.133/2021 estabelece parâmetros para definição do valor estimado das contratações de obras e serviços de engenharia. Para serviços e obras de infraestrutura de transportes, o dispositivo legal utiliza o SICRO como referência; para as demais obras e serviços de engenharia, utiliza o SINAPI como parâmetro prioritário no âmbito previsto pela lei.

Essa distinção explica por que SINAPI e SICRO são sistemas complementares dentro do ambiente de custos públicos, e não bases concorrentes destinadas exatamente aos mesmos objetos.

SICRO e o Decreto 7.983/2013

O Decreto nº 7.983/2013 já estabelecia critérios para elaboração de orçamentos de referência de obras e serviços de engenharia executados com recursos da União e atribuía ao SICRO papel específico para infraestrutura de transportes.

O decreto também é relevante porque admite que as composições referenciais sejam ajustadas quando as especificidades locais ou de projeto exigirem tratamento distinto, desde que o ajuste esteja tecnicamente demonstrado. Isso reforça a natureza referencial, e não automática, do sistema.

Obras e serviços de infraestrutura de transportes

O enquadramento do SICRO decorre da natureza do objeto. Infraestrutura de transportes envolve condições executivas específicas: grandes distâncias, movimentação de materiais, equipamentos pesados, frentes móveis, influência climática, interferência de tráfego, instalações temporárias e logística de mobilização.

O sistema foi desenvolvido justamente para modelar essas particularidades.

Contratações com recursos da União

Quando a obra ou o serviço de infraestrutura de transportes utiliza recursos da União, o SICRO ocupa posição central na definição dos custos referenciais, observadas as regras legais e as hipóteses de utilização de outras fontes quando os custos do sistema não forem aplicáveis.

Estados, Distrito Federal e Municípios

A Lei nº 14.133/2021 também admite, nas situações previstas, a utilização de outros sistemas de custos adotados pelos entes federativos. Portanto, a existência do SICRO não significa que qualquer orçamento de infraestrutura, em qualquer esfera e contexto, deva ser elaborado exclusivamente com sua base.

O enquadramento jurídico deve sempre considerar origem dos recursos, regime da contratação e legislação aplicável.

Que tipos de obra o SICRO referencia

Embora seja historicamente associado a rodovias, o SICRO atual é mais abrangente. O próprio Manual de Custos de 2025 identifica sua aplicação à infraestrutura rodoviária, ferroviária e aquaviária.

É importante separar o SICRO de outro referencial mantido pelo próprio DNIT: a Tabela de Preços de Consultoria. Ela integra a estrutura de custos referenciais do DNIT, mas é organizada separadamente do SICRO e atende especificamente à formação de referências para serviços de Engenharia Consultiva.

Infraestrutura rodoviária

É o campo historicamente mais associado ao sistema e inclui construção, duplicação, restauração, conservação, pavimentação, drenagem, sinalização, terraplenagem e diversos serviços correlatos.

Infraestrutura ferroviária

O sistema também contempla serviços aplicáveis a obras ferroviárias, cujo orçamento pode envolver terraplenagem, superestrutura, obras de arte, drenagem, equipamentos e outras atividades específicas.

Infraestrutura aquaviária

A ampliação metodológica do DNIT incorporou também referências relacionadas ao modo aquaviário, inclusive serviços e equipamentos cuja dinâmica de produção difere significativamente das obras terrestres.

Obras de arte especiais

Pontes, viadutos e estruturas especiais exigem composições próprias e forte aderência às características do projeto. Nesses casos, a simples seleção de uma composição pelo nome é insuficiente: especificação, método executivo, produtividade e logística precisam ser compatíveis.

Conservação, restauração e manutenção

Obras executadas em infraestrutura existente apresentam condições particulares, especialmente quando há operação simultânea da via. Isso explica a importância de elementos metodológicos como o Fator de Interferência de Tráfego — FIT.

Obras complementares e serviços associados

O orçamento pode reunir também canteiros, mobilização, sinalização provisória, transportes, controle tecnológico, administração local e outras estruturas necessárias à execução do objeto.

Como o SICRO está estruturado

A segunda edição do Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes, publicada em 2025, organiza as principais metodologias do SICRO em oito volumes. Essa organização demonstra que o sistema não deve ser reduzido aos relatórios periódicos de custos.

VolumeTemaRelação com o orçamento
01Metodologia e Conceitosestrutura conceitual, composições, BDI e diretrizes de uso
02Mão de Obrasalários, encargos e categorias profissionais
03Preços Referenciaispesquisa, tratamento e formação dos preços dos insumos
04Fator de Influência de Chuvas — FICimpacto econômico das paralisações associadas à chuva
05Fator de Interferência de Tráfego — FITefeito do tráfego sobre a logística e o transporte
06Canteiro de Obrasdimensionamento das instalações temporárias
07Administração Localrecursos técnicos e administrativos necessários à condução da obra
08Mobilização e Desmobilizaçãotransporte de recursos para o empreendimento e retorno às origens

Além dos manuais, o DNIT disponibiliza Cadernos Técnicos, Produções de Equipes Mecânicas — PEMs, relatórios de custos, notas revisionais, normativos e outros documentos que complementam a interpretação das composições.

Como o SICRO transforma um serviço de engenharia em custo

A lógica fundamental do SICRO é decompor o serviço de engenharia nos recursos e condições necessários à sua execução. Em vez de tratar o custo como um número abstrato, a metodologia procura representar uma forma de produção.

Serviço de engenharia

O ponto de partida é o serviço definido pelo projeto e pelas especificações. Um mesmo resultado físico pode ser obtido por métodos executivos diferentes, e essa diferença pode alterar equipamentos, mão de obra, produtividade e custos.

Composição de custos

A composição apresenta qualitativa e quantitativamente os recursos necessários à execução de uma unidade do serviço. É nela que a Engenharia de Custos conecta procedimento executivo e precificação.

Insumos

Os insumos representam os elementos mais básicos utilizados pelas composições, como equipamentos, categorias de mão de obra e materiais.

Produção da equipe

Em muitos serviços de infraestrutura, especialmente os mecanizados, a produtividade da equipe é determinante. O custo horário dos recursos precisa ser relacionado à quantidade de serviço que a equipe consegue produzir no mesmo período.

Custo unitário do serviço

O custo unitário resulta da apropriação dos recursos necessários para produzir uma unidade de serviço. Uma composição corretamente interpretada mostra não apenas o valor, mas a estrutura que originou esse valor.

Custo unitário de referência

O Manual de 2025 distingue o custo divulgado pelo sistema do custo unitário de referência aplicado ao orçamento concreto. O segundo precisa incorporar, quando cabível, pesquisa local de preços, transporte, parâmetros de projeto, FIC, FIT e demais condições do empreendimento.

Quantitativo de projeto

O custo unitário somente se transforma em custo total quando é associado ao quantitativo do projeto. Erros de levantamento quantitativo podem comprometer o orçamento mesmo que todas as composições tenham sido corretamente selecionadas.

Custo total de referência

A multiplicação dos quantitativos pelos custos unitários de referência permite formar os custos dos serviços e, progressivamente, o custo global de referência da obra.

Projeto → serviço → composição → insumos e produtividade → custo unitário → quantitativo → custo total de referência.

Esse fluxo mostra por que um bom orçamento de obras e serviços de engenharia não pode ser produzido apenas a partir de uma planilha de preços.

Como são formadas as composições de custos do SICRO

O Volume 01 da segunda edição estrutura as composições do SICRO a partir de seis parcelas principais.

Equipamentos

Equipamentos possuem custos associados à propriedade, manutenção e operação. Em serviços mecanizados, sua permanência produtiva ou improdutiva pode ter grande influência sobre o custo final.

Mão de obra

A mão de obra é estruturada por categorias profissionais e contempla salários e encargos aplicáveis. O SICRO trabalha com custos regionalizados por Unidade da Federação e diferencia categorias horistas e mensalistas conforme a modelagem pertinente.

Materiais

Os materiais correspondem à matéria-prima incorporada aos serviços. Especificação, unidade de comercialização, origem, disponibilidade e transporte precisam ser verificados no caso concreto.

Atividades auxiliares

Algumas atividades são modeladas como composições auxiliares e depois apropriadas dentro das composições principais. Isso permite representar processos intermediários sem repetir toda a estrutura em cada serviço.

Tempo fixo

O tempo fixo está associado a operações de transporte que independem da distância percorrida, como determinadas atividades de carga, manobra e descarga.

Momento de transporte

O momento de transporte representa a parcela dependente da distância e das condições de deslocamento. Em várias composições, cabe ao orçamentista definir as distâncias e o tipo de via aplicáveis ao empreendimento.

Composição horária

A composição horária modela os recursos necessários durante uma hora de operação e é adequada a determinados serviços em que a dinâmica produtiva é melhor representada pelo tempo.

Composição unitária

A composição unitária expressa os recursos necessários à produção de uma unidade do serviço, como metro cúbico, tonelada, metro quadrado ou outra unidade pertinente.

Composição mista

O SICRO também utiliza modelagem mista. Na metodologia apresentada no Manual de 2025, equipamentos e mão de obra podem ser estruturados de forma horária enquanto materiais, atividades auxiliares e transportes aparecem em bases unitárias.

Composição principal

A composição principal representa um serviço que pode integrar diretamente a planilha orçamentária, receber BDI e ser objeto de medição e pagamento.

Composição auxiliar

A composição auxiliar representa produtos ou atividades necessários a outro serviço. Seu custo é apropriado na composição principal correspondente, evitando duplicidade de BDI e racionalizando a modelagem.

Equipamentos e produção das equipes

Uma das diferenças mais importantes entre simplesmente consultar preços e efetivamente trabalhar com Engenharia de Custos está na interpretação da produção das equipes.

Custo horário dos equipamentos

O custo horário de um equipamento não corresponde apenas ao combustível consumido. A metodologia considera parcelas associadas a propriedade, manutenção e operação, de acordo com as premissas definidas pelo sistema.

Propriedade, manutenção e operação

Equipamentos de alto valor mobilizam capital, sofrem depreciação, necessitam manutenção, consomem combustível e lubrificantes e exigem operadores. Todos esses componentes precisam ser apropriados ao custo de utilização.

Produção da equipe

O custo horário somente se converte em custo unitário quando relacionado à produção da equipe. Uma equipe que custa R$ X por hora e produz o dobro de unidades no mesmo período possui, mantidas as demais condições, custo unitário significativamente menor.

Equipamento líder da produção

Em equipes mecanizadas, determinados equipamentos condicionam o ciclo produtivo e podem limitar a produção global. O balanceamento da equipe é, portanto, parte da lógica de modelagem do serviço.

Produções de Equipes Mecânicas — PEMs

O DNIT divulga Produções de Equipes Mecânicas para tornar transparentes as premissas utilizadas na produtividade dos serviços. Em 2026, a autarquia divulgou a quinta edição dos Cadernos Técnicos e PEMs, demonstrando que essa base continua em processo de revisão e atualização.

Como o SICRO define os preços dos insumos

O Volume 03 da segunda edição detalha a metodologia de formação dos preços referenciais de materiais e equipamentos. Esses preços são obtidos a partir de pesquisa de mercado ou bases de dados, associados a critérios técnicos e tratamentos estatísticos.

Pesquisa de preços

A pesquisa procura identificar valores de comercialização para itens cujas especificações sejam previamente definidas. Sem especificação consistente, preços aparentemente semelhantes podem representar produtos tecnicamente diferentes.

Especificação técnica do insumo

Cada item precisa ser suficientemente caracterizado para que a pesquisa compare elementos equivalentes. Dimensão, unidade, embalagem, aplicação, tecnologia e outras características podem modificar o valor comercial.

Formação da amostra

O SICRO estrutura esforços de pesquisa considerando a natureza do mercado e a disponibilidade dos insumos. Fabricantes, distribuidores e grandes atacadistas podem participar da formação da amostra conforme o item analisado.

Coleta de dados

A coleta pode utilizar contato direto, e-mail, telefone, fontes eletrônicas e outras bases de dados. A metodologia prevê validações para reduzir erros de especificação e inconsistências nos preços recebidos.

Tratamento estatístico

Os dados coletados passam por críticas e tratamentos antes de se transformarem em preços referenciais. O objetivo não é apenas calcular uma média simples, mas produzir parâmetros coerentes com o comportamento esperado das famílias de insumos.

Preços por Unidade da Federação

A regionalização é um componente essencial. O SICRO realiza esforços de pesquisa para as Unidades da Federação e publica relatórios regionalizados, reconhecendo que o custo de infraestrutura depende fortemente da geografia econômica.

Preço referencial não é preço transacional

O Manual de Preços Referenciais é explícito ao diferenciar referência e transação. O preço do sistema não incorpora automaticamente negociação, volume de compra, descontos, condições especiais de pagamento, disponibilidade instantânea ou peculiaridades logísticas de uma compra real.

Consequentemente, para insumos relevantes, especialmente aqueles que dominam a Curva ABC do orçamento, a pesquisa local pode ser decisiva para elevar a aderência da estimativa ao mercado efetivamente disponível.

Preço referencial não é preço transacional. Itens de alta representatividade econômica merecem validação contra o mercado local, principalmente quando escala, distância, disponibilidade e condições comerciais podem alterar significativamente o custo.

Orçamento de Obras e Serviços de Engenharia

Por que a localização da obra importa

Infraestrutura de transportes é especialmente sensível à localização. A mesma solução de engenharia pode apresentar custos diferentes em dois empreendimentos devido a distâncias, oferta de materiais, disponibilidade de mão de obra e equipamentos, condições de acesso e estrutura do mercado regional.

Regionalização por Unidade da Federação

Os relatórios SICRO são organizados regionalmente e por UF. Essa regionalização melhora a representatividade do sistema, mas não elimina diferenças existentes dentro do próprio estado.

Mercado local

Uma obra distante da capital ou de grandes centros fornecedores pode enfrentar condições comerciais muito diferentes daquelas representadas pelo preço referencial estadual.

Logística

A logística pode envolver rodovias de acesso precárias, travessias, restrições de peso e dimensão, horários de circulação, disponibilidade de transportadores e longas distâncias até fornecedores.

Origem dos materiais

Areia, brita, solo, materiais industriais e outros insumos podem ter origens distintas. A decisão entre produzir, extrair ou comprar comercialmente precisa ser tratada como decisão de engenharia e de custo.

Distâncias de transporte

Distâncias de transporte são variáveis do empreendimento e não devem ser presumidas a partir de uma composição genérica. Alterações nessa premissa podem modificar significativamente serviços de terraplenagem, pavimentação, agregados e materiais asfálticos.

Pesquisa local de preços

O próprio Manual recomenda especial atenção à pesquisa local para insumos economicamente relevantes. O sistema de referência reduz o esforço de pesquisa, mas não elimina a necessidade de compreender o mercado onde a obra será executada.

Transporte no SICRO: tempo fixo e momento de transporte

O transporte não é tratado como um detalhe periférico. Em diversas obras de infraestrutura ele pode representar parcela significativa do custo e alterar a seleção da solução executiva.

O que é tempo fixo

Tempo fixo corresponde à parcela das operações de transporte relacionada a atividades que não variam diretamente com a distância, como certas operações de carga, descarga e manobra.

O que é momento de transporte

Momento de transporte é a parcela associada ao deslocamento e relaciona quantidade transportada, distância e condição de transporte conforme a metodologia aplicável.

Distância de transporte

O orçamentista precisa determinar distâncias coerentes com as origens efetivamente consideradas para os materiais. Utilizar uma distância genérica pode criar distorções importantes.

Tipo de via

Condições da via influenciam velocidade, consumo, produtividade e custo. Portanto, o modelo de transporte deve representar o caminho plausível entre origem e destino.

Por que o transporte não pode ser ignorado

O Manual de 2025 alerta que o momento de transporte de determinadas composições precisa ser definido pelo orçamentista. Isso significa que o valor publicado no relatório pode não representar, sozinho, o custo completo do serviço no empreendimento.

Fator de Influência de Chuvas — FIC

Obras de infraestrutura são executadas a céu aberto e podem sofrer efeitos significativos de precipitação. O SICRO possui metodologia específica para representar parte desse impacto econômico.

O que é FIC

O Fator de Influência de Chuvas — FIC é utilizado para incorporar custos associados à improdutividade de equipamentos e mão de obra decorrente de paralisações provocadas pelas condições de chuva, segundo a metodologia do sistema.

Como a chuva afeta produtividade e custos

Quando uma frente de serviço é interrompida, equipamentos e equipes podem permanecer mobilizados sem produzir na taxa planejada. Esse tempo improdutivo possui custo econômico.

Equipamentos e mão de obra improdutivos

A metodologia busca refletir a parcela de recursos que continua onerando o empreendimento durante interrupções relacionadas às precipitações, em vez de assumir produtividade plena durante todo o período de execução.

Condições climáticas e natureza do serviço

Nem todos os serviços respondem da mesma forma à chuva. Natureza da atividade, capacidade de drenagem ou retenção do solo e características climáticas interferem na análise.

Quando o FIC deve ser considerado

O FIC precisa ser aplicado segundo as regras e premissas do SICRO e de acordo com a atividade e a condição do empreendimento. Não deve ser tratado como percentual genérico adicionado indiscriminadamente a toda a obra.

Fator de Interferência de Tráfego — FIT

Obras executadas em vias existentes podem compartilhar o ambiente com o tráfego em operação. Essa condição interfere na logística e pode aumentar o custo de determinadas atividades.

O que é FIT

O Fator de Interferência de Tráfego — FIT é a metodologia do SICRO destinada a representar os efeitos econômicos da interferência do tráfego nas condições consideradas pelo sistema.

Obras executadas sob tráfego

Conservação, restauração, duplicação e implantação de faixas adicionais frequentemente exigem sinalização temporária, desvios, interdições parciais e convivência entre a obra e o fluxo de veículos.

Impacto do tráfego na logística da obra

O tráfego pode reduzir velocidades de deslocamento, aumentar tempos de percurso e prejudicar a eficiência do transporte de insumos entre fornecedores, canteiro e frentes de serviço.

Aplicação sobre o momento de transporte

Na metodologia apresentada pela segunda edição do Manual, o FIT atua sobre a parcela de momento de transporte, porque a premissa é que o tráfego influencia diretamente a logística do deslocamento dos insumos.

Por que o FIT não é aplicado indiscriminadamente

A metodologia não pressupõe que qualquer presença de tráfego reduz automaticamente a produção de todos os serviços. A aplicação precisa respeitar o modelo do SICRO e as características do empreendimento.

Canteiro de obras no SICRO

O canteiro é um exemplo claro de como o SICRO vai além das composições diretas de produção. Estruturas temporárias precisam ser dimensionadas e custeadas de acordo com o porte e a natureza da obra.

O canteiro é modelado como custo do empreendimento

Instalar e manter uma estrutura capaz de apoiar a execução demanda recursos concretos. Esses recursos não devem desaparecer dentro de percentuais genéricos quando podem ser identificados e quantificados.

Instalações administrativas

Escritórios, guaritas, áreas de apoio administrativo e outras estruturas podem ser necessárias para coordenar a execução.

Instalações industriais

Usinas de asfalto, centrais de concreto, centrais de britagem, oficinas e outras estruturas produtivas podem integrar o sistema de apoio dependendo do empreendimento.

Estruturas de apoio

Laboratórios, almoxarifados, postos de abastecimento, oficinas e demais instalações precisam refletir as necessidades reais do plano de execução.

Acampamentos e áreas de vivência

Em obras remotas, alojamentos, refeitórios, vestiários e outras instalações de vivência podem representar parcela relevante do custo indireto analítico.

Porte e natureza da obra

Um canteiro não deve ser dimensionado apenas como percentual do valor do contrato. Prazo, localização, número de frentes, equipamentos, pessoal e estratégia executiva condicionam sua estrutura.

Administração local no SICRO

Administração local corresponde aos recursos de gestão, apoio e controle necessários no próprio empreendimento. Ela não deve ser confundida com administração central da empresa.

O que integra a administração local

O Manual considera recursos humanos, veículos, equipamentos e outros custos necessários à condução da obra.

Equipe técnica

Engenheiros, técnicos, supervisores e outros profissionais podem compor a estrutura técnica conforme porte e complexidade.

Equipe administrativa

Apoio administrativo, controle documental, almoxarifado e outras funções podem ser necessárias para sustentar as operações locais.

Controle tecnológico

Laboratórios, técnicos e recursos de controle tecnológico podem fazer parte da estrutura necessária à verificação da qualidade dos serviços.

Segurança do trabalho

Profissionais e recursos de segurança e saúde ocupacional precisam ser dimensionados conforme as características e exigências da obra.

Veículos e equipamentos

A administração local também pode demandar veículos, equipamentos de apoio e recursos de comunicação.

Dimensionamento conforme porte e duração

A estrutura precisa ser coerente com o plano de execução, quantidade de frentes, cronograma e complexidade. Isso reforça a distinção discutida no artigo sobre BDI em obras e serviços de engenharia: custos diretamente dimensionáveis do empreendimento não devem ser confundidos com despesas de administração central tratadas no BDI.

Mobilização e desmobilização

Mobilização e desmobilização representam operações necessárias para levar recursos ao empreendimento e, ao final, retirá-los ou devolvê-los às suas origens.

Transporte de equipamentos

Escavadeiras, pavimentadoras, usinas móveis, guindastes e outros equipamentos podem exigir carretas especiais, autorizações, rotas específicas e custos logísticos relevantes.

Mobilização de pessoal

A implantação de equipes pode exigir deslocamento, viagens, transporte coletivo, alojamento inicial e outras providências dependentes da localização da obra.

Origem dos recursos

O custo depende de onde os equipamentos e pessoas estão sendo mobilizados. Adotar uma origem artificialmente próxima ou distante pode distorcer o orçamento.

Distâncias e logística

Distâncias, restrições viárias, pedágios, travessias e características dos equipamentos transportados precisam ser consideradas.

Por que deve ser calculada para o empreendimento

O SICRO trata mobilização e desmobilização analiticamente. Isso permite que a planilha mostre uma parcela compatível com a estratégia real de implantação, em vez de absorvê-la de forma indistinta em outro componente.

Materiais asfálticos possuem tratamento específico

Materiais asfálticos apresentam elevada representatividade em muitas obras rodoviárias e possuem dinâmica de aquisição e transporte própria. O SICRO, por isso, estabelece tratamento específico para essa parcela.

Aquisição

A origem comercial e o preço de aquisição precisam ser analisados segundo as referências e metodologias aplicáveis.

Transporte

O custo logístico pode representar parcela significativa e depende das origens e distâncias efetivamente consideradas.

Origem do material

A definição da origem é essencial porque um preço médio sem origem compatível pode gerar estimativa pouco aderente ao empreendimento.

Representatividade econômica

Em obras de pavimentação, materiais asfálticos podem ter grande peso na Curva ABC, justificando tratamento específico e maior rigor na pesquisa.

Medição e reajustamento

A sistemática permite tratar aquisição e transporte de forma transparente no orçamento, na medição e nos mecanismos de reajustamento pertinentes.

Onde entra o BDI no SICRO

As composições de custos do SICRO são referências de custos, e não preços finais de venda. Para transformar o custo global de referência em preço de referência da obra, precisam ser consideradas as parcelas de BDI aplicáveis.

Composições do SICRO são custos, não preços finais

Uma composição principal divulgada pelo sistema não deve ser confundida com o preço final a ser contratado. A formação do preço exige compreender o que já está apropriado no custo e quais despesas e benefícios permanecem fora dele.

Aplicação do BDI

O BDI incorpora parcelas como administração central, despesas financeiras, riscos, seguros, garantias, tributos e remuneração, conforme o enquadramento aplicável.

Custo global e preço de referência

Essa distinção é fundamental:

custos dos serviços + custos indiretos analíticos = custo global de referência; aplicação das parcelas de BDI = preço de referência.

BDI atualizado pelo DNIT

O DNIT mantém referências específicas de BDI para o SICRO e as atualiza quando variáveis relevantes mudam. Por isso, não é adequado congelar permanentemente um percentual retirado de um orçamento antigo.

Como utilizar o SICRO em um orçamento

O uso tecnicamente consistente do SICRO pode ser organizado como uma sequência de decisões de engenharia:

  1. Definir claramente o escopo da obra ou serviço.
  2. Revisar os projetos, memoriais e especificações técnicas disponíveis.
  3. Levantar os quantitativos correspondentes aos serviços do empreendimento.
  4. Identificar as composições SICRO potencialmente aplicáveis.
  5. Verificar se a descrição e o procedimento executivo da composição são compatíveis com o projeto.
  6. Consultar o relatório analítico e, quando disponível, o Caderno Técnico correspondente.
  7. Confirmar a Unidade da Federação e a competência da referência utilizada.
  8. Avaliar os preços dos insumos, especialmente aqueles de maior representatividade econômica.
  9. Definir origens, distâncias e condições de transporte.
  10. Verificar a aplicabilidade do FIC.
  11. Verificar a aplicabilidade do FIT.
  12. Dimensionar o canteiro de obras compatível com o plano de execução.
  13. Dimensionar a administração local.
  14. Calcular mobilização e desmobilização.
  15. Aplicar a metodologia específica para materiais asfálticos quando pertinente.
  16. Criar ou justificar composições próprias para serviços não contemplados ou não aderentes.
  17. Incorporar o BDI compatível com a contratação.
  18. Registrar fontes, data-base, premissas, adaptações e memória de cálculo.
  19. Revisar o resultado contra as condições reais do empreendimento e a Curva ABC.

A sequência mostra que consultar o SICRO é apenas uma etapa da elaboração do orçamento. O produto final depende da integração entre projeto, planejamento da execução, pesquisa de mercado e Engenharia de Custos.

Quando uma composição SICRO precisa ser adaptada

Uma composição de referência pode ser tecnicamente inadequada para um caso específico mesmo quando sua descrição parece semelhante ao serviço do projeto.

Diferença de procedimento executivo

Se o serviço será produzido por método distinto daquele modelado pelo sistema, a estrutura de equipamentos, mão de obra e produtividade pode precisar ser revista.

Diferença de produtividade

Condições de campo, restrições de acesso, geotecnia, geometria e organização da produção podem alterar o desempenho esperado das equipes.

Especificações de projeto

Taxas de armadura, consumo de cimento, tipo de material, teor de ligante, resistência, dimensões e outros parâmetros podem repercutir diretamente no custo.

Equipamentos diferentes

A disponibilidade de equipamentos no mercado ou a estratégia executiva pode justificar equipe diferente daquela utilizada como referência.

Insumos diferentes

Substituições de materiais devem preservar desempenho e especificações e precisam ser refletidas nos preços e coeficientes utilizados.

Distâncias e logística específicas

Transportes precisam representar origens e trajetos plausíveis para o empreendimento.

Condições regionais

Mercado local, clima, disponibilidade de pessoal e infraestrutura de apoio podem justificar adaptações.

A legislação e os próprios manuais admitem adequações fundamentadas. O ponto crítico é que a modificação seja tecnicamente justificável, documentada e rastreável.

A composição deve representar o método executivo do projeto. Quando equipamentos, produtividade, insumos ou condições de campo divergem das premissas SICRO, a referência precisa ser analisada e, quando necessário, tecnicamente adaptada.

Projeto Básico de Engenharia

O que fazer quando não existe composição no SICRO

Nenhum sistema nacional consegue antecipar todas as tecnologias, procedimentos executivos e situações possíveis. A ausência de uma composição não impede a elaboração do orçamento, mas exige maior responsabilidade técnica.

Composição própria

Pode ser necessário desenvolver composição específica com equipamentos, mão de obra, materiais, atividades auxiliares e produtividade compatíveis com o serviço.

Pesquisa de mercado

Itens ou serviços especiais podem exigir cotações e pesquisa direta com fornecedores e empresas especializadas.

Outras referências de custos

Outros sistemas, contratações comparáveis, bases oficiais ou fontes técnicas podem complementar a pesquisa quando juridicamente e tecnicamente aplicáveis.

Justificativa técnica

A origem dos coeficientes, preços e premissas precisa ser registrada. Quanto mais específica a composição, mais importante se torna sua memória de cálculo.

Preços novos

No ambiente contratual, serviços não previstos podem exigir procedimento formal para análise e aprovação de preços novos, conforme regras da contratação e normativos aplicáveis.

Por que consultar apenas a tabela SICRO não é suficiente

A busca por “tabela SICRO” é natural porque os relatórios de custos constituem a porta de entrada mais visível do sistema. O problema surge quando o valor da tabela é tratado como informação autossuficiente.

Para interpretar uma composição com segurança, é necessário verificar pelo menos:

  • código;
  • descrição;
  • unidade de medição;
  • equipamentos;
  • mão de obra;
  • materiais;
  • atividades auxiliares;
  • produção da equipe;
  • tempo fixo;
  • momento de transporte;
  • procedimento executivo;
  • critérios de medição;
  • especificações técnicas;
  • Unidade da Federação;
  • competência;
  • notas revisionais;
  • Caderno Técnico, quando disponível.

Um custo unitário sem essas informações perde grande parte de seu significado técnico.

SICRO não é orçamento pronto

O próprio Manual de Custos de 2025 alerta contra a utilização indiscriminada de custos unitários referenciais. Essa cautela é essencial porque um sistema de referência não conhece automaticamente todas as condições do empreendimento analisado.

Referência não substitui projeto

Sem projeto suficientemente definido, o orçamentista pode selecionar serviços inadequados, adotar quantitativos frágeis ou ignorar requisitos que só aparecem quando a solução técnica é desenvolvida.

Referência não substitui quantitativos

Mesmo um custo unitário perfeito produz orçamento errado quando multiplicado por quantitativos incorretos.

Referência não substitui pesquisa de mercado

Para itens relevantes, mercado local e escala da aquisição podem justificar pesquisa própria. O preço referencial reduz esforço e cria paradigma, mas não reproduz automaticamente uma negociação real.

Referência não elimina decisões do engenheiro orçamentista

Definir método executivo, origem de materiais, distância de transporte, equipamentos, produtividade, canteiro e estrutura local envolve decisões que não podem ser terceirizadas para uma tabela.

A precisão depende da maturidade do projeto

À medida que o projeto evolui, o orçamento deve substituir premissas genéricas por informações específicas. Esse princípio conecta o SICRO à lógica mais ampla de estimativas de custos: maior definição do escopo deve produzir maior aderência das bases e das composições ao caso concreto.

Quando utilizar o SICRO

A aplicação do SICRO pode decorrer de obrigação normativa ou de conveniência técnica, dependendo do empreendimento.

Obras públicas de infraestrutura de transportes

É sua aplicação mais evidente e aquela em que o sistema possui maior relevância normativa e institucional.

Orçamentos de referência

O sistema oferece parâmetros estruturados para formar o orçamento utilizado pela Administração como referência de contratação.

Anteprojetos e projetos

Em fases de desenvolvimento de engenharia, o SICRO pode apoiar estudos de alternativas, estimativas, orçamento preliminar e orçamento detalhado, desde que o nível de precisão pretendido seja compatível com a maturidade das informações disponíveis.

Licitações

Custos referenciais permitem estruturar paradigmas para análise de preços, julgamento e controle de economicidade.

Análise de preços

O SICRO pode ser utilizado para verificar coerência de composições e preços de serviços, desde que sejam demonstradas similaridade e compatibilidade das condições analisadas.

Aditivos e preços novos

Novos serviços e alterações quantitativas podem demandar referências do sistema e composições específicas para a formação dos preços correspondentes.

Benchmarking de custos

Mesmo fora de obrigação normativa, o SICRO pode ser útil como referência comparativa para infraestrutura de transportes.

Aplicações em estudos privados

Empreendimentos privados podem utilizar metodologias e referências SICRO como apoio, desde que reconheçam que o sistema foi estruturado como paradigma referencial e que o orçamento privado pode demandar pesquisas, condições comerciais e estratégias executivas próprias.

SICRO e SINAPI: quando cada sistema é utilizado

SICRO e SINAPI são dois dos principais sistemas referenciais utilizados no Brasil, mas possuem vocações diferentes.

AspectoSICROSINAPI
Instituição responsávelDNITCAIXA e IBGE
Vocação principalinfraestrutura de transportesdemais obras e serviços de engenharia e construção
Destaques metodológicosequipamentos, produtividade, transporte, FIC, FIT, canteiro, administração local e mobilizaçãoextensa base de insumos e composições da construção civil
Regionalizaçãopor Unidade da Federaçãopor localidades e bases divulgadas pelo sistema
Uso legal federalreferência para infraestrutura de transportesreferência para demais obras e serviços, conforme a legislação aplicável

A comparação detalhada entre SICRO, SINAPI, CUB e TCPO deve considerar finalidade, escopo e maturidade da estimativa. Um sistema não deve ser escolhido apenas porque apresenta o menor ou o maior custo para determinado serviço.

Como consultar o SICRO

O portal do DNIT organiza os materiais do SICRO em diferentes conjuntos. Para uma consulta tecnicamente útil, é importante saber qual documento responde a cada pergunta.

Portal oficial do DNIT

O ponto de partida deve ser a área oficial de Custos Referenciais do DNIT, evitando arquivos desatualizados reproduzidos por terceiros.

Selecionar região e Unidade da Federação

Os relatórios são organizados por região e UF. Utilizar estado incorreto pode comprometer a coerência dos preços de mão de obra e insumos.

Escolher competência e data-base

A competência informa o período da referência. Misturar custos de diferentes competências sem atualização ou justificativa prejudica a consistência temporal do orçamento.

Relatórios sintéticos

São úteis para localizar códigos, descrições, unidades e custos totais de forma rápida.

Relatórios analíticos

Permitem compreender a composição, seus insumos, coeficientes, produção e demais parcelas relevantes.

Cadernos Técnicos

Fornecem aprofundamento sobre condições de contorno, metodologia executiva, consumos, critérios e outros elementos que ajudam a interpretar corretamente as composições.

Produções de Equipes Mecânicas

Apresentam os parâmetros de produtividade e organização das equipes mecanizadas utilizadas nas referências do sistema.

Notas revisionais e relatórios de ocorrências

Devem ser verificados porque uma composição ou parâmetro pode ter sido revisto após determinada publicação.

O passo a passo operacional de download, identificação dos arquivos e leitura dos relatórios merece tratamento próprio no futuro conteúdo Tabela SICRO: como consultar custos e composições do DNIT.

O SICRO é atualizado ao longo do tempo

Sistemas referenciais precisam acompanhar alterações tecnológicas, econômicas e normativas. O SICRO não é uma base estática.

Competência e data-base

Todo orçamento precisa registrar claramente a competência utilizada. Um custo de referência sem data-base não é plenamente rastreável.

Atualização dos relatórios

O DNIT publica novas competências ao longo do ano e pode emitir revisões quando identifica necessidade de correção ou atualização.

Cadernos Técnicos e PEMs

Os Cadernos Técnicos e Produções de Equipes Mecânicas também evoluem. Em 2026, o DNIT divulgou a quinta edição desses materiais.

Notas revisionais

Notas revisionais registram alterações específicas e precisam ser consideradas quando afetam serviços utilizados no orçamento.

Relatórios de ocorrências

O DNIT mantém relatórios de ocorrências do SICRO, permitindo acompanhar situações identificadas na base e respectivos tratamentos.

Atualizações metodológicas

A publicação da segunda edição do Manual em 2025 demonstra que a própria metodologia é revisada quando necessário. Portanto, reproduzir uma composição ou orientação de manual antigo sem verificar a versão atual pode levar a premissas superadas.

Erros comuns ao utilizar o SICRO

Os erros mais recorrentes não decorrem da inexistência de dados, mas da utilização descontextualizada das referências disponíveis:

  • tratar o SICRO apenas como uma tabela de preços;
  • selecionar a composição somente pela semelhança do título;
  • ignorar o procedimento executivo e as especificações;
  • utilizar relatório de Unidade da Federação inadequada;
  • misturar competências sem atualização ou justificativa;
  • ignorar o custo de transporte;
  • usar distância de transporte sem origem tecnicamente definida;
  • desconsiderar FIC quando aplicável;
  • desconsiderar FIT quando aplicável;
  • tratar canteiro como percentual arbitrário;
  • confundir administração local com administração central;
  • incorporar mobilização e desmobilização sem memória de cálculo;
  • tratar preço referencial como cotação comercial garantida;
  • deixar de pesquisar itens relevantes da Curva ABC;
  • utilizar composição incompatível com o projeto;
  • alterar coeficientes sem memória de cálculo;
  • ignorar notas revisionais e atualizações do SICRO;
  • tratar custo unitário como preço final;
  • aplicar BDI inadequado ou duplicar parcelas já apropriadas.

Como avaliar se uma composição SICRO é adequada ao projeto

Uma revisão técnica pode ser estruturada a partir de sete perguntas principais.

Compatibilidade de escopo

A composição executa exatamente o serviço previsto no projeto ou apenas possui descrição semelhante?

Compatibilidade de especificação

Materiais, dimensões, resistências, normas, unidades e requisitos de desempenho são equivalentes?

Compatibilidade do método executivo

O procedimento de execução representado pelo SICRO corresponde à estratégia prevista para a obra?

Compatibilidade de produtividade

As condições de campo permitem produção semelhante àquela considerada na composição?

Compatibilidade dos equipamentos

A equipe mecânica é disponível, tecnicamente adequada e coerente com a escala do serviço?

Compatibilidade logística

Origem dos materiais, distâncias, tipo de via, interferências e condições de transporte foram adequadamente incorporadas?

Compatibilidade temporal e regional

A UF, a competência e as condições econômicas utilizadas são coerentes com o orçamento?

Se uma dessas dimensões divergir de forma relevante, a composição pode precisar de adaptação, complementação ou substituição.

O papel do SICRO dentro da Engenharia de Custos

O SICRO é particularmente valioso porque torna explícita a relação entre engenharia e custo. A composição não existe isoladamente: ela representa determinada forma de produzir um serviço, com determinada equipe, em determinadas condições de contorno.

Uma estrutura coerente pode ser resumida assim:

projeto → quantitativos → método executivo → composição SICRO → produtividade → insumos → preços e condições locais → transporte → custos indiretos analíticos → BDI → orçamento de referência.

Essa lógica conecta o SICRO a disciplinas como planejamento, orçamento, projeto, procurement e gestão de riscos. Em um Projeto Básico, por exemplo, decisões de especificação e método executivo precisam fornecer informação suficiente para que o orçamento represente adequadamente a solução proposta. Em fases anteriores, como Estudo Técnico Preliminar — ETP, o sistema pode apoiar estimativas e comparações, desde que as incertezas decorrentes da menor maturidade sejam explicitadas.

O princípio central permanece: o SICRO fornece referências e metodologias; quem transforma essas referências em orçamento é a Engenharia.

Considerações finais

O SICRO é um dos sistemas de custos mais importantes para a infraestrutura de transportes no Brasil, mas seu valor técnico não está apenas nos números publicados. A força do sistema reside na combinação de referências de mercado, composições, produtividades, metodologia de equipamentos, tratamento de transportes e mecanismos próprios para condições como chuva, tráfego, canteiro, administração local e mobilização.

Utilizar o SICRO corretamente significa interpretar essas premissas à luz do projeto e do plano de execução. Um código de composição e um custo unitário não são suficientes para demonstrar que determinado serviço foi corretamente orçado.

Quanto maior a maturidade do projeto, maior deve ser a capacidade do orçamento de substituir premissas genéricas por condições específicas do empreendimento: quantitativos mais confiáveis, origens reais de materiais, distâncias verificadas, produtividades compatíveis, pesquisa local dos itens relevantes e custos indiretos dimensionados analiticamente.

Por isso, o SICRO deve ser tratado como sistema de Engenharia de Custos, e não como simples tabela. Ele estabelece um paradigma técnico robusto, mas a qualidade do orçamento continua dependendo da análise do engenheiro orçamentista e da aderência entre referência, projeto, mercado, logística e estratégia executiva.

Referências técnicas

[1] DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES. Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes — Volume 01: Metodologia e Conceitos. 2. ed. Brasília: DNIT, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/dnit/pt-br/assuntos/planejamento-e-pesquisa/custos-referenciais/sistemas-de-custos/sicro/manuais/manuais-de-custos-de-infraestrutura-de-transportes.

[2] DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES. Manual de Custos de Infraestrutura de Transportes — Volume 03: Preços Referenciais. 2. ed. Brasília: DNIT, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/dnit/pt-br/assuntos/planejamento-e-pesquisa/custos-referenciais/sistemas-de-custos/sicro/manuais/manuais-de-custos-de-infraestrutura-de-transportes.

[3] BRASIL. Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021. Lei de Licitações e Contratos Administrativos. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14133.htm.

[4] BRASIL. Decreto nº 7.983, de 8 de abril de 2013. Estabelece regras e critérios para elaboração do orçamento de referência de obras e serviços de engenharia contratados e executados com recursos dos orçamentos da União. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/decreto/d7983.htm.

[5] DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES. Informativos do SICRO. Brasília: DNIT. Disponível em: https://www.gov.br/dnit/pt-br/assuntos/planejamento-e-pesquisa/custos-referenciais/sistemas-de-custos/sicro/informativos/comunicados-e-eventos.

[6] DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES. Relatórios SICRO — Paraná — Abril/2026. Brasília: DNIT, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/dnit/pt-br/assuntos/planejamento-e-pesquisa/custos-referenciais/sistemas-de-custos/sicro/relatorios/relatorios-sicro/sul/parana/2026/abril/abril-2026.

[7] DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES. BDI — SICRO. Brasília: DNIT. Disponível em: https://www.gov.br/dnit/pt-br/assuntos/planejamento-e-pesquisa/custos-referenciais/sistemas-de-custos/bdi/bdi-2.

[8] DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES. Tabela de Preços de Consultoria. Brasília: DNIT. Disponível em: https://www.gov.br/dnit/pt-br/assuntos/planejamento-e-pesquisa/custos-referenciais/engenharia-consultiva-2/tabela-de-precos-de-consultoria-1.

Perguntas frequentes
O que é SICRO?

SICRO é o Sistema de Custos Referenciais de Obras mantido pelo DNIT. Ele reúne composições de custos, preços referenciais de insumos e metodologias de Engenharia de Custos voltadas principalmente a obras e serviços de infraestrutura de transportes.

SICRO é apenas uma tabela de preços?

Não. Os relatórios de custos são uma das saídas do sistema. O SICRO também possui manuais, composições analíticas, Cadernos Técnicos, Produções de Equipes Mecânicas e metodologias específicas para transporte, FIC, FIT, canteiro, administração local e mobilização.

Quando o SICRO deve ser utilizado?

O SICRO é referência central para orçamentos de obras e serviços de infraestrutura de transportes, especialmente nas contratações públicas abrangidas pela Lei 14.133/2021 e pelo Decreto 7.983/2013. Também pode ser utilizado como referencial técnico em outros estudos e orçamentos quando houver aderência ao objeto.

Qual é a diferença entre SICRO e SINAPI?

O SICRO é mantido pelo DNIT e possui vocação principal para infraestrutura de transportes. O SINAPI é mantido pela CAIXA e pelo IBGE e possui ampla cobertura de construção civil e demais obras e serviços de engenharia. A legislação federal distingue suas aplicações nos orçamentos de referência.

O preço publicado no SICRO é o preço que será praticado na obra?

Não necessariamente. O preço SICRO é referencial. Negociação, escala, localização, disponibilidade, logística, condições de pagamento e mercado local podem alterar os preços efetivamente transacionados, por isso itens relevantes podem exigir pesquisa específica.

Uma composição SICRO pode ser alterada?

Pode ser necessário adequar uma composição quando o procedimento executivo, os equipamentos, os insumos, a produtividade ou outras condições do projeto diferirem das premissas de referência. A adaptação deve ser tecnicamente justificada e documentada.

O SICRO já inclui BDI?

As composições de custos do SICRO não devem ser confundidas com o preço final da contratação. O BDI é aplicado na formação do preço de referência conforme metodologia e enquadramento aplicáveis, evitando duplicar parcelas já apropriadas nos custos.

O que são FIC e FIT no SICRO?

FIC é o Fator de Influência de Chuvas, utilizado para tratar efeitos econômicos de paralisações relacionadas às precipitações. FIT é o Fator de Interferência de Tráfego, relacionado aos efeitos do tráfego sobre a logística e o momento de transporte nas condições previstas pela metodologia do SICRO.

Como consultar a tabela SICRO?

A consulta deve ser feita preferencialmente no portal oficial do DNIT, selecionando região, Unidade da Federação e competência. Além do relatório sintético, é recomendável consultar relatórios analíticos, Cadernos Técnicos, PEMs e eventuais notas revisionais.

O SICRO substitui o orçamento de engenharia?

Não. O SICRO fornece referências e metodologias. A elaboração do orçamento ainda exige projeto, quantitativos, definição de método executivo, pesquisa de preços quando necessária, logística, transporte, dimensionamento de custos indiretos e memória de cálculo.

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