Como fazer orçamento SINAPI: escolher composições, levantar quantitativos, definir UF e data-base, ajustar referências, aplicar BDI e montar uma planilha auditável.
Confira!
Fazer um orçamento SINAPI não é copiar preços de uma tabela para uma planilha. O processo correto começa no projeto, passa pelo levantamento de quantitativos, pela escolha da composição tecnicamente compatível com cada serviço, pela conferência dos critérios de quantificação, pela definição da data-base e da Unidade da Federação, pela análise de encargos, fretes e condições locais e termina na consolidação do orçamento com BDI, memória de cálculo e rastreabilidade.
Para obras públicas, o SINAPI é referência central para construção civil em geral. A Lei nº 14.133/2021 determina, no art. 23, que o valor estimado seja compatível com o mercado e prevê o uso do SINAPI para as demais obras e serviços de engenharia que não sejam de infraestrutura de transportes, para as quais a referência indicada é o SICRO. O sistema, porém, não substitui a engenharia: uma composição oficial escolhida para um serviço diferente do projeto continua sendo uma referência inadequada.
O que significa fazer um orçamento com SINAPI
Um orçamento com SINAPI usa a base de insumos, composições, critérios e parâmetros do sistema como referência para formar os custos dos serviços da obra. O resultado não deve ser entendido como uma simples “planilha SINAPI”, porque o orçamento precisa refletir o objeto específico que será contratado.
A lógica pode ser resumida em uma cadeia técnica:
projeto → serviço → quantidade → composição → coeficientes → custos dos insumos → custo unitário → BDI → preço unitário → preço total.
Cada elo precisa ser compatível com os anteriores. Se o quantitativo não corresponde ao projeto, a composição não corrige o erro. Se a composição não corresponde à especificação, um preço atualizado não torna o orçamento confiável. Se a data-base não é coerente, perde-se comparabilidade com propostas e futuras atualizações.
Quais arquivos e referências do SINAPI são usados no orçamento
A CAIXA disponibiliza mensalmente relatórios de preços de insumos e custos de composições, além de documentação técnica. A partir de 2025, os relatórios mensais passaram a ser organizados em arquivos que reúnem, entre outros conteúdos, famílias e coeficientes, manutenções, percentual de mão de obra em composições, insumos, composições, análises e custos por Unidade da Federação.
O orçamentista não deve trabalhar somente com o arquivo que contém preços. Os cadernos técnicos e os livros metodológicos são indispensáveis para entender a referência.
Entre os elementos relevantes estão:
- relatório de preços de insumos;
- relatório de custos de composições;
- relatório analítico das composições;
- cadernos técnicos de famílias de serviços;
- fichas de especificação técnica de insumos;
- livro de Metodologias e Conceitos;
- livro de Cálculos e Parâmetros;
- histórico e parâmetros de encargos sociais.
O relatório numérico responde “quanto a referência custa naquela data e localidade”. A documentação técnica responde “o que aquela referência representa e em quais condições pode ser usada”.
Passo 1: congelar a baseline do projeto antes de orçar
O orçamento precisa nascer de uma baseline identificável. Antes de iniciar o levantamento, registre quais documentos sustentam a estimativa:
- desenhos e modelos;
- memoriais descritivos;
- especificações técnicas;
- caderno de encargos;
- critérios de medição;
- listas de materiais e equipamentos;
- revisões dos documentos;
- premissas de execução;
- cronograma ou prazo de referência.
Sem baseline, duas pessoas podem produzir orçamentos diferentes simplesmente porque trabalharam com revisões diferentes do projeto.
Em auditoria, a pergunta não é apenas “qual composição foi usada?”, mas “qual versão do projeto levou à necessidade daquele serviço e daquele quantitativo?”.
Passo 2: estruturar os serviços da obra
O orçamento sintético precisa decompor o empreendimento em serviços mensuráveis. A estrutura deve facilitar execução, medição e controle.
Uma EAP orçamentária adequada normalmente acompanha a lógica construtiva: serviços preliminares, canteiro, fundações, estrutura, vedações, instalações, acabamentos, sistemas especiais, comissionamento e encerramento, conforme o objeto.
A decomposição não deve ser artificialmente detalhada nem excessivamente agregada. Itens genéricos como “diversos”, “eventuais” ou “verba” dificultam a medição e a auditoria e são incompatíveis com a necessidade de rastreabilidade.
Cada item precisa ter descrição clara, unidade coerente e critério de quantificação conhecido.
Passo 3: levantar quantitativos com memória de cálculo
O SINAPI fornece referências de custo; ele não produz automaticamente os quantitativos do projeto. A quantidade continua sendo responsabilidade do processo de engenharia.
O levantamento deve ser feito a partir dos documentos de projeto e segundo o critério de quantificação aplicável ao serviço. Uma diferença de critério pode alterar significativamente o quantitativo.
Por exemplo, a área de um revestimento pode ser calculada de maneira diferente conforme a regra de desconto de vãos. O mesmo vale para pintura, alvenaria, concreto, escavação e diversos outros serviços.
A memória de cálculo deve permitir reconstruir a quantidade. Um bom registro contém:
| Campo | Exemplo de função |
| Documento de origem | identificar planta, detalhe ou modelo |
| Revisão | vincular à baseline |
| Local/ambiente | localizar o quantitativo |
| Geometria | comprimento, área, volume, contagem |
| Critério | regra de inclusão ou desconto |
| Unidade | compatibilizar com a composição |
| Quantidade resultante | alimentar a planilha |
| Responsável | garantir rastreabilidade |
Sem essa memória, a planilha perde parte importante de sua capacidade de auditoria.
Passo 4: localizar a composição SINAPI compatível
A escolha da composição é uma decisão técnica. Não basta pesquisar uma palavra parecida com o serviço.
O orçamentista deve comparar:
- descrição completa;
- unidade de medida;
- material especificado;
- dimensões relevantes;
- método de execução;
- condições de aplicação;
- presença ou ausência de vãos;
- preparo manual ou mecanizado;
- altura, área ou faixa de serviço quando influentes;
- equipamento empregado;
- critérios de aferição e quantificação.
Famílias do SINAPI podem conter diversas composições semelhantes porque pequenas diferenças de condição alteram produtividade e consumo.
Escolher uma composição “próxima” sem ler o caderno técnico pode gerar erro justamente nos coeficientes que mais influenciam o custo.
Como ler uma composição SINAPI
Uma composição relaciona os recursos necessários para produzir uma unidade do serviço. Ela pode incluir insumos diretamente ou outras composições auxiliares.
Os elementos básicos são:
| Elemento | O que representa |
| Código | identificação da referência |
| Descrição | escopo técnico do serviço |
| Unidade | unidade produzida |
| Insumo/composição auxiliar | recurso consumido |
| Coeficiente | quantidade de recurso por unidade |
| Custo unitário do recurso | referência monetária |
| Custo parcial | coeficiente × custo unitário |
| Custo total | soma das parcelas |
O custo unitário final só faz sentido quando a unidade e a descrição da composição coincidem com o que será medido em obra.
Composições principais, auxiliares e de transporte
O orçamento SINAPI trabalha com diferentes níveis de composição. Uma composição principal pode utilizar composições auxiliares para representar etapas intermediárias, custos de mão de obra com encargos ou custos horários de equipamentos.
Isso evita repetir longas listas de insumos em todos os serviços e preserva a lógica produtiva.
Também existem referências de transporte interno. O livro metodológico do SINAPI dedica atenção ao esforço necessário para movimentar materiais dentro do canteiro, justamente porque a logística pode alterar significativamente a produtividade.
A existência de uma composição auxiliar não significa que ela deva aparecer como item autônomo na planilha sintética. Em regra, ela integra a formação do custo da composição principal.
Passo 5: conferir a Unidade da Federação e a data-base
Os custos do SINAPI são regionalizados. Salários, materiais e outros componentes variam entre Unidades da Federação. A planilha deve registrar claramente qual UF e qual mês de referência foram utilizados.
A data-base é parte da identidade do orçamento. Ela serve para:
- comparar propostas;
- aplicar critérios de atualização;
- analisar aditivos e novos serviços;
- manter coerência entre fontes diferentes;
- identificar defasagem do orçamento.
Misturar preços de meses diferentes sem tratamento ou usar uma UF apenas porque apresenta valor disponível distorce o resultado.
Passo 6: avaliar encargos sociais e complementares
A mão de obra do SINAPI precisa ser interpretada segundo a metodologia de encargos aplicável. Há distinção entre horistas e mensalistas, além de parâmetros regionais.
O orçamento deve evitar dois erros opostos:
- omitir encargos já necessários à composição do custo;
- duplicar custos complementares que já estão incorporados à referência.
A conferência precisa alcançar composições auxiliares, não apenas a linha principal do serviço.
Passo 7: identificar itens sem referência adequada no SINAPI
Nem todo serviço possível estará coberto pela base. O próprio sistema tem escopo definido e a legislação admite outras fontes em hipóteses aplicáveis.
Quando não existe composição compatível, o caminho técnico não é escolher qualquer item “parecido”. As alternativas podem incluir:
- composição própria fundamentada em insumos e produtividade;
- outra tabela pública adequada;
- publicação técnica especializada;
- pesquisa de mercado;
- referência específica para o setor;
- SICRO quando a natureza do serviço estiver no domínio de infraestrutura de transportes.
A fonte utilizada e a justificativa precisam aparecer na memória do orçamento.
Como criar uma composição própria a partir de referências SINAPI
Uma composição própria pode combinar insumos e referências públicas com coeficientes definidos por engenharia. O processo deve ser transparente.
Uma memória mínima contém:
- descrição e unidade do serviço;
- método executivo considerado;
- equipe e equipamentos;
- materiais e consumos;
- produtividade esperada;
- coeficientes resultantes;
- fontes dos custos dos insumos;
- encargos aplicáveis;
- transportes e fretes;
- data-base;
- justificativa técnica.
Quando a composição deriva de uma referência SINAPI ajustada, é recomendável preservar a versão original e demonstrar claramente o que foi incluído, excluído ou alterado.
Ajustar composição SINAPI é permitido?
A referência não deve ser tratada como uma estrutura imutável quando as particularidades do projeto exigem adaptação. O Decreto nº 7.983/2013 prevê a consideração de especificidades locais ou de projeto, desde que demonstradas de forma tecnicamente adequada.
Um ajuste pode ser necessário por diferenças em:
- material especificado;
- produtividade;
- equipamento;
- método executivo;
- transporte interno;
- condições de acesso;
- escala;
- localização;
- logística;
- exigências do contrato.
O cuidado central é não transformar o ajuste em uma ferramenta para alcançar arbitrariamente um preço desejado. A alteração precisa nascer da condição técnica e deixar evidência.
Passo 8: pesquisar preços quando a referência não representar o mercado
Pesquisa de mercado pode ser necessária para insumos especiais, equipamentos específicos ou serviços não cobertos adequadamente pelo sistema.
Uma pesquisa robusta registra:
- especificação exata;
- quantidade cotada;
- fornecedor;
- data;
- condição de pagamento;
- frete;
- tributos relevantes;
- prazo de entrega;
- local de entrega;
- tratamento estatístico adotado;
- justificativa para exclusão de valores atípicos.
O preço não pode ser separado das condições comerciais. Uma cotação sem frete para um insumo volumoso pode ser incomparável com outra entregue no canteiro.
Passo 9: aplicar BDI corretamente
O SINAPI fornece referências de custos. O preço de venda da obra exige tratamento das parcelas de BDI conforme a metodologia e a contratação.
O Decreto nº 7.983/2013 estabelece elementos mínimos para a composição do BDI do orçamento de referência. A taxa deve ser detalhada e compatível com o objeto.
Não se deve usar o BDI como depósito de custos que podem ser diretamente identificados e mensurados na obra. Administração local, mobilização/desmobilização e canteiro, por exemplo, possuem tratamento específico na engenharia de custos e não devem ser escondidos indevidamente dentro de uma taxa genérica.
BDI diferenciado para fornecimentos relevantes
Determinados equipamentos e materiais de natureza específica podem exigir tratamento de BDI diferenciado conforme as condições da contratação e a jurisprudência aplicável.
A análise não deve ser automática. É necessário verificar a materialidade do fornecimento, a natureza da atuação da contratada e as características de fabricação, projeto, logística e instalação.
A existência de um equipamento caro na planilha não significa, isoladamente, que qualquer percentual reduzido deva ser aplicado.
Passo 10: consolidar a planilha orçamentária
A qualidade do orçamento depende da aderência entre projeto, quantitativos e composições. A A3A estrutura orçamentos de referência com memória de cálculo, fontes, BDI e rastreabilidade para contratação e controle.
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Depois de quantificar e precificar os serviços, a planilha sintética consolida o orçamento.
Uma estrutura mínima deve permitir identificar:
- item;
- código da composição ou fonte;
- descrição;
- unidade;
- quantidade;
- custo ou preço unitário, conforme a apresentação adotada;
- preço total;
- subtotais por etapa;
- total geral;
- data-base;
- revisão;
- identificação do responsável técnico.
A planilha precisa ser acompanhada pelas demais peças que explicam como os números foram obtidos.
O que deve acompanhar uma planilha de orçamento SINAPI
Uma planilha isolada não é um orçamento auditável. Dependendo do objeto, o conjunto deve incluir:
- memória de quantitativos;
- composições analíticas;
- composições próprias e justificativas;
- detalhamento de encargos;
- BDI;
- pesquisa de preços;
- curva ABC de serviços;
- curva ABC de insumos;
- cronograma físico-financeiro;
- administração local;
- mobilização/desmobilização;
- canteiro;
- relatório de premissas e exceções.
Essa estrutura transforma a planilha em parte de um processo de engenharia, em vez de um arquivo desconectado.
Orçamento SINAPI e planilha: campos de rastreabilidade que valem a pena incluir
Além das colunas tradicionais, uma estrutura corporativa pode incluir campos de governança que facilitem revisão e atualização.
| Campo adicional | Benefício |
| Fonte | identifica SINAPI, SICRO, cotação ou composição própria |
| UF | preserva regionalização |
| Data-base | controla temporalidade |
| Código original | facilita atualização |
| Revisão de projeto | vincula o quantitativo |
| Critério de medição | reduz ambiguidade contratual |
| Status da composição | identifica referência validada/ajustada |
| Evidência | aponta memória, cotação ou relatório |
| Responsável | cria accountability |
| Observação | registra exceções |
Esses campos não precisam necessariamente aparecer na planilha pública final, mas podem existir na base de orçamento para garantir a trilha de auditoria.
SINAPI sem desoneração, com desoneração e mudanças tributárias
Orçamentos históricos frequentemente trazem referências a regimes tributários e regras de desoneração vigentes à época. Não é seguro reutilizar percentuais antigos sem validar a legislação aplicável à data-base atual. Em 2026, a comparação entre SINAPI desonerado e não desonerado deve considerar a reoneração gradual, a CPP e a CPRB efetivamente vigentes.
O procedimento correto é identificar o regime efetivamente considerado no sistema e na contratação, conferir as tabelas e parâmetros vigentes e documentar a escolha.
Isso é especialmente importante quando se compara um orçamento atual com uma base histórica: diferenças podem decorrer de metodologia tributária e não apenas de inflação ou preço de mercado.
Como usar o SINAPI sem confundir custo com preço
O custo unitário de referência corresponde ao esforço econômico para produzir o serviço segundo os componentes da composição. O preço de venda incorpora as parcelas de BDI aplicáveis.
Essa distinção precisa permanecer clara na planilha. Misturar custo direto com preço final dificulta verificar onde uma diferença surgiu.
Uma estrutura útil mantém:
custo unitário de referência → BDI aplicável → preço unitário de referência.
Para análise de proposta, essa transparência ajuda a comparar estrutura e não apenas totais.
SINAPI e orçamento por m² são a mesma coisa?
Não. O SINAPI possui indicadores e referências que podem apoiar estimativas paramétricas, mas o orçamento detalhado baseado no projeto funciona de maneira diferente.
Um custo por m² é uma grandeza agregada. Ele é adequado para ordem de grandeza, estudos iniciais e benchmarking. O orçamento analítico de uma obra de engenharia decompõe o objeto em serviços e quantitativos.
Quanto mais maduro o projeto, menor a justificativa para substituir informação disponível por um indicador excessivamente agregado.
SINAPI e CUB: diferenças de finalidade
CUB e SINAPI podem aparecer na mesma discussão de custo de construção, mas têm origens e finalidades distintas.
O CUB é um indicador normativo associado aos projetos-padrão e aos critérios da NBR 12721. O SINAPI é um sistema público de referências de custos e índices com composições e insumos amplamente utilizados em obras públicas.
Usar um valor de CUB como substituto de uma composição SINAPI em uma planilha detalhada muda completamente o nível de granularidade da estimativa.
SINAPI e SICRO: quando usar cada sistema
A Lei nº 14.133/2021 distingue as referências para obras e serviços de engenharia. Para infraestrutura de transportes, a lei aponta o SICRO; para as demais obras e serviços de engenharia, o SINAPI é a referência prevista, observadas as condições legais.
Empreendimentos complexos podem conter parcelas com natureza distinta. A escolha da referência deve seguir o serviço e a legislação aplicável, não a conveniência de selecionar a tabela com menor ou maior valor.
Como verificar se uma composição SINAPI é realmente equivalente ao projeto
Quando a composição de referência não representa a especificação ou o método construtivo, o problema pode estar na maturidade do próprio projeto. A revisão técnica reduz esse risco antes da licitação.
Uma revisão técnica pode usar uma matriz simples de aderência.
| Critério | Projeto | Composição | Aderente? |
| material | especificação | descrição da referência | sim/não |
| unidade | critério de medição | unidade SINAPI | sim/não |
| método | executivo previsto | condição aferida | sim/não |
| geometria | dimensões/faixa | família escolhida | sim/não |
| produtividade | condição local | coeficiente | sim/ajustar |
| transporte | distâncias internas | incluído/não incluído | sim/ajustar |
| equipamento | tecnologia | equipamento da composição | sim/ajustar |
A matriz força o orçamentista a justificar a escolha em vez de confiar apenas no nome da composição.
Curva ABC depois do orçamento SINAPI
Consolidado o orçamento, a curva ABC ajuda a direcionar a revisão. A curva de serviços ordena os itens pelo impacto no valor total. A curva de insumos consolida materiais, mão de obra e equipamentos presentes nas diversas composições.
A curva de insumos é especialmente útil para identificar quais preços merecem pesquisa de mercado complementar, quais categorias profissionais dominam o custo e onde uma pequena variação pode alterar significativamente o orçamento global.
Como auditar um orçamento SINAPI
Uma auditoria técnica por materialidade concentra esforço nas composições, quantitativos e insumos que realmente movem o valor global, em vez de revisar todas as linhas com o mesmo peso.
A auditoria pode ser dividida em cinco camadas.
1. Integridade do escopo
Verificar se todos os serviços necessários ao objeto foram incluídos e se não há itens estranhos ou duplicados.
2. Quantitativos
Recalcular amostras relevantes, conferir critérios de medição e rastrear as quantidades até o projeto.
3. Composições
Validar descrição, unidade, data, UF, coeficientes, composições auxiliares e eventuais ajustes.
4. Preços
Confirmar insumos, pesquisas, fretes, data-base e consistência entre fontes.
5. Formação do preço
Revisar BDI, encargos, administração local, canteiro, mobilização e cronograma, procurando omissões e duplicidades.
A priorização deve considerar materialidade. Uma inconsistência de 2% em um item que representa 30% da obra pode ser muito mais relevante do que um erro elevado em um item residual.
Erros comuns em orçamento SINAPI
Os problemas mais recorrentes não estão na soma final da planilha, mas na escolha e no uso da referência.
- selecionar composição apenas pela palavra-chave;
- ignorar caderno técnico;
- usar UF inadequada;
- misturar datas-base;
- alterar coeficiente sem memória;
- copiar composição própria de outro projeto;
- esquecer frete ou transporte interno;
- duplicar encargos complementares;
- omitir canteiro ou mobilização;
- colocar administração local no BDI;
- usar unidades incompatíveis com medição;
- não manter memória de quantitativos;
- tratar preço SINAPI como cotação comercial garantida;
- deixar pesquisa de mercado sem especificação comparável.
Como atualizar um orçamento SINAPI sem reconstruí-lo do zero
Uma base bem estruturada permite atualização controlada. O segredo é separar o que muda do que permanece.
Quantitativos só devem mudar se o projeto ou a baseline mudar. Custos de referência podem ser atualizados para nova data-base. Composições precisam ser verificadas quanto a manutenção, substituição ou alteração metodológica. Pesquisas de mercado devem ser refeitas quando perderem validade ou representatividade.
O processo de atualização pode seguir:
- congelar a versão anterior;
- carregar novas referências;
- comparar códigos e descrições;
- identificar composições alteradas ou descontinuadas;
- atualizar preços dos insumos;
- refazer pesquisas necessárias;
- revisar encargos e BDI;
- gerar relatório de variação;
- aprovar a nova revisão.
Atualização não deve ser sinônimo de sobrescrever o arquivo anterior.
Como integrar orçamento SINAPI ao cronograma e à medição
Durante a execução, orçamento, cronograma, medição e mudanças precisam continuar integrados. A Engenharia do Proprietário fornece essa governança técnica do planejamento ao aceite.
O orçamento ganha valor quando suas etapas correspondem ao planejamento físico. A EAP orçamentária deve conversar com o cronograma para permitir:
- previsão de desembolso;
- medição coerente;
- análise de avanço físico;
- identificação de desvios;
- reprogramação;
- análise de mudanças.
Se a planilha agrega serviços de forma incompatível com o cronograma, a fiscalização terá dificuldade para vincular pagamento a avanço real.
Como a A3A Engenharia pode atuar em orçamento e revisão SINAPI
O trabalho de engenharia consultiva pode abranger tanto a elaboração quanto a revisão independente do orçamento. O foco não é apenas preencher uma planilha, mas construir uma cadeia verificável entre projeto, quantitativos, composições, preços, cronograma e critérios de medição.
Em licitações, essa abordagem melhora a qualidade do orçamento-base, reduz ambiguidades do edital e cria melhores condições para análise de propostas. Durante a execução, a mesma estrutura apoia medições, alterações, reprogramações e auditorias.
Quando o orçamento já existe, uma revisão por materialidade pode concentrar esforço nos itens, insumos e premissas com maior potencial de impacto.
Considerações finais
Um orçamento SINAPI confiável não é aquele com o maior número de códigos oficiais; é aquele em que cada código tem aderência ao projeto e cada quantidade pode ser explicada. A referência pública fornece base metodológica e econômica, mas a engenharia continua responsável por transformar projeto em serviços, selecionar a composição correta e documentar exceções.
A planilha final deve ser apenas a face visível de um conjunto mais amplo: baseline, quantitativos, composições, fontes, BDI, encargos, pesquisas, curvas ABC, cronograma e premissas. É essa estrutura que torna o orçamento útil para licitar, contratar, fiscalizar e auditar.
Referências técnicas
[1] BRASIL. Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021. Lei de Licitações e Contratos Administrativos. Disponível em: https://planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14133.htm
[2] BRASIL. Decreto nº 7.983, de 8 de abril de 2013. Estabelece regras e critérios para elaboração do orçamento de referência de obras e serviços de engenharia. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/decreto/d7983.htm
[3] CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. SINAPI: Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil. Disponível em: https://www.caixa.gov.br/poder-publico/modernizacao-gestao/sinapi/Paginas/default.aspx
[4] CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. SINAPI: Metodologias e Conceitos. Brasília: CAIXA, 2026. Disponível em: https://www.caixa.gov.br/Downloads/sinapi-metodologia/Livro_SINAPI_Metodologias_Conceitos.pdf
[5] CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. SINAPI: Referências para Custos Horários e Encargos. 8. ed. Brasília: CAIXA, 2026. Disponível em: https://www.caixa.gov.br/Downloads/sinapi-metodologia/Livro_SINAPI_Calculos_Parametros.pdf
[6] TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Orientações para elaboração de planilhas orçamentárias de obras públicas. Brasília: TCU, 2014. Disponível em: https://portal.tcu.gov.br/publicacoes-institucionais/cartilha-manual-ou-tutorial/orientacoes-para-elaboracao-de-planilhas-orcamentarias-de-obras-publicas
Perguntas frequentes
Comece pelo projeto e pelos quantitativos. Depois selecione composições tecnicamente aderentes, confira unidade, critérios de quantificação, UF e data-base, trate encargos, composições próprias, pesquisas e transportes quando necessários, aplique o BDI adequado e consolide a planilha com memória e rastreabilidade.
Somente depois de verificar se a composição representa o serviço do projeto. Descrição, unidade, método, materiais, condições de execução e critérios de quantificação precisam ser compatíveis.
A Lei nº 14.133/2021 prevê SINAPI para as demais obras e serviços de engenharia e SICRO para infraestrutura de transportes, dentro das regras aplicáveis ao orçamento estimado. Estados e Municípios sem recursos da União podem utilizar outros sistemas adotados pelo ente nas hipóteses previstas pela lei.
Sim, quando especificidades locais ou de projeto justificarem a adaptação e ela for tecnicamente demonstrada. O ajuste deve ser documentado e não pode ser usado apenas para alcançar um preço desejado.
O custo por m² é um indicador agregado, adequado para estimativas preliminares e benchmarking. O orçamento SINAPI detalhado decompõe o projeto em serviços, quantitativos e composições de custos.
Pode ser necessário elaborar composição própria, utilizar outra referência pública adequada, publicação técnica, pesquisa de mercado ou outro sistema aplicável, sempre registrando a fonte e a justificativa.
Materiais técnicos complementares
Conteúdos principais sobre o tema
- SINAPI: o que é, como funciona e como usar no orçamento de obras
- Planilha Orçamentária de Obra Pública: estrutura, campos e rastreabilidade
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