Como estruturar uma composição de custos unitários, definir insumos, coeficientes e produtividade e integrar CPU, SINAPI, quantitativos, planilha e medição.
Confira!
A composição de custos unitários é o modelo técnico que demonstra quanto custa produzir uma unidade de determinado serviço de engenharia. Em vez de registrar apenas um preço final, ela decompõe o serviço nos recursos necessários — materiais, mão de obra, equipamentos e composições auxiliares — e relaciona cada recurso a um coeficiente de consumo, produtividade ou utilização. O resultado é o custo correspondente a uma unidade mensurável, como m² de alvenaria, m³ de concreto, metro de tubulação, quilograma de estrutura ou unidade instalada.
Em orçamento de obras, a composição de custos unitários, frequentemente abreviada como CPU, é a ponte entre o método executivo e o preço unitário lançado na planilha. Uma CPU tecnicamente correta não responde apenas “quanto custa?”. Ela permite compreender o que está sendo produzido, em qual unidade, com quais recursos, em que quantidade, sob quais premissas de produtividade e a partir de quais preços de insumos.
O Decreto nº 7.983/2013 define composição de custo unitário como o detalhamento do custo do serviço que expressa a descrição, as quantidades, as produtividades e os custos unitários dos materiais, da mão de obra e dos equipamentos necessários à execução de uma unidade de medida. A Lei nº 14.133/2021, ao disciplinar o valor estimado de obras e serviços de engenharia, estabelece no art. 23, § 2º, uma ordem de parâmetros que começa pelo SICRO para infraestrutura de transportes ou pelo SINAPI para as demais obras e serviços de engenharia, acrescida do BDI de referência e dos encargos sociais cabíveis.
Isso significa que composição não é sinônimo de “preço do SINAPI”. SINAPI e SICRO fornecem referências metodológicas e composições de grande relevância, mas a CPU é uma estrutura de engenharia de custos. Quando a referência existente representa adequadamente o serviço, ela pode ser utilizada. Quando o projeto, o local, a logística ou o método executivo justificam condição diferente, a composição precisa ser tecnicamente analisada, adaptada ou construída com evidências suficientes para permanecer reproduzível e auditável.
O que uma composição de custos unitários realmente representa
Uma CPU é uma representação simplificada do processo produtivo. Ela traduz a execução de um serviço em recursos e relações quantitativas. Se o serviço é “execução de determinado revestimento”, por exemplo, a composição precisa refletir materiais incorporados, mão de obra necessária, equipamentos efetivamente utilizados e atividades auxiliares que façam parte do método adotado.
A primeira consequência dessa definição é que não se deve selecionar uma composição apenas porque o título parece semelhante ao item da planilha. O mesmo serviço nominal pode possuir variações de espessura, dimensão, equipamento, condição de acesso, transporte, acabamento, produtividade ou sequência executiva capazes de alterar os recursos necessários.
O SINAPI ilustra bem essa lógica: suas referências não se resumem a uma lista de preços. O sistema associa composições, insumos, cadernos técnicos, critérios de quantificação e premissas de aferição. Para usar corretamente uma CPU referencial, o orçamentista precisa verificar a aderência técnica da composição ao serviço projetado.
A CPU também estabelece a fronteira entre custo e preço. O custo unitário decorre dos recursos necessários à produção da unidade. O preço final da contratação incorpora outras parcelas conforme a estrutura aplicável, como BDI. Misturar esses níveis cria duplicidade e reduz a capacidade de auditar a formação do valor.
Anatomia de uma composição de custos unitários
Uma composição robusta precisa permitir que outro profissional identifique o serviço, compreenda seus recursos e reproduza o cálculo. O formato pode variar entre sistemas, planilhas e bases referenciais, mas os elementos técnicos são recorrentes.
| Elemento | O que registra | Pergunta de controle |
| Código | identificação da CPU | qual referência está sendo usada? |
| Descrição do serviço | escopo da unidade produzida | o que exatamente está incluído? |
| Unidade | grandeza de produção | o que significa produzir “1” desta CPU? |
| Insumo/recurso | material, mão de obra ou equipamento | qual recurso participa do processo? |
| Unidade do insumo | unidade de consumo | como o recurso é medido? |
| Coeficiente | consumo ou utilização por unidade produzida | quanto do recurso é necessário? |
| Custo unitário do insumo | valor de referência | de onde veio o preço? |
| Custo parcial | coeficiente × custo do insumo | qual parcela do custo vem deste recurso? |
| Custo total | soma das parcelas | quanto custa produzir uma unidade? |
| Fonte/data-base | origem e competência | o valor é rastreável temporalmente? |
Em composições mecanizadas, informações adicionais podem ser necessárias: produtividade da equipe, produção horária, tempo produtivo e improdutivo, potência, consumo, utilização de equipamentos, distância de transporte e composição auxiliar. O grau de detalhe deve acompanhar a complexidade do serviço.
Uma composição própria ou adaptada também precisa registrar as premissas que justificam sua estrutura. Sem isso, o cálculo pode até estar matematicamente correto, mas permanece tecnicamente opaco.
Materiais, mão de obra e equipamentos: como cada recurso entra na CPU
Os recursos não devem ser lançados de forma indiferenciada. Cada classe possui comportamento econômico e técnico próprio.
Materiais
Materiais são normalmente representados por um consumo por unidade de serviço. O coeficiente deve refletir a quantidade efetivamente necessária, incluindo perdas apenas quando elas pertencem ao processo produtivo e possuem fundamento técnico. Adicionar margens arbitrárias para “segurança” distorce a composição e pode transformar incerteza em custo sem justificativa.
A origem do preço do material também precisa ser preservada. Quando a referência vem de base pública, devem ser identificados código, competência e localidade. Quando depende de mercado, a pesquisa de preços para obras e serviços de engenharia precisa comparar objetos equivalentes, considerando quantidade, frete, tributos, prazo, garantia e condição de fornecimento.
Mão de obra
A mão de obra entra na composição por meio do tempo ou esforço necessário para produzir uma unidade. Esse coeficiente está diretamente relacionado à produtividade. Uma equipe que executa 20 unidades por hora possui uma relação diferente daquela que produz 10 nas mesmas condições.
Os custos de mão de obra devem estar coerentes com os encargos sociais aplicáveis ao SINAPI e ao orçamento. O erro de inserir determinada parcela nos encargos e novamente em outra camada do orçamento é uma fonte clássica de dupla contagem.
Equipamentos
Equipamentos exigem cuidado especial porque custo horário e produção estão conectados. Em serviços mecanizados, é insuficiente informar apenas o valor do equipamento por hora. É preciso verificar quantas unidades são produzidas durante essa hora e como o tempo produtivo, improdutivo ou de espera está tratado.
Essa relação se torna especialmente relevante em terraplenagem, pavimentação, transporte, içamento e processos industriais. Uma alteração aparentemente pequena de produtividade pode mudar vários coeficientes simultaneamente.
Coeficiente, produtividade e produção: conceitos que não devem ser confundidos
O coeficiente indica quanto de determinado recurso é consumido ou utilizado para produzir uma unidade do serviço. A produtividade expressa a quantidade produzida em determinada unidade de tempo ou esforço. Os dois conceitos estão relacionados, mas não são equivalentes.
Considere uma equipe que executa 8 m² de determinado serviço por hora. Se o recurso analisado é uma hora de equipe, o coeficiente associado à produção de 1 m² será 1/8, ou 0,125 h/m². Se a produtividade cai para 5 m²/h, o coeficiente aumenta para 0,20 h/m². O preço do profissional pode não ter mudado, mas o custo unitário cresce porque mais tempo é necessário para produzir a mesma unidade.
Essa relação explica por que manipular coeficientes para alcançar um preço desejado é tecnicamente inadequado. O coeficiente precisa nascer de uma hipótese de produção defensável: aferição da base de referência, estudo de produtividade, histórico comparável, método executivo, composição da equipe, restrições de acesso ou outra evidência objetiva.
O artigo sobre benchmarking de custos, prazos e produtividade ajuda a compreender como dados comparáveis podem sustentar premissas, desde que diferenças de contexto sejam explicitadas.
Em orçamento público, esse cuidado é crítico porque a CPU não deve funcionar como uma variável de ajuste para acomodar um valor previamente escolhido. O processo correto é o inverso: define-se o serviço e o método, estimam-se recursos e produtividades, obtêm-se os custos e então calcula-se o resultado.
Composições principais e composições auxiliares
Uma composição principal pode depender de outras composições intermediárias. Essas estruturas são chamadas de composições auxiliares e evitam repetir um mesmo processo em várias CPUs.
Imagine um serviço final que dependa de preparo de material, transporte interno ou operação de determinado equipamento. Em vez de abrir todos os insumos novamente na CPU principal, a atividade auxiliar pode possuir uma composição própria e entrar como recurso intermediário.
Essa arquitetura melhora a padronização, mas cria um risco: a auditoria precisa seguir a cadeia até o nível de origem. Uma alteração em uma composição auxiliar pode afetar dezenas de serviços sem aparecer de forma evidente na planilha sintética.
Por isso, quando uma composição possui auxiliares, a revisão deve verificar:
- se a atividade auxiliar realmente pertence ao método executivo;
- se ela não já está remunerada em outra parcela;
- se seus insumos e produtividades estão atualizados;
- se o custo retorna corretamente à composição principal;
- se a unidade de produção é compatível entre as duas camadas.
A estrutura do orçamento sintético e analítico depende dessa hierarquia. O orçamento sintético apresenta o item contratável; o analítico abre as CPUs necessárias para explicar o preço.
Como escolher uma composição SINAPI ou SICRO
Uma composição só é defensável se representar o serviço que o projeto realmente define. Quando especificação, método executivo ou interfaces ainda estão instáveis, o custo unitário pode cristalizar premissas que serão alteradas mais tarde.
A revisão do projeto antes do fechamento do orçamento reduz o risco de recalcular CPUs depois da licitação.
A seleção deve começar pela definição do serviço no projeto, e não por busca textual em uma base de custos. É necessário compreender especificação, unidade, método executivo, condições de execução e critério de medição antes de comparar a necessidade com as composições disponíveis.
Um roteiro técnico de seleção pode seguir esta ordem:
- identificar exatamente o serviço e a unidade prevista no projeto;
- localizar a família de composições potencialmente aplicável;
- comparar descrição completa e caderno técnico, quando disponível;
- verificar insumos e composições auxiliares;
- conferir condições de aferição e produtividade consideradas;
- validar critérios de quantificação e medição;
- confirmar competência, localidade e regime aplicáveis;
- documentar a escolha e eventuais diferenças relevantes.
A primeira referência de preço não é necessariamente a primeira composição encontrada. Uma base pode possuir várias CPUs para serviços visualmente semelhantes porque as condições de produção diferem.
A cartilha das 18 peças do orçamento de obra pública reforça que composição, quantitativo, fonte e critério de medição precisam formar uma cadeia. Uma CPU tecnicamente perfeita ainda pode estar errada se aplicada ao item errado ou a uma quantidade calculada sob critério incompatível.
Quando criar composição própria
Uma composição própria pode ser necessária quando não existe referência aderente ao serviço ou quando a solução possui características que não estão representadas nas bases disponíveis. Isso ocorre com frequência em tecnologias específicas, equipamentos especiais, sistemas integrados, métodos inovadores, condições logísticas singulares ou objetos cuja granularidade supera as referências usuais.
A criação própria não significa liberdade para arbitrar coeficientes. Ao contrário: como existe menos apoio em uma referência consolidada, aumenta a necessidade de documentar método, recursos, produtividade, preços e premissas.
Uma CPU própria deve responder, no mínimo:
- qual serviço está sendo modelado e em qual unidade;
- qual método executivo foi considerado;
- quais recursos compõem a produção;
- como foram definidos os coeficientes;
- quais preços e fontes foram utilizados;
- qual data-base e localidade se aplicam;
- quais atividades estão incluídas ou excluídas;
- quais evidências sustentam produtividades não referenciais.
Em sistemas tecnológicos, é comum que parte do custo esteja melhor representada por cotação de mercado e parte por composição de instalação, configuração, testes ou integração. O orçamentista precisa impedir que fornecimento e serviço sejam duplicados ou agregados de forma que torne impossível verificar a formação do preço.
Como ajustar uma composição referencial sem perder auditabilidade
Uma composição pode ser adequada em sua estrutura geral e, ainda assim, precisar de ajustes para representar o caso concreto. O Decreto nº 7.983/2013 admite especificidades locais ou de projeto nas composições de custos unitários, desde que a pertinência dos ajustes seja demonstrada em relatório técnico elaborado por profissional habilitado.
O artigo específico sobre ajustes em composições SINAPI sem gerar achado de auditoria é o proprietário dessa intenção e aprofunda inclusão, exclusão ou substituição de insumos, alterações de atividades auxiliares, produtividade e justificativas. Aqui, o ponto central é preservar a fronteira: a CPU genérica explica como um custo unitário é formado; o ajuste explica como modificar uma referência existente de forma tecnicamente defensável.
A documentação do ajuste deve mostrar o antes e o depois. Preservar apenas a versão final impede que o revisor saiba o que foi alterado. Uma prática robusta registra código original, composição de referência, elemento modificado, justificativa, evidência e impacto no custo unitário.
Quando o custo unitário resultante fica acima da referência, também é necessário avaliar o enquadramento aplicável. O conteúdo sobre custo acima do SINAPI e o art. 8º do Decreto nº 7.983/2013 trata especificamente dessa fundamentação.
Como construir uma CPU passo a passo
CPU própria não é licença para arbitrar preço. Recursos, coeficientes, produtividade, fontes e data-base precisam formar uma memória reproduzível.
A engenharia de custos integra a composição ao quantitativo, à planilha sintética e ao restante do orçamento de referência.
Quando não existe composição pronta aderente ao serviço, a construção deve seguir uma sequência que parta da engenharia e termine no cálculo.
1. Definir a unidade de serviço
A unidade deve ser compatível com a forma como o serviço será quantificado e medido. Se a CPU produz 1 m², todos os recursos precisam ser normalizados para essa produção. Uma unidade inadequada torna coeficientes difíceis de interpretar e pode gerar divergência no pagamento.
2. Descrever o método executivo
Antes de listar recursos, é necessário explicar como a unidade é produzida. Isso evita omitir etapas ou incluir atividades que pertencem a outra composição.
3. Identificar os recursos
Materiais, mão de obra, equipamentos e auxiliares devem ser relacionados conforme o processo real. O nível de detalhe precisa permitir verificar os componentes que influenciam materialmente o custo.
4. Determinar coeficientes
Cada recurso recebe uma relação de consumo ou utilização por unidade. A origem pode ser referência pública, estudo de produtividade, histórico técnico, ficha de fabricante, ensaio ou memória de cálculo, conforme o recurso.
5. Obter custos dos insumos
Os custos precisam pertencer à data-base e localidade definidas para o orçamento, preservando a fonte. Itens não encontrados em base adequada podem exigir pesquisa de mercado.
6. Calcular custos parciais e total
O custo parcial resulta do coeficiente multiplicado pelo custo do recurso. A soma das parcelas forma o custo unitário direto do serviço, respeitada a metodologia adotada.
7. Revisar fronteiras de custo
Antes de aprovar a CPU, deve-se verificar se transporte, perdas, administração, mobilização, ferramentas, encargos e outras parcelas já aparecem em outra camada. A pergunta é: “este custo está sendo remunerado exatamente uma vez?”.
8. Registrar versão e premissas
Composição própria ou ajustada precisa ser versionada. Se produtividade, preço ou método muda, o histórico deve mostrar qual revisão do orçamento utilizou cada versão.
Essa sequência se integra à planilha orçamentária de obra pública, que consolida o preço unitário da CPU no item correspondente.
Relação entre composição, quantitativo e critério de medição
CPU e quantitativo não podem ser analisados separadamente. A composição define o custo de uma unidade; o levantamento quantitativo define quantas unidades serão necessárias. Se a unidade é interpretada de forma diferente nas duas peças, o orçamento se torna incoerente.
O exemplo clássico é uma CPU em m² cujo critério de quantificação considera área líquida, enquanto a memória de quantitativos considera área bruta sem os mesmos descontos. O preço unitário pode estar correto e a quantidade também parecer plausível, mas a multiplicação não representa o serviço de acordo com a referência.
A mesma coerência precisa chegar à medição. O boletim de medição de obras não deveria inaugurar um novo critério durante a execução. A lógica de medir e pagar precisa ser compatível com a forma utilizada para quantificar e orçar.
Esse encadeamento pode ser resumido em uma regra operacional: a unidade técnica precisa significar a mesma coisa no projeto, na memória de cálculo, na CPU, na planilha e na medição.
Data-base, fontes e atualização dos preços dos insumos
Uma CPU é temporal. Mesmo com coeficientes imutáveis, o custo unitário muda quando os preços dos recursos mudam. Por isso, toda composição precisa ser associada à competência utilizada no orçamento.
Misturar insumos de meses ou localidades diferentes sem tratamento compromete comparabilidade. Em bases públicas, isso normalmente se resolve mantendo a mesma competência e localidade. Em pesquisas de mercado, é preciso registrar a data das propostas e as condições de fornecimento.
A pesquisa de preços sob a Lei nº 14.133 também deve evitar comparar versões técnicas distintas como se fossem o mesmo item. Em equipamentos, pequenas diferenças de desempenho, acessórios, garantia ou serviços inclusos podem alterar significativamente a cotação.
Quando o orçamento é atualizado, a equipe deve decidir se atualiza apenas os preços dos recursos ou também revisa produtividades e métodos. Uma composição construída meses antes pode continuar matematicamente calculável, mas deixar de representar o projeto se o escopo foi alterado nesse período.
Onde entram encargos sociais e BDI
Os encargos sociais impactam o custo da mão de obra. O BDI é outra camada, relacionada à formação do preço global. Tratar ambos como percentuais intercambiáveis é um erro conceitual.
Os encargos sociais SINAPI devem ser compatíveis com o regime considerado e com a forma como os custos de mão de obra foram estruturados. A memória precisa deixar claro o que está embutido nos custos utilizados.
Já o BDI de obras e serviços de engenharia não deve ser transformado em recipiente para custos omitidos da CPU. Se determinado recurso é diretamente necessário para produzir a unidade de serviço, precisa ser avaliado no nível adequado. Inserir a mesma parcela na composição e novamente no BDI é dupla remuneração.
Em materiais e equipamentos relevantes, a análise de BDI diferenciado pode ser necessária conforme a estrutura de fornecimento e as condições da contratação.
Erros recorrentes em composições de custos
A maioria dos erros relevantes não está na soma final, mas nas premissas.
| Erro | Efeito provável | Controle preventivo |
| escolher CPU apenas pelo título | serviço de referência diferente do projeto | conferir descrição e caderno técnico |
| coeficiente arbitrário | custo manipulado sem produtividade demonstrada | memória de cálculo e evidência |
| omitir composição auxiliar | custo subestimado | mapear método executivo completo |
| duplicar transporte | superfaturamento potencial | revisar fronteiras de custo |
| misturar competências | perda de comparabilidade | mapa de fontes e data-base |
| usar insumo não equivalente | preço tecnicamente inválido | especificação e pesquisa comparável |
| atualizar preço sem revisar método | CPU descolada do projeto | versionamento e Design Review |
| usar unidade incompatível | divergência entre orçamento e medição | alinhar critério de quantificação |
| incluir BDI dentro da CPU e fora dela | dupla contagem | separar custo e preço |
Uma análise apenas aritmética não detecta esses problemas. É necessário revisar o significado técnico de cada componente.
Como auditar uma composição de custos unitários
Revisar somente o total da composição não testa sua aderência técnica. A auditoria precisa seguir insumos, auxiliares, produtividade, fonte e fronteiras de custo até localizar a origem de cada parcela relevante.
Em orçamento recebido de terceiro, essa verificação independente separa autoria de validação.
A auditoria pode começar pelos itens de maior materialidade, mas não deve ignorar criticidade técnica. A Curva ABC ajuda a selecionar serviços que concentram valor, enquanto a análise de risco identifica itens capazes de gerar grande impacto mesmo com participação financeira menor.
Um roteiro de revisão inclui:
- confirmar que o item da planilha corresponde ao serviço da CPU;
- validar unidade e critério de medição;
- conferir composição de referência e respectiva versão;
- revisar recursos e auxiliares;
- recalcular coeficientes críticos;
- testar produtividade contra método e condições de execução;
- verificar origem, competência e localidade dos custos;
- identificar duplicidades com outras CPUs, administração, mobilização ou BDI;
- comparar o resultado com referências e itens similares;
- registrar achado, impacto e ação necessária.
Quando o orçamento foi produzido por terceiro, a Auditoria Técnica de Engenharia permite separar autoria da verificação. Essa independência é especialmente útil em revisão pré-edital, validação de orçamento recebido, due diligence e análise de propostas.
Como a CPU afeta licitação, propostas e aditivos
Composições transparentes também qualificam a análise de propostas. Elas permitem distinguir desconto comercial legítimo de preço unitário estruturalmente incompatível com os recursos e o método previsto.
A análise técnica de propostas deve confrontar preço, composição, exequibilidade e coerência entre itens antes da contratação.
A composição de custos funciona durante todo o ciclo da contratação. Na fase preparatória, sustenta o preço unitário de referência. Na licitação, ajuda a analisar propostas e exequibilidade. Durante a execução, fornece base para compreender custos de serviços existentes e pode servir de referência na formação de novos preços, observadas as regras contratuais e legais aplicáveis.
Uma CPU mal formada também pode favorecer distorções de preço entre itens. O artigo sobre mergulho de preços, jogo de planilha e estratégia de aditivos mostra por que não basta comparar apenas o preço global quando a distribuição dos preços unitários cria incentivos econômicos inadequados.
Quando surge alteração de escopo, é necessário preservar a causalidade técnica. A análise técnica de aditivos e alterações de escopo precisa verificar se o novo preço nasce de serviço realmente novo, de mudança quantitativa, de alteração de método ou de correção de deficiência do orçamento original.
Composições transparentes reduzem a assimetria nessa discussão. Se os recursos e produtividades estão documentados, fica mais fácil comparar a situação original com a modificada.
Como contratar elaboração ou revisão de composições de custos
O escopo não deve pedir apenas “planilha de composições”. É necessário definir o grau de responsabilidade técnica e os entregáveis de memória.
Para elaboração, convém exigir:
- identificação do projeto e da baseline utilizada;
- relação entre item da planilha e CPU;
- código e origem de referências adotadas;
- abertura de composições principais e auxiliares;
- registro de recursos, coeficientes e custos unitários;
- memória de produtividades não referenciais;
- fonte, competência e localidade dos insumos;
- justificativa de composições próprias ou adaptadas;
- controle de versões e premissas;
- relatório de exceções materialmente relevantes;
- responsabilidade técnica compatível com o serviço.
O serviço de Orçamento de Obras e Serviços de Engenharia integra essas CPUs ao restante da estrutura: quantitativos, planilha sintética, fontes, BDI, cronograma e documentação de suporte.
Se o projeto ainda possui interfaces ou indefinições capazes de alterar métodos executivos, o fechamento prematuro das CPUs apenas cristaliza hipóteses frágeis. Nesse cenário, o Design Review em Projetos de Engenharia deve resolver incompatibilidades e premissas críticas antes da consolidação econômica.
Considerações finais
Uma composição de custos unitários confiável é, essencialmente, um pequeno modelo de produção. O preço unitário é sua saída; o valor técnico está na capacidade de explicar como recursos, coeficientes, produtividade e preços se combinam para produzir uma unidade do serviço.
A melhor revisão não pergunta apenas se o total da CPU coincide com uma tabela. Ela verifica se a composição escolhida representa o projeto, se cada recurso pertence ao método executivo, se os coeficientes possuem fundamento, se os preços são rastreáveis e se a unidade significa a mesma coisa no quantitativo, na planilha e na medição.
Quando essa cadeia é preservada, a CPU deixa de ser uma caixa-preta de preço e passa a funcionar como evidência de engenharia de custos — útil para orçar, revisar, licitar, fiscalizar e justificar decisões futuras.
Referências técnicas
[1] BRASIL. Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021. Lei de Licitações e Contratos Administrativos. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14133.htm
[2] BRASIL. Decreto nº 7.983, de 8 de abril de 2013. Estabelece regras e critérios para elaboração do orçamento de referência de obras e serviços de engenharia. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/decreto/d7983.htm
[3] BRASIL. Ministério da Economia. Instrução Normativa SEGES/ME nº 91, de 16 de dezembro de 2022. Regras para definição do valor estimado de obras e serviços de engenharia. Disponível em: https://www.gov.br/compras/pt-br/acesso-a-informacao/legislacao/instrucoes-normativas/instrucao-normativa-seges-me-no-91-de-16-de-dezembro-de-2022
[4] TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Orientações para elaboração de planilhas orçamentárias de obras públicas. Brasília: TCU, 2014. Disponível em: https://portal.tcu.gov.br/publicacoes-institucionais/cartilha-manual-ou-tutorial/orientacoes-para-elaboracao-de-planilhas-orcamentarias-de-obras-publicas
Perguntas frequentes
É o detalhamento dos recursos necessários para produzir uma unidade de determinado serviço. Relaciona materiais, mão de obra, equipamentos e composições auxiliares aos respectivos coeficientes e custos, permitindo calcular o custo unitário do serviço.
Produtividade expressa quanto se produz em determinado tempo ou esforço. Coeficiente expressa quanto de um recurso é necessário por unidade produzida. Os conceitos são relacionados: quando a produtividade diminui, o coeficiente de tempo normalmente aumenta.
Não. A composição de custos unitários é uma estrutura de engenharia de custos. O SINAPI é um sistema referencial que fornece composições, insumos, preços e metodologia para grande parte das obras e serviços de construção civil.
A adequação pode ser tecnicamente necessária quando a referência não representa as especificidades do projeto ou do local. No âmbito do Decreto nº 7.983/2013, ajustes pertinentes precisam ser demonstrados em relatório técnico por profissional habilitado, observadas as regras aplicáveis.
Quando não existe referência aderente ao serviço, especialmente em métodos, tecnologias, sistemas ou condições específicas. A composição própria deve documentar unidade, método executivo, recursos, coeficientes, produtividades, fontes de preço, data-base e premissas.
A CPU normalmente demonstra o custo unitário do serviço. O BDI pertence à camada de formação do preço e deve ser tratado separadamente conforme a metodologia do orçamento, evitando que uma mesma parcela seja contabilizada na composição e novamente no BDI.
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