A Certificação de Rede é um conjunto de testes que avalia a qualidade geral de um sistema de cabeamento estruturado, assegurando que a infraestrutura de rede está em plena conformidade com as normas técnicas.

Entenda certificação de rede em cobre e fibra: plano de testes, Permanent Link, MPTL, LSPM/OTDR, PASS/FAIL, relatórios, as built e critérios de aceite.

Confira!

Certificação de rede é o processo técnico usado para comprovar que o cabeamento instalado atende aos requisitos de desempenho, à configuração de ensaio definida, ao projeto e aos critérios de aceite. Ela não é um teste de velocidade da internet nem apenas a emissão de um relatório pelo certificador: envolve planejamento, identificação dos enlaces, seleção de limites, calibração, execução controlada, tratamento de falhas, retestes, rastreabilidade e integração dos resultados ao as built.

No cabeamento metálico, a certificação normalmente verifica enlaces permanentes, canais ou configurações especiais contra os limites da classe aplicável. Em fibra óptica, o processo usa métodos específicos de medição de atenuação e caracterização, como LSPM/OLTS e OTDR, conforme o escopo. Em ambos os casos, a finalidade é produzir evidência verificável de que a infraestrutura passiva entregue está em conformidade.

O que a certificação de rede valida — e o que ela não valida

A certificação responde à pergunta: o enlace passivo instalado atende aos limites e requisitos técnicos definidos para ele? Isso é diferente de verificar funcionamento de switches, VLANs, DHCP, Wi-Fi, roteamento, aplicações ou throughput fim a fim.

VerificaçãoCertificação de cabeamentoTeste de rede ativa
Continuidade/wire mapsimnão é o objetivo principal
Perda de inserção/NEXT/retornosim, no cobrenão
Atenuação ópticasim, quando previstanão
Eventos ópticos por distânciaOTDR, quando previstonão
Velocidade de internetnãopode ser avaliada por outras ferramentas
Throughput fim a fimnãoiPerf e testes equivalentes
VLAN/DHCP/roteamentonãotestes funcionais da rede
PoE em operaçãonão é substituído pela certificaçãoexige verificações próprias

Um enlace pode estar certificado e a aplicação ainda apresentar falha por problema de configuração ou equipamento. Também pode ocorrer o contrário: uma rede aparentemente “funcionar” hoje e o enlace estar fora dos limites normativos, sem margem para manutenção ou evolução.

Certificação de rede, certificador e parâmetros: três assuntos diferentes

Para evitar canibalização conceitual, é útil separar três camadas.

  • Certificador de rede é o instrumento utilizado para executar ensaios de campo e comparar medições com limites.
  • Parâmetros de certificação são as grandezas medidas ou calculadas, como perda de inserção, NEXT, perda de retorno, ACR, atraso e resistência.
  • Certificação de rede é o processo completo de planejamento, medição, controle de qualidade, tratamento de não conformidades, documentação e aceite.

Essa distinção importa em contratos. Comprar ou alugar um equipamento certificador não garante que a certificação foi tecnicamente bem executada. O processo depende de escopo, limites, configuração, identificação e governança dos resultados.

O plano de certificação deve existir antes dos testes

A certificação precisa nascer na especificação. Definir classe, Permanent Link/Channel/MPTL, formato de relatório, retestes e critérios de aceite no Projeto de Cabeamento evita divergências quando a obra já está concluída.

Projeto de Cabeamento Estruturado

A ABNT NBR 16869-1 trata a certificação como parte do planejamento da instalação. A especificação deve definir previamente o que será ensaiado, quais limites serão aplicados, qual configuração representa o escopo e como serão tratados resultados fora de conformidade.

Um plano de certificação pode consolidar:

  1. quantidade e identificação dos enlaces;
  2. norma e classe de desempenho;
  3. configuração de teste — enlace permanente, canal, MPTL ou outra aplicável;
  4. instrumentos e adaptadores aceitos;
  5. requisitos de calibração e firmware;
  6. critérios de PASS, FAIL e resultados marginais;
  7. escopo de ensaios ópticos;
  8. política de reteste após correção;
  9. nomenclatura dos arquivos e relatórios;
  10. formato de entrega dos dados nativos e PDFs;
  11. integração com matriz porta-ponto e as built;
  12. responsáveis por execução, revisão e aceite.

Quando essas decisões são tomadas somente depois da obra, surgem divergências: parte dos enlaces é testada como Channel e parte como Permanent Link, limites são selecionados de forma diferente entre equipes, os nomes dos pontos não coincidem com as plantas e arquivos originais ficam dispersos.

Certificação de cabeamento metálico

No cabeamento balanceado, o ensaio compara o comportamento do enlace com os limites aplicáveis à classe selecionada. Para instalações convencionais, a NBR 16869-1 estabelece que os ensaios normalizados sejam executados em toda a instalação entregue, salvo quando o cliente especifica formalmente uma amostra inferior a 100% em casos específicos.

Isso significa que a regra operacional não deve ser “testar alguns pontos para ver se a equipe está instalando bem”. Amostragens intermediárias são úteis como controle de processo, mas o aceite final da infraestrutura deve seguir o escopo contratual e a normalização aplicável.

Enlace permanente, canal e MPTL

O modelo de ensaio precisa representar o objeto que está sendo recebido.

ConfiguraçãoO que representaUso típico no aceite
Enlace permanenteparte fixa entre terminaçõesaceite da instalação passiva fixa
Canalinfraestrutura fixa + cordões previstosvalidação do canal completo configurado
MPTLenlace terminado diretamente em plugue modular em uma extremidadecâmeras, APs e dispositivos fixos quando a arquitetura prevê MPTL
Conexão diretaconfiguração específica sem arquitetura convencional de tomada/patch panelusos dedicados previstos pelas normas aplicáveis

O erro mais comum é escolher o limite no instrumento pelo nome impresso no cabo e não pelo sistema que está sendo aceito. Categoria do componente e classe do enlace não são sinônimos de um relatório automaticamente válido.

Certificador de rede utilizado em campo

Quais parâmetros são avaliados no cobre

Os parâmetros dependem da classe e da configuração, mas normalmente incluem continuidade/wire map, comprimento, perda de inserção, NEXT, PSNEXT, perda de retorno, relações ACR, atraso e outros requisitos de transmissão.

O artigo específico de parâmetros de certificação aprofunda a interpretação física de cada grandeza. Para o processo de aceite, o ponto central é outro: o relatório precisa demonstrar que todos os parâmetros exigidos para aquele limite foram avaliados e que o resultado final é coerente com a instalação entregue.

Um resumo “PASS” sem os registros completos não substitui os dados de ensaio, especialmente quando há necessidade de auditoria, diagnóstico ou garantia.

Cat5e, Cat6 e Cat6A: a certificação deve usar a classe correta

A classe de desempenho define os limites contra os quais o instrumento compara o enlace. Em instalações de cobre, isso inclui diferenças de faixa de frequência e requisitos de transmissão.

Não é adequado testar um sistema contratado como Classe EA/Cat6A contra limite inferior apenas para obter aprovação. Da mesma forma, não faz sentido reprovar uma infraestrutura especificada para Classe D usando um limite de classe superior que nunca fez parte do requisito.

Para Classe EA, o planejamento pode incluir avaliação de alien crosstalk. A NBR 16869-1 trata amostragem específica desse parâmetro, diferente do AUTOTEST convencional executado em cada enlace. Essa distinção precisa constar do plano de qualidade.

PASS, FAIL e resultado marginal

Quando o objetivo é comprovar desempenho da infraestrutura instalada, o serviço de Ensaios e Testes organiza equipamentos, limites, identificação, execução, diagnóstico de falhas e relatórios rastreáveis.

Ensaios e Testes Técnicos

O relatório deve ser interpretado contra o limite de teste configurado.

  • PASS: o conjunto de parâmetros atende ao limite selecionado.
  • FAIL: pelo menos um parâmetro não atende ao requisito e o enlace não pode ser aceito sem correção e novo ensaio.
  • marginal: resultado próximo ao limite dentro da incerteza do equipamento ou da política definida; seu tratamento deve seguir o plano de qualidade e a norma aplicável.

A NBR 16869-1 é clara quanto aos resultados inaceitáveis: os enlaces ou canais com falha devem ser revisados, corrigidos e retestados até atenderem aos requisitos. O histórico da intervenção precisa permanecer rastreável.

Fluxo de certificação e aceite do cabeamento

PASS

FAIL

Plano de ensaios

Identificar enlaces

Configurar limite

Executar ensaio

Resultado

Registrar resultado

Diagnosticar e corrigir

Retestar

Consolidar relatórios

Integrar ao as built

Aceite técnico

Fluxo de certificação e aceite do cabeamento

Esse ciclo impede que falhas corrigidas desapareçam do histórico. Em obras de grande porte, a taxa de PASS de primeira execução também é um indicador de qualidade da instalação.

Como diagnosticar uma reprovação sem trocar o enlace inteiro

Um FAIL não significa automaticamente que o cabo precisa ser substituído. O parâmetro reprovado direciona a investigação.

Falha predominanteCausas a investigarAção típica
Wire mapterminação incorreta, condutor rompidorevisar terminações
NEXTdestrançamento, conector, mistura de componentesinspecionar hardware e terminação
Perda de retornodobras, deformação, impedância, conectorrevisar rota e conexões
Perda de inserçãocomprimento, temperatura, cabo, conexõesverificar material e percurso
Comprimento excessivorota, sobras, configuraçãoconfirmar arquitetura e medição
Resistência/desequilíbriocondutor, terminação, danorevisar material e conexões

O processo de certificação ganha valor quando o diagnóstico encontra a causa-raiz e documenta a correção, em vez de simplesmente repetir testes até aparecer um PASS.

Certificação de fibra óptica

Redes ópticas exigem orçamento de perdas, métodos de referência, inspeção de conectores e definição do papel de LSPM/OLTS e OTDR. O Projeto de Fibra Óptica fecha esses critérios antes da execução e do aceite.

Projeto de Fibra Óptica e Redes Ópticas

A certificação óptica exige métodos diferentes do cabeamento balanceado. A ABNT NBR 16869-2 trata medição da atenuação em cabeamento óptico instalado e estabelece requisitos para equipamentos, referência, inspeção, limpeza, documentação e tratamento de resultados.

A avaliação pode envolver fibras multimodo e monomodo, conectores, adaptadores, emendas e outros componentes passivos. O método precisa representar o objetivo do ensaio e o orçamento óptico do enlace.

LSPM/OLTS x OTDR: funções diferentes

LSPM — fonte de luz e power meter — mede a perda total do enlace/canal sob uma configuração de referência. Sistemas OLTS automatizam esse princípio e podem acrescentar polaridade e comprimento conforme o equipamento.

O OTDR caracteriza a fibra por retroespalhamento e localiza eventos ao longo da distância: conectores, emendas, reflexões, macrocurvaturas e outros pontos de perda. Ele não deve ser tratado como simples substituto do ensaio de perda fim a fim; são métodos que respondem a perguntas diferentes.

MétodoResponde principalmenteUso
LSPM/OLTSqual é a perda total do caminho?conformidade do orçamento de atenuação
OTDRonde estão eventos e perdas ao longo da fibra?caracterização, diagnóstico e documentação de eventos

Traço de eventos em OTDR

Comprimentos de onda e configuração do ensaio óptico

A NBR 16869-2 especifica comprimentos de onda de ensaio conforme o tipo de fibra. Para multimodo são utilizadas referências em 850 nm e 1.300 nm; para monomodo, 1.310 nm e 1.550 nm, dentro das tolerâncias definidas pela norma.

A seleção do comprimento de onda não deve ser deixada a um padrão automático sem revisão. O plano de ensaio precisa indicar quais fibras, sentidos e comprimentos de onda serão registrados para cada enlace.

Em OTDR, o uso de fibra de lançamento e cordão terminal é importante para caracterizar adequadamente as interfaces inicial e final. Sem esses acessórios, a zona morta do equipamento pode ocultar eventos relevantes.

Inspeção e limpeza de conectores antes dos ensaios

Conectores contaminados podem aumentar a perda, gerar resultados inconsistentes e até danificar interfaces. A NBR 16869-2 exige inspeção das faces de conectores de cabos de lançamento, cordões de ensaio e cabeamento sob teste, com limpeza e nova inspeção quando houver contaminação.

Esse procedimento deve ser tratado como etapa do ensaio, não como ação opcional após um resultado ruim. Testar repetidamente uma interface suja apenas multiplica dados inválidos.

Resultados marginais em fibra óptica

A NBR 16869-2 estabelece que resultados marginais não são admitidos nos ensaios do cabeamento óptico. Isso diferencia a interpretação de algumas situações no cobre e reforça a necessidade de avaliar incerteza, referência, limpeza e configuração antes de declarar conformidade.

Quando um resultado óptico está muito próximo do limite, a resposta não deve ser editar o orçamento ou escolher apenas o sentido mais favorável. É necessário revisar o método, os conectores, as emendas e o orçamento de perdas especificado.

Calibração, adaptadores, firmware e condição do equipamento

A confiança no resultado depende do sistema de ensaio, não só do aparelho principal. Adaptadores, cordões, conectores de referência e interfaces sofrem desgaste e possuem quantidade limitada de ciclos de conexão.

A NBR 16869-1 exige comprovação de calibração do equipamento de campo e recomenda firmware atualizado. Para a fibra, a NBR 16869-2 também estabelece requisitos de calibração e desempenho dos sistemas de medição.

Antes da mobilização, o responsável técnico deve verificar:

  • certificado de calibração válido;
  • número de série do instrumento;
  • versão de software/firmware;
  • adaptadores corretos para a configuração;
  • condição dos cordões e conectores de referência;
  • bateria e armazenamento suficientes;
  • data/hora corretas;
  • nomenclatura do projeto carregada no equipamento.

Certificação de 100% x amostragem

Para a instalação entregue, a NBR 16869-1 estabelece ensaios normalizados em toda a instalação, com exceção dos casos específicos em que o cliente formalmente define amostra inferior a 100%.

Isso é diferente de amostragem de controle durante a obra. Testar 10% dos enlaces no meio da execução pode ajudar a detectar erro sistêmico de terminação, mas não substitui a certificação final quando o contrato exige 100%.

Também não se deve confundir essa regra com a amostragem específica de alien crosstalk para determinadas classes. A unidade de análise e o objetivo do ensaio são diferentes.

Relatórios: o arquivo nativo é parte do entregável

A NBR 16869-1 estabelece que os resultados dos ensaios de campo sejam entregues ao contratante no formato eletrônico nativo do equipamento e recomenda também relatórios em PDF quando previsto.

O arquivo nativo é importante porque preserva dados estruturados, configuração de teste, medições e metadados que podem não estar visíveis em um PDF resumido. Em auditorias, ele ajuda a verificar se o relatório corresponde ao ensaio original.

Exemplo de relatório de certificação

Um pacote de entrega robusto deve conter:

  • arquivos nativos do equipamento;
  • PDFs consolidados quando aplicável;
  • matriz mestre dos enlaces;
  • mapa de PASS/FAIL/retestes;
  • certificado de calibração;
  • lista de instrumentos e adaptadores;
  • identificação de operador e datas;
  • registros de correções;
  • documentação óptica e traços OTDR quando previstos.

Rastreabilidade: relatório, rack, porta e tomada precisam falar a mesma língua

Um relatório tecnicamente correto perde muito valor quando o nome do enlace não corresponde às plantas, ao patch panel e à etiqueta instalada.

A NBR 16869-1 trata identificação e registros como parte do gerenciamento do cabeamento. O banco de dados pode associar cabo, pontos de terminação, caminhos, espaços, equipamentos e data da certificação.

Em projeto, uma convenção de identificação deve ser definida antes do teste. Por exemplo, edifício–pavimento–rack–patch panel–porta pode gerar um identificador único que também aparece na planta e no arquivo do certificador.

Isso permite localizar rapidamente um FAIL, comparar o resultado com a rota física e manter histórico de futuras intervenções.

Como integrar certificação e as built

O as built não deveria ser apenas um conjunto de plantas revisadas. Para cabeamento estruturado, ele precisa representar o estado final dos enlaces e suas evidências de desempenho.

A matriz final pode relacionar:

IdentificadorOrigemDestinoClasse/fibraComprimentoResultadoArquivoObservação
TR01-PP01-001Rack TR01TO-001Classe EmedidoPASSarquivo nativo
TR01-PP01-002Rack TR01TO-002Classe EmedidoPASS após retestearquivo nativoconector refeito
FO-BB-001DIO ADIO BOS2medidoPASSLSPM + OTDRenlace backbone

Esse vínculo transforma o resultado em ativo de manutenção. Anos depois, a equipe pode comparar uma nova medição com o baseline da entrega.

Certificação como critério de aceite contratual

Em contratos com instalador, fiscalização e contratante distintos, a certificação precisa ser tratada como evidência de qualidade: revisão de escopo, arquivos nativos, retestes e coerência com as built devem fazer parte do recebimento.

Comissionamento de Engenharia

Em contratos de implantação, certificação deve ser requisito de entrega e não um serviço adicional descoberto no final da obra. A especificação precisa indicar o que constitui conformidade, quais documentos serão entregues e como falhas serão tratadas.

Um critério de aceite pode estabelecer, por exemplo:

  • 100% dos enlaces no escopo ensaiados quando aplicável;
  • nenhum FAIL pendente;
  • retestes claramente identificados;
  • arquivos nativos e relatórios recebidos;
  • calibração válida;
  • correspondência com etiquetas e as built;
  • traços ópticos previstos entregues;
  • lista de pendências zerada ou formalmente aceita.

A assinatura de um termo de recebimento sem essas evidências transfere para a operação uma incerteza que deveria ter sido resolvida durante a obra.

Certificação, fiscalização e Owner’s Engineering

Em projetos com contratante e instalador distintos, a fiscalização técnica precisa verificar mais do que a existência de PDFs. É necessário conferir escopo, nomenclatura, amostra/100%, limites, calibração, falhas, retestes e coerência com o projeto.

A inspeção pode ser executada pelo próprio instalador dentro do plano de qualidade ou por empresa independente, conforme o modelo contratual. Para obras críticas, testemunhar amostras, revisar arquivos nativos e fazer contraprovas independentes reduz risco de aceite inadequado.

Como especificar o serviço sem travar uma marca de certificador

A especificação deve exigir capacidade metrológica compatível com a classe e configuração, e não simplesmente “usar equipamento Fluke”. Famílias como Fluke DSX, TREND LanTEK e Softing WireXpert são exemplos de instrumentos existentes, mas a equivalência precisa ser avaliada por faixa, precisão, adaptadores, limites, calibração, relatórios e suporte à configuração requerida.

Uma cláusula técnica pode exigir:

  • equipamento de campo compatível com a classe ensaiada;
  • precisão conforme normalização aplicável;
  • adaptadores de Permanent Link/Channel/MPTL quando necessários;
  • calibração válida;
  • firmware atualizado;
  • exportação de arquivo nativo;
  • identificação de instrumento e operador no relatório;
  • possibilidade de auditoria dos resultados.

Isso preserva competição sem reduzir o padrão técnico.

Erros comuns em certificação de rede

  • tratar certificação como teste de velocidade;
  • testar apenas continuidade e declarar a rede “certificada”;
  • selecionar limite inferior ao contratado;
  • misturar Permanent Link e Channel sem registrar;
  • testar com adaptadores inadequados;
  • ignorar calibração e firmware;
  • aceitar FAIL sem correção/reteste;
  • perder o arquivo nativo do equipamento;
  • entregar PDFs com nomes que não coincidem com o as built;
  • usar OTDR como substituto automático de medição de perda óptica;
  • testar fibra sem inspecionar e limpar conectores;
  • omitir fibra de lançamento/cordão terminal quando necessários ao OTDR;
  • certificar amostra e declarar 100% da instalação aceita sem base contratual;
  • editar manualmente relatórios para ocultar pendências;
  • não consolidar histórico de retestes.

Certificação em retrofit e diagnóstico de rede existente

Em uma instalação existente, a certificação pode ser usada para decidir o que manter, corrigir ou substituir. A estratégia é diferente do aceite de uma obra nova: pode haver enlaces sem documentação, conectores de gerações distintas, patch panels alterados e rotas desconhecidas.

O levantamento deve combinar inspeção física e ensaios. Um inventário inicial separa enlaces em grupos: conformes e reutilizáveis; recuperáveis por correção; incompatíveis com a aplicação futura; e sem possibilidade de certificação por dano ou arquitetura inadequada.

Essa abordagem evita trocar cabeamento em massa apenas pela idade e direciona CAPEX para limitações comprovadas.

Certificação como parte do comissionamento e handover

A certificação da camada passiva é uma etapa do processo de entrega, não o processo inteiro. Em comissionamento de redes e sistemas, ela se conecta a inspeção física, energização, PoE, configuração de switches, testes funcionais, redundância e validação fim a fim.

O handover técnico consolida as evidências: projeto, as built, inventário, relatórios de certificação, configurações, garantias, manuais e pendências. A rede somente está pronta para operação quando a documentação representa o sistema realmente entregue.

Considerações finais

Certificação de rede é uma disciplina de qualidade e aceite. O instrumento mede; o processo de engenharia define o que medir, como interpretar, como tratar falhas e quais evidências comprovam a entrega.

No cobre, a configuração de enlace permanente, canal ou MPTL precisa refletir o objeto recebido. Na fibra, LSPM/OLTS e OTDR possuem funções distintas e dependem de referência, limpeza e documentação adequadas. Em ambos os meios, calibração, identificação e arquivos nativos são partes essenciais da rastreabilidade.

Quando a certificação é planejada desde a especificação e integrada ao as built e ao comissionamento, ela deixa de ser um pacote de PDFs e passa a ser uma evidência técnica utilizável durante todo o ciclo de vida da infraestrutura.

Quando a certificação envolve múltiplos sistemas — cobre, fibra, Wi-Fi, CFTV, PoE e ativos — o Projeto de Telecomunicações coordena requisitos, interfaces e critérios de desempenho para que os ensaios respondam à arquitetura real.

Projeto de Telecomunicações

Referências técnicas

[1] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 16869-1:2020 — Cabeamento estruturado — Parte 1: requisitos para planejamento. Rio de Janeiro: ABNT, 2020. Disponível em: https://www.abntcatalogo.com.br/

[2] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 16869-2:2021 — Cabeamento estruturado — Parte 2: ensaio do cabeamento óptico. Rio de Janeiro: ABNT, 2021. Disponível em: https://www.abntcatalogo.com.br/

[3] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 14565 — Cabeamento estruturado para edifícios comerciais. Rio de Janeiro: ABNT. Disponível em: https://www.abntcatalogo.com.br/

[4] ISO/IEC. ISO/IEC 11801-1 — Information technology — Generic cabling for customer premises. Disponível em: https://www.iso.org/standard/66182.html

[5] ISO/IEC. ISO/IEC 14763-3 — Information technology — Implementation and operation of customer premises cabling — Testing of optical fibre cabling. Disponível em: https://www.iso.org/standards.html

[6] TIA. ANSI/TIA-568.3-E — Optical Fiber Cabling and Components Standard. Disponível em: https://tiaonline.org/standards/

Perguntas frequentes
O que é certificação de rede?

É o processo técnico que comprova se o cabeamento instalado atende aos limites normativos, ao projeto e aos critérios de aceite, com ensaios, tratamento de falhas e documentação rastreável.

Certificação de rede é teste de velocidade?

Não. A certificação valida a camada física passiva. Throughput, internet, VLANs e desempenho de equipamentos ativos exigem testes funcionais próprios.

Todos os pontos precisam ser certificados?

A NBR 16869-1 estabelece ensaios normalizados em toda a instalação entregue, salvo casos específicos em que o cliente formalmente define amostra inferior a 100%. O escopo contratual deve deixar isso explícito.

O que fazer com um resultado FAIL?

O enlace deve ser diagnosticado, corrigido e retestado até atender aos requisitos. O histórico de falha e reteste deve permanecer rastreável.

Qual a diferença entre LSPM/OLTS e OTDR?

LSPM/OLTS mede a perda total do caminho óptico. OTDR caracteriza eventos ao longo da fibra e ajuda a localizar emendas, conectores e perdas por distância.

O arquivo nativo do certificador deve ser entregue?

Sim. A NBR 16869-1 estabelece entrega dos resultados no formato eletrônico nativo do equipamento e recomenda relatórios em PDF quando previsto.

Certificação deve fazer parte do as built?

Sim. Os resultados devem ser vinculados aos identificadores dos enlaces, plantas e matriz porta-ponto para formar o baseline técnico da instalação entregue.

É obrigatório usar certificador de uma marca específica?

Não. O requisito deve ser capacidade metrológica, faixa, precisão, adaptadores, calibração e relatórios compatíveis com a classe e configuração exigidas.

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