Entenda como estruturar uma Lista Mestra de Documentos (MDR): campos, baseline, revisões, status, planejamento, vendor documents, progresso e integração com EDMS.
Confira!
A Lista Mestra de Documentos é o registro controlado que consolida quais documentos devem existir em um projeto ou contrato, quem é responsável por produzi-los, quando devem ser entregues e qual é a situação atual de cada entregável. Em ambientes de engenharia, ela é frequentemente denominada Master Document Register (MDR) e funciona como uma das principais interfaces entre planejamento, Document Control, engenharia, procurement, fornecedores, fiscalização e gestão do projeto.
Sua função vai além de inventariar arquivos já emitidos. Uma Lista Mestra bem estruturada permite comparar o universo documental previsto com o que efetivamente foi produzido, controlar revisões e status, antecipar atrasos, acompanhar documentos de fornecedores, sustentar medições e aceite e preparar a documentação final para As-Built, Data Book e handover.
Por isso, o MDR deve nascer no início do empreendimento, a partir do escopo, da EAP, das disciplinas, dos pacotes de contratação e dos requisitos de informação. Se ele for montado apenas no encerramento, deixa de ser instrumento de gestão e se transforma em uma tentativa tardia de reconstruir o histórico documental.
O que é uma Lista Mestra de Documentos
A Lista Mestra de Documentos é uma relação estruturada e controlada dos documentos previstos para determinado escopo. Cada linha representa um entregável ou contêiner de informação e reúne atributos suficientes para identificar, planejar, acompanhar e demonstrar sua situação.
Em projetos simples, a lista pode conter dezenas de documentos. Em empreendimentos multidisciplinares, EPC ou EPCM, pode conter centenas ou milhares de registros, organizados por disciplina, área, sistema, pacote, fornecedor ou fase.
O princípio central é simples: o MDR deve permitir saber o que deveria existir, o que já existe, qual revisão está vigente, qual status foi atribuído, quem precisa agir e quais entregas estão em risco.
Lista Mestra, MDR, Document Register e Document Index
A terminologia varia entre empresas e contratos. Na prática, os termos podem assumir escopos próximos, mas não existe uma nomenclatura universal que obrigue todas as organizações a usá-los da mesma forma.
| Termo | Uso típico | Observação |
| Lista Mestra de Documentos | termo genérico em português | pode abranger documentos internos, externos e de fornecedores |
| Master Document Register — MDR | comum em projetos industriais, EPC/EPCM e grandes contratos | frequentemente incorpora planejamento e progresso documental |
| Document Register | registro de documentos | pode ser geral ou limitado a determinado fluxo |
| Vendor Document Register — VDR | documentos de fornecedor | pode ser um subconjunto do MDR ou registro independente |
| Document Index | índice documental | muitas vezes descreve o acervo existente, sem necessariamente planejar entregas |
O contrato ou procedimento de Document Control deve definir qual desses registros será a fonte oficial e qual é a responsabilidade por sua manutenção.
O MDR não é a mesma coisa que Document Control
O Document Control é o processo de governança que estabelece codificação, revisão, status, workflow, distribuição, transmittals, acesso, histórico e responsabilidades documentais. O MDR é um dos instrumentos utilizados por esse processo.
Da mesma forma, um EDMS é a plataforma que pode armazenar e automatizar esses controles. O MDR pode existir dentro do EDMS, ser gerado por ele ou, em projetos menores, ser mantido em ferramenta estruturada separada.
Portanto:
- Document Control = processo;
- EDMS = sistema;
- MDR = registro mestre do universo documental e de seu estado.
Essa separação evita um erro recorrente: considerar que possuir uma planilha de documentos significa possuir controle documental estruturado.
Uma Lista Mestra só gera valor quando funciona como fonte confiável para prazo, revisão, status e responsabilidade documental.
Quando criar a Lista Mestra de Documentos
A Lista Mestra deve ser iniciada assim que o empreendimento possuir escopo suficiente para identificar entregáveis. O nível de detalhe cresce progressivamente.
Uma sequência prática é:
- Interpretar o contrato, Termo de Referência e requisitos de informação.
- Decompor o escopo por disciplinas, áreas, sistemas e pacotes.
- Identificar famílias e tipos documentais esperados.
- Atribuir responsáveis e interfaces.
- Estabelecer datas planejadas coerentes com o cronograma.
- Definir workflow e prazos de análise.
- Registrar cada entregável previsto no MDR.
- Atualizar o registro a cada emissão, revisão, comentário ou mudança relevante.
- Reconciliar periodicamente MDR, EDMS, cronograma e acervo real.
- Consolidar a condição final para As-Built, Data Book e handover.
O MDR deve evoluir junto com o projeto. Uma baseline inicial que nunca é atualizada deixa de ser confiável rapidamente.
De onde nasce o universo documental
A Lista Mestra não deve ser montada por memória ou pela simples repetição de listas antigas. O universo documental precisa ser derivado do escopo real.
As principais fontes são:
| Fonte | O que acrescenta ao MDR |
| contrato / TR | entregáveis obrigatórios e marcos contratuais |
| EAP/WBS | decomposição do escopo e pacotes de trabalho |
| lista de disciplinas | famílias técnicas necessárias |
| engenharia básica/executiva | desenhos, memoriais, especificações e cálculos |
| procurement | vendor documents, certificados, desenhos de fabricação e manuais |
| cronograma | datas necessárias para projeto, compra, fabricação, obra e comissionamento |
| requisitos de qualidade | ITP, procedimentos, relatórios, registros e certificados |
| comissionamento | FAT, SAT, protocolos, test packs, punch list e relatórios |
| operação e manutenção | manuais, listas de sobressalentes, treinamento e dados de ativos |
| requisitos BIM/informação | contêineres, marcos e planos de entrega da informação |
Essa origem precisa ser rastreável. Quando um documento é incluído ou excluído do MDR, deve ser possível entender qual requisito ou mudança justificou a alteração.
Campos essenciais de uma Lista Mestra de Documentos
Não existe um conjunto universal obrigatório. O modelo deve ser proporcional ao projeto, mas alguns campos são particularmente úteis.
| Campo | Finalidade |
| ID / código documental | identificar unicamente o entregável |
| título | descrever o documento |
| disciplina | agrupar por especialidade |
| tipo documental | desenho, memorial, relatório, procedimento etc. |
| área / sistema / unidade | associar o documento ao ativo ou escopo |
| pacote / contrato | relacionar ao responsável contratual |
| empresa emissora | identificar origem |
| responsável | indicar quem deve produzir ou coordenar |
| revisão atual | registrar evolução formal |
| status atual | indicar condição de uso ou decisão |
| finalidade da emissão | análise, aprovação, construção, informação etc. |
| data planejada | estabelecer compromisso de entrega |
| data real | registrar emissão efetiva |
| prazo de análise | controlar retorno esperado |
| data de retorno | evidenciar resposta |
| situação de comentários | acompanhar pendências |
| transmittal | ligar a emissão ao registro formal de transmissão |
| predecessores / dependências | conectar entregáveis relacionados |
| condição As-Built | indicar necessidade e situação da revisão final |
| observações | registrar exceções controladas |
Em grandes projetos, o MDR pode incorporar outros campos: nível de criticidade, peso para progresso, forecast, datas de fabricação, código do fornecedor, classe de documento, milestone, prioridade, aging, responsável pela revisão e referência de mudança.
Identificação única: uma linha deve representar um entregável inequívoco
A qualidade do MDR depende da qualidade da codificação documental. Títulos como “Planta elétrica”, “Memorial” ou “Manual” são insuficientes quando existem vários sistemas, áreas ou fornecedores.
O código deve permitir distinguir o documento sem depender da interpretação do usuário. A estrutura pode combinar cliente/projeto, disciplina, tipo documental, área/sistema e sequencial.
A revisão normalmente deve ser controlada em campo próprio, e não incorporada como parte permanente do identificador mestre. Assim, o mesmo entregável preserva sua identidade ao longo de R00, R01, R02 e revisões posteriores.
Revisão e status precisam estar separados no MDR
Revisão informa a evolução formal do documento. Status informa sua condição de uso, análise ou decisão. Misturar os dois elimina informação crítica.
| Situação | Revisão | Status possível |
| primeira emissão para análise | R00 | para análise |
| retorno com comentários | R00 | revisar e reenviar |
| nova emissão | R01 | para aprovação |
| documento liberado | R01 | aprovado / para construção |
| alteração posterior | R02 | para aprovação da mudança |
Um documento pode estar na revisão mais nova e ainda não possuir autorização para uso em construção. Por isso, qualquer MDR utilizado por projeto, obra ou fiscalização precisa tornar essa diferença visível.
Datas planejadas, reais e forecast
Se a Lista Mestra contém apenas a data da última emissão, ela registra história, mas não controla futuro. Para funcionar como instrumento de planejamento, é necessário comparar pelo menos data planejada e data real.
Projetos mais maduros acrescentam uma data de forecast quando a entrega planejada já não será cumprida. Assim, o responsável não altera silenciosamente a baseline original.
| Campo | Significado |
| Baseline / planned date | compromisso originalmente aprovado |
| Forecast date | melhor estimativa atual de entrega |
| Actual date | data efetiva da emissão |
| Variance | diferença entre baseline e situação atual |
Esse modelo permite distinguir atraso real de simples replanejamento administrativo.
O MDR precisa conversar com o cronograma do projeto
Documentos não são entregáveis isolados. Um atraso documental pode bloquear compra, fabricação, mobilização, execução, inspeção ou comissionamento.
A integração com o cronograma deve considerar relações como:
memorial e especificação → requisição de compra → proposta técnica → aprovação de fornecedor → desenho de fabricação → FAT → entrega → montagem → SAT → As-Built.
Quando essas dependências são conhecidas, o MDR pode sinalizar não apenas que um documento está atrasado, mas qual atividade física ou contratual está ameaçada pelo atraso.
Em projetos complexos, documentos críticos podem ser vinculados a milestones ou atividades do cronograma por códigos comuns.
Progresso documental: quantidade não é suficiente
Uma medição do tipo “70 de 100 documentos emitidos = 70%” pode ser enganosa. Dez desenhos críticos de engenharia podem ter impacto muito maior que dezenas de documentos administrativos.
Há três abordagens comuns:
| Método | Vantagem | Limite |
| contagem simples | fácil de calcular | todos os documentos têm o mesmo peso |
| peso por documento | representa criticidade relativa | exige regra prévia e governança |
| peso por etapas | mede elaboração, revisão, aprovação e emissão | mais complexo, porém mais fiel |
Um modelo por etapas pode atribuir frações do peso quando o documento alcança estados previamente definidos. A regra deve estar aprovada antes da medição para evitar manipulação posterior.
Documentos vencidos e aging
A coluna “atrasado” é útil, mas insuficiente. É importante saber há quanto tempo determinada ação está vencida e em qual parte o documento está parado.
Exemplos de aging:
- 1–7 dias;
- 8–15 dias;
- 16–30 dias;
- mais de 30 dias.
Também convém distinguir atraso de elaboração, atraso de revisão interna, atraso do cliente, atraso de fornecedor e atraso de ressubmissão. Essa classificação transforma o MDR em ferramenta de gestão de gargalos.
MDR de documentos de fornecedores
Em contratos com equipamentos, sistemas ou pacotes de fornecimento, uma parte importante do MDR é o Vendor Document Control.
O fornecedor deve conhecer antes da contratação quais documentos precisará entregar. Exemplos:
- desenhos dimensionais e de fabricação;
- folhas de dados;
- cálculos e curvas;
- certificados;
- planos de inspeção e testes;
- procedimentos de FAT;
- relatórios de FAT;
- listas de materiais;
- listas de sobressalentes;
- manuais de instalação, operação e manutenção;
- diagramas e arquivos de configuração;
- documentação final As-Built.
Quando esses requisitos aparecem somente próximo à entrega, a capacidade contratual de cobrança costuma estar reduzida.
VDR e SDRL: como se relacionam ao MDR
Algumas organizações utilizam registros específicos para documentos de fornecedores, como Vendor Document Register (VDR) ou listas de requisitos documentais do fornecedor, frequentemente chamadas de Supplier Document Requirements List (SDRL) ou nomenclaturas equivalentes.
A lógica recomendada é manter uma relação clara:
requisito documental do fornecimento → documento previsto → submissão → revisão → aprovação → revisão final → handover.
O VDR pode ser um subconjunto do MDR corporativo do projeto. O ponto essencial é evitar duas bases independentes e conflitantes.
MDR e procurement
O planejamento documental precisa entrar no ciclo de compras antes da emissão do pedido.
Uma requisição ou contrato de fornecimento pode definir:
- Relação de documentos obrigatórios.
- Datas de submissão relativas ao PO ou fabricação.
- Formatos e arquivos nativos exigidos.
- Nomenclatura e codificação.
- Status de revisão aplicáveis.
- Quantidade de ciclos de análise prevista.
- Prazo do contratante para revisão.
- Efeito da aprovação sobre fabricação.
- Documentação exigida antes de FAT e embarque.
- Documentação final requerida para aceite.
Isso transforma documentação em parte efetiva do escopo de fornecimento, e não em obrigação informal posterior.
Documentos de fornecedores precisam ser contratados antes da compra. Exigir manuais, desenhos, certificados e As-Built apenas no encerramento reduz a capacidade de cobrança e aumenta o risco de handover incompleto.
A Lista Mestra como instrumento contratual
O MDR pode ter forte valor de governança contratual quando sua baseline é acordada entre as partes.
Ele pode apoiar:
- verificação de entregáveis previstos;
- medição de avanço;
- demonstração de atrasos;
- identificação de responsabilidades;
- controle de ciclos de revisão;
- gestão de mudanças de escopo;
- avaliação de pendências para aceite;
- consolidação da documentação final.
Entretanto, a Lista Mestra não cria por si só uma obrigação que não exista no contrato. O ideal é que contrato, TR, procedimento documental e MDR sejam coerentes entre si.
Mudança de escopo precisa alterar a Lista Mestra
Quando o escopo muda, o universo documental pode mudar também. Novos sistemas, equipamentos, interfaces ou requisitos geram novos documentos; itens cancelados podem tornar registros obsoletos.
O processo de mudança deve responder:
- Quais documentos novos são necessários?
- Quais documentos existentes são impactados?
- Quais entregáveis deixam de ser aplicáveis?
- Quais datas precisam ser revistas?
- Qual impacto existe sobre fornecedor, obra ou comissionamento?
- A baseline documental precisa ser formalmente atualizada?
Apagar uma linha do MDR sem histórico não é controle de mudança. Registros cancelados devem preservar motivo, data e autorização conforme o procedimento adotado.
MDR, RFI, NCR e outros registros não devem ser confundidos
A Lista Mestra controla o universo documental principal. Outros registros possuem função diferente.
| Registro | Finalidade |
| MDR | universo e situação dos documentos |
| RFI Log | dúvidas e solicitações de informação |
| NCR Log | não conformidades |
| Comment Register | comentários e sua resolução |
| Transmittal Register | transmissões documentais |
| Change Log | mudanças e decisões associadas |
| Punch List | pendências físicas/técnicas |
Esses registros devem se relacionar por identificadores, mas não precisam ser artificialmente fundidos em uma única planilha.
MDR e EDMS
Em um EDMS estruturado, boa parte das informações do MDR pode ser derivada diretamente dos metadados do sistema. Isso reduz digitação duplicada e inconsistência.
O EDMS pode automatizar:
- revisão atual;
- status;
- workflow;
- responsável pela ação;
- datas de submissão e retorno;
- transmittals;
- histórico de versões;
- documentos vencidos;
- dashboards por disciplina ou fornecedor.
O objetivo não é manter “um MDR no Excel” e outro estado diferente dentro do EDMS. Deve existir uma única fonte de verdade ou uma integração controlada entre as fontes.
Quando revisão, status, transmittal e datas são mantidos em controles paralelos, o MDR deixa de ser fonte confiável. Um EDMS bem estruturado pode transformar esses metadados em um registro mestre vivo e auditável.
Lista Mestra e ISO 9001
A ISO 9001 não prescreve um MDR. Sua contribuição está nos requisitos de controle de informação documentada: identificação, revisão e aprovação, disponibilidade, proteção, distribuição, acesso, armazenamento, controle de alterações, retenção e disposição.
A Lista Mestra pode ser um dos mecanismos usados para demonstrar esses controles em ambientes de engenharia, mas não deve ser apresentada como formulário obrigatório da norma.
ISO 15489-1 e o valor do MDR como instrumento de contexto e rastreabilidade
A ISO 15489-1 trata documentos de arquivo, metadados, responsabilidades, controles e processos de produção, captura e gestão. Seus princípios ajudam a avaliar a qualidade de um registro mestre: um documento precisa permanecer identificável, contextualizado, íntegro e recuperável ao longo do tempo.
Aplicado ao MDR, isso significa preservar não apenas o estado atual, mas também metadados e evidências suficientes para compreender a evolução relevante do acervo.
MDR não é MIDP: relação com a ISO 19650
Em processos BIM orientados pela ISO 19650, aparecem instrumentos específicos de planejamento das entregas de informação: TIDP — Task Information Delivery Plan e MIDP — Master Information Delivery Plan.
A ABNT NBR ISO 19650-2:2022 estabelece que o TIDP liste, para cada contêiner de informação, nome/título, predecessores e dependências, nível necessário de informação, duração estimada de produção, autor responsável e datas-marco. O MIDP consolida os TIDPs das equipes de tarefas e considera responsabilidades, dependências e tempos de revisão e aceitação.
Há clara proximidade funcional com um MDR utilizado como instrumento de planejamento, mas os conceitos não devem ser tratados como sinônimos.
| MDR tradicional | MIDP/TIDP na ISO 19650 |
| amplo uso em engenharia, EPC/EPCM e Document Control | específico do processo de gestão da informação BIM |
| pode controlar documentos e vendor documents | planeja contêineres de informação |
| estrutura definida pelo contrato/procedimento | conteúdo orientado pela ISO 19650 |
| pode incluir revisão, status, transmittal e progresso | enfatiza entregáveis, responsáveis, dependências e datas-marco |
Em um projeto BIM, a arquitetura documental deve evitar duplicidade desnecessária entre MDR, MIDP, TIDP e CDE.
MDR e MIDP podem conviver no mesmo empreendimento, mas não devem virar controles duplicados. Em projetos BIM, a governança precisa alinhar o registro documental ao planejamento das entregas de informação.
Como estruturar a baseline do MDR
Uma baseline documental formal deve representar o conjunto de entregáveis e datas aprovado para determinado estágio do projeto.
O processo pode seguir:
- Elaborar o MDR preliminar.
- Revisar com os líderes de disciplina.
- Conciliar com a EAP e o cronograma.
- Incorporar documentos de fornecedores conhecidos.
- Validar dependências e marcos.
- Revisar com a gestão do projeto e o Document Control.
- Submeter à parte contratante, quando aplicável.
- Aprovar a baseline.
- Controlar alterações posteriores pela governança de mudanças.
Sem baseline, qualquer atraso pode ser “corrigido” mudando a data planejada, destruindo a capacidade de medir desempenho.
Como manter a Lista Mestra atualizada
A atualização deve fazer parte do fluxo normal de emissão, não depender de mutirão periódico.
Um modelo robusto estabelece eventos que atualizam o MDR automaticamente ou obrigatoriamente:
- reserva de novo código;
- primeira emissão;
- nova revisão;
- alteração de status;
- emissão de transmittal;
- recebimento de comentários;
- aprovação/rejeição;
- mudança de forecast;
- cancelamento;
- emissão As-Built;
- aceite final.
A periodicidade da reconciliação depende do projeto. Em empreendimentos ativos, relatórios semanais podem ser adequados; em fases de menor intensidade, ciclos mais longos podem ser suficientes.
Indicadores derivados do MDR
Uma Lista Mestra bem mantida permite produzir indicadores sem criar controles paralelos.
| Indicador | Uso |
| previstos × emitidos | verificar cobertura documental |
| planejados × realizados | medir aderência ao plano |
| atrasados por disciplina | localizar gargalos |
| atrasados por responsável | direcionar cobrança |
| documentos em revisão | avaliar carga de análise |
| aging de comentários | identificar fechamento tardio |
| first-pass approval | avaliar qualidade das submissões |
| ressubmissões | medir retrabalho |
| vendor documents críticos vencidos | avaliar risco de procurement |
| documentos liberados para construção | medir prontidão de execução |
| As-Built pendentes | medir prontidão para encerramento |
Os indicadores devem ser interpretados com criticidade. Quantidade sem contexto pode esconder riscos relevantes.
Como auditar uma Lista Mestra de Documentos
Uma auditoria não deve olhar apenas se a planilha está preenchida. Deve testar sua confiabilidade contra a realidade documental.
Perguntas úteis incluem:
- Os entregáveis previstos estão representados?
- Cada registro possui identificação única?
- Revisão e status correspondem ao documento vigente?
- A baseline de datas está preservada?
- Os atrasos possuem responsável?
- Cancelamentos mantêm histórico?
- As emissões estão ligadas aos transmittals?
- Os documentos de fornecedores estão completos?
- O MDR coincide com a fonte documental oficial?
- As mudanças de escopo foram incorporadas?
- Os documentos de obra estão no status correto?
- Os entregáveis finais estão identificados?
- É possível reconstruir a evolução de um documento crítico?
Uma amostragem cruzada entre MDR, EDMS, transmittals e arquivos físicos/digitais costuma revelar rapidamente inconsistências.
Erros recorrentes na Lista Mestra de Documentos
| Falha | Consequência |
| criar MDR somente após início das emissões | perde função de planejamento |
| cadastrar apenas documentos existentes | não mostra entregáveis faltantes |
| sobrescrever a data baseline | oculta atraso |
| misturar revisão e status | cria ambiguidade de uso |
| manter VDR separado sem reconciliação | bases conflitantes |
| não relacionar MDR ao cronograma | atraso documental sem impacto visível |
| medir progresso apenas por quantidade | distorce avanço real |
| permitir edição sem responsabilidade definida | perda de governança |
| excluir documentos cancelados sem histórico | reduz auditabilidade |
| atualizar MDR manualmente fora do EDMS sem reconciliação | divergência entre fontes da verdade |
| iniciar controle de As-Built no final | fechamento tardio e incompleto |
Lista Mestra como painel de governança do portfólio documental
Quando bem estruturada, a Lista Mestra deixa de ser uma planilha administrativa e passa a representar o estado do portfólio de informação do empreendimento.
Ela conecta escopo, responsabilidade, prazo, revisão, aprovação, fornecedor, mudança, execução e encerramento. Permite antecipar riscos antes que um atraso documental se converta em atraso físico e cria uma base verificável para cobrança, decisão, medição e aceite.
O nível de maturidade pode ser resumido assim:
escopo definido → entregáveis identificados → baseline aprovada → produção acompanhada → revisão rastreada → atraso evidenciado → mudança controlada → As-Built consolidado → handover verificável.
Esse é o papel estratégico do MDR: transformar o universo documental de um projeto em informação planejada, mensurável e governada.
O encerramento documental começa muito antes da última entrega. Um MDR atualizado durante o projeto reduz a reconstrução tardia do As-Built e dá previsibilidade ao Data Book e ao handover.
Referências técnicas
[1] INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 9001:2015 — Quality management systems — Requirements. Geneva: ISO, 2015. Edição vigente até a publicação da nova ISO 9001 prevista para setembro de 2026.
[2] INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 15489-1:2016 — Information and documentation — Records management — Part 1: Concepts and principles. Geneva: ISO, 2016.
[3] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISO 19650-2:2022 — Organização e digitização da informação sobre edifícios e obras de engenharia civil, incluindo BIM — Gestão da informação — Parte 2: Fase de entrega de ativos. Versão corrigida 2: 2025.
[4] INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 19650-2:2018 — Information management using building information modelling — Part 2: Delivery phase of the assets. Geneva: ISO, 2018.
Perguntas frequentes
É o registro controlado dos documentos previstos para um projeto ou contrato, incluindo identificação, responsável, revisão, status, datas e situação de cada entregável.
MDR significa Master Document Register. Em projetos de engenharia, é utilizado como registro mestre do universo documental e pode incorporar planejamento, progresso, revisões, status e documentos de fornecedores.
Document Control é o processo de governança documental; o MDR é um dos registros usados para planejar e acompanhar os documentos controlados.
Normalmente inclui código, título, disciplina, responsável, revisão, status, datas planejadas e reais, fornecedor, transmittal e situação de comentários. O conjunto exato deve ser definido pelo projeto.
Não. A ISO 9001 exige controle da informação documentada, mas não prescreve um formulário chamado MDR. A Lista Mestra pode ser um dos instrumentos utilizados para atender e demonstrar esses controles.
Não. O MDR é um registro amplamente usado em Document Control e projetos EPC/EPCM. O MIDP é um plano mestre de entrega de informação específico do processo de gestão da informação da ISO 19650.
Deve começar no início do projeto, assim que o escopo permitir identificar os entregáveis, e evoluir junto com engenharia, procurement, execução e encerramento.
Ao associar documentos a datas, responsáveis e dependências, o MDR permite identificar quais atrasos documentais podem bloquear compras, fabricação, obra, testes ou comissionamento.
Materiais técnicos complementares
Controle e sistemas documentais
Planejamento e gestão da informação
Contratação, entrega e encerramento
Governança e gestão de projetos