Entenda quando usar preço por produto em serviços de engenharia, como formar o preço, estruturar LPU, critérios de aceite e medição por entregáveis.

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Preço por produto é uma forma de contratar e medir serviços de engenharia consultiva em que o pagamento está associado à entrega e ao aceite de resultados definidos — projetos, relatórios, estudos, pareceres, modelos, memoriais, planilhas ou outros produtos técnicos — em vez de simplesmente remunerar o tempo disponibilizado pela equipe. O modelo é especialmente útil quando os entregáveis podem ser especificados, quantificados e avaliados por critérios objetivos.

A adoção de preço por produto não elimina a necessidade de uma memória de custos. O TCU já destacou que contratos de consultoria pagos por produto ainda precisam de orçamento detalhado, com composição dos custos unitários e correlação entre equipe, esforço e entregáveis. O desenho mais robusto costuma usar horas-técnicas e custos para formar o preço de referência, mas mede a execução pelos produtos efetivamente aceitos.

O que significa preço por produto

Preço por produto não significa necessariamente atribuir um valor a cada folha de desenho ou arquivo emitido. “Produto” é uma unidade contratual de resultado, definida pelo seu conteúdo, critérios de qualidade, nível de desenvolvimento, prazo, interfaces e condições de aceite.

Um produto pode ser:

  • relatório de diagnóstico;
  • estudo de viabilidade;
  • projeto conceitual;
  • projeto básico de uma disciplina;
  • projeto executivo;
  • memorial de cálculo;
  • especificação técnica;
  • orçamento referencial;
  • modelo BIM validado;
  • parecer técnico;
  • relatório de fiscalização;
  • pacote de comissionamento;
  • revisão técnica de documentos;
  • conjunto integrado de entregáveis de uma etapa.

O importante é que a unidade tenha começo, fim e resultado verificável.

Por que o modelo surgiu como alternativa à remuneração por homem-hora

A remuneração baseada exclusivamente no tempo pode criar desalinhamento entre esforço e resultado. Se a contratada recebe apenas por horas trabalhadas, o contratante assume maior risco de produtividade. O aumento de esforço, por si só, pode aumentar o faturamento sem necessariamente gerar melhor resultado.

Por outro lado, proibir qualquer uso de horas também seria tecnicamente inadequado. A engenharia consultiva é intensiva em trabalho intelectual, e o esforço da equipe é uma base importante para estimar custos.

A solução é separar duas camadas:

formação do preço — pode usar equipe, categorias profissionais e horas estimadas;

medição e pagamento — pode estar vinculada a produtos, marcos e critérios de aceite.

Essa separação aumenta a transparência sem transformar o contrato em mera locação de mão de obra.

O entendimento do TCU sobre consultoria paga por produto

Em análise de contratação de consultoria, o TCU registrou que o fato de o serviço ser pago por produto não afasta a necessidade de orçamento detalhado. A Administração precisa conhecer a composição do preço para avaliar a proposta, acompanhar a execução e examinar reajustes ou alterações futuras.

O Tribunal também já questionou modelos nos quais o objeto resultava em produtos, mas a mensuração estava baseada genericamente em homem-hora sem mecanismos claros para estimar previamente o esforço de cada demanda e sem critérios adequados para aferir os resultados.

A mensagem é consistente: preço por produto é desejável quando o resultado pode ser especificado, mas a unidade de pagamento não substitui a engenharia de custos nem os critérios de aceite.

Quando o preço por produto funciona melhor

O modelo tende a funcionar bem quando quatro condições estão presentes.

Escopo suficientemente definido

O contratante consegue descrever o que espera receber. Isso não exige conhecer todas as soluções técnicas antes da contratação, mas exige definir conteúdo mínimo e fronteiras do produto.

Resultado verificável

É possível avaliar se a entrega atende aos requisitos. Critérios de aceite podem incluir consistência técnica, completude, aderência normativa, compatibilização, rastreabilidade e atendimento às premissas de projeto.

Esforço razoavelmente estimável

A contratada consegue precificar o risco de produção. Quanto maior a incerteza do produto, maior tende a ser a contingência embutida no preço fixo.

Dependências controláveis

O prazo e o custo do produto não dependem integralmente de eventos externos imprevisíveis. Quando dependem, o contrato precisa prever mecanismos de ajuste ou unidades adicionais.

Quando o preço por produto pode ser inadequado

Existem serviços em que a demanda é contínua e fortemente dependente da duração de outra atividade. Supervisão permanente de obra, apoio residente, acompanhamento de operação e determinados serviços de fiscalização podem ter esforço temporal difícil de converter integralmente em produtos fixos.

O TCU já analisou argumentos nesse sentido em contratos de supervisão: a contratada pode não ter como prever todas as condições futuras da obra, e um preço fixo por produto pode transferir riscos excessivos ou provocar aditivos quando a execução se prolonga.

Nesses casos, a solução pode ser híbrida:

  • produtos para entregas discretas;
  • unidades mensais para atividades permanentes;
  • preços por equipe mobilizada em condições específicas;
  • marcos de desempenho;
  • parcelas associadas ao avanço físico da obra.

O modelo deve seguir a natureza do serviço, não uma preferência abstrata por “hora” ou “produto”.

Produto não é documento

Essa distinção evita um dos erros mais comuns.

Uma planta A1 pode representar poucas horas de adaptação ou semanas de engenharia. Um relatório de dez páginas pode conter uma análise complexa e multidisciplinar. Portanto, tamanho de arquivo, número de páginas ou formato gráfico não são suficientes para definir uma unidade de preço.

O produto deve ser especificado por conteúdo técnico. A contagem de documentos, reconhecida pelo TCU como um dos métodos possíveis de orçamento, funciona quando os tipos de documentos são suficientemente padronizados e sua complexidade é conhecida.

Como definir um produto contratável

Preço por produto só funciona quando o produto é uma unidade técnica real, com escopo, entradas, critérios de aceite e regra de revisão. Nomear uma linha da planilha não é suficiente.

Revisão Técnica de Termo de Referência

Uma ficha de produto deveria conter, no mínimo:

  • nome e código;
  • objetivo;
  • escopo incluído;
  • exclusões;
  • dados de entrada necessários;
  • disciplinas envolvidas;
  • formato da entrega;
  • requisitos técnicos;
  • número de ciclos de revisão incluídos;
  • critérios de aceite;
  • prazo padrão;
  • unidade de medição;
  • preço unitário ou regra de formação do preço.

Essa estrutura transforma uma descrição genérica em uma unidade operacional.

Como formar o preço do produto

O preço pode ser construído de baixo para cima. Primeiro se estima o esforço necessário para produzir a entrega.

Exemplo de um relatório de diagnóstico:

  • preparação e análise documental;
  • visita técnica;
  • levantamento de campo;
  • tratamento de dados;
  • análise de especialistas;
  • elaboração do relatório;
  • revisão técnica;
  • reunião de apresentação;
  • ajustes após comentários.

Cada atividade recebe horas por categoria profissional. Os custos da equipe são então convertidos em preço de venda pela metodologia aplicável. Despesas específicas, como viagens e levantamentos, são incorporadas ou tratadas separadamente.

O resultado é um preço de produto derivado de uma memória de custos, e não um valor arbitrário.

Fator K e TRDE na formação do preço por produto

Em engenharia consultiva, o custo da equipe pode ser convertido em preço com fator K, enquanto determinadas despesas diretas podem utilizar TRDE ou regra equivalente.

Depois de calculadas, essas parcelas são atribuídas ao produto correspondente.

Assim, o preço do entregável pode ser representado conceitualmente por:

Preço do produto = preço da equipe alocada + preço das despesas diretas + demais parcelas específicas.

O artigo sobre Fator K e TRDE na engenharia consultiva aprofunda essa estrutura.

Como distribuir coordenação e gestão entre produtos

Nem todo esforço é diretamente atribuível a uma única entrega. Coordenação, gestão documental, planejamento e reuniões podem atender vários produtos simultaneamente.

Existem duas abordagens principais:

  • criar produtos específicos de coordenação e gestão, quando esses resultados são contratualmente relevantes;
  • ratear o esforço entre os produtos técnicos segundo um critério documentado.

O que deve ser evitado é duplicar o custo: cobrar uma parcela geral de coordenação e, simultaneamente, incorporar a mesma equipe integralmente em todos os produtos.

LPU: a forma natural de operacionalizar preço por produto

Em contratos sob demanda, a LPU precisa traduzir necessidades recorrentes em produtos precificados e acionáveis por ordem de serviço, sem sobreposição entre itens.

Serviços Continuados de Engenharia Consultiva

A Lista de Preços Unitários é especialmente útil em contratos sob demanda. Cada produto recebe código, descrição, unidade, preço e regra de aplicação.

Uma ordem de serviço pode então combinar diferentes itens da LPU. Por exemplo:

  • 1 diagnóstico técnico;
  • 2 visitas de campo;
  • 1 projeto básico de determinada disciplina;
  • 1 revisão de orçamento;
  • 3 reuniões adicionais.

O preço da OS é a soma das unidades necessárias, respeitando os fatores previstos.

A LPU em serviços de engenharia consultiva explica como estruturar esse catálogo.

Produtos compostos e subprodutos

Nem toda entrega precisa ser uma unidade indivisível. Um projeto executivo pode ser decomposto em subprodutos:

  • levantamento consolidado;
  • memória de cálculo;
  • desenhos;
  • especificações;
  • orçamento;
  • compatibilização;
  • emissão final.

Essa decomposição ajuda quando o contrato precisa medir avanço parcial. No entanto, subdividir demais pode transformar a LPU em catálogo burocrático e gerar disputas sobre microentregas.

O nível de decomposição deve ser suficiente para controlar execução sem perder a visão do resultado final.

Marcos de medição dentro de um produto

Produtos complexos podem exigir pagamentos intermediários. Nesse caso, os marcos devem refletir avanço técnico verificável.

Exemplo:

MarcoEvidênciaPercentual ilustrativo
Emissão preliminarpacote completo para revisão40%
Incorporação de comentáriosrespostas e revisão emitida30%
Aprovação finalproduto aceito30%

Os percentuais devem refletir o esforço real. Não devem antecipar quase todo o pagamento antes da parcela crítica de revisão e aceite.

Critério de aceite é parte do preço

Quanto mais exigente o critério de aceite, maior pode ser o esforço necessário para produzir o produto. Portanto, qualidade e preço não podem ser tratados separadamente.

Se o projeto deve atingir determinado nível de detalhamento, passar por compatibilização multidisciplinar, atender a um CDE, conter modelos BIM e incluir três ciclos de revisão, tudo isso precisa estar refletido na memória de custos.

Um preço baixo para um produto mal definido pode apenas transferir a discussão para a execução.

Revisões: incluídas, adicionais e decorrentes de erro

A regra de revisões é essencial.

O contrato pode distinguir:

  • revisão prevista no fluxo normal de aprovação;
  • correção de não conformidade da contratada, sem remuneração adicional;
  • revisão decorrente de mudança de requisito do contratante;
  • revisão causada por alteração de dados de entrada;
  • revisão extraordinária solicitada após aceite.

Sem essa separação, qualquer comentário pode virar disputa de escopo.

Como medir o aceite sem transformar o gestor em revisor infinito

Critérios objetivos protegem as duas partes. O contratante deve revisar o produto contra requisitos previamente definidos. A contratada precisa conhecer o padrão de aceitação antes de formar o preço.

Uma matriz de aceite pode avaliar:

  • completude;
  • conformidade normativa;
  • atendimento ao escopo;
  • coerência entre documentos;
  • compatibilização;
  • rastreabilidade das premissas;
  • resolução de comentários anteriores;
  • qualidade dos arquivos e metadados.

O aceite não deve ser baseado apenas em percepção subjetiva.

Relação entre preço por produto e medição por entregáveis

Preço por produto define a unidade econômica. Medição por entregáveis define o processo de comprovação e aceite.

Um contrato pode ter preços unitários por produto, mas medição inadequada se pagar automaticamente na data prevista sem verificar a entrega. Também pode ter excelentes critérios de aceite, mas preço mal formado se os valores não derivarem de uma memória de custos.

O artigo Medição por Entregáveis em Engenharia Consultiva trata da governança dessa etapa.

Boletim de medição por produtos

O boletim de medição deve registrar mais do que quantidades. Para cada item, é recomendável indicar:

  • código do produto;
  • ordem de serviço;
  • revisão entregue;
  • data de submissão;
  • status de análise;
  • evidência de aceite;
  • quantidade contratada;
  • quantidade aceita no período;
  • preço unitário;
  • valor medido;
  • saldo.

Essa estrutura cria trilha de auditoria e impede pagamentos sem vínculo documental.

Preço por produto em contratos continuados

Contratos continuados podem usar um catálogo de produtos para demandas recorrentes. Essa arquitetura é particularmente adequada quando o contratante precisa de diferentes tipos de apoio técnico ao longo do tempo, mas não quer comprar uma equipe fixa sem relação com entregas.

A ordem de serviço define demanda, produtos, quantidades, prazos e responsáveis. A contratada mobiliza a equipe necessária internamente. O contratante mede os resultados.

Esse modelo transfere à consultoria a gestão da produtividade, sem impedir que a memória de custos seja usada para justificar os preços.

Preço por produto em projetos multidisciplinares

Projetos multidisciplinares exigem produtos de coordenação e compatibilização para impedir que entregas isoladamente corretas resultem em um conjunto incompatível.

Compatibilização e Integração de Projetos

Projetos multidisciplinares exigem cuidado especial porque disciplinas não são independentes. O preço não deveria estimular cada equipe a “entregar sua parte” sem integração.

A LPU pode incluir itens específicos de coordenação, compatibilização e consolidação. Também pode condicionar o aceite final de uma disciplina à resolução de interfaces.

Isso evita que o contratante pague vários produtos tecnicamente corretos isoladamente, mas incompatíveis entre si.

Como tratar produtos muito pequenos

Se cada pequena tarefa virar um produto, os custos administrativos de emissão, revisão e medição podem superar o valor técnico do serviço.

Uma solução é agrupar atividades de baixa complexidade em unidades padronizadas, pacotes mínimos ou faixas de esforço. Outra é criar produtos-base com fatores de complexidade.

A arquitetura da LPU deve equilibrar precisão e operacionalidade.

Como tratar complexidade

Dois produtos com o mesmo nome podem ter complexidades diferentes. Um levantamento cadastral de uma sala técnica não é equivalente ao levantamento de uma planta industrial em operação.

A contratação pode utilizar:

  • classes de complexidade;
  • fatores de porte;
  • faixas por número de disciplinas;
  • fatores por criticidade;
  • unidades adicionais para interfaces;
  • produtos distintos para tipologias diferentes.

Esses critérios precisam ser objetivos e definidos antes do acionamento da demanda.

Como estimar produtos inéditos

Em contratos sob demanda, pode surgir um produto não previsto na LPU. A Administração precisa evitar negociar preços sem referência.

Uma regra de formação de novos itens pode utilizar:

  • composição por horas e categorias;
  • fatores de venda originalmente contratados;
  • comparação com itens semelhantes;
  • preços referenciais atualizados;
  • demonstração das despesas adicionais.

Essa governança preserva a lógica econômica da contratação.

Alteração de escopo e preço por produto

Preço por produto facilita a retirada ou inclusão de entregas porque cada parcela possui valor identificado. Mas isso não elimina a necessidade de avaliar efeitos indiretos.

Retirar um produto pode reduzir menos esforço do que o seu preço integral se parte da coordenação continuar necessária. Adicionar uma disciplina pode aumentar o esforço de compatibilização de todas as demais.

A análise de alteração precisa examinar a estrutura técnica, não apenas somar e subtrair linhas da LPU.

Risco de jogo de produtos

Assim como existe jogo de planilha em obras, um catálogo de produtos pode ter preços desequilibrados. A licitante pode reduzir itens de grande quantidade prevista e elevar itens que espera serem mais demandados, ou o contrário, conforme sua estratégia.

A Administração deve analisar coerência dos preços unitários, distribuição do valor e cenários de utilização da LPU.

Se o contrato admite quantidades variáveis, simulações de demanda ajudam a identificar sensibilidade do preço global.

Como comparar propostas por produto

Antes da licitação, é preciso testar se os produtos, quantidades estimadas, critérios de medição e cenários de demanda produzem uma contratação economicamente coerente.

Planejamento Técnico de Contratações de Engenharia

A comparação deve ocorrer em bases equivalentes. Todos os licitantes precisam precificar produtos com escopo idêntico.

Para cada item, a Administração pode avaliar:

  • preço unitário;
  • memória de custos quando exigida;
  • coerência com o esforço estimado;
  • compatibilidade com itens semelhantes;
  • relação entre complexidade e preço;
  • incidências de fatores e despesas;
  • descontos concentrados ou sobrepreços relativos.

O valor global continua importante, mas não deve esconder desequilíbrios internos.

Produto x HTE

HTE pode ser útil como unidade de esforço e preço por produto como unidade de resultado.

Um produto pode ter uma equivalência interna em HTE usada na formação do preço. O contratante, contudo, não precisa medir quantas horas reais a contratada consumiu. Se ela produzir com maior eficiência, a produtividade é sua. Se consumir mais horas por ineficiência própria, o preço do produto permanece o mesmo, salvo eventos contratuais previstos.

Esse desenho preserva incentivo à produtividade.

Produto x homem-mês em supervisão

Na supervisão de obras, o resultado depende da duração e do ritmo da obra fiscalizada. Um contrato exclusivamente por produto pode exigir contingências elevadas para cobrir incerteza temporal.

Por isso, o modelo deve identificar quais atividades são efetivamente produtos e quais são disponibilidades necessárias durante determinado período. Relatórios, pareceres e verificações podem ser produtos; presença de equipe residente e acompanhamento contínuo podem exigir outra unidade.

O desenho híbrido deve ser fundamentado tecnicamente.

Como escrever o Termo de Referência

O TR precisa estabelecer para cada produto:

  • descrição;
  • conteúdo mínimo;
  • requisitos de entrada;
  • formato;
  • prazo;
  • fluxo de revisão;
  • aceite;
  • regra de medição;
  • preço ou forma de precificação;
  • tratamento de revisões e alterações.

Também deve definir como produtos se relacionam e quais dependências impedem o aceite isolado.

Como contratar a estruturação de uma LPU por produtos

A estruturação profissional de uma LPU começa pelo mapa de serviços da organização. É preciso identificar demandas recorrentes, produtos, complexidade, equipe, esforço e dados históricos.

Depois, cada produto é modelado com composição de custos e critérios de acionamento. A validação inclui cenários de ordens de serviço, análise de sobreposição entre itens e teste de medição.

O objetivo não é criar uma tabela grande. É criar uma linguagem contratual entre demanda, entrega e preço.

Considerações finais

Preço por produto é uma ferramenta poderosa quando o objeto permite definir resultados. Ele desloca a medição do tempo para a entrega, estimula produtividade e melhora a rastreabilidade do contrato. Mas só funciona quando o produto é especificado com precisão, possui critério de aceite e deriva de uma memória de custos coerente.

A melhor arquitetura não é escolher entre “hora” e “produto”. É usar cada conceito na camada correta: horas para estimar esforço quando necessário, produtos para representar resultados e critérios de aceite para autorizar o pagamento.

Referências técnicas

[1] TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Acórdão 2.205/2014 — Segunda Câmara. Serviços de consultoria pagos por produto e necessidade de orçamento detalhado. Disponível em: https://pesquisa.apps.tcu.gov.br/doc/acordao-completo/2205/2014/Segunda%20C%C3%A2mara

[2] TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Acórdão 1.488/2009 — Plenário. Discussão sobre mensuração por homem-hora e produtos. Disponível em: https://pesquisa.apps.tcu.gov.br/documento/acordao-completo/1488%252F2009/%2520/DTRELEVANCIA%2520desc%252C%2520NUMACORDAOINT%2520desc/8

[3] TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Roteiro de Auditoria de Obras Públicas. Brasília: TCU, 2012. Seção I.7 — Orçamentos de contratos de engenharia consultiva. Disponível em: https://apoioauditoria.tcu.gov.br/wp-content/uploads/sites/17/2024/12/Roteiro-de-Auditoria-de-Obras-P_blicas-_-vers_o-p_bli-_4_-1.pdf

[4] BRASIL. Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021. Lei de Licitações e Contratos Administrativos. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14133.htm

Perguntas frequentes
O que é preço por produto em engenharia consultiva?

É a precificação e medição associada a entregáveis definidos, como projetos, relatórios, estudos ou pareceres, em vez de remunerar apenas o tempo disponibilizado pela equipe.

Um contrato pago por produto precisa de memória de horas?

A memória de custos pode usar horas-técnicas para formar o preço, mesmo que a medição contratual seja por produto. O TCU destaca a necessidade de orçamento detalhado e correlação com os entregáveis.

Preço por produto é sempre melhor que homem-hora?

Não. Ele funciona melhor quando o resultado pode ser especificado e o esforço é razoavelmente previsível. Serviços contínuos dependentes da duração de uma obra podem exigir modelo híbrido.

Produto é a mesma coisa que documento?

Não. Produto é uma unidade de resultado com conteúdo e critérios de aceite. Um documento pode ser um produto, mas tamanho, número de páginas ou formato não são suficientes para definir seu preço.

Como medir um projeto complexo por produto?

Pode-se decompor o projeto em subprodutos ou marcos técnicos verificáveis, com percentuais de medição associados a entregas, revisões e aceite final.

Como criar preço para produto não previsto na LPU?

O contrato pode prever regra de formação de novo item baseada em equipe, horas, fatores originalmente contratados, itens semelhantes e despesas necessárias.

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