ONVIF anunciou em 26 de agosto de 2026 o Media Signing Add-on, em versão candidata, para verificar origem e integridade de gravações de CFTV.

Confira!

Em 26 de agosto de 2026, a ONVIF anunciou a versão candidata (Release Candidate) do Media Signing Add-on, complemento de interoperabilidade desenvolvido para verificar a autenticidade e a integridade de vídeos de vigilância. A proposta padroniza a assinatura criptográfica de imagens produzidas por câmeras IP e codificadores, permitindo que ferramentas compatíveis verifiquem a origem do material e identifiquem alterações posteriores à assinatura.

O anúncio responde à importância das gravações em investigações, apurações corporativas, processos judiciais e solicitações de seguradoras, especialmente em um contexto de disseminação de vídeos manipulados ou gerados por inteligência artificial. Conforme o comunicado oficial da ONVIF, a especificação anunciada ainda se encontra em avaliação e não corresponde à publicação de uma versão definitiva.

Autenticidade e integridade: o que pode ser verificado

A autenticação de mídia envolve dois conceitos complementares. Autenticidade refere-se à verificação da origem do vídeo assinado; integridade corresponde à confirmação de que os dados protegidos não foram modificados desde a geração da assinatura. O Media Signing Add-on associa informações criptográficas ao equipamento responsável pelo fluxo e aos quadros da sequência, possibilitando sua validação posterior.

Uma assinatura válida, entretanto, não comprova isoladamente a veracidade de todos os acontecimentos retratados, a correção do relógio da câmera ou a inexistência de interferência anterior à assinatura. O mecanismo tem alcance técnico delimitado: verificar procedência e alterações nos dados abrangidos pela proteção criptográfica.

Como funciona a assinatura digital em câmeras e VMS

O método foi concebido para atuar na origem do vídeo codificado, e não somente no momento de exportação da gravação. Segundo a documentação técnica do Media Signing Add-on, o fluxo envolve:

  • Captura e codificação: a câmera IP ou o encoder produz o fluxo de vídeo compatível.
  • Assinatura: o dispositivo acrescenta informações criptográficas com uma chave associada ao equipamento.
  • Gravação e transporte: o sistema armazena ou transmite o vídeo preservando as informações de verificação.
  • Validação: uma ferramenta ou player compatível examina as assinaturas e informa se o conteúdo protegido é válido ou inválido.

A ONVIF informa que um intervalo selecionado de vídeo assinado pode ser copiado, transportado e exportado sem perder necessariamente a capacidade de validação, desde que os dados codificados protegidos permaneçam inalterados e que os metadados necessários acompanhem o material. A recodificação do vídeo ou a remoção de informações de assinatura pode impedir a verificação.

Escopo técnico: vídeo ao vivo em H.264 e H.265

O Release Candidate 1.0 aplica-se à assinatura de fluxos de vídeo ao vivo codificados em H.264 ou H.265. O suporte a áudio não faz parte do escopo inicial e poderá ser incluído em versões posteriores. A proposta abrange recursos de configuração e integração entre dispositivos de origem e aplicações clientes, incluindo sistemas VMS, gravadores, ferramentas forenses e serviços em nuvem.

A assinatura digital também não se confunde com a criptografia das comunicações. O transporte seguro protege dados durante a transmissão; o Media Signing Add-on permite examinar a origem e a integridade do conteúdo assinado após seu recebimento ou armazenamento. São controles diferentes e complementares em uma arquitetura de videomonitoramento.

Interoperabilidade e requisitos de projeto para CFTV IP

A padronização procura permitir a verificação de vídeos provenientes de diferentes fabricantes, reduzindo a dependência de mecanismos proprietários. Para sistemas multivendor, isso requer compatibilidade efetiva entre a câmera ou encoder e o cliente responsável por configurar, receber, armazenar e validar o fluxo assinado.

A ONVIF esclarece que um produto precisará também ser conforme a um perfil ONVIF para reivindicar conformidade ao Media Signing Add-on quando a especificação estiver concluída. A conformidade genérica com um perfil ONVIF não implica suporte automático ao novo complemento. As condições deverão ser examinadas para cada modelo de equipamento, firmware, VMS e ferramenta de verificação.

Em projetos e homologações, a linha de base técnica deverá considerar configuração da assinatura no dispositivo, retenção dos metadados, exportação de trechos, validação independente e evidências documentadas de testes de compatibilidade.

Assinatura digital não substitui a cadeia de custódia

A capacidade de validar criptograficamente a gravação fortalece sua rastreabilidade, mas não substitui procedimentos de cadeia de custódia. Continuam necessários controles de acesso, registro de operações e exportações, sincronização temporal, política de retenção, preservação dos arquivos originais e documentação das transferências.

Também é necessário diferenciar a constatação técnica de integridade da avaliação de admissibilidade ou de valor probatório em uma investigação ou processo judicial. O uso de vídeo assinado deve compor um conjunto mais amplo de procedimentos técnicos e documentais.

Relação com a colaboração entre ONVIF e C2PA

O anúncio integra iniciativas de padronização da procedência de conteúdo audiovisual. Em junho de 2025, a ONVIF divulgou uma colaboração com a Coalition for Content Provenance and Authenticity (C2PA), voltada à promoção de padrões abertos de autenticidade e integridade. A aproximação entre as iniciativas não equivale, por si só, à certificação ou à compatibilidade automática dos produtos entre os dois ecossistemas.

Disponibilidade e evolução da especificação

A ONVIF disponibilizou a especificação candidata e ferramentas de teste para membros habilitados a realizar prototipagem e avaliação. O framework de assinatura e verificação foi publicado em código aberto, permitindo inspeção e implementação por fabricantes e desenvolvedores.

O comunicado de 26 de agosto estabelece a expectativa de conclusão da especificação até o fim de 2026. Até a publicação final, é importante distinguir documentação disponível para testes de suporte comercial e conformidade formal comprovados. A lista de equipamentos compatíveis e as condições de adoção deverão ser verificadas nas publicações oficiais posteriores.

Análise técnica da A3A Engenharia

A evolução do Media Signing Add-on reforça a necessidade de incorporar requisitos de procedência e integridade ao projeto de sistemas de videomonitoramento, especialmente em instalações corporativas, industriais e de infraestrutura crítica. A confiabilidade da evidência depende da integração entre câmera, rede, VMS, armazenamento, controle de acesso e procedimentos de operação.

Para aplicações com uso investigativo, a engenharia de sistemas deve estabelecer critérios de aceitação que permitam testar a gravação, a exportação, a conservação dos metadados e a validação do material assinado. Esses critérios complementam os requisitos de qualidade da imagem e os processos de gestão de evidências digitais.

Conteúdos relacionados

Fontes oficiais