Entenda como funciona um BESS Behind-the-Meter, quais aplicações fazem sentido, como ele se conecta à instalação elétrica e o que avaliar antes de investir em armazenamento atrás do medidor.

Confira!

BESS Behind-the-Meter (BTM) é um sistema de armazenamento conectado no lado da instalação do consumidor, a jusante do ponto de medição da distribuidora ou do ponto comercial considerado para faturamento. Em vez de atuar primariamente como ativo independente da rede, o BESS passa a interagir com a curva de carga da empresa, geração local, demanda contratada, tarifas, processos e requisitos de continuidade do próprio empreendimento.

Esse posicionamento permite aplicações como peak shaving, load shifting, aumento do autoconsumo fotovoltaico, gerenciamento de demanda, suporte à continuidade e participação em mecanismos de flexibilidade quando a regulamentação e a arquitetura permitirem. Porém, o valor de cada aplicação depende do perfil horário real da unidade consumidora e da capacidade da infraestrutura elétrica de receber um recurso bidirecional.

Por isso, um projeto BTM não deve começar pela escolha da bateria. Deve começar pela pergunta: qual problema energético ou operacional precisa ser resolvido, em qual ponto da instalação, com qual potência, duração e estratégia de despacho? A partir daí, dimensionamento, arquitetura, estudos elétricos, proteção, EMS, segurança e critérios de aceite podem ser definidos de forma coerente.

O que significa Behind-the-Meter

A expressão behind-the-meter descreve a posição do recurso em relação ao ponto de medição utilizado para registrar a troca de energia entre consumidor e rede. O BESS está “atrás” desse medidor do ponto de vista da instalação, operando junto às cargas e eventualmente à geração distribuída.

A EPE inclui baterias atrás do medidor em seus estudos de Recursos Energéticos Distribuídos e dedicou um caderno do PDE 2035 à micro e minigeração distribuída e baterias BTM. A lógica é importante: armazenamento passa a ser analisado como parte da gestão ativa da energia no consumidor, e não apenas como ativo centralizado.

Posição de um BESS Behind-the-Meter na instalação do consumidor

Rede da distribuidora

Medidor / ponto de conexão

QGBT ou barramento interno

Cargas

Geração fotovoltaica

BESS BTM

EMS

Posição de um BESS Behind-the-Meter na instalação do consumidor

BTM não define a aplicação do BESS

Behind-the-meter descreve onde o sistema está conectado. Não descreve automaticamente para que ele será usado. Um mesmo BESS pode executar uma aplicação principal ou empilhar múltiplas funções, desde que potência, energia, SOC, degradação e controles sejam compatíveis.

As aplicações mais comuns incluem:

  • redução de picos de demanda;
  • deslocamento de energia entre horários;
  • aumento do autoconsumo de geração local;
  • limitação de importação da rede;
  • suporte a cargas críticas;
  • gestão de carregadores de veículos elétricos;
  • resposta da demanda e flexibilidade;
  • controle de potência ativa e reativa, quando tecnicamente aplicável.

O problema é que essas funções podem competir pelo mesmo recurso. Reservar SOC para continuidade reduz a energia disponível para arbitragem. Operar ciclos profundos diariamente para load shifting pode alterar degradação e disponibilidade. Participar de resposta da demanda pode exigir manter margem de potência em horários específicos.

Peak Shaving em BESS Behind-the-Meter

No peak shaving, o BESS descarrega quando a potência importada da rede se aproxima de um limite definido. O objetivo é reduzir a demanda máxima observada ou manter a importação abaixo de uma referência operacional.

O artigo de Peak Shaving com BESS aprofunda o dimensionamento. No contexto BTM, o ponto central é que o controle precisa enxergar a potência no ponto de medição e reagir com antecedência suficiente para evitar o pico.

Um BESS pode ter energia suficiente em MWh e ainda falhar no peak shaving se a potência em MW for insuficiente. Também pode ter potência adequada, mas pouca duração para sustentar um pico longo.

Load Shifting e arbitragem temporal

No load shifting, o BESS carrega em um período e descarrega em outro, deslocando energia no tempo. A motivação pode ser tarifa, redução de carga em determinada janela ou aproveitamento de geração local.

O conteúdo sobre Load Shifting detalha a diferença em relação ao peak shaving. Em BTM, a viabilidade depende da diferença econômica entre horários, das perdas do ciclo, da degradação e do perfil de consumo.

A decisão deve usar série temporal real. Uma tarifa mais barata à noite não garante viabilidade se a bateria precisar de grande capacidade para deslocar pouca energia economicamente relevante.

BESS com geração fotovoltaica

Quando fotovoltaico e BESS coexistem atrás do medidor, o armazenamento pode absorver excedentes locais e devolvê-los em outro horário. Isso pode aumentar autoconsumo e reduzir exportação, dependendo da estratégia.

A arquitetura pode ser AC-coupled ou DC-coupled. Em AC-coupled, fotovoltaico e BESS possuem conversores próprios e se encontram no barramento AC. Em DC-coupled, existe maior integração no lado DC, com impactos sobre arquitetura, controles e limites operacionais.

A escolha não deve ser feita apenas por eficiência nominal. Retrofit, equipamentos existentes, requisitos de independência, manutenção, expansão e estratégias de operação influenciam a alternativa.

O ponto de conexão interno é uma decisão de engenharia

Behind-the-meter descreve posição, não aplicação. Antes de escolher bateria e PCS, a engenharia precisa caracterizar a curva de carga, a finalidade do armazenamento e o ponto elétrico onde o recurso realmente produz o benefício esperado.

Due Diligence Técnica de Engenharia

Conectar o BESS no QGBT principal, em barramento de média tensão, próximo a uma carga específica ou em uma subestação interna produz consequências diferentes.

A posição altera:

  • correntes nos alimentadores;
  • capacidade de aliviar gargalos internos;
  • contribuição e direção de fluxos;
  • proteção e seletividade;
  • perdas elétricas;
  • alcance sobre cargas críticas;
  • possibilidade de operar setores isolados;
  • complexidade construtiva e de manutenção.

Um BESS conectado no ponto de entrada pode reduzir a demanda da unidade, mas não necessariamente aliviar um alimentador interno congestionado. Para isso, sua posição elétrica precisa estar do lado correto do gargalo.

O BESS também é carga

Durante o carregamento, um BESS behind-the-meter aumenta a potência consumida pela instalação. Esse fato é frequentemente subestimado em análises preliminares.

Se a instalação já opera próxima ao limite de transformadores, painéis ou demanda, o carregamento precisa ser coordenado. A estratégia pode usar janelas de baixa carga, limitar potência dinamicamente ou exigir reforço de infraestrutura.

O artigo sobre capacidade de transformadores para BESS e novas cargas e o conteúdo sobre capacidade de QGBT e alimentadores ajudam a verificar essa cadeia.

Dimensionamento: MW, MWh e duração

O dimensionamento BTM precisa derivar da série temporal do problema. A potência em MW responde à intensidade da ação; a energia em MWh responde à duração.

O dimensionamento de BESS deve considerar eficiência, SOC mínimo/máximo, degradação, temperatura, reserva operacional e crescimento futuro.

Para múltiplas aplicações, é necessário modelar regras de prioridade. O mesmo MWh não pode ser comprometido simultaneamente com duas funções incompatíveis sem uma estratégia explícita de compartilhamento.

EMS e controle pelo ponto de medição

O EMS é particularmente importante em projetos behind-the-meter porque a otimização depende da leitura da instalação: potência importada, geração local, estado de carga, tarifas, previsão de consumo e restrições operacionais.

A arquitetura de BESS, SCADA e EMS deve definir hierarquia de comandos, qualidade dos dados, latência, fallback e comportamento seguro quando a comunicação é perdida.

Um controle de peak shaving, por exemplo, precisa saber qual medição é a referência contratual. Usar um medidor interno em posição errada pode controlar o valor errado mesmo que o algoritmo funcione perfeitamente.

Fluxo de decisão para um projeto BESS Behind-the-Meter

Problema do consumidor

Curva de carga e geração

Aplicação principal

MW e MWh

Ponto de conexão

Estudos elétricos

Arquitetura e EMS

CAPEX e viabilidade

Projeto, contratação e comissionamento

Fluxo de decisão para um projeto BESS Behind-the-Meter

Estudos elétricos continuam obrigatórios

O BESS também é uma nova carga durante o carregamento. Capacidade de transformadores, barramentos e alimentadores precisa ser verificada nos cenários de maior demanda e nas contingências relevantes.

Serviços de Engenharia Elétrica

Estar atrás do medidor não elimina requisitos elétricos. O BESS continua sendo fonte e carga controlável conectada à instalação.

Dependendo da escala, devem ser avaliados:

  • fluxo de potência nos estados de carga e descarga;
  • curto-circuito;
  • proteção e seletividade;
  • fluxo reverso;
  • qualidade de energia e harmônicas;
  • aterramento;
  • estabilidade e controles;
  • contingências;
  • capacidade firme da infraestrutura.

O artigo Estudos elétricos para BESS organiza essa matriz.

Regulação e enquadramento dependem da configuração

A ANEEL regulamentou em 2026 procedimentos para Sistemas de Armazenamento de Energia autônomos e colocalizados com centrais geradoras. Para aplicações BTM em unidades consumidoras, o enquadramento regulatório e os procedimentos de conexão dependem da configuração efetiva, da interação com a rede, da possibilidade de injeção e das regras aplicáveis à unidade.

Isso significa que um projeto não deve transportar automaticamente requisitos de um SAE autônomo de grande porte para um BESS industrial behind-the-meter, nem presumir que estar atrás do medidor elimina interface regulatória.

A engenharia deve caracterizar a arquitetura e então identificar os requisitos de distribuidora, medição, proteção, geração distribuída ou demais normas aplicáveis.

BTM e continuidade de energia

Um BESS atrás do medidor pode participar da continuidade, mas não é automaticamente uma UPS. Tempo de transferência, capacidade de formar rede, seletividade, partida de cargas, SOC disponível e arquitetura do ponto de acoplamento definem o que ele realmente consegue sustentar.

O artigo BESS, UPS e gerador separa essas funções. Para uso de backup, o projeto deve especificar estados de falha, cargas prioritárias, autonomia, black start quando aplicável e critérios de transição.

Como avaliar a viabilidade econômica

A viabilidade precisa ser calculada a partir do benefício que o BESS efetivamente produz. Economias de demanda, deslocamento tarifário, aumento de autoconsumo, participação em mecanismos de flexibilidade e valor de continuidade têm naturezas distintas.

O modelo econômico deve incluir:

  • CAPEX instalado;
  • reposições e manutenção;
  • eficiência round-trip;
  • degradação e capacidade ao longo da vida;
  • custo de energia para carregamento;
  • disponibilidade;
  • benefícios por aplicação;
  • valor residual;
  • riscos regulatórios e tarifários.

Empilhar benefícios é legítimo apenas quando as aplicações podem coexistir operacionalmente. Somar receitas de casos que usam a mesma potência ou o mesmo SOC no mesmo horário superestima o resultado.

BESS Readiness antes do investimento

Antes de contratar o sistema, o empreendimento deve verificar se a instalação está preparada para recebê-lo. O BESS Readiness compara documentação, capacidade, proteção, qualidade, automação, espaço, segurança e requisitos futuros.

Essa etapa é especialmente relevante em BTM porque o ativo é implantado dentro de uma infraestrutura que já está operando. Restrições de parada, espaço e retrofit podem determinar a viabilidade tanto quanto o preço da bateria.

Procurement e comissionamento

A contratação deve comparar soluções em bases técnicas equivalentes: potência, energia útil, eficiência, degradação, disponibilidade, limites ambientais, PCS, EMS, garantias, segurança, documentação, testes e interfaces.

O Procurement de BESS organiza essa equalização. Depois da implantação, o Comissionamento de BESS deve provar que o sistema integrado entrega as aplicações contratadas no ponto de medição correto.

Arquiteturas Behind-the-Meter em baixa e média tensão

Behind-the-Meter descreve a posição comercial do armazenamento em relação ao ponto de medição, mas a arquitetura elétrica pode variar significativamente. Em instalações menores, o BESS pode se conectar diretamente a um QGBT de baixa tensão. Em plantas industriais, centros logísticos, hospitais ou Data Centers, é comum que a conexão ocorra em média tensão por meio de transformador dedicado, cubículo de manobra e proteção própria.

A escolha do ponto de conexão determina quais cargas o BESS consegue aliviar, quais alimentadores permanecem carregados e onde ocorre a redução de demanda medida. Um BESS conectado muito a montante pode reduzir demanda global, mas não necessariamente aliviar um alimentador interno congestionado. Um sistema conectado próximo de uma carga crítica pode resolver um gargalo local, mas ter menor influência sobre o ponto comercial de faturamento.

Posição do BESSVantagem típicaPonto de atenção
QGBT principal em BTIntegração direta com cargas centraisCorrente elevada, capacidade de barramento e curto-circuito
Barramento de MTEscala maior e menor corrente no lado principalTransformador, cubículo, proteção e espaço dedicado
Próximo de carga específicaAlívio de gargalo localPode não reduzir toda a demanda no medidor principal
Junto à geração fotovoltaicaCoordenação de geração e armazenamentoTopologia AC/DC coupling e estratégia de operação

A decisão deve considerar perdas, nível de tensão, capacidade existente, disponibilidade física, facilidade de manutenção, proteção, seletividade e expansão futura. O melhor ponto não é necessariamente o mais próximo do medidor nem o de instalação mais simples; é o ponto que atende simultaneamente o objetivo energético e os limites da infraestrutura.

O ponto de medição é parte do sistema de controle

Para peak shaving, controle de demanda e limitação de exportação, o BESS precisa reagir à grandeza medida no ponto correto. Isso exige definir onde a potência será medida, qual intervalo de atualização será usado, como perdas e transformações serão consideradas e como o EMS reagirá a falhas de comunicação ou dados inválidos.

Uma medição instalada no barramento do BESS mostra a potência do próprio sistema, mas não necessariamente a demanda líquida da unidade consumidora. Para controlar o pico faturável ou manter importação/exportação dentro de um limite, o algoritmo precisa observar o ponto comercial ou uma medição tecnicamente equivalente. Em redes internas complexas, pode ser necessário combinar múltiplos medidores para distinguir carga, geração fotovoltaica, BESS e intercâmbio com a rede.

A qualidade da medição também importa. Transformadores de corrente, transformadores de potencial, medidores, sincronismo de tempo, taxa de atualização e tratamento de dados precisam ser compatíveis com a estratégia de controle. Um EMS com lógica sofisticada não corrige uma referência de potência errada ou atrasada.

Empilhamento de aplicações: quando um BESS executa mais de uma função

Um dos principais argumentos econômicos do BESS Behind-the-Meter é a possibilidade de combinar aplicações. O mesmo ativo pode reduzir picos, deslocar energia, aumentar autoconsumo fotovoltaico, manter reserva para contingências e participar de estratégias de flexibilidade. Entretanto, essas aplicações competem por potência, energia e janela de SOC.

O projeto precisa estabelecer uma hierarquia operacional. Se a prioridade máxima é continuidade, parte da energia deve permanecer reservada e não pode ser consumida integralmente em arbitragem. Se a prioridade é peak shaving, o sistema precisa preservar potência e SOC antes do horário crítico. Se existe fotovoltaico, pode ser desejável deixar espaço para absorver excedentes no meio do dia.

AplicaçãoRecurso consumidoConflito típicoRegra de prioridade
Peak shavingPotência + energia durante o picoPode reduzir reserva para backupReservar SOC antes da janela crítica
Load shiftingEnergia ao longo de horasOcupa capacidade que poderia absorver FVOtimizar carga/descarga pela curva diária
Autoconsumo FVEspaço de SOC durante geração excedenteConflita com bateria previamente carregadaManter headroom para o período solar
BackupReserva energéticaReduz energia disponível para aplicações econômicasDefinir SOC mínimo de contingência
Suporte à rede internaPotência e capacidade de controlePode coincidir com pico de demandaHierarquia por criticidade operacional

Sem essa hierarquia, o sistema pode cumprir uma função e comprometer outra. A estratégia deve ser simulada com séries temporais e transformada em regras operacionais verificáveis no EMS.

Janela de SOC, potência de recarga e recuperação após eventos

O dimensionamento nominal em MWh não representa toda a energia operacionalmente utilizável. Limites de SOC, reserva para contingência, eficiência, degradação, potência do PCS e restrições de temperatura reduzem ou condicionam a faixa efetiva. A engenharia deve trabalhar com a janela operacional de energia, e não apenas com a capacidade de placa.

A recarga também precisa ser estudada. Um BESS que descarrega para reduzir o pico pode criar um novo pico se tentar recuperar o SOC imediatamente após o evento. Em instalações com limite de transformador ou demanda contratada, o algoritmo deve limitar a potência de recarga e selecionar janelas adequadas. Em sistemas com fotovoltaico, a recuperação pode ser coordenada com excedentes solares.

Eventos sucessivos exigem atenção especial. Se dois picos ocorrem com pouco intervalo entre eles, o BESS precisa ter energia suficiente ou estratégia de recarga compatível. A simulação deve considerar dias representativos e casos críticos, não apenas uma curva idealizada de 24 horas.

Degradação, garantia e augmentation entram na viabilidade

Uma bateria perde capacidade e pode alterar desempenho ao longo do tempo. Portanto, uma análise econômica baseada apenas na capacidade inicial superestima o benefício futuro. O modelo deve considerar degradação esperada, throughput, ciclos, profundidade de descarga, temperatura, eficiência e condições de garantia.

Quando o requisito de desempenho precisa ser mantido por vários anos, o projeto pode prever sobredimensionamento inicial, reposição modular ou augmentation. Cada estratégia altera CAPEX, OPEX, espaço físico, cronograma de manutenção e perfil de garantia. O procurement precisa deixar claro se a garantia é de capacidade, energia entregue, disponibilidade, eficiência ou combinação desses indicadores.

A viabilidade deve usar o desempenho esperado em cada ano, não uma bateria “congelada” no estado inicial. Essa abordagem também evita comparar propostas comerciais com garantias estruturalmente diferentes como se fossem equivalentes.

Como modelar o benefício econômico sem separar a engenharia da tarifa

O benefício de um BESS BTM depende da interação entre tarifa, curva de carga e estratégia de despacho. Para peak shaving, é necessário modelar como a demanda máxima é formada e qual potência precisa ser abatida. Para load shifting, devem ser consideradas diferenças de preço entre períodos, eficiência round-trip e energia necessária para recarregar o sistema.

A modelagem deve incluir custos e perdas que frequentemente ficam fora de simulações simplificadas: consumo auxiliar, HVAC, degradação, indisponibilidade, manutenção, eventuais reforços elétricos, substituições, augmentation e perdas em transformadores e PCS. Quando há geração fotovoltaica, também é necessário comparar autoconsumo, exportação e armazenamento.

O resultado econômico precisa ser apresentado por cenário. Uma alternativa pode ter maior economia anual, mas exigir reforço de subestação; outra pode gerar benefício um pouco menor com implantação mais simples. Engenharia econômica e capacidade elétrica devem ser avaliadas no mesmo modelo de decisão.

Matriz de cenários elétricos para BESS BTM

Além da simulação energética, o BESS precisa ser estudado nos estados que mais solicitam a instalação. Um projeto robusto deve combinar carga, geração e bateria para descobrir o pior caso de cada equipamento.

  • carga máxima com BESS carregando;
  • carga máxima com BESS indisponível;
  • carga baixa com BESS descarregando e geração fotovoltaica elevada;
  • fluxo reverso máximo quando exportação for permitida;
  • contingência com perda de transformador ou alimentador;
  • operação com gerador e BESS simultaneamente, quando prevista;
  • transição para operação ilhada, quando aplicável;
  • recuperação do SOC após evento de peak shaving ou falta de rede;
  • modo degradado por indisponibilidade parcial de PCS ou racks.

Cada cenário pode produzir um “pior caso” diferente: carregamento térmico, queda de tensão, nível de curto-circuito, fluxo reverso, seletividade ou qualidade de energia. Por isso, a avaliação elétrica não deve trabalhar com um único estado de despacho.

Entregáveis de engenharia para um projeto Behind-the-Meter

Um projeto BTM precisa deixar rastreabilidade suficiente para que o benefício calculado possa ser contratado, implantado e testado. O pacote pode incluir:

  • curvas de carga e base de dados utilizadas;
  • memória de dimensionamento em MW e MWh;
  • estratégia de SOC e despacho;
  • diagrama unifilar e ponto de conexão;
  • estudos de fluxo, curto-circuito, proteção e qualidade;
  • requisitos de medição, EMS, SCADA e telecomunicações;
  • matriz de modos operacionais e prioridades;
  • premissas de degradação, garantia e augmentation;
  • análise de alternativas e CAPEX habilitador;
  • critérios de desempenho e disponibilidade;
  • protocolos FAT, SAT e testes funcionais;
  • critérios de aceite vinculados ao caso de uso contratado.

Essa documentação permite que a contratação compare sistemas em bases equivalentes e que o comissionamento verifique não apenas se o BESS liga e descarrega, mas se ele realmente executa a função energética prevista no ponto de medição correto.

Considerações finais

BESS Behind-the-Meter é uma arquitetura de armazenamento integrada ao sistema elétrico e energético do consumidor. Seu valor pode vir de peak shaving, load shifting, fotovoltaico, continuidade ou flexibilidade, mas cada aplicação impõe exigências diferentes de potência, energia, SOC, controle e infraestrutura.

O projeto deve começar pela curva de carga e pelo problema operacional, seguir para dimensionamento, ponto de conexão, estudos e arquitetura, e somente então avançar para procurement e implantação. É essa sequência que transforma uma bateria atrás do medidor em um ativo de engenharia capaz de produzir benefício mensurável ao longo de sua vida útil.

O benefício comercial precisa aparecer no teste de aceite. Se o projeto foi contratado para limitar demanda, deslocar energia ou sustentar cargas, o comissionamento deve reproduzir a lógica e comprovar o resultado no ponto de medição correto.

Comissionamento de Equipamentos

Referências técnicas

[1] EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA. Recursos Energéticos Distribuídos (RED). Disponível em: https://www.epe.gov.br/pt/areas-de-atuacao/economia-da-energia/efici%C3%AAncia-energ%C3%A9tica-e-recursos-energ%C3%A9ticos-distribu%C3%ADdos/recursos-energeticos-distribuidos-red.

[2] EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA; MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA. MME e EPE publicam caderno sobre Micro e Minigeração Distribuída e Baterias Atrás do Medidor no PDE 2035. 2025. Disponível em: https://www.epe.gov.br/pt/imprensa/noticias/mme-e-epe-publicam-caderno-sobre-micro-e-minigeracao-distribuida-e-baterias-atras-do-medidor-no-pde-2035.

[3] AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA. Sistemas de Armazenamento de Energia Elétrica Autônomos — Baterias. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/aneel/pt-br/centrais-de-conteudos/manuais-modelos-e-instrucoes/armazeamento-de-energia/sae-autonomos-bateria.

Perguntas frequentes
O que é BESS Behind-the-Meter?

É um sistema de armazenamento instalado no lado do consumidor, a jusante do ponto de medição da distribuidora ou do ponto comercial considerado para faturamento, operando junto às cargas e eventualmente à geração local.

BESS behind-the-meter serve apenas para peak shaving?

Não. Pode executar load shifting, aumentar autoconsumo fotovoltaico, gerenciar demanda, suportar cargas críticas e fornecer flexibilidade, desde que a arquitetura, o SOC e o dimensionamento permitam.

Um BESS BTM pode injetar energia na rede?

Depende da arquitetura, dos controles e do enquadramento regulatório e de conexão aplicável. O projeto deve definir explicitamente se haverá exportação, limitação de injeção ou operação apenas para consumo interno.

Onde conectar o BESS dentro da instalação?

O ponto deve ser definido por estudos. QGBT principal, média tensão ou barramento local produzem efeitos diferentes sobre demanda, perdas, proteção e capacidade de aliviar gargalos internos.

BESS behind-the-meter substitui UPS ou gerador?

Não automaticamente. Continuidade depende de tempo de transferência, capacidade de formar rede, SOC, proteção, autonomia e arquitetura. As funções podem ser complementares.

Quais estudos fazer antes de instalar um BESS BTM?

Normalmente devem ser avaliados fluxo de potência, curto-circuito, proteção, seletividade, qualidade de energia, capacidade de transformadores e painéis, aterramento e contingências, conforme a escala e arquitetura.

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