Compare Cat5e x Cat6: 100 vs 250 MHz, Gigabit, 10GBASE-T, 90/100 m, PoE, Wi-Fi, certificação, custo e critérios para projeto novo ou retrofit.
Confira!
A diferença entre Cat5e e Cat6 não é simplesmente “1 Gb/s contra 10 Gb/s”. As duas categorias podem atender Gigabit Ethernet em canais de até 100 m quando o sistema é corretamente projetado, instalado e certificado. O Cat6 oferece maior largura de banda de transmissão — 250 MHz contra 100 MHz do Cat5e —, limites elétricos mais rigorosos e maior margem contra diafonia, mas não deve ser tratado como equivalente a Cat6A para 10GBASE-T em 100 m.
Em projetos novos, a escolha precisa considerar a aplicação Ethernet, a vida útil esperada, PoE, densidade de cabos, Wi-Fi, CFTV IP, caminhos, patch panels, conectores, temperatura, certificação e possibilidade de evolução. Em redes existentes, Cat5e pode continuar tecnicamente adequado quando atende à aplicação e passa nos ensaios; substituir uma infraestrutura apenas por causa da categoria, sem diagnóstico, pode gerar CAPEX sem benefício mensurável.
Cat5e x Cat6: diferenças técnicas que realmente importam
Escolher a categoria sem fechar aplicações, PoE, Wi-Fi, caminhos e horizonte de evolução costuma deslocar o problema para a obra. Um projeto de cabeamento define a classe do sistema junto com arquitetura, infraestrutura física, componentes e critérios de aceite.
| Critério | Cat5e | Cat6 | Implicação de engenharia |
| Categoria / classe | Categoria 5e / Classe D | Categoria 6 / Classe E | O canal deve ser formado por componentes compatíveis com a classe especificada |
| Frequência de referência | 100 MHz | 250 MHz | Cat6 trabalha com limites elétricos mais rigorosos em faixa maior |
| 1000BASE-T | Até 100 m de canal, conforme aplicação e conformidade do enlace | Até 100 m de canal, conforme aplicação e conformidade do enlace | Ambos podem atender Gigabit Ethernet |
| 10GBASE-T | Não é a categoria de projeto para 10 Gb/s | Pode atender em condições e comprimentos limitados definidos pela aplicação | Para 10 Gb/s em 100 m, a estratégia adequada é Classe EA/Cat6A |
| Diafonia | Limites de Classe D | Limites mais rigorosos de Classe E | Cat6 oferece maior margem de transmissão |
| Dimensão física | Em geral menor, conforme fabricante | Frequentemente maior, conforme construção | Afeta ocupação de eletrodutos, eletrocalhas e organizadores |
| PoE | Pode transportar alimentação remota quando o canal e o cabo são adequados | Também pode, normalmente com maior margem dependendo da construção | Bitola, resistência, agrupamento e temperatura importam mais do que o nome da categoria isoladamente |
A frequência não é a “velocidade do cabo”. Ela representa a faixa usada para avaliar o desempenho de transmissão da categoria. A taxa efetiva da rede depende da aplicação Ethernet, dos equipamentos ativos, do canal instalado e da conformidade dos parâmetros medidos.
O que Cat5e significa na prática
O Cat5e é uma categoria reconhecida para cabeamento balanceado e continua presente em grandes bases instaladas. Em um enlace dentro dos limites, corretamente terminado e aprovado nos ensaios de Classe D, ele pode suportar 1000BASE-T sem que a simples idade da categoria seja motivo para substituição.
O problema aparece quando a infraestrutura deixa pouca margem para novas aplicações, opera em ambiente térmico desfavorável, apresenta conectores degradados, excesso de patch cords, caminhos saturados ou resultados próximos ao limite. Nesses casos, a decisão deve vir de medição, não de presunção.
Quando manter Cat5e pode ser tecnicamente defensável
- rede existente com demanda estável em 1000BASE-T;
- enlaces aprovados na certificação correspondente;
- ausência de requisito de 10GBASE-T no horizonte do projeto;
- PoE dentro da capacidade térmica do sistema instalado;
- baixo risco de indisponibilidade para uma futura substituição;
- documentação e identificação adequadas.
Em retrofit, o valor da certificação é justamente separar “cabo antigo” de “canal inadequado”. Uma rede que passa nos limites da classe e atende à aplicação não deve ser condenada apenas pelo rótulo Cat5e.
O que muda com Cat6
Cat6 é Categoria 6 e corresponde à Classe E do sistema. Sua banda de referência de 250 MHz e os limites mais restritivos de NEXT, perda de retorno, perda de inserção e demais parâmetros oferecem maior margem de transmissão do que Cat5e.
Essa margem é útil em novas instalações porque o cabeamento tem ciclo de vida muito maior do que switches e endpoints. Porém, a melhoria só existe quando todo o canal é coerente: cabo horizontal, patch panel, conectores, tomadas, patch cords e práticas de instalação precisam atender ao desempenho especificado.
Não é tecnicamente correto afirmar que todo Cat6 “entrega 10 Gb/s até 55 m” como uma regra universal. O suporte a 10GBASE-T em Classe E depende das condições estabelecidas pela aplicação e de fatores como comprimento, configuração do canal e alien crosstalk. Para um requisito de 10 Gb/s em 100 m, Cat6A/Classe EA é a referência de projeto.
90 m de enlace permanente e 100 m de canal
A comparação Cat5e x Cat6 costuma ser confundida com distância. A arquitetura normativa distingue:
- enlace permanente: parte fixa do cabeamento, com referência física de até 90 m;
- canal: enlace permanente mais cordões de manobra e conexões previstas, com referência física de até 100 m.
Os 100 m não significam “100 m de cabo horizontal mais patch cords”. O comprimento total do canal deve respeitar a arquitetura adotada, e o uso de cordões com condutores flexíveis, temperatura elevada ou configurações especiais pode exigir correções de comprimento.
Cat5e, Cat6 e Cat6A: onde entra a terceira alternativa
Uma decisão de projeto não deve ficar artificialmente limitada a Cat5e ou Cat6. Quando há requisito de 10GBASE-T em até 100 m, alta densidade, maior previsibilidade de alien crosstalk ou horizonte de evolução mais agressivo, Cat6A deve entrar na análise.
| Necessidade | Cat5e | Cat6 | Cat6A |
| 1000BASE-T / 100 m | Adequado quando certificado | Adequado | Adequado |
| 10GBASE-T / 100 m como requisito de projeto | Não | Não é a estratégia recomendada | Sim, Classe EA |
| Frequência de referência | 100 MHz | 250 MHz | 500 MHz |
| Controle de alien crosstalk | Não é o foco da classe | Relevante em 10G sobre Classe E | Parte central do desempenho Classe EA |
| Diâmetro/ocupação | Tende a ser menor | Intermediário | Frequentemente maior |
| CAPEX inicial | Menor | Intermediário | Maior |
A categoria mais alta não é automaticamente a melhor escolha. Ela precisa caber fisicamente nos caminhos, racks e conectividade e fazer sentido para a aplicação, disponibilidade e ciclo de vida.
PoE, Wi-Fi e dispositivos de maior consumo
Quando a rede precisa suportar Wi-Fi, CFTV IP, PoE e múltiplos sistemas convergentes, a decisão entre Cat5e, Cat6 e Cat6A deve ser coordenada com a arquitetura de telecomunicações e com os equipamentos que serão atendidos.
PoE altera a análise porque corrente elétrica circula pelos condutores do mesmo cabo usado para dados. Resistência do condutor, bitola, comprimento, quantidade de conexões, temperatura ambiente e agrupamento dos cabos influenciam aquecimento e queda de tensão.
A NBR 16869-1 trata planejamento de alimentação remota e usa agrupamentos de até 24 cabos de quatro pares como referência de organização térmica em determinadas condições. Isso não significa que “Cat6 sempre é melhor para PoE” nem que Cat5e é proibido: o projeto precisa verificar o sistema concreto e os requisitos do fabricante.
Para pontos de acesso Wi-Fi de maior capacidade, a NBR 14565 recomenda infraestrutura com pelo menos Cat6A ou OM3 em novas instalações relacionadas ao atendimento de cobertura sem fio. Portanto, um projeto que pretende suportar gerações futuras de Wi-Fi não deveria escolher Cat5e ou Cat6 apenas porque o switch atual é Gigabit.
CFTV IP, controle de acesso e automação
Câmeras IP, controladores, interfonia e dispositivos IoT frequentemente usam 100 Mb/s ou 1 Gb/s, o que pode levar à conclusão de que “qualquer Cat5e basta”. O critério é mais amplo: PoE, distância, disponibilidade, ambiente, manutenção e crescimento de densidade podem ser mais importantes que a taxa de dados nominal do endpoint.
Em áreas externas, industriais ou com interferência, também entram em cena blindagem, MICE, caminhos, separação de energia, proteção mecânica e aterramento. A categoria do cabo é apenas uma das variáveis de engenharia.
Diafonia, NEXT e perda de retorno
Cat6 possui limites mais rigorosos que Cat5e para parâmetros que determinam a margem do canal. Entre os principais estão:
- NEXT e PSNEXT;
- perda de inserção;
- perda de retorno;
- ACR-N e PSACR-N;
- ACR-F e PSACR-F;
- atraso de propagação e delay skew;
- continuidade e wire map.
O desempenho não pode ser inferido por inspeção visual. Um cabo marcado Cat6 com terminação ruim pode falhar, enquanto um Cat5e corretamente instalado pode atender integralmente à sua classe.
Instalação: onde uma categoria superior perde desempenho
Os erros de campo mais comuns anulam a vantagem teórica do material:
- destrançamento excessivo dos pares na terminação;
- compressão por abraçadeiras;
- curvas abaixo do raio admitido;
- tração excessiva no lançamento;
- mistura de componentes de desempenho incompatível;
- patch cords improvisados;
- excesso de cabo acondicionado de forma inadequada;
- proximidade indevida de infraestrutura elétrica;
- identificação insuficiente;
- conectores retrabalhados repetidamente.
Para Cat5e ou superior, a NBR 14565 limita o destrançamento dos pares na terminação a 13 mm. É um exemplo de detalhe aparentemente pequeno que afeta diretamente os parâmetros de diafonia.
Ocupação de eletrodutos e infraestrutura seca
Cat6 — e principalmente Cat6A — pode ter diâmetro externo maior que Cat5e. Em retrofit, trocar categoria sem verificar caminhos pode tornar o projeto inviável ou aumentar custos civis.
A NBR 16415 estabelece, para eletrodutos de cabeamento estruturado, ocupação máxima de projeto de 40% da área interna. Eletrocalhas, leitos, organizadores de rack e passagens também precisam considerar quantidade, diâmetro, raio de curvatura, expansão futura e acesso para manutenção.
A decisão entre Cat5e, Cat6 e Cat6A deve aparecer na memória de cálculo da infraestrutura seca, e não ser tomada depois que os eletrodutos já estão executados.
Temperatura e comprimento do canal
A perda de inserção aumenta com a temperatura. A NBR 14565 apresenta fatores de correção acima de 20 °C, com comportamento distinto para cabos blindados e não blindados. Em forros quentes, shafts, data centers e grandes feixes PoE, esse efeito precisa entrar no dimensionamento.
Isso reforça um princípio: “100 m” é uma referência de arquitetura, não uma autorização para ignorar ambiente, patch cords, alimentação remota e características do cabo real.
Custo: compare o sistema, não só a caixa de cabo
O custo total inclui cabo, conectividade, patch panels, tomadas, patch cords, caminhos, racks, mão de obra, certificação, indisponibilidade, eventual obra civil e capacidade de evolução. Percentuais genéricos como “Cat6 custa 20% a mais” não são confiáveis sem orçamento de mercado e quantitativos reais.
| Parcela de custo | Pergunta correta |
| Material passivo | Qual é a diferença de preço do sistema completo e compatível? |
| Infraestrutura | O diâmetro maior exige ampliar caminhos ou organizadores? |
| Instalação | Há impacto de lançamento, terminação e densidade? |
| Certificação | Qual classe será ensaiada e quais adaptadores são necessários? |
| Operação | Existe risco real de trocar o cabeamento antes do fim da vida útil? |
| Indisponibilidade | Quanto custa reabrir áreas ocupadas para retrofit? |
Em instalação nova, gastar um pouco mais para ampliar a vida útil pode ser racional. Em instalação existente, substituir milhares de pontos que já atendem à aplicação pode ser desperdício. O estudo deve comparar cenários.
Como decidir em projeto novo
Uma sequência objetiva é:
- definir aplicações atuais e futuras;
- definir taxa Ethernet e horizonte de evolução;
- mapear Wi-Fi, PoE, CFTV e demais endpoints;
- verificar distâncias e arquitetura de canal;
- analisar temperatura e densidade de feixes;
- dimensionar caminhos e racks;
- escolher classe/categoria e conectividade compatível;
- definir ensaios e critérios de aceite;
- comparar CAPEX e custo do ciclo de vida.
Para um escritório convencional com Gigabit Ethernet e horizonte moderado, Cat6 pode ser uma solução tecnicamente equilibrada. Para 10 Gb/s em 100 m, alta densidade e Wi-Fi de maior capacidade, Cat6A tende a ser a referência mais coerente. Cat5e pode permanecer válido em bases existentes, desde que a aplicação e a certificação confirmem adequação.
Como decidir em retrofit
No retrofit, primeiro diagnostique. O levantamento deve separar problemas de categoria, instalação, componentes, conectores, patch cords, comprimento, interferência e ativos de rede.
Uma estratégia técnica pode classificar os enlaces em quatro grupos:
| Situação | Ação típica |
| Cat5e certificado e suficiente | Manter e documentar |
| Cat5e aprovado, mas sem margem para demanda futura | Planejar migração por prioridade |
| Cat6 com falhas de instalação | Corrigir e retestar antes de substituir |
| Canal incompatível com requisito 10G/100m | Projetar Cat6A ou solução óptica conforme arquitetura |
Essa abordagem reduz descarte prematuro e direciona investimento para os pontos que realmente limitam a rede.
Certificação: a decisão termina em medição
A aceitação de um sistema Cat5e ou Cat6 deve usar a configuração de teste correta — normalmente enlace permanente para a infraestrutura fixa e canal quando o escopo inclui os cordões que fazem parte daquela configuração.
O certificador compara os parâmetros medidos com os limites da classe selecionada. O relatório precisa identificar enlace, limite de teste, equipamento, adaptadores, data, operador e resultado. Falhas devem ser corrigidas e o enlace retestado; não basta entregar uma planilha dizendo que o ponto “pingou”.
Procurement e equivalência técnica
Uma especificação robusta deve exigir desempenho do sistema, e não apenas uma marca de cabo. A equalização deve verificar categoria/classe, condutor, construção, capa, blindagem quando aplicável, conectores, patch panels, patch cords, certificados, rastreabilidade, garantia e compatibilidade de todos os componentes.
Também é inadequado aceitar “Cat6” no orçamento e descobrir em obra que patch panels ou patch cords pertencem a outra classe. A matriz de equivalência deve ser fechada antes da compra.
Critérios de aceite recomendados
O recebimento técnico deve conferir:
- materiais e rastreabilidade;
- identificação dos enlaces;
- organização em racks e caminhos;
- raios de curvatura e terminação;
- separação de energia;
- compatibilidade dos componentes;
- relatórios de certificação;
- tratamento de falhas e retestes;
- as built e matriz porta-ponto;
- reservas e capacidade futura previstas em projeto.
Como dimensionar a migração sem trocar toda a rede
Em redes existentes, a comparação Cat5e x Cat6 raramente precisa terminar em uma substituição integral. A abordagem mais eficiente é transformar a migração em um programa de capacidade: primeiro identifica-se quais aplicações exigirão mais da camada física, depois os enlaces são classificados por risco, margem de certificação, criticidade do usuário e dificuldade de intervenção futura.
Um edifício pode ter, por exemplo, estações administrativas perfeitamente atendidas por Cat5e certificado e, ao mesmo tempo, áreas de alta densidade com pontos de acesso Wi-Fi, câmeras PoE, estações de engenharia e servidores locais que justificam Cat6 ou Cat6A. Tratar todos os pontos como se tivessem o mesmo perfil aumenta CAPEX e indisponibilidade sem necessariamente aumentar o benefício.
| Grupo de enlaces | Condição típica | Estratégia |
| Baixo risco | Cat5e aprovado, Gigabit suficiente, baixa criticidade | Manter, documentar e monitorar |
| Risco moderado | Cat5e aprovado, mas com pouca margem ou aumento previsto de demanda | Programar substituição em janela planejada |
| Alta prioridade | FAIL recorrente, PoE crítico, Wi-Fi de alta capacidade ou necessidade de maior banda | Corrigir ou migrar prioritariamente |
| Requisito de 10G/100 m | Aplicação futura já definida | Avaliar Cat6A/Classe EA ou fibra conforme arquitetura |
Essa classificação também melhora a previsibilidade financeira. Em vez de um único investimento disruptivo, a empresa pode sincronizar o upgrade do cabeamento com reformas, mudanças de layout, substituição de switches, expansão de Wi-Fi ou modernização de sistemas de segurança.
Capacidade da rede: quando o gargalo não é o cabo
Uma rede lenta não prova que Cat5e seja insuficiente. Antes de atribuir o problema ao cabeamento, o diagnóstico precisa separar limitações da camada física de limitações dos equipamentos ativos e da própria aplicação. Porta configurada em 100 Mb/s, duplex inadequado, uplink saturado, switching congestionado, Wi-Fi com baixa relação sinal-ruído, firewall limitado, servidor lento ou aplicação mal dimensionada podem produzir sintomas semelhantes.
Por isso, a análise de capacidade deve seguir uma sequência lógica. Primeiro verifica-se se o enlace físico atende à classe especificada. Depois confirma-se negociação de velocidade, erros de interface, utilização dos uplinks, latência, perdas e throughput. Só então é possível afirmar se a limitação está no meio físico ou em outra camada da arquitetura.
- certificar o enlace físico;
- verificar velocidade e duplex negociados;
- analisar erros, descartes e flaps de interface;
- medir utilização dos uplinks;
- avaliar latência e perda;
- testar throughput quando aplicável;
- correlacionar o resultado com a aplicação real.
Esse método evita trocar cabeamento em uma rede cujo gargalo está, por exemplo, no uplink do switch ou na cobertura Wi-Fi. Também evita o erro inverso: aceitar um enlace fisicamente marginal porque um teste de internet pontual apresentou boa velocidade.
TCO e ciclo de vida: onde Cat6 pode justificar o investimento
O custo total de propriedade muda de acordo com o contexto. Em uma obra nova, o cabeamento fica escondido em forros, shafts, pisos elevados, eletrodutos e mobiliário. Substituí-lo depois pode exigir acesso a áreas ocupadas, paralisação de usuários, remoção de acabamentos, novos lançamentos e nova certificação. Nesse cenário, a diferença de CAPEX entre categorias precisa ser comparada ao custo de uma intervenção futura.
Em uma rede existente, a lógica pode ser oposta. Se milhares de enlaces Cat5e estão certificados, suportam a aplicação e possuem vida útil operacional aceitável, substituí-los antecipadamente pode destruir valor. O melhor resultado pode ser manter parte da base e direcionar investimento apenas para zonas de expansão, áreas de maior densidade e enlaces com requisito comprovadamente superior.
| Fator | Projeto novo | Retrofit |
| Custo de lançamento | Já incorporado à obra | Pode exigir intervenção em ambiente ocupado |
| Risco de indisponibilidade | Baixo antes da ocupação | Pode ser relevante |
| Valor da capacidade futura | Maior, pois o sistema ainda será usado por anos | Depende da vida remanescente e do roadmap |
| Decisão típica | Escolher com horizonte de longo prazo | Priorizar por evidência e criticidade |
Compatibilidade de componentes e desempenho do canal
O desempenho da rede não é definido apenas pelo cabo horizontal. Um canal Cat6 precisa preservar o desempenho em patch panels, jacks, tomadas e patch cords. A mistura de componentes pode funcionar eletricamente e ainda assim não atender à classe pretendida. Isso é especialmente importante em ampliações de redes existentes, quando novos componentes são conectados a infraestrutura de gerações ou fabricantes diferentes.
A equalização técnica deve verificar mais do que a etiqueta “Cat6”. Construção do cabo, diâmetro do condutor, tipo de capa, blindagem, compatibilidade mecânica, desempenho dos conectores, patch cords, ambiente de instalação e garantia do sistema precisam ser analisados em conjunto. Para sistemas blindados, continuidade da blindagem, equipotencialização e terminação adequada também entram no desempenho do canal.
Esse ponto explica por que um upgrade parcial pode falhar. Substituir apenas o cabo, mantendo conectividade incompatível ou práticas de instalação inadequadas, não garante que o enlace passe na certificação da classe superior.
Critério de decisão para ambientes corporativos, industriais e críticos
O mesmo comparativo Cat5e x Cat6 produz decisões diferentes conforme o ambiente. Em escritórios, densidade de usuários, Wi-Fi e facilidade de reforma pesam bastante. Em indústria, interferência eletromagnética, temperatura, MICE, robustez mecânica e disponibilidade da planta podem dominar a decisão. Em data centers e salas técnicas, densidade, velocidade, caminhos, crescimento e janela de manutenção ganham prioridade.
| Ambiente | Pergunta crítica | Implicação |
| Escritório corporativo | Qual densidade de Wi-Fi, PoE e crescimento? | Cat6 ou Cat6A podem oferecer maior vida útil |
| Indústria | Quais níveis de interferência, temperatura e criticidade? | Construção, blindagem e caminhos podem ser tão importantes quanto categoria |
| CFTV e segurança | Qual potência PoE, distância e disponibilidade? | Dimensionar canal e alimentação remota em conjunto |
| Data center | Qual taxa, densidade e roadmap? | Comparar cobre de maior classe e fibra óptica |
| Rede existente | O que os ensaios demonstram? | Manter, corrigir ou migrar com base em evidência |
Em qualquer desses cenários, a categoria é resultado da engenharia de requisitos. Ela não deve ser definida por preferência de fornecedor, por regra comercial genérica ou por um único equipamento atual.
Considerações finais
Cat5e e Cat6 não devem ser escolhidos por slogans. Cat5e continua capaz de atender redes Gigabit quando o canal é conforme e a aplicação é compatível. Cat6 amplia banda e margem de transmissão, mas não substitui Cat6A quando o requisito é 10GBASE-T em 100 m.
A decisão de engenharia deve combinar desempenho, aplicação, PoE, Wi-Fi, ambiente, infraestrutura física, certificação e custo do ciclo de vida. Em projeto novo, isso evita obsolescência prematura. Em retrofit, evita trocar o que ainda funciona e concentra CAPEX onde há limitação comprovada.
Em retrofit, a categoria impressa no cabo não substitui diagnóstico. Ensaios de campo permitem medir a classe real dos enlaces, localizar falhas e separar os pontos que podem ser mantidos daqueles que precisam de correção ou substituição.
Referências técnicas
[1] ABNT. ABNT NBR 14565:2019 — Cabeamento estruturado para edifícios comerciais. ABNT, 2019. Disponível em: https://www.abntcatalogo.com.br/.
[2] ABNT. ABNT NBR 16415:2021 — Caminhos e espaços para cabeamento estruturado. ABNT, 2021. Disponível em: https://www.abntcatalogo.com.br/.
[3] ABNT. ABNT NBR 16869-1:2020 — Cabeamento estruturado — Parte 1: Planejamento e instalação. ABNT, 2020. Disponível em: https://www.abntcatalogo.com.br/.
[4] ISO/IEC. ISO/IEC 11801-1 — Information technology — Generic cabling for customer premises — General requirements. ISO, 2017. Disponível em: https://www.iso.org/standards.html.
[5] IEEE. IEEE 802.3 — Ethernet. Disponível em: https://standards.ieee.org/.
[6] TIA. ANSI/TIA-568.2-D — Balanced Twisted-Pair Telecommunications Cabling and Components Standard. Disponível em: https://tiaonline.org/standards/.
Perguntas frequentes
Cat6 oferece maior banda de referência e limites elétricos mais rigorosos, mas a melhor escolha depende da aplicação, vida útil, PoE, Wi-Fi, caminhos e custo. Cat5e existente pode continuar adequado para Gigabit quando certificado.
Sim, 1000BASE-T pode operar em canal Cat5e/Classe D conforme a aplicação e desde que o enlace instalado atenda aos limites de certificação.
Cat6/Classe E não deve ser especificado como solução de 10GBASE-T em 100 m. Para esse requisito, Cat6A/Classe EA é a estratégia de projeto apropriada.
Cat5e trabalha com referência de 100 MHz e Cat6 com 250 MHz. Frequência não é velocidade; ela está relacionada aos limites de desempenho da categoria.
A categoria deve ser definida pelos requisitos do projeto e pelas normas aplicáveis. Não é tecnicamente correto afirmar que Cat6 seja um mínimo universal para qualquer instalação.
Não necessariamente. Primeiro devem ser avaliados aplicação, estado físico, resultados de certificação, PoE, capacidade futura e custo de retrofit.
A categoria isoladamente não decide PoE. Bitola, resistência, comprimento, temperatura, agrupamento, conectividade e requisitos do fabricante precisam ser analisados.
Os 90 m referem-se ao enlace permanente de cabeamento fixo. O canal pode chegar a 100 m incluindo os cordões e conexões previstos na arquitetura.
Materiais técnicos complementares
Serviços relacionados
- Projeto de Cabeamento Estruturado
- Projeto de Telecomunicações
- Ensaios e Testes Técnicos
- Comissionamento de Engenharia