Veja como estruturar um Climate Risk Assessment para ativos e instalações: serviços críticos, ameaças, exposição, vulnerabilidade, risk register, CAPEX e roadmap.

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Climate Risk Assessment é a avaliação estruturada dos riscos que condições climáticas atuais e futuras podem impor a ativos, instalações, serviços e operações. O objetivo não é produzir uma lista de eventos possíveis, mas identificar quais ameaças são relevantes, onde existe exposição, como os sistemas podem falhar, quais consequências importam e quais medidas de adaptação devem ser priorizadas.

Em infraestrutura, uma avaliação útil precisa conectar clima à engenharia. Calor deve ser traduzido em capacidade térmica, derating, HVAC e eletrônica. Tempestades devem chegar a SPDA, DPS, aterramento, energia e telecomunicações. Inundação deve ser relacionada a cotas, salas técnicas, acessos, subestações e rotas. Perda de rede precisa ser confrontada com UPS, geradores, BESS, autonomia e estratégia de recuperação.

A ISO 14091 fornece uma referência internacional para avaliação de vulnerabilidade, impactos e riscos relacionados à mudança do clima. Na prática de engenharia, o assessment deve acrescentar inventário, criticidade, modos de falha, evidências e um caminho executável entre risco e intervenção.

O que um Climate Risk Assessment deve responder

Uma avaliação precisa responder perguntas de decisão, e não apenas descrever ameaças. Entre elas: quais serviços são críticos; quais ativos os sustentam; quais ameaças podem atingir esses ativos; como a função pode ser perdida; quais controles já existem; qual risco permanece; e o que deve ser feito primeiro.

O artigo sobre risco climático aprofunda a relação entre ameaça, exposição, vulnerabilidade e consequência. O assessment transforma essa estrutura em processo aplicado a ativos reais.

Etapa 1 — definir contexto, objetivo e fronteiras

Antes de coletar dados, o estudo precisa definir a decisão que deverá apoiar. Um assessment para aquisição de um ativo tem foco diferente de um estudo para priorizar retrofit, preparar um Plano Diretor ou revisar requisitos de um projeto novo.

A fronteira deve indicar unidades, sites, sistemas, serviços, horizonte de tempo e interfaces externas incluídas. Também precisa registrar exclusões e limitações. Uma avaliação de infraestrutura elétrica, por exemplo, pode depender de estudos hidrológicos ou geotécnicos externos sem pretender substituí-los.

Etapa 2 — mapear serviços críticos

A análise começa pela função que precisa continuar. Isso evita avaliar centenas de equipamentos com o mesmo nível de detalhe sem saber quais deles realmente governam continuidade.

Para cada serviço, convém registrar nível mínimo aceitável de operação, tempo tolerável de indisponibilidade, dependências, capacidade de operação degradada e requisitos de recuperação.

Essa etapa se relaciona diretamente à Engenharia de Confiabilidade e Disponibilidade, especialmente quando a criticidade ainda não está formalizada.

Etapa 3 — construir ou validar o inventário de ativos

Se o ativo não possui inventário, criticidade e condição confiáveis, o assessment começa por uma base frágil. O diagnóstico técnico precisa consolidar evidências antes de priorizar adaptação.

Estruturar uma Due Diligence Técnica

Sem inventário confiável, a avaliação corre o risco de estudar uma instalação que existe apenas no desenho. Cadastro de ativos, plantas, diagramas, listas de cargas, topologia de redes, automação, HVAC, salas técnicas, geradores, UPS, BESS, SPDA e sistemas de aterramento precisam representar a condição real.

Quando a base documental é insuficiente, Levantamento Cadastral e Due Diligence Técnica podem anteceder ou integrar o assessment.

Etapa 4 — Hazard Screening

Hazard Screening seleciona as ameaças relevantes para o ativo. O objetivo não é marcar todas as opções de um checklist, mas justificar por que calor, precipitação intensa, inundação, ventos, tempestades, seca ou outras condições merecem análise.

A seleção pode combinar dados oficiais, localização, histórico, vida útil, tipo de instalação e dependências externas. O AdaptaBrasil MCTI pode apoiar a leitura de risco climático em escala territorial, enquanto estudos específicos podem ser necessários quando a decisão depende de detalhe local.

Etapa 5 — avaliar exposição

Exposição deve ser avaliada para ativos, rotas e dependências. Uma instalação pode estar protegida e continuar vulnerável por depender de concessionária, acesso, telecomunicações, água ou logística em área afetada.

Para inundação, por exemplo, a análise pode exigir cotas de equipamentos, salas, acessos e trajetos de cabos. Para ventos, equipamentos externos, antenas, câmeras e suportes merecem atenção. Para calor, exposição inclui ambiente externo, salas técnicas e capacidade de rejeição térmica.

Etapa 6 — avaliar vulnerabilidade e modos de falha

A pergunta central é: se a ameaça atingir o sistema, como ele perde desempenho ou função? Esse passo transforma informação climática em engenharia.

AmeaçaVulnerabilidade possívelModo de falha
calorbaixa margem térmicasobretemperatura, derating, desligamento
tempestadeproteção elétrica insuficientesurto, dano eletrônico, indisponibilidade
inundaçãoequipamentos em cota baixasubmersão, curto, perda de acesso
blackoutautonomia insuficienteparada após esgotamento de fonte reserva
secadependência hídricaredução de processo ou de resfriamento

A vulnerabilidade também inclui estado de conservação, manutenção, redundância, diversidade, capacidade adaptativa e disponibilidade de peças ou equipes para recuperação.

Etapa 7 — analisar consequências e criticidade

Consequência deve ser medida no nível do serviço. Um equipamento de baixo valor pode produzir grande risco se sua falha interromper processo essencial. Segurança, disponibilidade, produção, conformidade, custo e tempo de recuperação precisam ser considerados.

A análise de infraestrutura resiliente ajuda a diferenciar robustez, redundância, diversidade, autonomia e recuperabilidade.

Etapa 8 — avaliar controles existentes

O assessment precisa distinguir existência de controle e eficácia de controle. Registrar “possui gerador”, “possui SPDA” ou “possui redundância” é insuficiente.

Geradores precisam ser analisados contra cargas, autonomia, transferência e abastecimento. SPDA precisa ser visto em conjunto com DPS, aterramento e equipotencialização. Redundância precisa ser verificada contra causas compartilhadas. HVAC precisa ter capacidade confrontada com as condições relevantes.

Etapa 9 — construir o registro de riscos

O Climate Risk Register consolida evidências e decisões. Cada risco deve possuir ativo ou serviço, ameaça, cenário, exposição, vulnerabilidade, modo de falha, consequência, controles, risco inerente, risco residual e recomendação.

Também devem ser registrados prioridade, prazo, responsável, CAPEX preliminar, dependências, indicador e data de revisão. Isso permite transformar o assessment em governança contínua.

Fluxo de um Climate Risk Assessment aplicado a ativos e instalações

Contexto e serviços

Inventário

Ameaças

Exposição

Vulnerabilidade

Modos de falha

Consequências

Riscos

Adaptação

CAPEX e roadmap

Implementação

Monitoramento

Fluxo de um Climate Risk Assessment aplicado a ativos e instalações

Etapa 10 — definir opções de adaptação

A resposta pode envolver eliminação de exposição, proteção, aumento de capacidade, redundância, diversidade, autonomia, monitoramento, mudança operacional ou retrofit. A medida adequada depende do mecanismo de falha.

Tempestades podem levar a revisão de SPDA, DPS, aterramento e energia de emergência. Calor pode exigir revisão de HVAC e capacidade elétrica. Inundação pode exigir elevação ou relocação. Blackout pode justificar revisão de UPS, grupos geradores, BESS ou microgrid.

Etapa 11 — priorizar CAPEX e roadmap

O assessment ganha valor quando o risco é convertido em uma carteira ordenada de intervenções, dependências e investimentos.

Organizar o roadmap em um Plano Diretor

Nem todo risco pode ser tratado simultaneamente. A priorização deve considerar criticidade, nível de risco, custo, prazo, dependências e oportunidade de implantação.

Planos Diretores de Engenharia são especialmente úteis quando o assessment identifica uma carteira de intervenções que precisa ser organizada em curto, médio e longo prazo.

Etapa 12 — converter medidas em requisitos de projeto

Recomendações de resiliência precisam aparecer nos documentos de engenharia como requisitos verificáveis, não como intenção genérica.

Validar requisitos com Design Review

Recomendações vagas não são suficientes para contratação. “Aumentar resiliência elétrica” precisa se transformar em autonomia, capacidade, arquitetura, interfaces, desempenho e critérios de teste.

Em projetos novos ou retrofit, Design Review pode verificar se as medidas do assessment foram corretamente incorporadas aos documentos de engenharia.

Etapa 13 — verificar implantação e eficácia

A medida precisa ser testada contra o risco que pretende reduzir. Transferência de energia, autonomia, failover, capacidade térmica, alarmes, proteção e recuperação podem exigir testes funcionais e integrados.

O Comissionamento de Engenharia fecha a cadeia entre requisito, implantação, evidência e aceite.

Dados e documentos de entrada

A profundidade da análise depende das informações disponíveis. Entre as entradas mais frequentes estão:

  • plantas e As-Built;
  • inventário de ativos;
  • diagramas elétricos e de controle;
  • listas de cargas;
  • dados de HVAC;
  • autonomia de fontes de emergência;
  • projetos de SPDA, DPS e aterramento;
  • topologia de telecomunicações;
  • registros de manutenção e falhas;
  • alarmes de BMS/SCADA;
  • registros de eventos anteriores;
  • dados oficiais sobre ameaças e cenários.

A falta de informação deve ser registrada como limitação e, quando material, convertida em ação de levantamento ou ensaio.

Entregáveis de um Climate Risk Assessment

Um assessment contratável deve produzir mais do que relatório narrativo. O conjunto de entregáveis pode incluir inventário crítico, mapas ou registros de exposição, matriz de vulnerabilidade, risk register, evidências de campo, lista de medidas, priorização, CAPEX preliminar, roadmap e indicadores.

A rastreabilidade é essencial: cada recomendação deve apontar para o risco que pretende reduzir e para a evidência que sustenta a decisão.

Quando contratar Climate Risk Assessment

O assessment é especialmente útil antes de grandes investimentos, aquisições, retrofit, expansão, renovação de ativos ou elaboração de um Plano Diretor. Também faz sentido quando eventos recentes expuseram vulnerabilidades, quando existem serviços essenciais ou quando o projeto original utilizou premissas ambientais que precisam ser revisitadas.

Como contratar corretamente

O termo de referência ou proposta deve especificar escopo geográfico e técnico, ameaças, horizontes, metodologia, fontes, disciplinas envolvidas, visitas, entregáveis, critérios de prioridade e responsabilidades.

Também é importante definir se o contratado deverá apenas identificar riscos ou avançar até alternativas, CAPEX, roadmap e requisitos de projeto. Essa fronteira altera significativamente o valor do trabalho.

Climate Risk Assessment x Due Diligence

Due Diligence Técnica possui escopo mais amplo sobre condição, conformidade, capacidade, riscos e CAPEX de um ativo. Climate Risk Assessment aprofunda a dimensão dos riscos relacionados ao clima. Em muitos projetos, os dois trabalhos são complementares: a Due Diligence consolida o estado do ativo e o assessment aplica uma lente climática estruturada.

Climate Risk Assessment x Plano de Adaptação

O assessment identifica e prioriza riscos. O Plano de Adaptação organiza a resposta: medidas, responsáveis, prazos, investimentos, indicadores e revisão. O artigo sobre adaptação climática mostra essa passagem entre risco e programa de intervenção.

Screening x assessment detalhado

Nem todo ativo precisa começar com o mesmo nível de profundidade. Um screening inicial pode avaliar rapidamente serviços, ameaças, exposição, criticidade e lacunas de informação para identificar onde um estudo detalhado é justificável. Essa abordagem é útil em carteiras extensas de edifícios, unidades industriais ou ativos distribuídos.

O assessment detalhado entra quando a decisão exige projeto, CAPEX ou aceite técnico. Nesse nível, hipóteses precisam ser substituídas por evidências: medições, inspeções, cotas, listas de cargas, capacidade de HVAC, autonomia, estudos elétricos, topologia de redes, estado de proteção e dados de condição dos ativos.

Separar os níveis evita dois erros. O primeiro é gastar esforço detalhado em riscos irrelevantes. O segundo é usar uma triagem qualitativa como se ela fosse suficiente para autorizar investimento. O grau de análise precisa acompanhar a consequência e a decisão que será tomada.

Interdependências e causas comuns no assessment

Uma avaliação climática perde valor quando analisa cada disciplina como um silo. O risco relevante muitas vezes nasce da dependência entre energia, telecomunicações, climatização, água, automação e acesso. O assessment deve representar essas relações e perguntar quais eventos conseguem atingir mais de um caminho ao mesmo tempo.

Redundâncias também precisam ser testadas contra causas compartilhadas. Dois alimentadores podem convergir no mesmo ponto; dois enlaces podem atravessar a mesma rota; dois equipamentos de HVAC podem depender da mesma alimentação ou rejeição de calor. Uma redundância formalmente existente pode não reduzir o risco climático se o evento eliminar os dois recursos simultaneamente.

Diagramas de dependência, árvores de falha, matrizes de interface e cenários integrados ajudam a documentar essas relações. O resultado deve indicar onde a diversidade precisa ser aumentada e onde contingências operacionais ainda são necessárias.

Como tratar cenários e incerteza sem paralisar a decisão

O assessment não precisa fingir precisão onde ela não existe. Cenários climáticos, horizontes de vida útil, crescimento de carga e degradação dos ativos carregam incerteza. A boa prática é declarar fontes, premissas, limitações e margens, deixando claro o que é observado e o que é projetado.

Medidas podem ser classificadas como imediatas, no-regret, low-regret ou dependentes de gatilhos futuros. Essa lógica permite agir sobre vulnerabilidades evidentes sem esperar uma previsão perfeita e, ao mesmo tempo, preservar flexibilidade para investimentos maiores.

Critérios de qualidade e aceite do Climate Risk Assessment

Um bom assessment precisa ser auditável. Cada risco deve permitir reconstruir o raciocínio: qual serviço está envolvido, qual ameaça foi considerada, qual evidência comprova exposição ou vulnerabilidade, quais controles foram verificados, como a consequência foi classificada e por que determinada medida recebeu prioridade.

O aceite do estudo pode verificar cobertura dos ativos definidos no escopo, rastreabilidade das fontes, registro de limitações, coerência das escalas de risco, evidências de campo, tratamento das interdependências, clareza das recomendações e vínculo entre risco e CAPEX. Recomendações genéricas como “aumentar redundância” ou “melhorar drenagem” não são suficientes quando não indicam o mecanismo de falha que pretendem controlar.

Também deve existir uma separação clara entre recomendação conceitual e solução pronta para implantação. Quando ainda faltam estudos, levantamento ou projeto, o assessment deve dizer isso explicitamente. Essa distinção protege a decisão de investimento e cria uma sequência técnica coerente entre diagnóstico, projeto, contratação, implantação e comissionamento.

Exemplo aplicado: instalação crítica com calor, tempestade e perda de rede

Considere uma instalação que abriga TI, automação e telecomunicações. O screening identifica três ameaças relevantes: calor extremo, tempestades e interrupção prolongada da concessionária. O inventário mostra HVAC N+1, UPS, grupo gerador, SPDA, DPS e dois enlaces de telecomunicações.

O assessment não deve encerrar a análise ao registrar esses recursos. Ele precisa verificar se o HVAC mantém margem durante a maior condição térmica considerada e com uma unidade indisponível; se UPS e gerador sustentam as cargas críticas durante a duração de referência; se SPDA, DPS, aterramento e equipotencialização formam uma arquitetura coerente; e se os dois enlaces utilizam rotas fisicamente diversas.

Se a investigação mostra baixa margem térmica, autonomia insuficiente e rotas de telecomunicações convergentes, as medidas deixam de ser genéricas: ampliar ou redistribuir capacidade de HVAC, revisar estratégia energética com geração e armazenamento, e diversificar fisicamente os enlaces. Cada ação pode então receber prioridade, CAPEX preliminar, responsável e critério de teste.

Do assessment à contratação, projeto e Owner’s Engineering

O Climate Risk Assessment produz valor quando suas recomendações conseguem atravessar as etapas seguintes sem perder rastreabilidade. Um risco priorizado precisa ser traduzido em requisito técnico, escopo de estudo ou projeto, orçamento, critérios de contratação e evidências de aceite. Quando essa transição não acontece, o relatório pode permanecer correto conceitualmente e ainda assim não produzir redução de risco.

Na contratação, cada intervenção deve deixar claro qual problema resolve. Uma adequação de SPDA e DPS deve estar vinculada ao mecanismo de sobretensão identificado; uma ampliação de HVAC deve responder à margem térmica insuficiente; BESS, geradores ou microgrid devem ser especificados a partir de carga crítica, potência, energia, duração e estratégia de operação; diversidade de telecomunicações deve incluir independência física verificável.

O escopo também precisa distinguir desenvolvimento de engenharia, fornecimento, implantação e verificação. Essa separação permite definir entregáveis, responsabilidades, interfaces e medição. Projetos podem exigir memoriais, diagramas, estudos, listas de cargas, lógicas de controle e critérios de teste. A implantação precisa produzir registros de inspeção e As-Built. O comissionamento deve demonstrar que a medida controla o modo de falha previsto.

Em programas multidisciplinares, Owner’s Engineering ou Project Assurance podem preservar essa coerência entre assessment, projeto, procurement e implantação. A função não é substituir os projetistas ou fornecedores, mas verificar requisitos, interfaces, decisões, desvios e evidências ao longo do processo, evitando que a medida de adaptação seja descaracterizada entre a recomendação inicial e a entrega final.

Essa continuidade é especialmente importante em brownfields. Restrições de parada, interferências existentes, documentação incompleta e mudanças durante a obra podem exigir decisões progressivas. O registro de risco original deve permanecer como referência para avaliar alternativas e decidir se uma alteração mantém, melhora ou reduz a eficácia esperada.

Como estruturar a equipe multidisciplinar do assessment

Climate Risk Assessment aplicado a infraestrutura raramente é uma análise de uma única disciplina. O trabalho precisa combinar conhecimento sobre o ativo, sua operação, riscos climáticos e sistemas de engenharia. A composição da equipe deve ser proporcional às ameaças e aos sistemas realmente presentes no escopo.

Engenharia elétrica pode avaliar capacidade, proteção, autonomia, subestações, UPS, geradores, BESS, SPDA, DPS e aterramento. HVAC analisa carga térmica, capacidade, redundância e condições ambientais. Telecomunicações e redes verificam rotas, alimentação, failover e dependências externas. Automação avalia supervisão, alarmes, lógicas de contingência e capacidade de operação local. Gestão de ativos conecta condição, criticidade, manutenção e vida residual.

Quando ameaças exigem hidrologia, geotecnia, estruturas ou outras especialidades, esses estudos devem entrar como interfaces técnicas conduzidas por profissionais habilitados. O assessment pode integrar seus resultados ao risco do ativo sem presumir competência autônoma em todas as disciplinas. Essa separação melhora a qualidade do trabalho e torna responsabilidades verificáveis.

A equipe do proprietário também é indispensável. Operação conhece contingências, manutenção conhece falhas recorrentes, TI e segurança conhecem dependências, facilities conhece limitações prediais e gestão define tolerância ao risco e prioridades de investimento. Um assessment feito apenas sobre documentos tende a perder interdependências que aparecem no uso real da instalação.

Na contratação, portanto, não basta pedir “especialistas em clima”. É necessário exigir competências coerentes com o ativo e esclarecer quem responde por integração, quais disciplinas serão mobilizadas, quais estudos complementares poderão ser solicitados e como conflitos de interface serão resolvidos.

Maturidade dos entregáveis: do diagnóstico ao projeto executável

Nem toda recomendação de um assessment nasce no mesmo nível de maturidade. Algumas ações são suficientemente claras para execução imediata; outras identificam apenas uma necessidade que ainda deve passar por estudo de alternativas, levantamento ou projeto. O relatório precisa distinguir esses níveis para não transmitir falsa precisão ao orçamento e ao cronograma.

Uma recomendação como reposicionar um painel localizado em área vulnerável pode exigir levantamento de interferências, estudo de nova rota, análise de parada e projeto elétrico antes de receber preço definitivo. Uma necessidade de maior autonomia pode exigir curva de carga, análise de operação, comparação entre geração e armazenamento e avaliação da infraestrutura existente. O CAPEX preliminar deve refletir essa maturidade.

É útil classificar ações em diagnóstico complementar, estudo, projeto, intervenção operacional, retrofit ou investimento estruturante. Essa classificação permite construir um roadmap em que cada etapa produz a informação necessária para a próxima e evita que soluções sejam contratadas antes de requisitos e interfaces estarem definidos.

Os critérios de medição também mudam. Um estudo pode ser aceito pela entrega de alternativas comparadas e memória de premissas; um projeto exige documentos, cálculos, diagramas e especificações; uma implantação exige inspeções e registros; um comissionamento exige testes e evidências de desempenho. O assessment deve preparar essa cadeia em vez de encerrar a decisão em uma recomendação genérica.

Essa maturidade é especialmente relevante para planejamento plurianual. A organização pode reservar orçamento para investigações de curto prazo, desenvolver projetos no ciclo seguinte e executar intervenções estruturais em janelas programadas, mantendo ações operacionais e de monitoramento ativas enquanto o investimento principal não é implantado.

Considerações finais

Climate Risk Assessment transforma incerteza climática em decisão de engenharia. O trabalho começa por serviços críticos, percorre ativos, ameaças, exposição, vulnerabilidade, modos de falha e consequências, e termina em medidas de adaptação, CAPEX e roadmap.

A qualidade do assessment depende de evidência, rastreabilidade e capacidade de chegar aos sistemas reais: energia, HVAC, telecomunicações, proteção elétrica, automação, água, infraestrutura física e gestão de ativos. Quando esse encadeamento é preservado, o resultado deixa de ser um estudo climático genérico e passa a ser uma base objetiva para projeto, retrofit, investimento e continuidade operacional.

A redução de risco deve ser demonstrada na implantação. Testes e evidências fecham a rastreabilidade entre assessment, projeto, instalação e aceite.

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Referências técnicas

[1] INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 14091:2021 — Adaptation to climate change — Guidelines on vulnerability, impacts and risk assessment. Geneva: ISO, 2021. Disponível em: https://www.iso.org/standard/68508.html

[2] INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 14090:2019 — Adaptation to climate change — Principles, requirements and guidelines. Geneva: ISO, 2019. Disponível em: https://www.iso.org/standard/68507.html

[3] IPCC. Climate Change 2022: Impacts, Adaptation and Vulnerability. Geneva: IPCC, 2022. Disponível em: https://www.ipcc.ch/report/ar6/wg2/

[4] BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. AdaptaBrasil MCTI. Disponível em: https://adaptabrasil.mcti.gov.br/

[5] UNITED NATIONS OFFICE FOR DISASTER RISK REDUCTION. Handbook for implementing the principles for resilient infrastructure. Geneva: UNDRR, 2023. Disponível em: https://www.undrr.org/publication/handbook-implementing-principles-resilient-infrastructure

Perguntas frequentes
O que é Climate Risk Assessment?

É uma avaliação estruturada de ameaças climáticas, exposição, vulnerabilidade, consequências e riscos aplicada a ativos, instalações e serviços, com foco em decisões de adaptação.

Qual a diferença entre Climate Risk Assessment e Due Diligence?

A Due Diligence avalia condição, conformidade, capacidade e riscos amplos do ativo. O Climate Risk Assessment aprofunda especificamente os riscos relacionados ao clima; os trabalhos podem ser complementares.

Quais dados são necessários para o assessment?

Inventário de ativos, plantas, diagramas, dados de capacidade, manutenção, falhas, autonomia, HVAC, proteção elétrica, telecomunicações, automação e fontes climáticas são entradas frequentes.

O assessment precisa gerar CAPEX?

Não necessariamente, mas para apoiar investimentos é recomendável que as medidas prioritárias tenham estimativas preliminares, dependências e roadmap.

A ISO 14091 pode ser usada como referência?

Sim. A ISO 14091 fornece diretrizes para avaliação de vulnerabilidade, impactos e riscos relacionados à mudança do clima e é uma referência central para estruturar a metodologia.

Como verificar se as medidas de adaptação funcionaram?

Por critérios de aceite, inspeções, testes funcionais e integrados e monitoramento de indicadores relacionados ao risco que a medida pretende reduzir.

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