Entenda como definir zonas de estudo na análise de risco SPDA, quais critérios justificam a divisão da edificação e por que zonas de risco não são o mesmo que ZPR da NBR 5419-4.
Confira!
As zonas de estudo são subdivisões usadas na análise de risco da NBR 5419-2:2026 para representar partes de uma estrutura que possuem condições diferentes de ocupação, exposição, risco de incêndio, proteção, sistemas internos ou perdas. A divisão correta evita tratar um edifício complexo como se todas as áreas tivessem o mesmo comportamento diante das descargas atmosféricas.
Na prática, a zonificação permite que entradas, áreas externas, escritórios, arquivos, CPDs, áreas assistenciais, ambientes industriais ou outros setores sejam avaliados com parâmetros coerentes com sua condição real. Ela não deve ser confundida com as Zonas de Proteção contra Raios (ZPR) utilizadas no contexto de proteção dos sistemas elétricos e eletrônicos da NBR 5419-4.
O que são zonas de estudo na NBR 5419-2:2026
A análise de risco não precisa atribuir os mesmos parâmetros a toda a edificação. Quando partes da estrutura apresentam condições distintas, elas podem ser representadas por zonas específicas para o cálculo dos componentes de risco e, quando aplicável, da frequência de danos.
A lógica é simples: uma entrada externa, um arquivo com carga de incêndio relevante e um CPD com equipamentos eletrônicos não têm necessariamente a mesma exposição, ocupação, perda esperada ou medidas de proteção.
A quantidade de zonas não é definida por um número fixo. Ela decorre das diferenças técnicas relevantes existentes na estrutura.
Quais critérios podem justificar a criação de zonas diferentes
Uma zona deve existir quando a separação melhora a representação do risco. Entre os critérios que podem justificar subdivisões estão mudanças de ocupação, tipo de piso, risco de incêndio, medidas de proteção, blindagem, presença de sistemas internos, tempo de permanência das pessoas e natureza das perdas consideradas.
Nos estudos de caso de apoio à NBR 5419-2:2026, a zonificação é utilizada para separar áreas com características distintas. Em um edifício de escritórios, por exemplo, são diferenciadas áreas externas, arquivo, escritórios e CPD. Em ambientes hospitalares, a lógica de subdivisão se torna ainda mais importante porque diferentes áreas podem ter ocupação e criticidade muito distintas.
Zonas de estudo não são simples divisões arquitetônicas
A zona de estudo não é uma divisão arquitetônica automática. Ela deve existir porque há diferenças de ocupação, perdas, proteção ou sistemas que realmente alteram o cálculo.
A planta arquitetônica pode ajudar a identificar ambientes, mas a zona de análise é uma entidade de engenharia. Duas salas vizinhas podem pertencer à mesma zona se os parâmetros relevantes forem equivalentes. Da mesma forma, uma área fisicamente contínua pode precisar ser subdividida quando existe diferença significativa de ocupação, proteção, risco de incêndio ou sistemas internos.
Por isso, a zonificação não deve ser feita apenas copiando nomes de ambientes da planta.
A pergunta correta é: quais diferenças alteram o cálculo ou a interpretação do risco?
Quais parâmetros podem variar entre zonas
A NBR 5419-2 trabalha com fatores associados às condições existentes em cada área. Dependendo da aplicação, a zona pode reunir parâmetros relacionados a:
- tipo de superfície ou piso;
- proteção contra choque;
- risco e proteção contra incêndio;
- blindagem espacial;
- características da fiação interna;
- presença de DPS coordenados;
- tipo de perigo especial;
- quantidade de pessoas expostas;
- tempo de presença;
- perdas associadas a ferimentos, danos físicos ou falhas de sistemas internos.
O objetivo da divisão é impedir que um valor médio artificial esconda condições críticas.
Como a ocupação influencia a zonificação
A distribuição de pessoas pode ter impacto significativo na análise de risco. Em edificações com circulação concentrada em determinadas áreas, a exposição não deve ser representada de forma indiscriminada.
Os casos práticos de aplicação da NBR 5419-2:2026 mostram a distribuição de pessoas por zona e o tempo de permanência como dados relevantes para o cálculo das perdas associadas.
Isso é particularmente importante em:
- hospitais;
- edifícios administrativos;
- escolas e universidades;
- centros comerciais;
- instalações industriais com áreas de produção e áreas técnicas;
- instalações com controle de acesso e ocupação restrita.
Como risco de incêndio e compartimentação podem mudar a divisão
O risco de incêndio não é necessariamente uniforme em toda a estrutura. Um arquivo, depósito, sala técnica ou processo industrial pode apresentar condições diferentes de uma área administrativa.
A compartimentação contra incêndio também pode justificar tratamento distinto. Nos exemplos de aplicação, áreas separadas por compartimentos resistentes ao fogo podem ser avaliadas de forma individualizada quando isso altera os parâmetros relevantes.
Tratar toda a edificação com um único fator pode superestimar algumas áreas e subestimar outras.
Sistemas internos também podem justificar zonas diferentes
A presença e a criticidade dos sistemas elétricos e eletrônicos influenciam a avaliação da frequência de danos. Um CPD, sala de automação, centro de controle ou ambiente com equipamentos sensíveis pode exigir representação distinta de uma área com baixa dependência tecnológica.
A separação se torna ainda mais relevante quando variam:
- tensão suportável dos equipamentos;
- configuração da fiação;
- blindagem;
- formação de laços;
- existência de DPS coordenados;
- importância operacional do sistema.
Esse ponto cria uma ligação direta entre análise de risco e projeto de Medidas de Proteção contra Surtos.
Zonas de estudo e ZPR são conceitos diferentes
A semelhança dos nomes costuma causar confusão. As zonas da análise de risco representam subdivisões para modelar condições, pessoas, perdas e sistemas dentro da estrutura. Já as Zonas de Proteção contra Raios, tratadas na NBR 5419-4, são empregadas para organizar ambientes segundo os níveis de exposição aos efeitos eletromagnéticos das descargas atmosféricas e apoiar a definição de medidas de proteção dos sistemas internos.
| Conceito | Finalidade principal | Parte da série |
| Zona de estudo | representar parâmetros diferentes no cálculo de risco e frequência de danos | NBR 5419-2 |
| ZPR | organizar níveis de exposição e proteção dos sistemas internos | NBR 5419-4 |
Uma mesma instalação pode utilizar os dois conceitos em etapas diferentes do trabalho.
Exemplo: edifício de escritórios com arquivo e CPD
Considere um edifício administrativo com entrada externa, jardim, arquivo, escritórios e CPD. Não há razão técnica para presumir que todas essas áreas possuem os mesmos parâmetros.
O arquivo pode apresentar risco de incêndio diferente. O CPD possui sistemas internos de maior relevância. A área externa apresenta condições de exposição e permanência distintas. Os escritórios concentram a maior parte dos ocupantes.
Ao dividir a estrutura em zonas, a análise consegue calcular a contribuição de cada condição de forma mais representativa e identificar onde determinadas medidas de proteção produzem maior efeito.
Erro comum: criar zonas demais
Zonificar não significa transformar cada ambiente em uma entidade de cálculo. Divisões excessivas aumentam a complexidade do estudo sem necessariamente melhorar sua precisão.
Uma nova zona deve existir porque há um motivo técnico claro. Se duas áreas possuem parâmetros equivalentes e a separação não altera o raciocínio, a subdivisão pode ser desnecessária.
O projeto deve buscar representação suficiente, não granularidade arbitrária.
Erro comum: criar zonas de menos
O problema oposto também ocorre. Tratar toda a instalação como uma zona única pode mascarar áreas críticas.
Isso acontece, por exemplo, quando um edifício reúne:
- áreas administrativas e industriais;
- ocupação comum e ambientes críticos;
- sistemas convencionais e sistemas de missão relevante;
- setores com riscos de incêndio diferentes;
- áreas externas com circulação e áreas internas protegidas.
Nesses casos, a simplificação pode distorcer a contribuição de cada parcela para o resultado final.
O que deve ser levantado em campo para definir as zonas
Em instalações existentes, a planta raramente contém todas as informações necessárias. O levantamento deve confirmar a condição real.
É recomendável verificar:
- uso atual de cada área;
- quantidade e permanência de pessoas;
- materiais e risco de incêndio;
- compartimentação;
- sistemas elétricos e eletrônicos presentes;
- rotas de energia e sinal;
- blindagens e encaminhamentos;
- DPS instalados;
- medidas de proteção contra choque;
- divergências entre as built e situação de campo.
Esse levantamento é um dos motivos pelos quais análises de risco para instalações existentes podem exigir vistoria técnica.
Como documentar a zonificação no relatório
O relatório deve permitir que a divisão seja compreendida e reproduzida. A identificação das zonas pode ser apresentada em planta, croqui ou tabela, desde que seja inequívoca.
Uma tabela de premissas pode conter:
| Zona | Uso | Ocupação | Sistemas relevantes | Incêndio | Medidas existentes |
| Z1 | área externa | eventual | nenhum ou limitado | conforme condição | medidas externas |
| Z2 | acesso | transitória | sistemas de acesso | conforme condição | proteção existente |
| Z3 | arquivo | permanente/intermitente | instalações elétricas | específico da área | conforme inspeção |
| Z4 | escritórios | concentrada | energia e dados | específico da área | conforme projeto |
| Z5 | CPD | restrita | sistemas críticos | específico da área | MPS/DPS existentes |
Os valores reais precisam ser determinados para cada instalação; a tabela acima é apenas um modelo de organização.
Relação entre zonificação e seleção das medidas de proteção
Uma das vantagens da divisão correta é revelar quais componentes dominam o risco e a frequência de danos em cada área.
Em uma zona, o problema dominante pode ser dano físico. Em outra, pode ser falha de sistemas internos. Isso altera a eficiência relativa das medidas de proteção.
Assim, a solução pode combinar SPDA externo, proteção contra incêndio, equipotencialização, DPS, blindagem, roteamento e outras MPS de acordo com o resultado da análise.
Quando revisar a zonificação de uma análise existente
A zonificação deve ser revisada quando a estrutura deixa de representar as condições usadas no cálculo. Mudanças de layout por si só nem sempre são suficientes, mas alterações de uso, ocupação, compartimentação, sistemas internos ou rotas de linhas podem justificar nova avaliação.
Também é recomendável revisar quando o documento antigo não explica como as zonas foram definidas ou quando a inspeção de campo identifica divergências relevantes.
Considerações finais
Definir zonas de estudo é uma etapa de modelagem da instalação. A qualidade da análise depende de representar diferenças que realmente influenciam o risco, sem criar uma fragmentação artificial.
Para estruturas simples, poucas zonas podem ser suficientes. Para hospitais, indústrias, centros administrativos complexos ou instalações com sistemas críticos, a zonificação pode ser decisiva para compreender onde estão as maiores contribuições e quais medidas de proteção são tecnicamente mais eficazes.
Zonificar corretamente ajuda a localizar onde a proteção gera maior efeito. O resultado pode direcionar SPDA, DPS, equipotencialização, proteção contra incêndio ou outras MPS para os componentes que dominam o risco.
Referências técnicas
[1] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5419-2:2026 — Proteção contra descargas atmosféricas — Parte 2: Gerenciamento de risco. 2026. Disponível em: https://www.abntcatalogo.com.br/.
[2] INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. IEC 62305-2:2024 — Protection against lightning — Part 2: Risk management. 2024. Disponível em: https://webstore.iec.ch/en/publication/68494.
[3] TERMOTÉCNICA PARA-RAIOS E ATERRAMENTOS. Análise de risco e frequência de danos conforme a NBR 5419-2:2026 — casos práticos. 2026. Disponível em: https://www.tel.com.br/.
Perguntas frequentes
São subdivisões da estrutura usadas para representar áreas com parâmetros diferentes de ocupação, exposição, incêndio, sistemas internos, proteção ou perdas na análise da NBR 5419-2.
Não. A criação de uma zona deve ser justificada por uma diferença técnica relevante. Ambientes com parâmetros equivalentes podem permanecer agrupados.
Não. Zonas de estudo pertencem ao raciocínio de análise de risco da NBR 5419-2. ZPR são Zonas de Proteção contra Raios utilizadas na NBR 5419-4 para proteção dos sistemas internos contra efeitos eletromagnéticos.
Pode ser, quando sua ocupação, criticidade dos sistemas, fiação, proteção ou perdas diferem das demais áreas. A decisão deve decorrer das condições reais da instalação.
Sim. Mudanças de uso, ocupação, compartimentação, sistemas internos ou linhas podem alterar os parâmetros e justificar revisão das zonas e da própria análise de risco.
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