Entenda como ler composições SICRO, produção de equipe, custos horários, transportes e equipamentos para apoiar Procurement e equalização de propostas.

Confira!

As composições SICRO são modelos técnicos de produção e custo usados para representar como uma unidade de serviço de infraestrutura é executada. Elas combinam recursos, coeficientes, produtividade, equipamentos, mão de obra, materiais, transportes e atividades auxiliares para formar uma referência unitária. No Procurement de obras, sua utilidade não está em fornecer um “preço pronto”, mas em permitir que escopo, método executivo, produtividade, logística e proposta comercial sejam examinados sobre uma base tecnicamente rastreável.

A leitura correta exige verificar se o código adotado representa de fato o serviço, se a unidade de medição é compatível com o projeto, se a produção de equipe é plausível, se os equipamentos conseguem sustentar essa produção e se as premissas de transporte, localidade e data-base correspondem ao empreendimento. Uma composição pode estar matematicamente correta e ainda assim ser inadequada para a contratação se suas premissas não forem aderentes à realidade de campo.

O que são composições SICRO e como devem ser lidas

Uma composição de custo unitário responde a uma pergunta de engenharia: quais recursos são necessários para produzir uma unidade mensurável de determinado serviço, sob determinadas condições? A unidade pode ser metro cúbico, tonelada, metro, metro quadrado, unidade, quilômetro ou outra grandeza coerente com o critério de medição.

A composição não deve ser interpretada como uma simples soma de insumos. Ela representa um sistema produtivo. O equipamento principal pode limitar a produção da equipe; a distância de transporte pode alterar o ciclo operacional; a disponibilidade mecânica pode reduzir o rendimento; uma mudança de material pode exigir outro método executivo; a própria geometria da frente de serviço pode tornar inviável a produtividade de referência.

Por isso, a análise deve começar pela descrição e pelo critério de medição. Antes de comparar valores, a equipe precisa confirmar se o serviço de referência corresponde ao escopo efetivamente contratado. Uma composição tecnicamente impecável para o serviço errado produz uma baseline inadequada.

No Procurement, a composição cumpre quatro funções centrais:

  • construir uma referência técnica-econômica para a contratação;
  • permitir a decomposição das propostas em uma base comparável;
  • revelar premissas de produtividade, recursos e logística que explicam o preço;
  • preservar rastreabilidade para análise, negociação, fiscalização e auditoria.

A relação com a arquitetura mais ampla de custos de uma obra pública também precisa ser mantida. A composição é apenas uma das peças que sustentam a formação de preços, quantitativos, BDI, cronograma e documentação de premissas. Essa visão integrada está organizada no conteúdo Orçamento de obra pública: 18 peças para formar um processo técnico auditável, que funciona como HUB desta família temática.

Por que o SICRO é relevante para Procurement

Quando uma composição de referência não representa claramente o método executivo, a contratação pode comparar preços de escopos diferentes. O Procurement técnico estrutura especificação, baseline, fornecedores e equalização antes da decisão comercial.

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Em infraestrutura de transportes, o SICRO ocupa posição de referência normativa e técnica. Para o processo de contratação, isso significa que a análise econômica não deve ser separada da engenharia. A referência precisa representar o método construtivo, a produtividade e as condições que sustentam o valor.

Essa distinção é importante porque duas propostas podem apresentar preços diferentes sem que a diferença seja essencialmente comercial. Um fornecedor pode ter excluído transporte, adotado um equipamento de outra classe, considerado produtividade mais alta, reduzido a equipe de apoio ou assumido uma origem de material diferente. Sem equalização, o menor preço pode significar apenas menor escopo ou uma premissa menos conservadora.

O Procurement técnico usa a composição para reconstruir a lógica da proposta. Em vez de perguntar apenas “quanto custa?”, pergunta:

  • qual serviço está incluído;
  • qual unidade será medida;
  • que equipe executará o serviço;
  • qual produção é esperada;
  • quais equipamentos são necessários;
  • quais materiais e perdas foram considerados;
  • qual logística foi assumida;
  • quais parcelas estão fora do preço;
  • quais condições podem alterar o custo durante a execução.

Essa leitura melhora a qualidade da decisão porque separa eficiência comercial de diferença técnica. O desconto só é comparável depois que as propostas representam resultados equivalentes.

Como decompor uma composição SICRO

A decomposição deve ser feita por blocos de decisão, e não apenas por linhas da planilha.

ElementoPergunta de engenhariaEvidência esperada
Código e descriçãoO serviço é exatamente o requerido?especificação, projeto e critério de medição
UnidadeA medição usa a mesma base?memória de quantitativos e regra de medição
Produção de equipeO rendimento é plausível?memória de produção e condicionantes
EquipamentosA frota sustenta o método executivo?capacidade, quantidade e ciclo
Mão de obraA equipe é suficiente e coerente?categorias, jornadas e coeficientes
MateriaisConsumos e especificações estão corretos?ficha técnica, quantitativos e perdas
TransportesOrigem e distâncias são reais?mapa logístico, DMT e rotas
Atividades auxiliaresHá dependências ou duplicidades?cadeia produtiva e composições auxiliares
Data-baseValores estão temporalmente comparáveis?referência de preços e memória de atualização

A descrição do serviço precisa ser confrontada com o projeto. Espessura, resistência, densidade, granulometria, classe de material, distância de transporte e forma de execução podem alterar substancialmente a composição. O código mais parecido pelo título nem sempre é o mais aderente.

Também é necessário observar o que não aparece. Uma proposta pode utilizar composição aparentemente completa e excluir mobilização específica, apoio de campo, ensaios, transporte interno, descarte, controle tecnológico ou atividade auxiliar necessária. O Procurement deve identificar essas interfaces antes de tratar o preço como comparável.

A boa prática é manter uma ficha de decisão da composição contendo código, descrição, unidade, versão, data-base, localidade, premissas preservadas, premissas ajustadas, justificativas, responsável pela validação e documentos de suporte.

Produção de equipe e produtividade

A produção de equipe é um dos elementos que mais influenciam o custo unitário de serviços mecanizados. Ela representa quanto um conjunto coordenado de recursos produz em determinado intervalo de tempo. Quando a produção diminui, equipamentos e mão de obra permanecem mobilizados por mais tempo para produzir a mesma unidade física; quando aumenta, os custos horários são distribuídos por maior quantidade executada.

A análise deve distinguir pelo menos três conceitos:

  • capacidade nominal: potencial informado para um equipamento ou processo;
  • produção de referência: rendimento calculado segundo parâmetros metodológicos;
  • produção esperada na obra: resultado que pode ser atingido nas condições específicas do empreendimento.

Esses valores não são automaticamente iguais. Tráfego, chuva, acessos, geometrias restritas, janelas de trabalho, interferências, manutenção, abastecimento de materiais e esperas operacionais podem reduzir a produtividade efetiva.

Um preço agressivo sustentado por produção excessivamente alta deve ser analisado como risco. Se a equipe precisa executar 180 t/h para que a proposta feche economicamente, mas o ciclo de transporte, a capacidade dos equipamentos e a frente de serviço permitem apenas 120 t/h, a diferença não é apenas uma hipótese financeira: é uma possível causa de atraso, pleito, mudança de método ou queda de qualidade.

O inverso também precisa ser tratado. Produções excessivamente conservadoras podem inflar custos e reduzir competitividade. O objetivo da engenharia não é sempre adotar a menor ou a maior produtividade, mas construir a premissa mais aderente às condições reais.

Essa verificação se conecta à análise de produtividade em campo e à RUP na Construção Civil. A referência de composição precisa dialogar com a capacidade de produzir e medir o serviço durante a execução.

Custos horários e coerência dos equipamentos

O custo horário de equipamento deve ser analisado em conjunto com seu papel na equipe. Depreciação, manutenção, operação, combustível, utilização, disponibilidade e tempos produtivos ou improdutivos só fazem sentido quando relacionados ao ciclo de produção.

Três verificações são indispensáveis:

  1. o equipamento possui capacidade compatível com o método executivo;
  2. a quantidade de equipamentos sustenta a produção declarada;
  3. os tempos produtivos e improdutivos são coerentes com o encadeamento da equipe.

Uma substituição por equipamento “equivalente” não deve ser aceita apenas pela capacidade nominal. Máquinas com capacidade semelhante podem ter ciclos, consumo, mobilidade, disponibilidade, manutenção e custos operacionais distintos. O efeito precisa ser avaliado sobre o sistema produtivo completo.

Para propostas relevantes, a engenharia pode reconstruir o ciclo: capacidade por viagem ou passagem, tempo de carga, deslocamento, descarga, retorno, posicionamento, abastecimento e restrições. Se a produção declarada depende de um ciclo que não cabe fisicamente na jornada, a inconsistência deve ser tratada antes da contratação.

O Procurement não precisa exigir que o fornecedor replique exatamente a frota de referência. O requisito é outro: demonstrar que a alternativa ofertada entrega o mesmo resultado técnico, dentro do prazo e com premissas de custo defensáveis.

Mão de obra, materiais, transportes e atividades auxiliares

A análise da equipe de mão de obra deve considerar categorias profissionais, quantidade, jornadas, coeficientes e coerência com a produção. Uma equipe pequena demais pode inviabilizar o rendimento; uma equipe superdimensionada pode revelar ineficiência ou duplicidade.

Nos materiais, o consumo por unidade deve ser confrontado com a especificação. Mudanças de densidade, teor, massa específica, dosagem, espessura, perdas e rendimento alteram o custo. Quando o material é relevante, a engenharia também deve verificar origem, disponibilidade, frete, condicionantes de aquisição e necessidade de ensaios.

O transporte merece tratamento próprio. Distância média de transporte, condição da via, origem do material, velocidade operacional, capacidade do veículo e tempos de carga e descarga podem representar parcela significativa do serviço. Em empreendimentos com jazidas, bota-foras, usinas ou fornecedores ainda não definidos, essas premissas devem ser tratadas explicitamente como risco.

Atividades auxiliares precisam ser rastreadas para evitar omissão ou dupla contagem. Britagem, usinagem, produção de concreto, carga, descarga, escavações auxiliares, apoio de campo e processamento de material podem aparecer em diferentes níveis da estrutura.

Uma técnica útil é percorrer o fluxo físico do serviço: de onde o recurso vem, como é preparado, como chega à frente, como é aplicado, como é medido e que evidência comprova a quantidade. Essa sequência costuma revelar lacunas que não aparecem em uma conferência aritmética.

Condições locais, ajustes e composições próprias

Sistemas referenciais não eliminam a necessidade de engenharia de campo. O mesmo serviço pode apresentar desempenho diferente conforme topografia, clima, interferências, acessos, urbanização, restrições ambientais, logística e sequenciamento.

Quando uma premissa de referência não representa o empreendimento, o ajuste deve atacar a causa. Se o impacto é produtividade, ajuste-se a produção; se é transporte, trate-se a distância; se é material, altere-se o insumo e sua fonte; se é janela restrita, avalie-se o efeito sobre jornada, equipe e equipamentos.

Aplicar um percentual genérico sobre o custo total normalmente reduz a rastreabilidade. A decomposição por mecanismo de impacto produz memória técnica mais defensável.

Também é necessário controlar versão e data-base. Comparar valores de períodos diferentes sem atualização coerente pode criar uma diferença aparentemente comercial que é apenas temporal. Cada referência precisa carregar a data-base e a localidade usadas.

Quando não houver composição aderente, uma composição própria pode ser necessária. Nessa situação, a exigência de documentação aumenta: memorial de cálculo, produtividades, fontes, equipamentos, quantidades, unidade de medição, pesquisa complementar e justificativa técnica precisam permanecer auditáveis.

Equalização técnica e comercial das propostas

Na fase competitiva, uma diferença de preço só é real depois que escopo, produtividade, logística e condições comerciais foram colocados na mesma base. A análise técnica de propostas reduz o risco de contratar uma economia aparente.

Veja o Apoio Técnico à Licitação e Análise de Propostas

A equalização é o ponto em que a composição deixa de ser apenas referência e passa a apoiar decisão. O objetivo não é fazer todos os participantes adotarem a mesma composição, mas garantir que as propostas entreguem o mesmo escopo e sejam comparadas em base comum.

Uma matriz de equalização pode registrar escopo, unidade, produtividade, equipamentos, materiais, transportes, data-base, tributos, premissas excluídas, condições comerciais e responsabilidades. Cada divergência deve receber tratamento: esclarecer, normalizar, precificar, aceitar como alternativa ou rejeitar por incompatibilidade.

A Composição de Custos Unitários em Obras ajuda a compreender essa lógica de decomposição de insumos e coeficientes. No SICRO, a mesma disciplina precisa ser aplicada à produção da equipe e à logística de infraestrutura.

A equalização também orienta a negociação. Em vez de discutir somente desconto global, o Procurement consegue localizar onde há diferença: produção, frota, origem de material, transporte, consumo, método executivo ou condição comercial.

Essa abordagem reduz o risco de contratar uma proposta aparentemente barata que transfere lacunas para a execução. Ela também evita desqualificar propostas eficientes apenas porque organizam recursos de forma diferente da referência.

Controles, documentos e evidências que devem permanecer no processo

Composições próprias, produtividades agressivas e premissas logísticas atípicas justificam uma verificação independente antes da contratação. A auditoria técnica pode revisar coerência, rastreabilidade e evidências sem substituir a responsabilidade de decisão do contratante.

Conheça o serviço de Auditoria Técnica

Uma contratação robusta precisa permitir que outra equipe reconstrua a decisão no futuro. Isso exige mais do que guardar a planilha final.

O dossiê técnico deve preservar, conforme a materialidade:

  • projeto e especificação que originaram o serviço;
  • memória de quantitativos e critério de medição;
  • composição SICRO adotada e respectiva versão;
  • ajustes realizados e justificativas;
  • memória de produção e equipamentos críticos;
  • fontes e datas dos materiais relevantes;
  • distâncias e premissas logísticas;
  • matriz de equalização;
  • esclarecimentos recebidos dos proponentes;
  • análise de exequibilidade;
  • parecer ou registro de decisão;
  • versão final do escopo contratado.

Essas evidências não servem apenas à auditoria. Elas estruturam a transição entre Procurement, gestão contratual, fiscalização e recebimento. O que foi assumido durante a contratação precisa chegar à equipe que medirá e controlará a execução.

Em obras públicas, essa continuidade fortalece a defesa do processo perante controle interno e externo. Em empreendimentos privados, reduz disputas sobre escopo, premissas e responsabilidades.

Como contratar apoio técnico para análise de composições e Procurement

Quando Procurement, projeto, custos, prazo e gestão contratual precisam operar como um único sistema de decisão, Owner’s Engineering cria a governança necessária para preservar premissas desde a contratação até a execução e o aceite.

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O apoio especializado passa a ser necessário quando a equipe interna não consegue, com segurança, reconstruir a produção, equalizar propostas, justificar adaptações, validar exequibilidade ou manter rastreabilidade suficiente para a decisão.

A contratação do apoio não deve ser descrita genericamente como “elaboração de planilha”. O objeto precisa refletir a atividade de engenharia. Um escopo tecnicamente adequado pode incluir:

  • análise do projeto e dos critérios de medição;
  • seleção e validação das composições referenciais;
  • revisão de produtividades e recursos;
  • análise de materiais, transportes e atividades auxiliares;
  • desenvolvimento de composições próprias quando necessário;
  • construção da baseline técnica-econômica;
  • preparação de documentos para solicitação de propostas;
  • respostas técnicas a esclarecimentos;
  • matriz de equalização técnica e comercial;
  • análise de exequibilidade e sensibilidade;
  • recomendação técnica de contratação;
  • registro das premissas e da memória de decisão.

Os entregáveis devem ser verificáveis. Planilhas sem memória de cálculo, parecer sem anexos de suporte ou matriz de equalização sem critérios de normalização dificultam o aceite. O contrato deve definir quais arquivos serão entregues, formato editável, fontes, versões, critérios de revisão e responsável técnico.

A medição do serviço de engenharia pode ser vinculada a marcos: baseline concluída, pacote de Procurement liberado, rodada de propostas equalizada, recomendação emitida e documentação consolidada. O aceite deve verificar consistência entre projeto, quantitativos, composição, critérios de medição e proposta contratada.

A equipe contratada precisa demonstrar competência compatível com o objeto. Em pacotes de alta complexidade, não basta conhecimento genérico de custos: é necessária capacidade para compreender método executivo, equipamentos, logística, especificações e interfaces de projeto.

O apoio também precisa se integrar ao cronograma de Procurement. Uma análise tecnicamente boa entregue depois da decisão perde valor. Por isso, escopo, prazo de resposta, governança de esclarecimentos, reuniões de equalização e responsáveis por aprovação devem ser definidos previamente.

Quando a decisão envolve risco elevado, uma revisão independente pode ser utilizada como gate antes da contratação. Isso é especialmente útil em composições próprias, condições locais atípicas, grandes distâncias de transporte, produtividades agressivas, pacotes de alto valor ou propostas com diferenças relevantes em relação à baseline.

A finalidade não é aumentar burocracia, mas garantir que a contratação possa ser explicada em termos de engenharia: o que será executado, com quais premissas, por que a proposta é exequível, como será medido e que evidências sustentam a decisão.

Responsabilidades e interfaces da contratação. Um apoio técnico bem definido precisa indicar onde termina a responsabilidade do consultor e onde permanecem as decisões do contratante. O especialista pode revisar composições, construir memórias de cálculo, formular matrizes de equalização, registrar riscos e emitir recomendação; a aprovação do escopo, a aceitação de premissas comerciais e a decisão de contratação continuam pertencendo à governança do empreendimento. Essa separação evita que a consultoria seja contratada com uma obrigação vaga de “validar preços” sem autoridade, entradas ou critérios definidos.

A interface com o projetista também deve ser prevista. Quando a análise identifica incompatibilidade entre a composição e o projeto — por exemplo, uma espessura, material, método ou critério de medição divergente — o fluxo precisa determinar quem esclarece, quem revisa o documento e qual versão passa a ser a referência. O Procurement não deve corrigir silenciosamente uma lacuna de projeto dentro da planilha de custos, porque isso rompe a rastreabilidade entre requisito técnico e contratação.

Da mesma forma, a fiscalização precisa receber as premissas relevantes no handover. Produção de equipe, recursos mínimos, origem de materiais, distâncias consideradas, serviços auxiliares e exclusões aceitas durante a equalização podem se tornar critérios de acompanhamento. Se essas informações ficam restritas ao processo de seleção, a execução perde justamente os parâmetros que permitiriam verificar se a proposta permanece exequível.

Gate técnico antes da recomendação. Para pacotes de maior materialidade, a recomendação de contratação pode ser condicionada a um gate formal. Antes da liberação, a equipe verifica se a versão do projeto é única, se as quantidades foram reconciliadas, se as composições críticas possuem memória de premissas, se as divergências entre proponentes foram tratadas e se riscos de produtividade ou logística permanecem explicitados. O objetivo não é criar uma aprovação burocrática adicional, mas impedir que uma decisão comercial avance com pendências técnicas conhecidas.

  • escopo e critérios de medição confirmados;
  • composições críticas identificadas e justificadas;
  • produtividades e equipamentos principais verificados;
  • transportes e fontes de materiais compatibilizados;
  • exclusões e alternativas técnicas registradas;
  • matriz de equalização encerrada ou com ressalvas explícitas;
  • riscos residuais atribuídos a responsáveis;
  • documentos de contratação congelados em versão identificável.

Critérios de aceite do próprio serviço de consultoria. O aceite não deve ser baseado apenas na existência de uma planilha ou parecer. Para uma amostra de composições, o contratante precisa conseguir reconstruir a cadeia completa: requisito de projeto, quantitativo, composição selecionada, premissas ajustadas, fontes utilizadas, proposta do fornecedor, tratamento de desvios e recomendação final. Se essa cadeia não puder ser refeita por outra pessoa, o produto ainda não possui rastreabilidade suficiente.

Também é recomendável testar consistência cruzada. A produtividade utilizada na composição precisa ser compatível com o cronograma; os equipamentos considerados precisam caber fisicamente na frente; o transporte precisa refletir uma origem possível; o critério de medição precisa corresponder à unidade contratual; e a composição final precisa estar alinhada à revisão vigente do projeto. Esses testes transformam o aceite em verificação técnica, em vez de simples conferência documental.

Medição por marcos e não por volume de arquivos. Em um serviço de Procurement, a medição pode acompanhar a maturidade da decisão. Um primeiro marco pode ser a baseline validada; o segundo, a emissão do pacote de consulta; o terceiro, a consolidação das propostas e dos esclarecimentos; o quarto, a equalização concluída; e o último, a recomendação e o handover. Cada marco deve ter critérios objetivos de aceite e lista de pendências permitidas. Isso evita remunerar apenas esforço ou quantidade de documentos sem avaliar se a etapa realmente ficou pronta para a seguinte.

Exemplo de aplicação. Considere um serviço de terraplenagem no qual dois proponentes apresentam valores unitários próximos, mas um deles utiliza produção de equipe 40% superior e considera distância média de transporte menor. A comparação direta do preço pouco explica. O Procurement deve confirmar a origem do material, revisar o ciclo dos caminhões, verificar capacidade dos equipamentos de carga e compactação, confrontar a produção com o cronograma e registrar se a distância proposta é contratualmente possível. Depois dessa equalização, a diferença econômica pode aumentar, desaparecer ou até se inverter.

Esse exemplo mostra por que a composição funciona como instrumento de diligência. A análise não busca impor ao fornecedor a engenharia de referência, mas testar se a solução ofertada produz o resultado requerido. Caso o proponente demonstre método diferente, frota distinta ou produtividade superior, a alternativa pode ser vantajosa; o que não pode ocorrer é aceitar a premissa sem evidência suficiente para sustentar prazo, qualidade e custo.

Integração com gestão de mudanças. Após a contratação, qualquer alteração relevante em projeto, distância, fonte de material, método ou produtividade precisa ser analisada contra a baseline documentada. Essa memória permite distinguir uma mudança legítima de escopo de um desvio de desempenho do contratado. Sem a referência original, discussões de reequilíbrio, aditivo ou responsabilidade começam de uma posição documental fraca.

Por isso, o fechamento do Procurement deve incluir uma matriz de premissas críticas a monitorar na execução. Ela pode indicar o que foi assumido, qual evidência comprova a premissa, quem deve acompanhar e qual evento exige reavaliação. A composição deixa, assim, de ser um arquivo usado apenas para selecionar o fornecedor e passa a integrar a governança do contrato.

Quando a revisão independente agrega valor. Em pacotes de alta criticidade, um segundo olhar pode ser usado antes da decisão. O objetivo não é refazer todo o trabalho, mas testar os pontos de maior exposição: composições próprias, parâmetros fora da referência, logística excepcional, produtividade elevada, poucos fornecedores, diferenças expressivas de preço ou grande concentração econômica. A revisão independente funciona como um gate proporcional ao risco.

O resultado esperado dessa jornada é uma contratação que possa ser defendida técnica e economicamente. O contratante deve saber qual composição foi usada, por que foi adequada, quais diferenças foram aceitas, quais riscos permanecem e como o desempenho será verificado depois. Essa é a transição entre uma planilha de referência e um processo real de Procurement de engenharia.

Considerações finais

Composições SICRO são mais valiosas quando tratadas como modelos de produção e não como listas de preços. Elas conectam recursos, produtividade, logística e método executivo a uma unidade mensurável, permitindo que Procurement analise escopo, exequibilidade e diferença entre propostas.

A qualidade da decisão depende da aderência entre projeto, composição, quantitativo, cronograma e condições reais. Quando essa conexão existe, a referência se transforma em baseline útil para contratação e controle. Quando não existe, o uso mecânico de códigos e valores cria apenas aparência de precisão.

O objetivo do Procurement técnico é exatamente transformar essa referência em processo de engenharia: especificar, equalizar, validar premissas, documentar riscos e contratar sobre uma base que possa ser posteriormente medida, fiscalizada e defendida.

Referências técnicas

[1] DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES (DNIT). Manuais de Custos de Infraestrutura de Transportes — SICRO, 2. ed. 2025-2026. Disponível em: https://www.gov.br/dnit/pt-br/assuntos/planejamento-e-pesquisa/custos-referenciais/sistemas-de-custos/sicro/manuais

[2] DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES (DNIT). Instrução Normativa nº 10/DNIT SEDE, de 9 de outubro de 2024. Disponível em: https://www.gov.br/dnit/pt-br/central-de-conteudos/atos-normativos/tipo/instrucao-normativa/2024/instrucao-normativa-no-10-2024

[3] BRASIL. Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021. Lei de Licitações e Contratos Administrativos. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14133.htm

[4] BRASIL. Decreto nº 7.983, de 8 de abril de 2013. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/decreto/d7983.htm

Perguntas frequentes
O que são composições SICRO?

São estruturas referenciais que relacionam uma unidade de serviço aos recursos e à produtividade necessários para executá-la, incluindo equipamentos, mão de obra, materiais, transportes e atividades auxiliares.

A composição SICRO pode ser usada diretamente sem ajustes?

Somente quando código, especificação, unidade, produtividade, logística, localidade, data-base e demais premissas forem aderentes ao empreendimento. Divergências devem ser justificadas tecnicamente.

Por que a produção de equipe é tão importante?

Porque ela determina quanto serviço é produzido por período e influencia a diluição dos custos horários por unidade. Uma premissa irreal de produção pode distorcer a referência e comprometer a exequibilidade.

Uma proposta precisa usar os mesmos equipamentos do SICRO?

Não necessariamente. Uma alternativa pode ser aceita se demonstrar capacidade, produtividade, escopo e custo compatíveis com o resultado exigido.

Como usar o SICRO na equalização de propostas?

A composição ajuda a decompor escopo, produtividade, equipamentos, materiais e logística. Depois, as propostas são normalizadas para uma base comum antes da comparação econômica.

Quando contratar apoio especializado?

Quando houver composições próprias, premissas complexas, divergências relevantes entre propostas, produtividade agressiva, logística crítica ou necessidade de rastreabilidade e validação independente.

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