Modelo de atestado de capacidade técnica para licitação com estrutura, campos, exemplo comentado e critérios para obras e serviços de engenharia.

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Um modelo de atestado de capacidade técnica para licitação deve registrar, de forma verificável, a experiência efetivamente executada pela empresa ou pelo profissional, permitindo que a Administração compare o documento com os requisitos de habilitação. Em obras e serviços de engenharia, um bom modelo precisa ir além de uma declaração genérica de “serviços prestados satisfatoriamente”: deve identificar emitente e contratado, vínculo contratual, objeto, período, atividades, parcelas relevantes, quantitativos, responsabilidades técnicas, características de complexidade e assinatura de quem possui competência para declarar a execução.

O modelo não substitui a análise do edital nem cria capacidade técnica. Ele organiza uma experiência real para que o documento seja útil em futuras licitações, registros profissionais e diligências. Por isso, o conteúdo deve refletir exatamente o que foi executado e ser compatível com contratos, ordens de serviço, ARTs, relatórios, medições e demais evidências existentes. Inserir atividade, quantidade ou responsabilidade que não possa ser demonstrada transforma um documento de comprovação em fonte de risco.

Na Lei nº 14.133/2021, a qualificação técnica está disciplinada principalmente pelo art. 67. Para engenharia, também é necessário distinguir atestado, ART, Certidão de Acervo Técnico-Profissional — CAT — e Certidão de Acervo Operacional — CAO. O modelo apresentado neste artigo foi estruturado para servir como referência de organização documental, mas deve ser adaptado ao objeto, ao conselho profissional aplicável e às regras específicas da contratação.

O que um modelo de atestado de capacidade técnica precisa resolver

O propósito do atestado é permitir que um terceiro compreenda uma experiência passada. Isso parece simples, mas muitos documentos falham porque foram redigidos apenas como carta institucional, sem preocupação com futura comprovação.

Uma frase como “a empresa executou os serviços de maneira satisfatória” informa desempenho, mas não informa quais competências foram efetivamente mobilizadas. Se a empresa futuramente precisar comprovar projeto executivo, fiscalização, integração, comissionamento ou instalação especializada, um atestado genérico pode não revelar que essas atividades existiram.

O modelo deve resolver cinco perguntas centrais:

  1. quem contratou e quem executou;
  2. qual foi o objeto e qual vínculo contratual o originou;
  3. o que foi efetivamente executado;
  4. em que escala, período e condições;
  5. quem possui competência para declarar e, quando aplicável, qual responsabilidade técnica está associada.

Essas informações formam a base documental. A partir delas, o grau de detalhamento varia conforme a complexidade do serviço.

A página principal sobre Atestado de Capacidade Técnica em Licitações de Engenharia aprofunda como a Administração compara essas evidências com parcelas relevantes, quantitativos e critérios do edital.

Estrutura recomendada do atestado

Uma estrutura robusta pode ser organizada em blocos. A ordem não é legalmente obrigatória; ela facilita leitura, conferência e reutilização.

BlocoConteúdo principalPor que é relevante
Identificação do emitenterazão social, CNPJ/CPF, endereço e contatopermite validar quem declara
Identificação do atestadoempresa ou profissional, CNPJ/CPF, registro quando aplicáveldefine titular da experiência
Vínculo contratualcontrato, processo, OS, datasconecta declaração a uma relação real
Objetodescrição consolidadacontextualiza a experiência
Escopo executadoatividades e responsabilidadesdemonstra competência
Quantitativosunidades relevantespermite comparar escala
Complexidadetecnologia, interfaces e condições especiaisdemonstra similaridade técnica
Responsabilidade técnicaprofissional, ART e registros aplicáveisatribui responsabilidade
Desempenho/conclusãosituação da execuçãoregistra resultado
Declaração e assinaturanome, cargo, data e assinaturaidentifica responsável pela emissão

Em serviços simples, alguns campos podem ser condensados. Em contratos complexos, é preferível detalhar o conteúdo em seções ou anexo técnico.

Identificação do emitente

O emitente deve ser identificado de forma suficiente para permitir verificação posterior. Em geral, convém registrar razão social ou nome, CNPJ ou CPF quando aplicável, endereço institucional e dados de contato.

Também é útil identificar a pessoa que assina: nome, cargo, função e vínculo com a organização. O ponto central é que ela tenha condições institucionais de declarar a execução.

Não é recomendável deixar o documento dependente apenas de uma assinatura ilegível. Anos depois, o responsável pela habilitação pode precisar confirmar autenticidade ou esclarecer informações, e a ausência de identificação torna a diligência mais difícil.

Para órgãos públicos, também pode ser relevante indicar unidade administrativa, processo, contrato ou instrumento equivalente. Isso reduz ambiguidade quando o mesmo órgão possui muitos contratos similares.

Identificação da empresa ou do profissional atestado

O documento deve deixar claro quem é o titular da experiência declarada.

Quando a finalidade é demonstrar capacidade da pessoa jurídica, a empresa deve ser identificada por razão social e CNPJ. Quando o documento envolve experiência profissional, deve identificar o profissional e, quando aplicável, seu registro no conselho competente.

Essa separação evita um erro recorrente: produzir um único texto que mistura empresa e profissional de tal forma que não se sabe qual atividade foi atribuída a cada um.

Em engenharia, a experiência da empresa e a do responsável técnico podem se relacionar, mas o modelo deve preservar a rastreabilidade. A regulamentação do Confea distingue acervo técnico-profissional e acervo operacional da pessoa jurídica; portanto, o documento deve permitir que essa relação seja interpretada corretamente.

O artigo sobre CAT, CAO e Atestado de Capacidade Técnica detalha essa diferença documental.

Vínculo contratual e período dos serviços

O atestado deve indicar de onde veio a experiência.

Podem ser registrados número de contrato, processo, ordem de serviço, nota de empenho, proposta ou outro instrumento que identifique a relação contratual. Não é necessário transformar o documento em cópia do contrato, mas deve haver chave suficiente para relacioná-lo às evidências existentes.

Também é recomendável separar vigência contratual do período efetivamente atestado. Um contrato pode ter durado dois anos, enquanto determinada atividade ocorreu em seis meses.

Exemplo de campos:

  • instrumento contratual;
  • número do processo ou contratação;
  • data de assinatura;
  • período de execução da atividade;
  • eventual ordem de serviço;
  • situação do contrato quando o atestado foi emitido.

Essa distinção é particularmente útil em contratos continuados, contratos por demanda ou empreendimentos com várias fases.

Como descrever o objeto sem cair em generalidades

O objeto deve permitir que o leitor entenda a natureza da contratação, mas a descrição do objeto não deve substituir o detalhamento das atividades.

“Serviços de engenharia” é amplo demais. “Elaboração de projeto executivo de instalações elétricas de baixa tensão” é melhor, mas pode ainda ser insuficiente se a futura licitação depender de características como potência, criticidade, coordenação de proteção, geradores, UPS ou integração com automação.

Uma boa redação começa pelo objeto consolidado e depois desce ao escopo.

Por exemplo:

> Prestação de serviços de engenharia para levantamento, diagnóstico, projeto, especificação, apoio à contratação, fiscalização e comissionamento de sistemas técnicos da edificação.

Em seguida, o documento deve indicar quais dessas etapas foram efetivamente executadas e por quem.

O modelo não deve usar palavras técnicas apenas para “fortalecer” o atestado. Cada termo inserido precisa corresponder a uma atividade realmente demonstrável.

Escopo executado: a parte mais importante do atestado

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É no escopo que o documento ganha valor técnico.

O ideal é organizar atividades por natureza. Em um contrato de projeto, por exemplo, podem existir levantamento, análise de dados de entrada, estudos, memoriais, cálculos, desenhos, especificações, quantitativos e compatibilização. Em fiscalização, podem existir inspeções, análise documental, medições, RNCs, registros fotográficos, acompanhamento de testes e aceite.

A descrição deve ser suficientemente específica para demonstrar competências sem reproduzir integralmente o memorial do contrato.

Um padrão útil é verbo + objeto técnico + condição relevante:

  • elaborou projeto executivo de instalações elétricas;
  • dimensionou alimentadores e dispositivos de proteção;
  • realizou levantamento cadastral de infraestrutura existente;
  • coordenou interfaces entre rede de dados, elétrica e segurança eletrônica;
  • acompanhou ensaios e verificou critérios de aceite;
  • produziu documentação As-Built;
  • realizou comissionamento funcional;
  • avaliou propostas técnicas em procedimento de contratação.

Esse padrão torna a experiência legível e facilita comparação futura.

Quantitativos: quando e como registrar

Quantitativos são relevantes quando ajudam a caracterizar escala.

Não é necessário preencher o documento com todos os itens de uma planilha. O foco deve ser nas quantidades que demonstram capacidade em atividades potencialmente relevantes para futuras contratações.

Uma tabela pode ser mais clara:

Parcela / atividadeUnidadeQuantidadeObservação técnica
pontos de rede certificadosponto850incluindo backbone óptico
quadros elétricos projetadosun.18com coordenação de proteção
câmeras IP integradasun.120integradas ao VMS
área de levantamento22.000edificação em operação

Os números devem ser coerentes com documentos de suporte. Se a quantidade é estimada, isso precisa estar claro; se é medida contratualmente, convém preservar a fonte.

O art. 67 da Lei nº 14.133 permite que a Administração estabeleça quantitativos mínimos em condições específicas. Por isso, um atestado sem qualquer informação de escala pode perder utilidade quando a experiência precisa ser comparada com exigência quantitativa.

Como registrar complexidade tecnológica e operacional

Quantidade não é sinônimo de complexidade.

Um projeto pequeno pode envolver alta criticidade e várias interfaces. Um projeto grande pode ser repetitivo e padronizado. Quando características especiais influenciaram a execução, elas devem ser registradas.

Exemplos:

  • ambiente com operação contínua;
  • múltiplos sites;
  • integração entre disciplinas;
  • redundância;
  • sistemas de missão crítica;
  • intervenção em instalação existente;
  • restrições de acesso;
  • execução faseada;
  • requisitos de cibersegurança;
  • necessidade de manter serviço ativo;
  • integração com plataformas legadas;
  • ensaios especiais;
  • exigência de BIM ou gestão digital de informações.

Essas características podem ser decisivas para demonstrar similaridade técnica em licitações futuras.

Responsabilidade técnica, ART, CAT e CAO

O atestado deve ser compatível com os registros profissionais aplicáveis.

Quando uma atividade exige responsabilidade técnica, convém identificar o profissional, registro e ART relacionada, sem assumir que a simples menção à ART transforma o atestado em CAT.

No Sistema Confea/Crea, a CAT está vinculada ao acervo técnico-profissional. A CAO está vinculada ao acervo operacional da pessoa jurídica. O atestado emitido pelo contratante é uma declaração sobre a execução e pode integrar procedimentos de registro e certificação conforme a regulamentação.

Essa distinção precisa orientar o modelo. Se o objetivo futuro é comprovar experiência profissional, o documento deve atribuir claramente atividades ao profissional. Se o objetivo é capacidade operacional, precisa caracterizar a atuação da empresa.

A Gestão de Requisitos, Evidências e Critérios de Aceite ajuda a estruturar exatamente esse encadeamento entre requisito, evidência e comprovação.

Resultado, conclusão e desempenho

É útil declarar se os serviços foram executados e em qual condição.

Expressões como “executados satisfatoriamente” podem ser adequadas, mas não substituem o escopo técnico. O documento pode registrar conclusão, aceite, período executado ou situação específica.

Em contratos ainda em execução, o atestado deve deixar claro que se refere ao período ou parcela efetivamente executada até determinada data. Isso evita apresentar como concluído aquilo que ainda está em andamento.

Quando houve entrega por fases, pode ser melhor indicar quais etapas já foram concluídas.

Modelo comentado de atestado de capacidade técnica

A seguir está uma estrutura de referência. O texto deve ser adaptado à realidade do contrato e nunca preenchido com informação não comprovada.

1. Título

ATESTADO DE CAPACIDADE TÉCNICA

Se necessário, indicar se o documento está focado em capacidade operacional, profissional ou em uma experiência específica.

2. Declaração inicial

Declaramos, para os devidos fins, que [RAZÃO SOCIAL / NOME], inscrita(o) no [CNPJ/CPF], executou para [EMITENTE] os serviços descritos neste atestado, no âmbito do [CONTRATO/PROCESSO/OS], no período de [DATA] a [DATA].

A abertura identifica relação, partes e período sem antecipar conclusões técnicas que serão detalhadas depois.

3. Identificação do emitente

  • Razão social / órgão:
  • CNPJ:
  • Endereço:
  • Unidade responsável:
  • Contato institucional:

4. Identificação do atestado

  • Empresa / profissional:
  • CNPJ / CPF:
  • Registro profissional, quando aplicável:
  • Função ou responsabilidade no contrato:

5. Dados da contratação

  • Objeto:
  • Contrato:
  • Processo:
  • Ordem de serviço:
  • Data de início:
  • Data de conclusão ou período atestado:
  • Local ou contexto:

6. Escopo técnico executado

Descrever, em linguagem objetiva, as atividades efetivamente executadas. Separar por etapas ou disciplinas quando isso melhorar a compreensão.

Exemplo:

  1. levantamento e diagnóstico das condições existentes;
  2. elaboração de estudos e memória de critérios;
  3. desenvolvimento de projeto básico/executivo;
  4. elaboração de especificações técnicas;
  5. elaboração ou validação de quantitativos;
  6. apoio técnico à contratação;
  7. fiscalização e acompanhamento da execução;
  8. testes, comissionamento e aceite;
  9. documentação final e As-Built.

O exemplo não deve ser copiado integralmente quando essas atividades não fizeram parte do contrato.

7. Quantitativos e características relevantes

Inserir tabela apenas com parcelas que caracterizam efetivamente a experiência.

8. Responsabilidade técnica

Indicar profissionais, títulos, registros e ARTs quando aplicável e quando os dados puderem ser comprovados.

9. Declaração de desempenho

Registrar de maneira objetiva a condição da execução: conclusão, cumprimento de escopo, aceite ou outro resultado verificável.

10. Assinatura

  • Nome:
  • Cargo:
  • Organização:
  • Data:
  • Assinatura:

Quando houver assinatura eletrônica, preservar mecanismo de validação.

Exemplo de redação do escopo para projeto de engenharia

Uma boa descrição de projeto não diz apenas “elaboração de projeto”. Ela pode demonstrar entradas, análises e entregáveis.

Exemplo hipotético:

> Elaboração de projeto executivo de infraestrutura tecnológica, incluindo levantamento de campo, definição de requisitos, arquitetura, dimensionamento, memoriais, plantas, detalhes, especificações técnicas, quantitativos, compatibilização com instalações existentes e documentação destinada à contratação e execução.

Se o projeto envolveu integração de várias disciplinas, isso deve ser descrito. Se houve apenas projeto básico, não se deve declarar projeto executivo.

Exemplo para fiscalização ou Owner’s Engineering

Em fiscalização e Owner’s Engineering, o atestado precisa registrar a natureza do acompanhamento.

Um texto pode informar:

> Acompanhamento técnico da execução, análise de documentação, verificação de conformidade com projeto e especificações, inspeções, controle de pendências, acompanhamento de testes, validação de medições, avaliação de documentação final e suporte técnico ao recebimento.

Se houve poderes ou responsabilidades específicas, eles devem ser descritos conforme o contrato, sem atribuir ao consultor funções que pertenciam formalmente ao gestor ou fiscal público.

Exemplo para comissionamento

Em comissionamento, a experiência pode ser caracterizada por sistemas testados, tipos de verificação, quantidade de equipamentos, protocolos, critérios de aceite e tratamento de pendências.

A descrição deve distinguir inspeção visual, teste funcional, teste integrado, desempenho, documentação e recebimento.

Isso é mais útil do que simplesmente declarar “realizou comissionamento”, porque o termo pode representar escopos muito diferentes.

O que não deve faltar em um modelo para licitação

Quando o documento é pensado para futura habilitação, alguns elementos merecem atenção redobrada:

  • identificação inequívoca do titular da experiência;
  • descrição clara de parcela e atividade;
  • quantitativos que possam ser auditados;
  • período real da execução;
  • distinção entre empresa e profissional;
  • correlação com responsabilidade técnica;
  • indicação de quem emite e assina;
  • informação suficiente para eventual diligência.

A ausência de um campo não torna automaticamente o atestado inválido. O problema é quando a informação faltante impede demonstrar requisito específico do edital.

Erros que enfraquecem o atestado

Um dos erros mais comuns é o excesso de linguagem promocional. Termos como “excelente”, “referência de mercado” ou “serviço impecável” acrescentam pouco à comprovação. O que importa é evidência técnica.

Outro erro é copiar o objeto contratual sem detalhar execução. O contrato informa o que deveria ser feito; o atestado deve indicar o que foi efetivamente realizado.

Também enfraquecem o documento:

  • ausência de datas;
  • ausência de quantitativos relevantes;
  • lista extensa de atividades não atribuídas;
  • mistura entre empresa e profissional;
  • números incompatíveis com medições;
  • menção a tecnologias que não aparecem em outros documentos;
  • assinatura sem identificação;
  • uso de termos vagos como “serviços correlatos”;
  • declarar conclusão quando o contrato ainda está em execução sem ressalva.

Modelo Word ou PDF: qual formato usar

A intenção de busca por “atestado de capacidade técnica Word” e “PDF” mostra que muitos leitores procuram um arquivo editável ou pronto para referência.

O Word é adequado para preparação porque permite adaptar campos e escopo. O PDF deve ser o formato final de emissão quando a organização desejar preservar apresentação e assinatura, especialmente se houver assinatura eletrônica.

O arquivo editável não deve circular como “prova” sem assinatura. Ele é apenas template.

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Preencher meus dados e receber o modelo

Para uso institucional, é recomendável manter versão controlada do modelo, histórico de revisões e orientação de preenchimento. Isso reduz o risco de cada unidade produzir documentos com campos e linguagem totalmente diferentes.

Como solicitar um atestado ao contratante

A empresa que executou o serviço pode facilitar o trabalho do contratante enviando minuta baseada em dados objetivos, mas o emitente precisa revisar e assumir a declaração.

Uma boa solicitação deve encaminhar:

  • identificação do contrato;
  • período;
  • resumo do objeto;
  • lista das atividades comprováveis;
  • quantitativos baseados em documentação;
  • profissionais e ARTs aplicáveis;
  • minuta editável;
  • documentos de suporte quando necessários.

Não é recomendável pressionar o emitente a declarar atividade que ele não consegue verificar. O ganho de curto prazo pode se transformar em risco de autenticidade ou inconsistência em uma futura diligência.

Como verificar o modelo antes da assinatura

Antes de emitir, vale realizar uma conferência cruzada.

  1. comparar razão social e CNPJ com o contrato;
  2. confirmar datas;
  3. conferir escopo com ordens de serviço e entregáveis;
  4. conferir quantitativos;
  5. conferir profissionais e ARTs;
  6. verificar se empresa e profissional estão corretamente diferenciados;
  7. retirar atividades não comprovadas;
  8. revisar nomes técnicos;
  9. validar autoridade de quem assina;
  10. verificar assinatura eletrônica ou física.

Em contratos complexos, a revisão pode ser feita por matriz de evidências.

Como o órgão público deve emitir atestados de forma segura

Antes de o órgão emitir um atestado, a minuta deve ser confrontada com contrato, ordens de serviço, medições, ARTs, entregáveis e registros da fiscalização. Um workflow de conferência evita declarações excessivas e melhora a rastreabilidade institucional.

Revisar requisitos e documentos técnicos da contratação

O órgão não deve emitir documento apenas com base em minuta encaminhada pela contratada. A unidade responsável precisa confrontar a declaração com o processo.

Isso pode envolver contrato, ordens de serviço, medições, relatórios, aceite, ARTs, entregáveis e registros da fiscalização.

Também é recomendável evitar afirmar desempenho além do que os registros permitem. Se houve execução parcial, o atestado deve refletir a parcela efetivamente concluída.

Um processo padronizado de emissão reduz risco institucional. A Gestão de Processos, Workflows e Aprovações Técnicas pode estruturar responsáveis, conferências, aprovações e evidências para esse tipo de documento.

Como o licitante deve usar o atestado em uma habilitação

O atestado não deve ser enviado isoladamente quando o edital exige conjunto documental específico.

O licitante deve montar matriz requisito-evidência e verificar quais páginas ou trechos de cada documento demonstram a condição. Dependendo do caso, será necessário apresentar CAT, CAO, ART, registros, certidões, contratos ou outros elementos admitidos.

Quando um único atestado cobre várias parcelas, a organização facilita a análise. Quando vários atestados são somados, deve ser demonstrada a relação entre eles e o requisito.

O serviço de Apoio Técnico à Habilitação e Qualificação Técnica de Licitantes de Engenharia pode apoiar essa estruturação em certames de maior complexidade.

Quando um modelo genérico não é suficiente

Há objetos em que um formulário simples não consegue representar adequadamente a experiência.

Projetos multidisciplinares, contratos integrados, serviços continuados, fiscalização, gerenciamento, comissionamento, consultoria especializada e obras com muitas interfaces podem exigir anexos técnicos.

Nesses casos, uma boa estratégia é manter o atestado principal conciso e anexar quadro de escopo, quantitativos ou atividades, desde que o conjunto seja formalmente integrado e assinado.

O objetivo não é produzir o maior documento possível. É produzir evidência suficiente.

Como contratar revisão técnica da documentação de habilitação

Quando o risco está na redação do edital, é recomendável revisar antes da publicação as exigências de atestado, parcelas, quantitativos e documentos profissionais.

Quando o risco está na participação do licitante, a análise pode ser orientada pela matriz de aderência entre edital e acervo.

Quando há controvérsia, o trabalho pode incluir esclarecimento técnico, diligência, impugnação ou recurso.

A Revisão Técnica de Edital e Anexos para Licitações de Engenharia atua preventivamente na primeira frente, enquanto o apoio à habilitação atua na análise dos documentos.

Modelo para capacidade profissional e modelo para capacidade operacional

Embora um único documento possa registrar empresa e profissionais envolvidos, o preenchimento deve deixar claro qual dimensão da capacidade será utilizada.

Para capacidade técnico-profissional, o documento precisa permitir atribuir atividades a um profissional específico. É útil registrar nome, título profissional, registro no conselho, função, período de atuação e atividades sob sua responsabilidade. Quando houver ART vinculada, a referência deve ser coerente com o escopo descrito. O objetivo é que o acervo profissional possa ser interpretado sem transformar toda a execução empresarial em experiência individual.

Para capacidade técnico-operacional, o foco é a pessoa jurídica. O documento deve caracterizar como a empresa participou da execução, quais parcelas assumiu, em que escala e sob quais condições. Em contratos com consórcio, subcontratação ou múltiplas empresas, essa atribuição merece detalhamento adicional.

O quadro abaixo ajuda a evitar mistura:

CampoProfissionalPessoa jurídica
Titularnome e registrorazão social e CNPJ
Experiênciaatividades sob responsabilidadeparcelas executadas pela organização
Registro associadoART e CAT quando aplicáveisacervo operacional e CAO quando aplicáveis
Quantitativosassociados à responsabilidade comprovadaassociados à execução empresarial
Risco principalatribuir atividade que não foi do profissionalapropriar experiência de terceiro

Em algumas contratações, o edital exigirá as duas dimensões. Nesse caso, o conjunto documental deve permitir analisá-las de modo complementar, sem duplicação artificial.

Quando emitir o atestado

Não existe um único momento ideal para todos os contratos. A emissão pode ocorrer após conclusão, após marco parcial claramente definido ou durante contrato continuado, desde que o documento indique exatamente o período e as parcelas atestadas.

Emitir apenas muitos anos depois pode dificultar reconstrução de quantitativos, localização de responsáveis e confirmação de documentos. Por isso, uma boa prática de gestão contratual é tratar o atestado como parte do encerramento técnico.

Em projetos longos, pode ser útil emitir documento por etapas quando há entregas autônomas e formalmente aceitas. Isso deve ser feito com cuidado para não sugerir conclusão total.

A Gestão de Contratos, Escopo e Entregáveis oferece a lógica adequada: cada evidência precisa estar vinculada ao escopo e ao marco que a originou.

Checklist de evidências antes de preencher o modelo

Antes de redigir, reunir documentos evita que a memória das pessoas se torne a principal fonte.

Uma pasta de evidências pode incluir:

  • contrato e aditivos;
  • ordens de serviço;
  • proposta técnica aprovada;
  • projetos e memoriais;
  • planilhas de quantitativos;
  • medições;
  • relatórios de fiscalização;
  • ARTs e registros profissionais;
  • termos de recebimento;
  • relatórios de testes;
  • documentação As-Built;
  • comunicações formais relevantes.

Nem todos esses documentos precisam acompanhar o atestado. Eles servem para sustentar o que será declarado.

A relação entre declaração e evidência pode ser organizada em tabela:

Declaração pretendidaFonte de validação
período executadocontrato, OS, termo de recebimento
quantidademedição, planilha, relatório
atividade de projetoentregáveis e ART
responsabilidade profissionalART e registros
conclusãotermo de aceite ou relatório
integração/comissionamentoprotocolos e relatórios de teste

Essa etapa reduz retrabalho e aumenta a confiabilidade da emissão.

Como adaptar o modelo para diferentes disciplinas

O núcleo do documento é o mesmo, mas os campos técnicos mudam.

Em engenharia elétrica, podem ser relevantes potência, tensão, quadros, circuitos, transformadores, geradores, UPS, sistemas de aterramento, SPDA, seletividade e estudos.

Em redes e telecomunicações, podem ser relevantes número de pontos, categoria de cabeamento, backbone óptico, certificação, racks, redundância, sites e protocolos de teste.

Em segurança eletrônica, podem ser relevantes câmeras, leitores, controladoras, VMS, integrações, armazenamento, analíticos, LPR, servidores, rede e testes funcionais.

Em engenharia consultiva, quantidade de documentos isoladamente pode dizer pouco. O atestado precisa caracterizar etapas, disciplinas, complexidade, governança, interfaces, coordenação, fiscalização, procurement, comissionamento ou gestão.

Em obras civis, áreas, volumes, tipologias estruturais, métodos construtivos, instalações e condições do empreendimento podem ser decisivos.

A adaptação correta não consiste em trocar apenas o título do modelo. Consiste em escolher os parâmetros que realmente demonstram capacidade naquele domínio.

Atestado eletrônico, assinatura e verificabilidade

Documentos eletrônicos facilitam conferência quando preservam integridade e mecanismo de validação.

A assinatura deve permitir identificar signatário e organização. Em sistemas de assinatura eletrônica, é recomendável manter comprovante ou mecanismo de verificação disponível. Quando houver numeração, processo eletrônico ou código de validação institucional, esses elementos podem ser registrados.

O objetivo não é impor tecnologia específica, mas garantir que uma futura comissão consiga verificar origem e integridade do documento.

Também é útil preservar a versão final em repositório institucional, evitando depender apenas do arquivo entregue ao contratado.

Como evitar que o template vire um documento “inflado”

A existência de muitos campos não significa que todos precisam ser preenchidos com longas descrições.

Um atestado deve ser proporcional. Para um serviço pontual, duas ou três páginas podem ser suficientes. Para contrato multidisciplinar, pode ser necessária documentação maior.

O teste de qualidade é simples: cada informação ajuda a demonstrar quem fez, o que fez, em que escala, com qual responsabilidade ou com qual resultado?

Se a resposta for não, o conteúdo provavelmente pode ser removido.

O excesso também cria risco. Quanto mais afirmações desnecessárias, maior a chance de surgir inconsistência com o processo.

Por isso, o modelo deve ser tratado como estrutura de decisão, não como formulário que precisa ser preenchido integralmente.

Considerações finais

Um modelo de atestado de capacidade técnica útil para licitação precisa registrar fatos de engenharia, não apenas formalidades. A combinação de identificação, vínculo, escopo, quantitativos, complexidade, responsabilidade técnica e assinatura transforma uma declaração genérica em evidência verificável.

O melhor momento para organizar essa informação é no encerramento ou em marcos do contrato, enquanto documentos, profissionais e medições estão disponíveis. A qualidade do atestado futuro começa na rastreabilidade da execução presente.

Ao utilizar um template, a regra mais importante permanece simples: preencher somente aquilo que possa ser demonstrado. O documento deve refletir a experiência real e manter coerência com toda a base documental que o sustenta.

Quando o atestado passa a compor uma habilitação real, ele deve ser analisado em conjunto com CAT, CAO, ART, edital, proposta e demais evidências. A análise integrada reduz risco de habilitação ou inabilitação baseada apenas em forma documental.

Contratar apoio técnico à licitação e análise de propostas

Referências técnicas

[1] BRASIL. Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021 — Lei de Licitações e Contratos Administrativos. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14133.htm.

[2] TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Licitações e Contratos: Orientações e Jurisprudência do TCU — Seção 5.5.2 Habilitação Técnica. Disponível em: https://licitacoesecontratos.tcu.gov.br/5-5-2-habilitacao-tecnica/.

[3] CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA. Resolução nº 1.137, de 31 de março de 2023, alterada pela Resolução nº 1.160, de 11 de dezembro de 2025. Disponível em: https://normativos.confea.org.br/Ementas/Visualizar?id=76099.

Perguntas frequentes
Onde encontrar um modelo de atestado de capacidade técnica?

O modelo deve ser adaptado ao contrato e ao tipo de experiência. Uma boa estrutura inclui identificação das partes, vínculo contratual, objeto, período, escopo executado, quantitativos relevantes, responsabilidade técnica, resultado e assinatura.

Quem pode emitir o atestado de capacidade técnica?

O documento deve ser emitido pelo contratante ou declarante que tenha condições de confirmar a execução e assumi-la institucionalmente. A competência do signatário e a forma de emissão devem ser verificáveis.

O modelo deve ser em Word ou PDF?

O Word é útil como template editável durante a preparação. O PDF é mais adequado como versão final assinada e controlada. O arquivo Word, sem assinatura, não é prova de capacidade técnica.

Todo atestado precisa ser registrado no CREA?

Não se deve aplicar essa frase como regra universal. É necessário distinguir atestado, ART, CAT e CAO e verificar qual comprovação o edital e a regulamentação profissional exigem para a capacidade profissional ou operacional.

O atestado deve conter quantitativos?

Quando a escala for relevante para demonstrar capacidade ou o edital exigir quantitativo mínimo, registrar quantidades comprováveis aumenta a utilidade do documento. Não é necessário reproduzir toda a planilha do contrato.

É possível emitir atestado de serviço ainda em andamento?

Pode haver atestado relativo a período ou parcela efetivamente executada, desde que o documento deixe claro o que foi concluído e até qual data, sem declarar como finalizado o que ainda está em execução.

A empresa pode preparar a minuta para o contratante assinar?

Pode facilitar a emissão enviando minuta baseada em fatos e documentos, mas o emitente deve conferir, ajustar e assumir o conteúdo. A minuta não autoriza inserir atividades ou quantidades que o contratante não possa confirmar.

Qual a diferença entre o modelo para capacidade profissional e operacional?

Na capacidade profissional, o documento precisa atribuir atividades e responsabilidades a um profissional específico. Na capacidade operacional, o foco é caracterizar as parcelas e a atuação da pessoa jurídica.

Assinatura eletrônica é válida em atestado?

O documento eletrônico deve permitir identificar o signatário e verificar integridade e origem conforme o mecanismo utilizado e as regras aplicáveis. É recomendável preservar código, comprovante ou meio de validação.

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