Entenda a diferença entre DPS 175 V e 275 V, o que é Uc, relação com tensão 127/220 V, modos L-N/L-PE, TN/TT/IT, TOV, Up e critérios de escolha.
Confira!
A escolha entre DPS 175 V e 275 V não deve ser feita apenas olhando a tensão nominal impressa no quadro ou repetindo uma regra de bolso. Esses valores estão ligados principalmente à Uc, tensão máxima eficaz de operação contínua que pode permanecer aplicada ao modo de proteção do DPS sem provocar atuação indevida ou degradação incompatível com sua função.
A Uc precisa ser compatível com a tensão que efetivamente aparece entre os terminais aos quais o DPS será conectado. Isso depende da tensão da rede, do esquema de aterramento, do modo de proteção e da posição do dispositivo — fase-neutro, fase-PE, neutro-PE ou fase-fase. Por isso, um mesmo sistema pode exigir valores diferentes em modos de proteção distintos.
Também existe uma relação de compromisso. Uma Uc excessivamente baixa pode tornar o DPS mais suscetível a sobretensões temporárias, conhecidas como TOV. Uma Uc muito alta pode aumentar a margem de operação contínua, mas não garante melhor limitação de tensão e pode afastar a seleção da necessidade real do equipamento protegido.
A pergunta técnica correta não é “175 V ou 275 V, qual é melhor?”, mas sim: qual Uc é compatível com a tensão permanente e com as TOV do modo de proteção, mantendo Up e Up/f adequados à suportabilidade Uw dos equipamentos?
O que é Uc no DPS?
A ABNT NBR IEC 61643-11 define Uc como a tensão eficaz máxima que pode ser aplicada em regime permanente ao modo de proteção do DPS.
Essa definição contém duas informações importantes:
1. Uc é uma tensão de operação contínua, não o nível de tensão que o DPS limita durante um surto; 2. o valor vale para um modo de proteção específico.
Um DPS pode possuir modos entre:
- fase e neutro;
- fase e PE;
- neutro e PE;
- fase e fase.
A tensão presente em cada um desses pares pode ser diferente, e o fabricante deve declarar a Uc para os modos previstos.
Para uma visão geral dos demais parâmetros, consulte Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS).
Uc não é Up
Uc e Up respondem a perguntas diferentes.
| Parâmetro | Pergunta que responde |
Uc | qual tensão eficaz pode permanecer aplicada continuamente ao DPS? |
Up | qual nível de tensão de proteção é declarado durante o ensaio de surto? |
Up/f | qual é o nível efetivo na instalação, incluindo quedas nas conexões? |
Uw | qual impulso o equipamento protegido suporta? |
Um DPS 275 V pode ter Up menor ou maior que um DPS 175 V, dependendo do projeto do produto. Não existe equivalência direta do tipo “menor Uc = menor Up” válida para todas as famílias.
Por que existem DPS 175 V e 275 V?
Esses valores são utilizados porque diferentes redes e modos de conexão exigem diferentes tensões máximas de operação contínua.
Em termos práticos:
- redes com tensão fase-neutro em torno de 127 V podem permitir DPS com
Ucmais baixa em determinados modos; - redes com tensão fase-neutro em torno de 220 V normalmente exigem
Ucsuperior; - conexões fase-fase podem exigir valores ainda maiores;
- conexões fase-PE ou neutro-PE dependem do esquema de aterramento e das sobretensões possíveis.
Entretanto, a seleção deve ser feita a partir da tensão entre os terminais do modo de proteção, não apenas pela etiqueta geral da instalação.
O que a NBR 5410 estabelece para Uc
A ABNT NBR 5410:2004, versão corrigida 2008, estabelece valores mínimos de Uc em função do esquema de aterramento e dos pontos entre os quais o DPS é conectado.
A lógica utiliza:
Uo: tensão fase-neutro;U: tensão entre fases.
Conforme o modo de conexão, a norma exige Uc mínima relacionada a 1,1 Uo, √3 Uo, Uo ou U.
Isso mostra por que não existe um único valor universal para toda rede.
Exemplo de raciocínio com Uo
Se a tensão fase-neutro é 127 V, 1,1 Uo corresponde a aproximadamente 140 V. Um DPS com Uc = 175 V pode, em determinados modos e esquemas, oferecer margem suficiente acima desse mínimo.
Se a tensão fase-neutro é 220 V, 1,1 Uo corresponde a aproximadamente 242 V. Nesse cenário, Uc = 175 V seria inferior à tensão contínua requerida para um modo fase-neutro típico, enquanto 275 V pode ser compatível.
Isso não significa que “127 V = 175 V” e “220 V = 275 V” seja uma regra completa. O esquema, o modo e as TOV precisam ser considerados.
DPS 175 V em rede 127 V
Em uma rede com tensão fase-neutro de 127 V, um DPS com Uc = 175 V é frequentemente encontrado em aplicações fase-neutro ou fase-PE compatíveis.
A vantagem potencial é trabalhar com uma Uc mais próxima da tensão nominal, o que pode permitir menor nível de limitação em determinadas tecnologias e famílias.
Mas a seleção precisa verificar:
- tolerância real da rede;
- elevações permanentes de tensão;
- perda de neutro;
- TOV por faltas;
- esquema TN, TT ou IT;
- modo de conexão;
Up;- proteção de retaguarda.
Um DPS de 175 V não deve ser colocado em qualquer circuito “127 V” sem analisar essas condições.
DPS 275 V em rede 127 V: pode usar?
Pode existir aplicação tecnicamente aceitável, mas isso não significa que seja sempre a melhor escolha.
Uma Uc maior aumenta a margem diante da tensão permanente e de determinadas TOV, mas pode vir acompanhada de Up diferente. O projetista precisa comparar a proteção final oferecida ao equipamento.
Se um DPS 275 V possui Up suficientemente baixo e atende aos demais requisitos, ele pode ser utilizado. Porém escolher 275 V apenas “para não queimar o DPS” pode sacrificar desempenho sem necessidade.
DPS 175 V em rede 220 V: por que normalmente é problemático
Se o DPS for conectado entre fase e neutro de uma rede cuja tensão permanente é aproximadamente 220 V, uma Uc de 175 V fica abaixo da própria tensão normal do modo.
Isso pode provocar:
- condução indevida;
- aquecimento;
- degradação acelerada;
- atuação do desligador;
- falha do dispositivo.
A seleção precisa sempre manter Uc acima da tensão contínua admissível prevista para o modo de proteção.
DPS 275 V em rede 220 V
Em redes com aproximadamente 220 V fase-neutro, Uc = 275 V é um valor comum porque fornece margem acima da tensão contínua e pode atender aos mínimos derivados de 1,1 Uo em determinadas configurações.
Ainda assim, é necessário verificar:
- variação da concessionária;
- TOV;
- esquema de aterramento;
Up;- classe;
- corrente de surto;
ISCCR;- instruções do fabricante.
“275 V” não é uma especificação completa.
DPS em rede 220/380 V
Em uma rede 220/380 V:
- fase-neutro: aproximadamente 220 V;
- fase-fase: aproximadamente 380 V.
Um DPS instalado fase-neutro enxerga uma tensão diferente de um DPS instalado fase-fase.
Portanto, um dispositivo 275 V pode ser adequado ao modo fase-neutro, mas não necessariamente ao modo fase-fase.
A arquitetura deve definir os modos de proteção conforme o esquema de aterramento.
DPS em rede 127/220 V
Em uma rede 127/220 V:
- fase-neutro: aproximadamente 127 V;
- fase-fase: aproximadamente 220 V.
Isso explica por que podem existir valores distintos de Uc dentro da mesma instalação, dependendo de como os DPS são conectados.
A solução não deve ser escolhida apenas pela frase “a rede é 220 V”, pois isso pode significar 220 V fase-fase com 127 V fase-neutro ou 220 V fase-neutro em outro sistema.
A importância do esquema de aterramento
A NBR 5410 diferencia as conexões em sistemas:
- TN-S;
- TN-C;
- TN-C-S;
- TT;
- IT com neutro;
- IT sem neutro.
O esquema altera:
- quais modos de proteção são utilizados;
- quais tensões aparecem entre terminais;
- comportamento em faltas;
- TOV;
- posição relativa a dispositivos DR.
Portanto, a Uc correta depende também da arquitetura do aterramento.
DPS entre fase e neutro
Na conexão fase-neutro, o DPS é submetido à tensão fase-neutro em regime permanente.
A seleção precisa considerar:
Uo;- tolerância;
- harmônicas e condições de rede;
- elevação de neutro;
- perda de neutro;
- TOV.
Em muitos sistemas, essa é a origem da comparação entre 175 V e 275 V.
DPS entre fase e PE
A tensão fase-PE depende do sistema e da condição do neutro/terra.
Em TN-S, por exemplo, fase-PE tende a acompanhar fase-neutro em regime normal. Em TT e IT, as condições de falta e sobretensão temporária podem ser diferentes.
A escolha deve considerar a tensão contínua e as TOV previstas para esse modo.
DPS entre neutro e PE
O modo neutro-PE possui comportamento particular.
Em operação normal, a tensão N-PE pode ser pequena, mas faltas e eventos no sistema podem elevar essa diferença de potencial.
Por isso, o DPS N-PE não deve ser selecionado apenas pela tensão normal. TOV e capacidade de condução também são determinantes.
Em esquemas de conexão específicos da NBR 5410, o dispositivo N-PE pode receber a soma de correntes provenientes de múltiplos condutores de fase durante um surto, exigindo análise própria de corrente.
DPS entre fases
Em conexão fase-fase, a Uc precisa ser compatível com a tensão entre fases U, não com Uo.
Isso torna inadequada a aplicação de um DPS 275 V em muitos circuitos fase-fase de 380 V ou 440 V.
Nesses casos, produtos com Uc superiores são necessários.
O que é TOV?
TOV significa Temporary Overvoltage, ou sobretensão temporária.
Diferentemente de um surto de microssegundos, a TOV permanece por tempo muito maior. Pode decorrer de:
- perda de neutro;
- falta à terra;
- defeito em rede de média tensão;
- deslocamento do ponto neutro;
- condições anormais de operação.
Um DPS deve suportar determinadas TOV ou falhar de modo seguro conforme os ensaios aplicáveis.
Por que Uc e TOV estão ligadas
Se Uc for muito próxima da tensão permanente, uma elevação temporária pode levar o DPS a conduzir por tempo excessivo.
Um varistor, por exemplo, pode aquecer progressivamente sob TOV e entrar em degradação térmica.
Por outro lado, escolher Uc excessivamente alta apenas para suportar TOV pode elevar o nível de limitação em algumas famílias.
O projeto precisa equilibrar:
- operação contínua;
- TOV;
- proteção contra surtos.
Há queima recorrente de DPS, perda de neutro ou comportamento anormal da rede?
Nesse cenário, trocar 175 V por 275 V — ou o inverso — sem diagnóstico pode apenas mascarar a causa. A Inspeção, Diagnóstico e Adequação de DPS e MPS verifica tensão real, TOV, conexões, aterramento, estado dos dispositivos e compatibilidade com a instalação.
Perda de neutro e DPS
A perda do neutro é uma condição crítica em sistemas trifásicos com cargas desequilibradas.
As tensões fase-neutro podem se deslocar significativamente. Um DPS com Uc selecionada muito próxima da tensão nominal pode ser submetido a uma sobretensão temporária severa.
A solução deve verificar o comportamento TOV declarado pelo fabricante, não apenas a Uc.
Uc maior sempre aumenta a segurança?
Não em todos os sentidos.
Uma Uc maior pode reduzir a probabilidade de atuação sob elevações temporárias, mas a proteção contra surtos não deve ser analisada isoladamente da tensão residual.
Em algumas tecnologias, aumentar Uc pode resultar em Up mais alto.
A pergunta correta é se a combinação Uc + TOV + Up + Up/f atende ao sistema.
O que é Up e por que ele importa ao escolher 175 ou 275 V
Up é o nível de tensão de proteção declarado.
Dois DPS com correntes semelhantes e diferentes Uc podem possuir Up distintos.
Para proteger uma carga, Up precisa ser compatível com Uw e com a instalação física.
A NBR 5419-4:2026 estabelece o conceito Up/f, nível efetivo que inclui as quedas de tensão do ramal.
Up/f: a tensão real pode ser maior que a do catálogo
Para DPS limitadores de tensão:
Up/f = Up + ΔU
ΔU inclui a queda de tensão nos condutores, conexões e elementos associados ao ramal.
A NBR 5419-4 apresenta como referência que 1 m de ligação conduzindo 10 kA pode adicionar aproximadamente 1 kV.
Assim, discutir 175 V versus 275 V sem controlar o comprimento das conexões pode significar otimizar um parâmetro e perder proteção em outro.
Uw: suportabilidade da carga
Uw representa a tensão suportável de impulso do equipamento.
A seleção do DPS precisa garantir que a tensão efetiva permaneça dentro da capacidade da carga, considerando distância e criticidade.
Para trechos não maiores que 10 m, a NBR 5419-4 utiliza margens como Up/f ≤ 0,8 Uw, podendo chegar a 0,5 Uw em sistemas críticos.
Se a distância superar 10 m, podem ser necessárias medidas adicionais.
Como escolher Uc: método em oito etapas
1. Identifique a tensão real do sistema
Não use apenas “127”, “220” ou “380” sem saber se o valor é fase-neutro ou fase-fase.
Registre:
Uo;U;- tolerância de operação;
- fontes alternativas.
2. Identifique o esquema de aterramento
Defina TN-S, TN-C, TN-C-S, TT ou IT.
3. Defina os modos de proteção
Especifique fase-neutro, fase-PE, N-PE e/ou fase-fase.
4. Determine a tensão permanente em cada modo
Use a topologia real, não uma tabela genérica.
5. Verifique o mínimo normativo de Uc
Compare com os critérios da NBR 5410 para o esquema e modo correspondente.
6. Avalie TOV
Considere perda de neutro, faltas e dados do fabricante.
7. Compare Up e Up/f com Uw
Não escolha Uc isoladamente.
8. Documente a decisão
Registre o valor e a justificativa por modo de proteção.
Exemplo: rede 127/220 V TN-S
Considere uma rede com:
- 127 V fase-neutro;
- 220 V fase-fase;
- TN-S.
Para um DPS fase-neutro, o cálculo de referência baseado em 1,1 Uo resulta em valor mínimo próximo de 140 V. Uc = 175 V pode ser tecnicamente compatível, desde que TOV, Up e fabricante sejam adequados.
Para um modo fase-fase, a tensão é 220 V. Um dispositivo 175 V não seria compatível com a tensão contínua do modo.
O exemplo mostra por que um único “DPS 175 V para rede 127/220” não descreve todos os modos.
Exemplo: rede 220/380 V TN-S
Aqui:
Uo = 220 V;U = 380 V.
Para fase-neutro, 1,1 Uo é aproximadamente 242 V. Uc = 275 V pode atender ao requisito mínimo em muitas aplicações.
Para fase-fase, 275 V é inferior aos 380 V permanentes e não serve para esse modo.
Exemplo: sistema TT
Em TT, a relação entre neutro, PE e terra local exige atenção especial.
A posição do DPS em relação ao DR e as TOV decorrentes de faltas precisam ser analisadas.
A NBR 5410 prevê condições específicas para DPS a montante do DR em TT e para o modo N-PE.
A simples escolha 175/275 V não resolve a arquitetura.
A instalação opera em TT, IT ou possui interfaces complexas entre neutro, PE e DR?
A definição de Uc precisa considerar o modo de proteção e as sobretensões temporárias possíveis em cada esquema. Em instalações complexas, o Projeto Elétrico de Baixa Tensão deve compatibilizar DPS, DR, aterramento, quadros e condições de operação.
Exemplo: sistema IT
Em IT, a tensão fase-terra pode mudar significativamente durante a primeira falta.
Por isso, a NBR 5410 estabelece requisitos de Uc diferentes para determinados modos em IT com ou sem neutro.
É um dos cenários em que aplicar regra residencial baseada apenas em 127 ou 220 V é particularmente inadequado.
DPS 440 V e 460 V
Em instalações com tensões mais elevadas, como 380/440 V fase-fase ou 440 V em determinados modos, são encontrados DPS com Uc de 440 V, 460 V ou outros valores.
A mesma metodologia permanece válida:
- identificar tensão entre terminais;
- verificar TOV;
- comparar
Up; - verificar classe e corrente;
- confirmar o esquema de conexão.
Não existe mudança de princípio apenas porque o número é maior.
Uc e classe do DPS são independentes
É possível encontrar:
- Classe I 275 V;
- Classe II 275 V;
- Classe II 175 V;
- dispositivos combinados T1+T2 com diferentes
Uc.
A classe responde à energia/regime de ensaio. Uc responde à tensão contínua.
Misturar os dois conceitos leva a erros como “Classe I precisa ser 275 V”.
Para aprofundar a classificação, consulte DPS Classe 1, Classe 2 e Classe 3.
Uc e corrente de descarga também são independentes
Um DPS 175 V pode existir em 20 kA, 40 kA ou outras capacidades. O mesmo vale para 275 V.
A corrente de surto responde à solicitação energética. A tensão Uc responde ao regime permanente.
A comparação de corrente está detalhada em DPS 20 kA, 40 kA, 45 kA ou 60 kA.
Uc não define ISCCR
ISCCR representa a corrente de curto-circuito nominal associada ao DPS e aos desligadores especificados.
Um DPS 275 V 40 kA pode ter ISCCR inadequado para um QGBT com alto curto-circuito.
Portanto, tensão e corrente de surto não substituem a verificação de curto-circuito.
A interface com disjuntores e fusíveis é tratada em DPS e Disjuntor.
Uc e coordenação entre DPS
Em uma cascata, os dispositivos podem possuir diferentes Uc e Up.
A coordenação precisa garantir:
- estabilidade de cada estágio na tensão contínua;
- energia compatível;
- níveis de proteção progressivos;
- ausência de atuação indevida;
- proteção final da carga.
Não é necessário que todos os DPS de uma instalação tenham exatamente a mesma Uc, desde que cada modo e ponto sejam corretamente especificados.
Erros comuns na escolha 175 V versus 275 V
Escolher pela tensão fase-fase sem identificar Uo
Uma rede “220 V” pode ser 127/220 V ou 220 V fase-neutro em outra configuração.
Usar 175 V em modo permanentemente próximo de 220 V
Pode gerar condução e degradação.
Usar 275 V sempre “por segurança”
Pode aumentar margem de TOV, mas deve ser confrontado com Up e a proteção requerida.
Ignorar perda de neutro
TOV severa pode destruir DPS corretamente dimensionado apenas para operação normal.
Ignorar TN, TT e IT
O esquema altera tensões e modos.
Misturar Uc com Up
São grandezas diferentes.
Misturar Uc com classe
Classe I, II ou III não determina a tensão máxima contínua.
Não verificar ficha técnica por modo
DPS multipolares podem possuir comportamentos diferentes entre L-N, L-PE e N-PE.
Como especificar Uc em um memorial de projeto
Um memorial técnico deve registrar, no mínimo:
- tensão nominal da rede;
UoeU;- esquema de aterramento;
- modo de proteção;
Ucmínima calculada ou requerida;Ucselecionada;- TOV considerada;
Up;Up/festimado;Uwda carga ou categoria aplicável;- classe;
In/Iimp;ISCCR;- proteção de retaguarda;
- modelo de referência.
Assim, a indicação “DPS 275 V” deixa de ser uma linha de compra e passa a ser uma especificação verificável.
Como auditar DPS 175/275 V instalado
Em instalações existentes, verifique:
1. tensão real no quadro; 2. modo de conexão; 3. esquema de aterramento; 4. Uc do modelo; 5. Up; 6. estado do indicador; 7. proteção de retaguarda; 8. curto-circuito disponível; 9. comprimento das conexões; 10. histórico de TOV ou perda de neutro; 11. alterações da rede; 12. coordenação com outros DPS.
Um DPS que funciona há anos não está automaticamente bem especificado. Pode simplesmente não ter sido submetido ao evento crítico ou pode operar com margem inadequada.
Para avaliação de campo, consulte Inspeção, Diagnóstico e Adequação de DPS e MPS.
Quando a escolha de Uc exige projeto de MPS
A análise deve ser tratada como projeto quando houver:
- SPDA;
- múltiplos quadros;
- redes TN/TT/IT complexas;
- equipamentos críticos;
- várias fontes de alimentação;
- geradores;
- UPS;
- sistemas fotovoltaicos;
- linhas de sinal;
- histórico de falhas;
- grandes distâncias;
- diferentes estruturas interligadas.
O Projeto de Medidas de Proteção contra Surtos consolida Uc, TOV, Up, Up/f, classes, correntes, ZPR, coordenação, aterramento e documentação.
Precisa especificar DPS em uma instalação crítica ou multiquadro?
Quando a decisão envolve mais do que escolher “175 V ou 275 V”, a especificação deve sair do nível de componente e virar engenharia de sistema. Conheça o Projeto de Medidas de Proteção contra Surtos (MPS).
Síntese: DPS 175 V ou 275 V?
A decisão deve seguir esta sequência:
1. identifique Uo e U; 2. identifique o esquema de aterramento; 3. defina o modo de proteção; 4. calcule/verifique a Uc mínima aplicável; 5. considere TOV; 6. compare o Up; 7. verifique Up/f contra Uw; 8. verifique classe, corrente e ISCCR; 9. coordene com os demais DPS.
Em muitas redes 127 V fase-neutro, 175 V pode ser adequado a determinados modos. Em muitas redes 220 V fase-neutro, 275 V pode ser a escolha coerente. Mas essas associações só são válidas quando o modo, o esquema, as TOV e os demais parâmetros confirmam a aplicação.
A seleção correta não é “175 V para 127 V e 275 V para 220 V”. A seleção correta é Uc compatível com a tensão contínua e as TOV, preservando o nível de proteção necessário ao equipamento.
Referências técnicas
[1] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR IEC 61643-11:2021, versão corrigida 2022 — Dispositivos de proteção contra surtos de baixa tensão — Parte 11. Disponível em: Catálogo ABNT.
[2] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5410:2004, versão corrigida 2008 — Instalações elétricas de baixa tensão. Disponível em: Catálogo ABNT.
[3] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5419-4:2026 — Proteção contra descargas atmosféricas — Parte 4. Disponível em: Catálogo ABNT.
[4] INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. IEC 61643-11:2011 — Low-voltage surge protective devices — Part 11. Disponível em: IEC Webstore.
Perguntas frequentes
A diferença principal está na tensão máxima de operação contínua Uc. O valor deve ser compatível com a tensão entre os terminais do modo de proteção e com as sobretensões temporárias da rede.
Frequentemente pode ser adequado em determinados modos de proteção de redes 127 V fase-neutro, mas a seleção depende de esquema de aterramento, TOV, Up e modo de conexão.
Em muitas redes 220 V fase-neutro, Uc de 275 V é compatível com o requisito de tensão contínua, mas o projeto também deve verificar TOV, Up, classe e demais parâmetros.
Pode ser tecnicamente possível, mas não é automaticamente a melhor escolha. É necessário verificar se o Up e o desempenho final continuam adequados à carga.
Em modo fase-neutro com aproximadamente 220 V permanentes, Uc de 175 V normalmente é inferior à tensão de operação e tende a ser inadequada.
Uc é a tensão eficaz máxima que pode ser aplicada continuamente ao modo de proteção do DPS.
Não. Uc trata da tensão permanente admissível; Up é o nível de tensão de proteção durante o surto.
TOV é uma sobretensão temporária que dura muito mais que um surto transitório e pode ocorrer, por exemplo, por perda de neutro ou faltas no sistema.
Pode submeter o DPS a TOV elevada. A adequação depende da Uc, do comportamento TOV do produto e da arquitetura da rede.
Não se a tensão permanente entre os terminais for 380 V, pois a Uc de 275 V seria inferior à tensão normal daquele modo.
Sim. O esquema de aterramento altera modos de conexão, tensões entre terminais e comportamento em faltas e TOV.
Identifique Uo, U, esquema de aterramento e modo de proteção; verifique a Uc mínima aplicável, TOV, Up, Up/f, classe, corrente e ISCCR.
Materiais técnicos complementares
Soluções relacionadas
- Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS)
- Medidas de Proteção contra Surtos (MPS)
- Aterramento e Equipotencialização
Serviços de engenharia relacionados
- Projeto de Medidas de Proteção contra Surtos (MPS)
- Inspeção, Diagnóstico e Adequação de DPS e MPS
- Projeto Elétrico de Baixa Tensão
- Projeto de Aterramento
Conteúdos técnicos correlatos
- DPS: o que é, para que serve, classes, dimensionamento e instalação
- Coordenação de DPS
- NBR 5410: instalações elétricas BT, aterramento, DPS e conformidade
- DPS e Disjuntor